Pictures of Us

17 The Wedding Part. 2 || Oliver


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Olha eu aqui de novo. No capítulo se segunda, muita coisa ficou para ser respondida. Como Tommy e Caitlin pararam juntos na organização do casamento? Por que Oliver se atrasou tanto? Mãos verdes do padrinho? E os votos da Felicity? Respostas nesse. E também vemos as diferenças claras entre o noivo e a noiva em dias de casório. Espero que estejam gostando desse casamento que está virando quase uma saga. Boa leitura e até as notas finais!! Bjs*

#10 horas antes do casamento

O zumbido do celular que anunciava a chegada de uma mensagem foi o que me acordou. Geralmente não acordaria, mas como o aparelho estava debaixo do meu travesseiro, acabou acontecendo.

Sentei no sofá de Tommy estalando as costas e desbloqueando a tela, fazendo uma nota mental para lhe encher o saco para comprar um sofá melhor. Não que eu planejasse dormir aqui mais vezes, só passei a noite na casa do meu melhor amigo por exigência da minha noiva em cumprir todas as tradições de casamento, inclusive a do noivo não ver a noiva no dia da cerimônia, até o momento certo.

Sorri para a mensagem de Felicity.

"Bom dia, peixinho. Chegou nosso grande dia, não atrase, não se perca no caminho, não morra. E não deixe Tommy lhe desencaminhar. Te amo."

Respondi na hora, podendo apostar minha arma e distintivo que ela não havia dormido nada noite passada, me sentindo tentado a ir lá. Estava com saudades, e se ela estava nervosa, eu poderia ajudar. Mas algo me dizia pelo jeito que ela me chutou para fora de casa ontem depois do jantar de ensaio, que vê-la hoje antes da cerimônia só iria aumentar seu estresse. Sendo assim, apenas deitei novamente e voltei a dormir.

Não sei quando tempo fiquei desacordado, mas novamente fui despertado por barulhos externos, no caso agora, a campainha, chata e insistente. Cobri a cabeça com o travesseiro para abafar o som, mas só parecia que ele ficava mais alto.

― Nem pra atender a campainha você me serve? ― Tommy chegou reclamando, usando apenas seu samba canção do Piu-Piu e Frajola e coçando os olhos para acordar mais rápido. ― Tinha que ser…

― Não acredito que vocês estão acordando agora, já é quase meio dia! ― Caitlin entrou como um furacão no apartamento, dois grandes sacos pretos em mãos. ― Eu trouxe os smokings de vocês, e… Thomas, você não vai colocar uma roupa?

― Eu não, estou em casa, os incomodados que se retirem. ― Ela rosnou e não segurei uma risada, agradecendo mentalmente por não confiar nada na higiene do sofá do meu amigo e ter dormido completamente vestido, ou teríamos mais drama sobre falta de roupas. ― E se era só isso, querida, pode ir. ― A dispensou com um gesto de mão, sentando ao meu lado, e sob o olhar chocado de Caitlin, ligou o vídeo game, jogando um dos controles para mim.

― Vocês não vão ficar o dia todo jogando quando temos tanta coisa pra fazer! ― elevou a voz, e como Tommy estava mais perto, teve que cobrir o ouvido, fazendo uma careta.

― Não grita, sua lunática, acabei de acordar!

― É o seguinte, vou ter que falar bem explicadinho para os dois lerdos entenderem: hoje é o ca-sa-men-to, o dia mais especial da Felicity, que ela tem planejado por meses e tem que sair perfeito porque ela merece. Ela não pode ajudar, porque tem que ficar se preparando em casa, então nós temos que fazer isso por ela, entenderam?

― Sabe, é meu dia especial também.

― Quieto, Oliver, é o dia dela! ― gritou, e eu me encolhi no sofá. Felicity havia mesmo enlouquecido a pobrezinha. ― Agora você vai ser um noivo bonzinho e compreensivo, que vai estar presente e muito feliz com uma hora de antecedência no lugar da cerimônia, e você vai ser o padrinho minimamente útil que vai colocar uma roupa e vem comigo agora. ― Apontou pra mim, então para Tommy, que ficou em pé como se tivesse levado um choque na bunda.

― Eu não vou com você pra lugar nenhum!

― Criatura abominável, estou gostando dessa ideia tanto quanto você, mas tenho um milhão de coisinhas para ver, e preciso de alguém dirigindo enquanto falo ao telefone e que carregue as coisas pesadas. Você é o padrinho, é sua obrigação.

