Photos

4 My new School


Notas iniciais
Boa leitura! :)

POV Ally Dawson

Dormi feito pedra. O dia anterior havia sido confuso, mas ao mesmo tempo divertido. Mudar para Miami poderia ser uma das piores decisões que já tomara, no entanto, acredito que ainda terei muitas coisas para viver aqui.

Passara a tarde desenhando. De rabisco em rabisco, um rosto surgiu. Dediquei-me em terminar o corpo. Eu não tinha a menor ideia do que estava fazendo, mas continuei a desenhar. Quando terminei, percebi o que havia feito: o loiro insuportável com sua câmera caída no chão.

...

Meu segundo dia na cidade nova começou atrasado. Meus tios me matricularam na Marino High School, minha mais nova escola, quatro dias antes de minha partida. Não imagino como conseguiram, mas também não resolvi perguntar.

Já eram 06:53 quando tomei meu café da manhã em uma cafeteria. Não sabia cozinhar. Um ponto negativo. Após pagar meu suco e panqueca, tentei não me concentrar na comida e corri até a escola. Meu estômago estava revirado e a vontade de vomitar estava cada vez mais forte.

Ao chegar na escola, haviam poucos alunos nos corredores e alguns professores. Minha vontade de vomitar se tornou ódio puro, e quase chutei um dos armários, mas me contive. As aulas começavam às 07:30 e eu me esforcei um bocado para chegar aqui às 07:01. Obrigada, Tios, me deram o horário errado... de novo.

Voltei à entrada da escola e fui até o estacionamento. Ver os estudantes chegarem era a melhor alternativa que tinha. Em pouco tempo uma BMW preta chegou e dois garotos saíram de dentro dela. Ri com a enorme coincidência de encontrar o garoto insuportável na mesma escola que eu. Ainda estava com o desenho dele em minha mochila. O destino só podia estar de brincadeira comigo.

O garoto ruivo que desceu da BMW junto ao loiro foi até seus amigos, mas o loiro de farmácia resolveu ficar sentado perto de seu carro. Caminhei devagar até o loiro, ficando ao seu lado. Ele parecia concentrado em seu livro, mas bastava prestar atenção em seus olhos para perceber que ele olhava para a morena à sua frente, com um sorriso abobalhado.

– Você está babando. — alerteio-o. Ele me encarou assustado e fez uma careta tão estranha que me fez reprimir uma risada.

– O... o que... — nervoso, o loiro não conseguia nem completar uma frase. — Há quanto tempo está aqui?

– Tempo suficiente para perceber que você tem uma queda pela garota morena ao lado do capitão do time de futebol. — respondi. Deduzi que o garoto ao lado dela fazia parte do time por causa de seu casaco.

O rosto do loiro passou de branco para vermelho. Ele arregalou os olhos e agarrou minha mão, fazendo eu me abaixar.

– Você está ficando louca? — perguntou cochichando. — Não fale isso alto! Quer dizer... é mentira. Eu... eu não tenho uma queda por ela.

– Certo, vou fingir que acredito. — disse sorrindo. Voltei a ficar em pé, o loiro já não segurava mais minha mão. — É melhor se comportar bem, loiro de farmácia, senão eu posso divulgar para a escola inteira. — ameacei.

– Você não faria isso, é a aluna nova. Ninguém te conhece e você não conhece ninguém. — disse se sentindo vitorioso. Encarei o capitão do time de futebol com um sorriso. Ele poderia ser muito útil no meu plano.

– Justamente. — deixei a palavra no ar, sem explicar o motivo.

O loiro bufou e guardou seu livro na mochila. Com um pulo, ele estava em pé, minha cabeça ficava na altura de seu ombro. O encarei de baixo.

– Ah, eu consegui ajeitar a câmera. — falou e se juntou aos seus amigos. Eles não falavam tão alto, mas pude ouvir um pouco da conversa. Não era nada demais, mas eu tinha vontade de continuar ouvindo a voz suave do jogador do time de futebol. Eu já o conhecia. Não que convivesse no mesmo mundinho que ele, mas estudávamos juntos em Manhattan até dois anos atrás. Ele era jogador de futebol em minha antiga escola também, e eu tinha um queda, ou melhor, um abismo por ele.

Os cabelos castanhos cobriam um pouco de seu olho direito. Os olhos castanhos brilhavam enquanto ria. Dallas bem mais musculoso que da últimas vez que o vira. Uma morena estava atracada em seu braço, então deduzi que seria alguém próximo. Uma namorada, talvez. Serrei os punhos ao pensar isso. Achei que aquela fase clichê da menina nerd se apaixonar pelo popular da escola havia passado, mas meu coração resolveu regredir.

Sem perceber, o tempo passou e continuei olhando para Dallas à distância. O loiro insuportável me olhava de soslaio algumas vezes, mas parecia não querer contar que havia uma garota desconhecida os olhando fixamente.

Quando o sinal tocou, o diretor me chamou para sua sala. Minha primeira impressão do Wade foi de um homem egocêntrico, mas, ao conversar com ele, descobri que ele podia ser bem simpático quando queria.

O homem ruivo à minha frente soltava piadas a cada cinco minutos, mas algo nele me deixava nervosa. Os olhos do homem se mexiam freneticamente de um lado ao outro, como se tivesse medo que descobrissem seu segredo.

