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3 Spirit Of Cabinet


Notas iniciais
Boa leitura! :)

POV Austin Moon

– Dez, eu acho que você poderia estudar para o teste amanhã, não? — encarei o ruivo jogado no sofá da minha casa.

Toda quinta à noite Dez dorme em minha casa, pois os pais dele ficam fora a noite toda. Eu já o perguntei por que ele não fica sozinho em casa, e ele me disse que tem medo do espírito do armário. Claro que não ia sair espalhando isso por aí, mas minha vontade de contar para Dallas, Kira e Gavin era incontrolável.

– Austin, não sei se você lembra, mas o diretor é meu parente. Notas baixas não são importantes para mim, pois ele sempre vai conseguir aumentá-las. — Dez permaneceu deitado no sofá, com um olhar distante.

O diretor da escola era o primo de Dez, Charles Wade. Desde o nono ano, eles vêm pondo em ação um plano: O primo de Dez colocaria todas as notas dele acima da média se Dez limpasse seu carro duas vezes por semana.

– É, sobre isso mesmo que queria conversar com você. — sento na poltrona ao lado do sofá. Ela era totalmente desconfortável para mim, pois foi construída sobre medida para meu pai, que tem um problema na coluna. — Dez, eu acho que você não vai conseguir ir muito longe com esse esquema. Os professores já estão suspeitando e seu primo está quase sendo demitido da escola.

– É, talvez. — Dez sentou-se bruscamente, entediado.

O ruivo podia ser muito palhaço, mas, quando se trata de estudar, vira um tremendo idiota. Ele poderia ser classificado como um dos populares com aquela postura, mas vestir roupas estranhas e ler gibis do Vingador Elétrico não é uma coisa muito... popular.

– Então, vem! O teste de matemática não será nada fácil! — levantei-me e fui até a escada, acenando para que o ruivo me seguisse, mas o mesmo não se mexeu.

– Cara, eu estou cansado. Não quero andar! — Dez encostou-se nas almofadas do sofá e bufou.

– Desculpe, vossa alteza. Agora vem logo! — caminhei até o ruivo e o coloquei nos braços. Ele não era tão pesado quanto imaginara.

– O que merda você pensa que está fazendo, Austin? — Dez se esperneou em meus braços.

– Te levando para o quarto! — subir as escadas se tornou uma tarefa difícil com o ruivo em meu ombro

– Que frase gay, cara!

Joguei o ruivo no chão assim que chegamos à porta do meu quarto. Era final de tarde quando disse que ia tentar jogar pela primeira vez meu Xbox com ele. Mas agora já eram 8 horas PM, e passamos todo o tempo estudando. Dez me perguntara bilhões de vezes como se fazia uma equação, então uma pergunta me veio à mente: como ele passou pelo sétimo e oitavo ano? Já tinha outro parente na escola?

– Austin. — Dez chamou. Ele encarava a tela de meu notebook.

– O que foi?

– Por que em sua tela inicial tem uma foto da Kira e da Trish? Não que seja estranho ter a foto de suas amigas no computador, mas por que especificamente elas? — Dez voltou seu olhar para mim. Fugir do assunto seria complicado.

Engoli em seco. Não podia dizer que coloquei aquela foto por causa da Kira, pois o conheço, e ele, com certeza, diria ao Dallas que tenho uma queda pela namorada dele.

– Bem... Hum... Dez, eu... — nenhuma distração vinha à minha mente. Ou contava tudo para ele, ou teria que inventar uma mentira. Resolvi seguir a segunda opção. — A Trish apostou que eu não conseguia passar duas semanas com a foto dela no computador, e como eu só tinha essa foto dela, coloquei-a. — dei o meu melhor sorriso falso.

Dez ainda parecia desconfiado. O ruivo nunca foi do tipo esperto, muito menos desconfiado, mas tinha que ser assim LOGO AGORA?

– Não sei, Austin. Você me disse que nunca aposta, pois isso não é uma coisa interessante. Além disso, não faz parte de sua extraordinária rotina. E...

– Ei! Por que não vamos jogar Xbox? — cortei o ruivo, tentando mudar de assunto. Dez não pensou duas vezes e assentiu. Ufa!

– Você vai perder feio! — Dez correu para pegar os dois controles da pequena estante.