― Minha obrigação era fazer a despedida de solteiro do Oliver, o que fiz magistralmente, há vídeos para provar! Estou livre.

― Nada disso, você vai ajudar sim. Oliver, diz pra ele!

O que eu já sabia, por ter estado em vários relacionamentos, e Tommy não, era que não se devia discutir com uma mulher nervosa em plena organização de alguma coisa. Só Deus sabe como quis me jogar da janela na vez que fiz uma pergunta estúpida sobre a importância de um jantar a Laurel, e ela me passou um sermão de duas horas.

― É, parceiro, está com você ― falei me recostando melhor no sofá, as mãos unidas atrás da cabeça. ― Eu sou o noivo. ― Arfou em ofensa.

― Traidor! ― Me olhou como se eu tivesse matado seu bichinho de estimação ou riscado seu carro importado novinho.

― Relaxe, no dia do casamento de vocês dois, você fica jogando videogame e eu faço essas coisas chatas aí com Felicity. ― Não resisti à brincadeira, os dois me olhando como se eu tivesse falado algo tão absurdo como defender Hitler ou sei lá.

― Se é de ficar ouvindo essas merdas, melhor dar o fora daqui. ― Levantou revoltado, indo até seu quarto. Eu ainda ria do meu amigo, quando olhei para Caitlin, que estava com o rosto vermelho de irritação. Melhor trocar de assunto, desde que a conheci, eu meio que tinha medo de Caitlin.

― Como ela está? ― Sua expressão suavizou na hora ao me ouvir perguntar de Felicity, um pequeno sorriso em seus lábios.

― Feliz, muito feliz.

― Tem certeza que não precisa da minha ajuda?

― Não, você também tem que relaxar ― falou sentando na poltrona da sala, sua inseparável prancheta no colo. ― As pessoas falam que casamento é o melhor dia da vida, mas acaba sendo bem cansativo para os noivos, com todo o tempo em pé e a atenção para os convidados. Se preocupe apenas em não atrasar, pelo menos hoje ― orientou. ― Ah, e vou precisar das suas chaves. Se bem te conheço, quando colocar o pé fora daqui você vai bater lá, e aí Felicity teria um derrame. ― Como se lesse meus pensamentos, já foi estendendo a mão em minha direção. Ir até Felicity seria exatamente o que eu faria. ― Você quer sua noiva tendo um derrame?

― Não quero ninguém tendo derrames. ― Levantei, lhe entregando as chaves a contragosto. ― E também não vou me atrasar, relaxe.

― Bom. Mas por falar em atraso… Qual é, Thomas?! É pra hoje? ― berrou na direção do quarto.

― Você é uma pessoa particularmente insuportável, garota. ― Tommy chegou na sala terminando de colocar uma camiseta de mangas curtas com tema do Homem de Ferro. ― Madrinhazilla! ― Bagunçou os cabelos dela ao passar em direção à saída.

― Você não vai andar comigo usando essa bermuda, coloca uma calça. ― Ela o acompanhou, saindo do apartamento.

― Olha uma novidade: você não manda em mim ou nas minhas roupas! Reza por mim, amigo ― pediu, os dois fechando a porta ao saírem.

― Parecem um casal velho ― murmurei sozinho.

Talvez eu devesse me preocupar em deixar meu casamento nas mãos daquela dupla que era combustão ambulante, mas que escolha eu tinha? Não ia mesmo me estressar por isso e esquecer aqueles dois, o que só consegui fazer por meia hora.

― Já bateu saudades, Merlyn? ― atendi com uma risada sua ligação.

Atenção, Oliver, isso não é um treinamento ― começou sussurrando e eu sentei no sofá em alerta. ― Essa mulher vai me enlouquecer, cara. Eu não consigo, não consigo mesmo! Meu braço está todo vermelho dela ficar me agredindo e minha cabeça explodindo dela gritar. ― Como se fosse combinado, logo escutei o chamado por seu nome.

― Ninguém está gritando, cara.

Com quem você está falando, Thomas? Já conferi as plaquinhas com os nomes dos lugares, só que são três caixas, preciso de ajuda.

Estou falando com o Oliver, arreda, satanás! Eu vou já ― respondeu a Caitlin. ― Tá vendo meu pesadelo? ― Eu não estava vendo, mas continuar a discutir isso não levaria a lugar algum.

― Você só ligou para se queixar dela?

Não, é que aconteceu uma coisa ― novamente baixou o tom de voz. ― Lembra quando me pediu pra ficar responsável pelas alianças?

― Você perdeu as alianças? ― quase gritei, ficando em pé de novo imediatamente. ― Sabia que devia ter pedido pra Kara ou Diggle!

