Notas iniciais
Ai vai!

Capítulo 55

Garotas e garotos da fraternidade de Quinn tinham ido todos para fora, pendurar um globo de discoteca real e contratar uma banda. Equipados com ternos, gravatas e um nível perigoso de confiança, todos pareciam mais quentes que o inferno e cada um deles sabia. Dois rapazes da fraternidade estavam na porta, um pendurava os casacos, o outro tomando os convites de Rachel e dando para cada uma tira de bilhetes para o 'bar' criado na cozinha e um bilhete de rifa para a tabela de prêmios que outro rapaz vigiava. Os prêmios eram em sua maioria dispositivos eletrônicos — de iPods a jogos para PS4 e Xbox.

— Rapazes!— Rachel zombou. — Onde está um dia no spa? Ou uma farra de compras na Victoria Secret?

Os olhos do guarda da mesa se arregalaram em aprovação evidente da última ideia.

— Olá, Rachel! — disse uma voz profunda. Nós viramos, e lá estava Quinn, incrível em um terno lápis cinza de perfeito corte e gravata vermelha, de alguma forma perfeitamente combinando com o cabelo de Rachel. Ela olhou para mim, seus olhos calorosos e amigáveis. — Oi, Brittany! — Eu não senti nenhuma censura sobre o fato de que sua relação com Rachel tinha sido detonada por minha causa.

— Oi, Quinn! O lugar parece incrível! — Eu respondi por nós duas, enquanto Rachel balançava com a música e acenava para os amigos, como se sua ex não existisse. O tema da festa deste ano foi Embalos de Sábado à Noite. A banda passou de tocando um cover de Keith Urban para uma canção dos Bee Gees, algo popular, quando meus pais estavam na escola, talvez. Quinn olhou ao redor superficialmente, os olhos voltando para mim.

— Obrigado! — Ela disse, e então ela só tinha olhos para Rachel. Observando as pessoas já dançando, ela pegou um copo cheio vermelho de um cara passando com um punhado deles. Ele começou a protestar, mas Quinn olhou, desafiando-o a dizer uma palavra para ela. Ele fechou a boca dele e continuou se movendo. Enquanto ela bebia e fingia estar alheia à sua presença, Quinn olhou para ela. Era óbvio que ela queria que isso continuasse, e o fato de que Rachel estava visivelmente olhando para qualquer lugar menos a ela me disse que não era nada imune. Elas não se moveram da órbita uma do outra pelo resto da noite, mas Quinn não tentou falar com ela, também. Eu sabia que Quinn era uma boa garota, embora equivocada e ingênua. Ela engoliu o lado de Finn sobre o que aconteceu entre nós, tinha discutido com Rachel que talvez eu estivesse bêbada naquela noite, e que eu não me lembrava de tudo claramente. Ela era, provavelmente, uma dessas pessoas que achavam que estupradores eram homens feios que saltavam de arbustos, atacando garotas aleatórias. Estupradores não eram o seu colega gente boa, ou seu irmão de fraternidade, ou o seu melhor amigo. Talvez nunca lhe ocorreu que seu melhor amigo era capaz de rasgar uma garota e sua autoconfiança fora, no espaço de cinco minutos. Que ele poderia ferir alguém inocente para ferir um rival. Que ele poderia violá-la em uma distorcida tentativa para destruir a sua própria impotência. Que podia fazê-la sentir-se constantemente ameaçada, e não dar a mínima. A única vez que me senti completamente segura foi quando estava com Santana.

Maldição.

Dez minutos mais tarde, eu estava assistindo a dança de Finn com uma sênior da irmandade de Rachel. Ele sorriu e riu, e ela também. Ele parecia tão... Normal. Pela primeira vez, eu me perguntava se eu era a única garota que ele já tinha aterrorizado, e se sim, por que. Eu pulei quando ouvi a voz de Sam em meu ouvido.

— Você está deslumbrante, Brittany! — Minha bebida derramou sobre a borda do copo na minha mão, felizmente não no meu vestido. Ele pegou o copo da minha mão. — Ah, eu peço desculpas por te assustar! Vamos lá, deixe-me pegar uma toalha.

Fiquei desconcertada o suficiente pelo seu braço guiando-me no meio da multidão, com a mão nas minhas costas nuas, que eu não fiquei ciente da separação de Rachel até que estávamos na cozinha com meu braço em cima da pia como se eu tivesse um ferimento mortal, em vez de uma mão encharcada com cerveja. Ele lavou e secou minha mão, e eu a retirei de suas mãos quando ele não a soltou de imediato. Ele ignorou minha retirada, sorrindo para mim.

— Como eu estava tentando dizer antes, você está linda esta noite. Estou feliz que você veio. — A música era alta, e a conversa nos obrigou a estar mais perto do que eu queria estar.

— Eu vim pela Rachel, Sam.

— Eu sei. Mas isso não diminui a minha satisfação por você estar aqui. — Ele estava usando sua habitual colônia Lacoste, mas já não me fez querer inclinar contra ele e inalar. Mais uma vez, ele ficou em direto contraste com Santana, cujo cheiro não era qualquer coisa além de sua jaqueta de couro, a refeição que ela cozinhou para mim e o cheiro sutil, mas afiado de grafite em seus dedos depois de ela ter desenhado, o escape de sua Harley e o cheiro de shampoo mentolado em seu travesseiro. Sam ergueu uma sobrancelha, me olhou de perto, e eu percebi que ele provavelmente disse ou perguntou algo.

— Me desculpe, o que? — Eu inclinei o meu ouvido para ele para que eu pudesse ter um segundo para empurrar Santana da minha mente.

— Eu disse ―Vamos dançar.

Incapaz de livrar-me dos meus pensamentos errantes, eu concordei e deixei meu ex me levar para a designada pista de dança, bem na frente da banda. Uma área que foi desobstruída de móveis bem sob o globo de discoteca motorizado, que pendia perigosamente baixo para alguns dos caras mais altos. Girando lentamente, a sua superfície espelhada jogou flashes de luz em ondas ao redor da sala, iluminando rostos e corpos girando e cintilando fora de qualquer superfície reflexiva de maçanetas à joias e para o vestido prata de Rachel. Suas mãos estavam fechadas por trás do pescoço de um Pi Kappa Alpha sênior, um copo vazio pendurado na ponta dos seus dedos. Seu parceiro de dança, sem saber, era receptor de um olhar mortal de Quinn. Racehl tinha notado, porém, e ela se apertou mais perto dele, olhando-o nos olhos com muita atenção. Pobre Quinn. Eu deveria estar com raiva dela também, mas ela estava claramente infeliz.

— Eu ouvi sobre Quinn e Rachjel. O que aconteceu? — Sam tinha seguido o meu olhar.

— Você deveria perguntar a Quinn. — Eu me perguntava o que Sam faria pelo comportamento de Finn. Eram civilizados, um com o outro, mas aquela competitiva fixação tinha estado entre eles desde o primeiro dia.

— Eu perguntei, mais ou menos. Ela não parecia querer falar sobre isso. Disse ter sido uma grande briga, ela não estava sendo razoável, blá, blá, você sabe, as vezes dizemos coisas estúpidas quando queremos foder algo bom.

Só então, a música mudou para algo rápido, permitindo-me restabelecer a minha bolha de espaço pessoal e felizmente terminando a conversa sobre rompimentos e foder. Fiquei tão aliviada para acabar com esse intercâmbio que eu não prestei atenção para onde Rachel foi. Eu não prestei atenção para onde Finn foi.

Continua...

Notas finais
Quinn merece perdão? Espero que gostem. Beijão