– Claro que vou. — concordei. Meus tios me deram esse treco há três meses, mas eu nunca tive vontade de jogar. Para falar a verdade, eu não tinha tempo. E no que jogar me ajudaria no futuro? Pois é, nada.

– Vamos lá, incrível perdedor loiro de farmácia dos dedinhos de ouro! — Eu nunca vira Dez tão animado com algo, excerto quando fomos assistir Zaliens 4. Eu não queria assistir, mas Dez me forçou a dirigir para ele, e como não queria ficar sufocado dentro de um carro, acabei indo assistir com ele.

Incrível perdedor loiro de farmácia dos dedinhos de ouro. Loiro de farmácia, onde ouvi isso mesmo? Ah, claro! A garota insuportável da praça.

...

Estou sentado na mesa incrível de café da manhã que a cozinheira preparou. Meus pais estavam conversando entre si sobre algo que havia acontecido na empresa. Eu não queria me envolver no assunto, mas eles, com certeza, dariam algum jeito para me meter nisso.

Dez ainda estava no quarto de hóspedes, mas já estava acordado. Passamos a noite jogando, quer dizer, ele passou. Expliquei que o teste seria difícil e o melhor para nós dois seria dormir às 10 PM. Mas o ruivo não me ouviu, e ficou jogando pela madrugada.

– Filho — minha mãe me chamou -, eu e seu pai andamos conversando, e achamos melhor Dez parar de dormir aqui todas as quintas.

– Por quê? — perguntei, dando um gole em meu suco.

– Já deixamos você sair com ele, mesmo sendo uma má influência. Mas eu não quero que ele prejudique seu estudo. Ontem, vi uma claridade vindo do seu quarto e barulhos de tiros. — contou meu pai. — Abri um pouco da porta e vi Dez jogando em seu videogame enquanto você dormia. Que bom que você não ficou jogando com ele, mas, se continuar assim, você vai acabar como ele.

– Mas ele tem que ficar aqui às quintas. Os pais deles passam a noite toda fora e só voltam para casa à tarde. — bati as mãos na mesa com força, mas minha mãe não se importou e continuou a falar.

– Ele já tem dezoito anos, filho. Já é maior de idade. É responsável por ele mesmo.

– Mas ele tem medo do Espírito do Armário! — disparei. Minhas bochechas ficaram vermelhas ao notar o que acabara de dizer.

Ficamos em silêncio por um segundo. Meu reprimiu uma risada e minha mãe ficou perplexa. Ela devia estar pensando: meu filho realmente anda com esse tipo de pessoa?

– Bom dia, Tio Mike, Tia Mimi! — Dez apareceu atrás de mim, com os olhos inchados. Ele já estava pronto para ir à escola.

– Dez — minha mãe o chamou, limpando o canto da boca com o guardanapo e indo até o ruivo, com um olhar de pena. — Vamos conversar sobre esse Espírito do Armário.

– O quê?! — Dez arregalou os olhos e me encarou. Dei um sorriso amarelo e corri até a garagem.

...

Não nos falamos durante todo o caminho até a escola. Eu dirigia prestando atenção no trânsito e Dez olhava para fora, com um olhar distante.

Parei o carro no estacionamento e nós descemos. Como de costume, Gavin, Trish, Cassidy, Kira e Dallas estavam encostados perto da quadra, conversando sobre qualquer coisa, menos o teste que estava por vir. Dez correu de braços abertos para eles, como se não os visse há muito anos.

A aula começava às 07:30 AM e ainda eram 7:02, então tínhamos muito tempo para revisar tudo que iria cair do teste. Claro que meus amigos não vão fazer isso, mas eu não perderia meu tempo.

Peguei meu livro de matemática e passei as páginas que já havia estudado. Eu já estava pronto para o teste. Encostei-me no carro enquanto admirava Kira rindo de algo que Dez havia contado.

Sorri. O sorriso dela me fazia sorrir. Claro que eu nunca poderia ter alguma relação com ela além de amizade, senão perderia minha amizade com Dallas.

– Você está babando. — uma voz feminina disse ao meu lado. Estava tão distraído que não vi se aproximando. Olhei para minha direita. A linda garota insuportável estava ao meu lado, com um olhar travesso.

– O... o que... Há quanto tempo está aqui? — perguntei, quase não conseguindo completar uma frase.

– Tempo suficiente para perceber que você tem uma queda pela garota morena ao lado do capitão do time de futebol.

Continua...