Eu não perdi suas alianças, quão irresponsável acha que eu sou? ― retrucou parecendo ofendido. ― Eu só esqueci que tinha me pedido isso e deixei elas na sua casa. Pode ir lá buscar?

― Não, eu não posso, Felicity está lá.

Ah, meu amigo, se você já está evitando sua mulher no dia do casamento, como serão os próximos anos?

― Eu não estou evitando Felicity, ela só não me deixaria entrar, por causa da bendita tradição ― expliquei. ― Por que você mesmo não pega lá?

Porque tem uma madrinhazilla na minha cola, não dá. Ela tá vindo, tenho que desligar. Aproveita que não está fazendo nada e pega meu sapato social no meu armário do porão do prédio, a chave está no meu criado mudo. Esqueci essa coisa lá desde o casamento da Laurel. Tchau. ― E desligou sem ao menos me dar a chance de contestar.

― Eu vou comprar um remédio para sua memória, isso sim ― falei sozinho, mesmo que ele não pudesse mais ouvir.

Mas não ia discutir, tinha que resolver logo aquilo. E se ainda visse Felicity de brinde, seria um extra maravilhoso. Troquei de roupa e em poucos minutos estava tocando a campainha da minha própria casa.

Meu queixo caiu aberto como nos desenhos animados ao vê-la. Felicity já era muito bonita sem esforço, então eu só podia imaginar a minha cara de bobo ao vê-la já toda produzida para nosso casamento. Tão perfeita!

― Oliver, por que tocou a campainha? ― perguntou surpresa ao me ver ali, um pequeno e lindo e doce sorriso no canto de seus lábios.

― Caitlin pegou minhas chaves hoje mais cedo, ela tinha certeza que eu furaria o bloqueio ― expliquei. ― Deus, você está incrível! Não que não seja sempre, mas hoje…

Foi só então que Felicity pareceu se dar conta que eu estava ali, em sua frente, no dia do casamento. Por mim, estava tudo bem, aquela superstição boba não acabaria por causa de um pouco de tempo juntos, e foi o que argumentei com ela nos minutos seguintes depois de ter a porta quase esmagando meu rosto, até finalmente conseguir sua permissão para entrar.

― Muito linda ― atestei.

― Droga, Oliver! ― Me empurrou para ficar de frente para a rua e de costas para ela, um tecido macio sendo amarrado em meus olhos, então fui puxado para dentro.

― É errado isso me deixar excitado? Eu vendado, você só de lingerie, a casa só pra gente, o dia do nosso casamento. Estou tendo ideias… ― sugeri, e era verdade. Dava pra saber que não havia muito embaixo daquele robe e estávamos sozinhos e ser ter o que fazer nas próximas horas. Que se dane a tradição, sexo seria uma ideia excelente agora.

― Pois as cancele. ― Felicity me bloqueou, quando minhas mãos seguiram a direção da sua voz e só encontraram o escuro vazio. ― Se ver a noiva no dia do casamento dá azar, sexo vai trazer uma maldição sobre todos nós.

― Que exagero, babe, vem cá! ― Novamente tentei alcançá-la, mas era difícil sem enxergar nada, então resolvi desistir antes que isso a estressasse, mesmo que não consegui resistir a beijá-la no pescoço quando Felicity foi me ajudar a chegar no andar superior, onde estavam as alianças.

Ao entrar no quarto, a porta do banheiro estava entreaberta e o vestido branco dependurado em um cabide. Ele era perfeito e delicado e eu não via a hora de ver minha noiva usando, mas nem pude contemplá-lo por muito tempo, ou ela entraria como o Jiraiya chutando a porta e meu traseiro, então só peguei as alianças, recoloquei a venda e saí.

Não deixei de insistir uma última vez em seguir minhas ideias, mas como mais uma vez recebi negativas, tive que aproveitar sua distração quando eu já me despedia para lhe roubar um beijo, que foi tão prontamente retribuído, que só mostrava que ela já sentia tanto a minha falta como eu a dela.

Devolve minha faixa!

― Ela é minha agora. Até daqui a cinco horas e meia!

Levei a faixa bege ao nariz mais uma vez para inspirar aquele cheiro maravilhoso, antes de guardá-la no bolso do jeans e dirigir de volta ao apartamento de Tommy.

Liguei a TV e coloquei em um episódio aleatório de Friends, enquanto fazia um lanche e ouvia Sara reclamar pelo telefone durante longos minutos sobre seu vestido “muito mulherzinha” de madrinha, como se eu pudesse fazer alguma coisa sobre. "Lide com isso, eu sou o noivo", foi apenas minha resposta para ela.

Estava passando o episódio que Ross tinha um evento e ninguém estava pronto, todo mundo preferindo fazer qualquer coisa que não se arrumar. Sorri sozinho com a possibilidade disso acontecer conosco, mas logo bateu um pequeno desespero. Não por mim, seria até engraçado, mas minha noiva teria uma coisa, tadinha.

Nada podia dar errado, não hoje.

― Melhor buscar logo o sapato do irresponsável.

Peguei a chave em seu criado mudo, depositando a caixinha com as alianças lá e desci para o porão e logo estava com a caixa em mãos. Quem acredita em maldição de casamento? Tudo estava andando perfeitamente bem.

Quando minha mão alcançou o trinco da porta para sair, o girei, mas a porta não abriu. Novamente e nada. E de novo e de novo. Eu estava preso. Bati em meus bolsos em busca do celular e quando não o encontrei, lembrei que tinha deixado no sofá depois de falar com Sara.

Passei as mãos pelo cabelo, já sentindo uma pontinha de desespero me dominar e começando a acreditar na maldição que Felicity tanto falou. Tudo não estava mais andando perfeitamente bem.

~

Conferi meu relógio de pulso mais uma vez, já passava das 17h. Como Tommy ainda não havia voltado ou notado minha ausência? Já estava na hora marcada para a cerimônia!

Mais uma vez tentei chutar a porta para tentar quebrar a fechadura e mais uma vez falhei, assim como em todas as tentativas de destrancar com dois arames que achei por ali, ou gritar por socorro. Era uma porta antiga, grossa e de ferro.

Era isso, eu estava ferrado, trancado há horas ali, enquanto minha noiva já devia estar desesperada parada em um carro na frente do hotel nesse momento. O que ela pensaria quando não me encontrasse ali? Que eu fugi?

Peguei novamente a faixa do seu robe que ainda estava no meu bolso, a apertando entre os dedos e torcendo para ela confiar no meu amor e compromisso com ela. Eu não ia decepcioná-la, teria de dar um jeito de sair daqui, nem que tivesse que abrir um buraco na parede aos socos.

Mais uma vez, analisei o local, mais minuciosamente dessa vez, respirando fundo para esfriar a cabeça e ter alguma ideia. Era um quarto relativamente grande, com vários armários numerados como os apartamentos, e mais uma série de bagunças amontoadas por todos os lados. Eu estava na droga da Sala Precisa sem um Armário Sumidouro!

Espera, esfriar a cabeça... Os túneis de refrigeração do prédio!

Tive que empilhar alguns móveis velhos para alcançar a grade que levava ao acesso e quase esfolar a ponta dos dedos para arrancá-la, mas logo estava dentro do túnel. Achar algum caminho que levasse para fora foi o mais difícil, eu já estava imundo, suado e cansado, completamente perdido naquele labirinto.

― Vamos, Oliver, você consegue! A mulher da sua vida está te esperando, você consegue! ― falei palavras de incentivo para mim mesmo.

Ainda demorou alguns minutos, já eram quase seis da tarde quando saltei para fora, na recepção do prédio, quase matando o coitado do porteiro de susto.

― Senhor Queen? ― Ele já me conhecia de tanto frequentar a casa do meu amigo.

― Desculpa, Edgar, estou muito atrasado.

Corri direto para as escadas, subindo correndo os degraus até o terceiro andar, já abrindo a porta do apartamento e o encontrando completamente vazio, nem sinal de Tommy. Ele havia ido para meu casamento sem mim, ele é maluco?

― Ah! ― Assustei com seu grito logo que entrou em casa e me viu já pegando o saco com o smoking que Caitlin havia deixado mais cedo, e gritei de volta, quase caindo para trás, deixando até meu terno cair da minha mão.

― Onde você estava? ― perguntou aos berros.

― Onde você estava? ― retruquei. ― Fiquei horas preso no seu porão em busca do seu sapato, que até esqueci lá.

― Aquela porta está com defeito, ela trava e só abre por fora, tem um aviso nela, você não leu? ― explicou, encostando sua porta. ― Eu estava na cidade, procurando por você, seu doido. E, meu Deus, você está imundo.

― O quão encrencado eu estou?

― Não mais do que eu ― respondeu, sua cabeça estava em outro lugar. ― Vamos fazer assim, vai tomar seu banho, eu vou descer lá e buscar o maldito sapato.

― E Felicity?

― Ela também se atrasou e ainda não chegou lá.

Estranhei, óbvio, Felicity era a pessoa mais pontual do planeta, provavelmente do universo, nunca se atrasava. Mas não ia discutir agora, já que isso me favorecia, e só tentaria descobrir depois o que havia acontecido nas horas que fiquei preso.

Peguei um frasco do shampoo de Tommy que ainda estava fechado e dentro de uma sacola e lavei rápido meus cabelos, tirando todas as teias de aranha que havia conseguido, usando o sabonete para tirar a camada de sujeita e suor que estava em minha pele.

― Sua vez, corre! ― Apontei para o banheiro logo que saí só de toalha.

Tommy arregalou os olhos e congelou no lugar, abrindo e fechando a boca várias vezes, como um peixe morrendo fora d'água.

― Que cara de idiota é essa, Tommy? Você também tem que se arrumar!

― Oliver, seu cabelo…

― O que tem meu cabelo? ― Passei a mão por ele, nada incomum.

― Ele tá verde! ― Me empurrou de volta ao banheiro e pude ver no espelho sobre a pia. ― Caitlin vai me trucidar vivo! ― exclamou, mordendo o punho fechado.

Olhei chocado para ele quando ouvi sua maior preocupação no momento. Eu ia casar parecendo o fodido Coringa e ele estava preocupado consigo?

― Calma, calma… ― Respirou fundo. ― Pudim de leite, filhotes de Golden, Chris Ev… Scarlett Johansson. Pudim de leite, filhotes de Golden, Scarlett Johansson.

― Tommy, para de falar coisas sem sentido e me ajuda aqui! O que vamos fazer? ― o chamei desesperado.

― Já sei, vai pra pia da cozinha e esfrega esse cabelo com sabão neutro, eu vou tomar um banho e já te ajudo. A gente tem que fazer isso muito rápido ou teremos um funeral ao invés de um casamento essa noite. ― Assenti concordando. ― E por via das dúvidas, o que você usou que fez ficar assim?

― O seu shampoo novo, oras.

― Aquela bruxinha! Valeu pelo aviso ― resmungou, entrando no banheiro.

Coloquei meu smoking e fiz o que Tommy disse, colocando aquelas luvas amarelas para não correr o risco de manchar minhas mãos e cobrindo a roupa com uma toalha. Logo meu padrinho se juntou a mim no trabalho. Eu via a água se tornando verde ao escorrer pelo ralo, mas seria o bastante?

― Já está noite, quase não dá mais pra ver o verde, melhor irmos. Thea não para de me ligar, e já tinha avisado que a gente ia atrasar mais um pouco.

Claro que o táxi não chegaria ao local rápido e eu já tinha até me arrependido de rejeitar a sugestão de Tommy de irmos em sua moto.

― Dá pra ir mais rápido? ― apelei ao motorista.

― Não com esse engarrafamento, senhor.

― É meu casamento e já estou com quase duas horas de atraso.

― E as pessoas falam das noivas ― comentou sorrindo e Tommy também riu, mas foi só eu lhe dar meu melhor olhar mortal que ele fechou o sorriso na hora.

― Quer saber, só faltam uns dez quarteirões, vamos correndo.

― Correndo por dez quarteirões? Vou nada! ― Tommy negou instantaneamente, cruzando os braços de um modo teimoso.

― Vai sim ― ordenei a ele e entreguei o dinheiro da corrida para o motorista. ― Vem, Tommy! ― chamei quando ele insistiu em não descer do veículo.

― Merda! Eu te odeio, Oliver Queen ― reclamou me seguindo.

Logo que chegamos ao local, peguei a entrada que levaria diretamente para o salão onde estava montado o altar e indiquei que Tommy pegasse um caminho alternativo para uma sala conjugada menor, onde Felicity me mostrou no mapa que ficaria esperando para entrar.

― Finalmente, você está horrível! ― Thea chegou ao meu lado. ― Enxuga esse suor e deixa eu te arrumar. ― Ela ajustou minha gravata e colocou uma flor na lapela do meu smoking, enquanto eu passava a manga pela testa. ― Cadê o Tommy, estou com a florzinha dele.

― Foi avisar que chegamos.

― Deixa, depois eu coloco nele. ― Encaixou o pequeno arranjo parecido com o meu em seu buquê, voltando ao lugar junto com Sara e Kara.

Na porta do fundo, Caitlin entrou e falou algo com Zoe, a cerimonialista que me odiava, e ela logo deu início à marcha nupcial. Meu estômago afundou de nervoso, eu me esforcei tanto para chegar aqui, que não pensei em como seria o aqui.

― Dig? ― questionei com o cenho franzido quando ele tomou o lugar que seria do senhor Curran. ― O que está fazendo aí?

― Ministrando seu casamento, aparentemente. ― Sorriu confortador diante do meu olhar confuso. ― Ela já vai entrar, respire fundo que chegou a hora.

Segui seu conselho, me virando para a entrada e respirando fundo. Chegou a hora.

Só que a música já estava acabando e nada de Felicity entrar. Será que ela havia desistido? Quando eu já estava prestes a tomar o caminho contrário ao altar e ir buscá-la eu mesmo, as portas se abriram, revelando Tommy e Cait no meio de uma espécie de debate com minha noiva. Donna e Felicity estava logo atrás, mas eu mal podia vê-la.

Foi quando a discussão encerrou, os dois que estavam na frente trocaram de lugar e começam a andar para a frente, foi que a vi. E meu coração parou.

Depois das horas de desespero, vê-la me trazia tanta paz como ninguém mais conseguia e ela estava ainda mais deslumbrante do que minha memória havia registrado. Enquanto deslizava em minha direção como alguma entidade mágica perfeita, minha respiração estava suspensa e só consegui voltar ao normal quando Felicity segurou minhas mãos no altar.

― Que bonito, vocês dois ― Diggle tomou a palavra, mas ainda apenas olhávamos um para o outro. ― Se essa entrada for algum indicativo, saberemos que valeu a pena esperar por duas horas que esse casamento começasse. ― Encolhi os ombros e murmurei um desculpe para ele, que apenas sorriu e seguiu com a cerimônia.

O tenente era realmente muito bom nisso, e mesmo que eu não soubesse como ele foi parar naquele cargo, foi ainda melhor do que havíamos planejado. E seja pelo nosso atraso colossal ou pela troca de última hora, Dig não se demorou muito nas palavras, logo nos passando a fala para os votos, começando por Felicity.

― Eu acabei de esquecer completamente tudo que ia falar. ― Soltou uma risada sem graça, mas fez todos rirem junto comigo. ― Eu escrevi muitas páginas, frente e verso, sem espaçamento, cheio de palavras difíceis e expressões complicadas, bem ao estilo Felicity Smoak, mas ao olhar pra você, peixinho, tudo me fugiu. ― Eu devia agradecer, já que, pelo jeito, não entenderia metade do que ela diria? ― Mas eu acho que sei o porquê. Compromisso não se faz com palavras ou promessas tão formais, não é como no tribunal. Compromisso é escolher cada dia se entregar, amar, crescer. Oliver, você é meu melhor amigo e eu não consigo imaginar passar o resto da minha vida com outra pessoa. Te amo demais, com todo o meu coração.

― Uau, amorzinho, agora você me deixou em uma situação complicada aqui ― comecei, beijando suas mãos para ganhar um tempo. Felicity quase me fez chorar com seus votos e tudo que eu dissesse a partir dali não parecia o bastante.

Falei do que estava enchendo meu coração e ela começou a chorar ainda na metade, seu sorriso molhado pelas lágrimas. Naquele momento, fiz uma promessa para mim mesmo, que se fosse para fazê-la chorar, que fosse de alegria, como agora.

Trocamos alianças e finalmente nosso primeiro beijo depois de casados. Eu não lembrava bem do nosso primeiro beijo de fato, havia sido sob influência da bebida naquela primeira noite, então eu considerava aquele da manhã seguinte. E não via a hora de estrear quantos outros primeiros beijos fossem possíveis, o primeiro na lua de mel, o primeiro quando voltássemos, o primeiro em nosso primeiro aniversário de casados e por aí vai. Eu também não conseguia me imaginar pelo resto da vida sem Felicity comigo.

Quando a cerimônia encerrou, seguimos então com todas as tradições de casamento. A primeira dança dos noivos, o partir do bolo, que eu tenho quase certeza que era diferente quando encomendamos, e o buquê.

Esse último momento foi o show à parte, já que ele voou direto para o colo de Sara, que nem tinha entrado na disputa, e como uma mestre do vôlei, o rebateu para longe, voando por cima de todas as mulheres até as mãos de Kara. Todos vibraram e ela trocou um beijo com o namorado.

Então vieram os brindes. Primeiro a briga no microfone para quem falaria primeiro entre o padrinho e a madrinha, então o brinde engraçadinho e constrangedor do meu melhor amigo (que ganhou a disputa pra fazer primeiro), seguido pelo emocionado e bonitinho de Caitlin.

Até minha mãe estava quieta e comportada, só veio nos cumprimentar e dar os parabéns, depois tomando um lugar ao lado de Thea sem dizer mais nada a noite toda e ir embora mais cedo. Bom.

Depois de algumas fotos, agora cumprimentávamos os convidados.

― Ficamos muito feliz que aceitou o convite, juíza Fallon ― Felicity falou para a mulher, que sorriu.

― Eu confesso que fiquei surpresa.

― A senhora faz parte da nossa história ― justifiquei. ― Estava no dia do nosso primeiro encontro e no primeiro eu te amo. Deveria estar nesse momento também.

― Sendo assim, podem me chamar de Suzanne, mas no tribunal, não vou dar folga dos nenhum dos dois. ― Apontou com o indicador para nós dois.

― Eu imaginei assim ― respondi sorrindo.

― Aliás, já decidiram quem é o bolo de chocolate e quem é o peixe?

― Ele é o peixe.

― Eu sou o peixe ― respondemos juntos.

― Imaginei assim ― me parafraseou. ― Parabéns aos dois.

― Estou cansada de falar com pessoas ― ela se queixou quando nos afastamos da juíza. ― Podemos dar um tempo e ir dançar, mal tivemos tempo para isso ou sequer falar um com o outro desde que tudo começou.

― Ótima ideia. ― Peguei sua mão e nos conduzi para o meio da pista de dança e começamos a balançar seguindo m ritmo lento e próprio. ― Então, como foi seu dia?

― Ah, tenso ― respondeu arregalando os olhos. ― O seu?

― Difícil. E nunca mais duvido quando você falar de alguma maldição.

― O que aconteceu? Eu sei que chegamos quase juntos aqui, e eu tive meus motivos, mas um atraso de duas horas é demais até pra você. Quais os seus motivos?

― Se eu te disser que passei metade do dia trancado em um porão, você acredita?

― Meu Deus, você foi sequestrado, Oliver? ― Parou de dançar, me empurrando de leve por não ter contado antes.

― Não, só sou desatento demais para ler placas e tenho um amigo desatento demais para me avisar sobre elas. E você?

― Eu estava dormindo, logo eu que não durmo nunca quando estou preocupada, lembra? Algo muito estranho. E sem falar do nosso bolo, não foi aquele que eu escolhi, eu sabia que tinha algo errado com o bolo.

― Muito estranho.

― Sim. Muitas coisas estranhas aconteceram hoje e acho que só duas pessoas podem nos responder. ― Olhamos ao redor, e visualizamos Tommy, que conversava com Sara e Dig, e do outro lado do salão, Caitlin, que andava apressada de um lado para o outro com uma prancheta em mãos. ― Mas eles não vão dizer nada ― atestou.

― Não mesmo. ― Fiz uma careta. ― Tive uma ideia, vai ser engraçado. ― Ergui as sobrancelhas para ela, como uma criança prestes a fazer arte.

― O que está aprontando, peixinho? ― questionou desconfiada.

― Chama o Tommy pra dançar.

― Ele não vai aceitar dançar comigo.

― Ele é o padrinho e ama dançar, ele vai. E ainda vai provar pra você que eu estou certo sobre eles dois.

― Você e minha mãe implicaram mesmo com isso, não é? ― Felicity me olhou relutante, até balançar a cabeça concordando e a soltei. Enquanto ela o convencia, atravessei o salão até chegar em Caitlin.

― Uma dança com a dama de honra? ― Lhe estendi a mão.

― Estou ocupada, Oliver. ― Nem ergueu os olhos da prancheta.

― Cinco minutos sem sua supervisão não vão fazer esse casamento cair em pedaços, Cait, vamos? ― Peguei a prancheta dela, colocando sobre uma cadeira. ― Vamos. ― Coloquei sua mão em meu braço e voltei para onde estava, começando a dançar. Tommy e Felicity já estavam lá fazendo o mesmo. ― Obrigado cuidar da festa.

― Não agradeça até acabar. ― Sorri.

― Eu não sei o que rolou durante o dia, mas sinto que só temos isso aqui graças a você. Felicity pode falar que não saiu exatamente como ela planejou, mas a gente sabe que você se dedicou ao máximo, e pra mim está mais do que perfeito. ― Seus ombros relaxaram e ela finalmente sorriu.

― Obrigada por dizer isso, Oliver. ― Dançamos mais alguns minutos, foi quando decidi colocar meu planinho bobo em ação. ― Hora de devolver minha noiva, Merlyn. ― Sem soltar Caitlin, fui até os outros dois, tocando no ombro dele.

― Já vai tarde.

Felicity veio contente para os meus braços, deixando Tommy e Caitlin se olhando, parados em silêncio no meio de todo mundo. Olhei sugestivamente para eles então para Felicity, que balançou a cabeça, como se me dissesse que eu não tinha jeito.

― Vocês dois vão ficar só se encarando como dois pombinhos empalhados, ou… ― falei insinuante, fazendo um gesto de dança.

― Eu tenho que cuidar das lembrancinhas ― Caitlin disse engolindo seco.

― E eu ir para o bar.

Os dois apontaram para lados opostos e quase se esbarraram em tomar as direções diferentes.

― Tá na sexta série, Oliver? ― Felicity brincou quando voltamos a dançar.

― Esses dois ainda vão casar.

Dançamos mais um pouco e voltamos a cumprimentar os outros convidados e tirar fotos com todos. Estava sendo exaustivo, não pensei que Caitlin tinha tanta razão quando me falou isso mais cedo, e só conseguimos descansar quando sentamos na hora do jantar.

― Oliver, Felicity… ― O capitão nos chamou quando só estávamos conversando depois de comer, assistindo a pista de dança ganhar vida com uma música agitada. ― Eu já tenho que ir, amanhã trabalho cedo.

― Ainda está tão cedo, capitão Lance.

― Eu sei, querida. Mas dei folga para todo meu esquadrão, alguém tem que levar aquela delegacia.

― Entendo. Obrigada pela presença.

― Mas antes de ir… ― Felicity leu minhas intenções antes mesmo que eu as fizesse e começou a beliscar meu braço.

― Não, Oliver, não! ― cochichou.

― Capitão, antes de ir... ― Me ergui, segurando seu ombro para o guiar até o outro lado da mesa. ― Já conheceu minha sogra Donna? ― A surpreendi também, quase derrubando os talheres, mas sorrindo ao olhar para Quentin.

― Menino, não me apresente para homens bonitos quando eu estiver comendo um bife. ― Ficou em pé, ajustando o decote e lhe estendendo a mão. ― Muito prazer, Donna Smoak.

― Se apresenta, capitão. ― Empurrei seu ombro com o meu o incentivando.

― Quentin Lance.

― Feito as devidas apresentações, agora porque os dois não tomam uma bebida antes que essa noite linda e super romântica acabe? ― Os aproximei com os braços em torno de seus ombros. ― Tenho certeza que o capitão pode arrumar alguém para cobrir seu turno, né não?

― Queen... ― ele começou o que parecia que ia ser uma repreensão, mas o cortei antes que o fizesse.

― Olha, acho que minha noiva está me chamando ali. Tchauzinho. ― E voltei a sentar do lado de Felicity.

― Você está impossível hoje ― me recriminou. ― E só atirando em casais errados.

― Como assim?

― Olha ali, sua primeira tentativa da noite de ser cupido.

Segui para onde o indicador de Felicity apontava, primeiro para Tommy que se agarrava com a cerimonialista em um canto, então para Caitlin que sorria e girava para os braços de Barry no meio da pista de dança. Como assim, gente, achei que teríamos um Snow-Merlyn se pegando antes do fim da noite.

― Tão fofo quando não quer admitir que está errado. ― Segurou meu queixo e beijou meus lábios.

― Eu podia jurar…

― Tudo bem, Oliver, não foi dessa vez. ― Deitou a cabeça em meu ombro.

― Talvez sejam os efeitos dessa noite romântica, e essa mulher maravilhosa ao meu lado, todas as pessoas ao nosso redor celebrando o amor ― falei sonhador. ― Foi um dia agitado, mas eu nunca senti coisas tão fortes como hoje, principalmente amor, babe. Melhor dia da minha vida. ― Ela sorriu amplamente.

― Foi o dia mais feliz da minha vida também, amor.

Notas finais
Ain, gente, que fofo o Oliver versão sexta série!! O bichinho sofreu pra chegar, mas acabou dando tudo certo. E até a juíza lá do capítulo dois apareceu nesse. Sem fala em Sara e seu horror a casamento se manifestando de novo. E como assim, capítulo todo SnowMerlyn, daí um SnowAllen surgindo aí no finzinho? Sem desespero até ler o próximo capítulo, pessoal. Pela primeira vez nessa fic, tem uma narração diferente de Oliver e Felicity, e tudo que falta ser explicado, será. Confiem em mim. Estou amando ler sobre as reações de vocês a esse evento!! Até os reviews.. Bjs*