– Hã... Senhor Wade — chamei. — O que o senhor queria falar comigo? — tentei não ser mal educada, mas isso soou um pouco grosseiro. Não queria chegar atrasada em minha primeira aula em uma nova escola. Já passei por isso e é horrível! As pessoas olham para você te julgando, alguns já pensando que seriam inimigos mortais e outros achando que poderiam ser amigos.

– Ah, claro! — uma voz rígida falou atrás de mim, em seguida a porta foi fechada. — Vocês jovens sempre lutando para não perder tempo. — O homem à minha direita resmungava o quanto jovens eram idiotas e não sabiam aproveitar a melhor fase da vida, enquanto despejava uma papelada em cima da mesa do diretor Wade.

O homem devia ter seus sessenta e poucos anos, mas aparentava ter mais. Os olhos possuíam olheiras e contagiavam cansaço. Seu corpo era inclinado para a frente e era cheio de rugas.

– Desculpe, senhor — falei — mas a melhor fase é a terceira idade, como dizem. Além disso, a adolescência é meio ruim. Tipo, é a transição da vida infantil para a vida adulta, e, acho que sabe, hormônios demais são terríveis...

– Ah, que se dane! — o velho revirou os olhos, me encarando com raiva. — Você acha que eu sou feliz sabendo que a qualquer minuto eu posso ter um infarto? Você acha que eu sou feliz tendo que controlar minha alimentação? Você acha...

– Certo, Senhor Rick. — o diretor o cortou. Agradeci mentalmente. — Agora, você pode chamar alguém para mostrar a escola e os horários de aula para nossa mais nova aluna?

Senhor Rick bufou e saiu da sala, batendo a porta. O diretor fez um sinal para que sentasse na cadeira à sua frente, e assim fiz. Ele me entregou um papel com todas as aulas e me explicou as regras da escola, o que achei desnecessário. Enquanto esperava o Senhor Rick voltar com um aluno, comecei a mexer em meus cabelos e cheguei à uma conclusão: precisava mudar este cabelo moreno sem graça. Casa nova, vida nova.

Alguns minutos depois, dois alunos entraram na sala resmungando. Deduzi que não eram eles que deviam me guiar, pois estavam tão confusos quanto eu quando entrei ali.

– Ah, novos alunos! Espero que vocês se enturmem, pois vão precisar ficar juntos para sobreviver. — Senhor Wade falou com um sorriso no rosto e depois percebeu que nenhum de nós havia levado na brincadeira e ficou sério. — Bem, vocês dois estudarão na mesma classe, mas a pequenina aqui ficará na sala do quinto ano. — disse.

Às vezes esse diretor falava coisas um pouco óbvias demais. Claro que a menina não estudaria na mesma sala que a gente. Comecei a bater meus pés freneticamente, ansiosa para sair dali.

– Ally, este é seu colega, o Elliot. — o diretor apontou para o moreno ao meu lado, que fez um pequeno aceno com a mão direita. — Está é sua irmã, certo Elliot? — ele apontou para a menina morena agarrada aos braços do moreno. Elliot assentiu com a cabeça e se pronunciou pela primeira vez:

– Sim, Senhor Wade.

– Ótimo! Espero que o mesmo erra que foi cometido em sua antiga escola não se repita. — senhor Wade o olhou desafiador. O que quer que Elliot tenha feio em sua antiga escola, causou sua expulsão, deduzi.

Já estava me sentindo desconfortável com todos aqueles olhares desconhecidos. Senhor Rick não voltava com o aluno que iria nos mostrar a escola e eu não conseguia ler direito o que estava no papel com minha aulas, por causa da minha dislexia.

– Acho que aquele incompetente esqueceu o que devia fazer... — o diretor começou a dizer, mas foi interrompido pela porta sendo aberta.

– Incompetente — murmurou Senhor Rick, entrando na sala. — Aqui está os alunos. — Uma cabeleira loura e outra morena adentraram a sala. O moreno era Dallas. Meu coração deu uma pequena disparada e tive que engolir algumas vezes, tentado fazer meu coração não sair pela boca. O loio insuportável se encontrava ao lado dele, com a expressão indecifrável. Ele poderia estar feliz, triste, eu nunca poderia saber apenas olhando para ele.

– Muito obrigado, Senhor Rick. — o diretor agradeceu. Mas agora tenho outro...

– Ah, deixe-me ver: terei que apresentar a escola para esta garota que deveria estar com uma calça e não uma calcinha jeans. — Senhor Rick adivinhou, desaprovando a roupa da irmã de Elliot. Esse velho já entrou em minha lista de pessoas que devo evitar.

– Sim, se não for atrapalhar.

– Claro que vai, mas mesmo assim terei que fazer. — o velho bufou. — Venha, calcinha jeans. — a garota correu para fora da sala e Senhor Rick fechou a porta reclamando.

– Bom, Austin e Dallas, estes são seus novos colegas de classe. Este é Elliot. Ele foi transferido para cá. E esta é Allycia.

Ao ouvir meu nome, Dallas levantou uma sobrancelha e sorriu. Já Austin (ou loiro insuportável) revirou os olhos e acenou. Virei meu rosto para o outro lado e o loiro fez um sinal que não posso descrever de tão feio que foi.

– Percebi que os dois já se conhecem. — o diretor riu, apontando para mim e Austin. — Dallas, você está precisando de notas, então acho melhor apresentar até nosso mascote da turma para eles. Já Austin é muito competente, então não entendo por que veio com ele. Mas, de qualquer modo, vocês dois devem explicar as normas da escola e os horários. Sirvam de suporte à eles, ajudando em qualquer dúvida. Se um deles precisar, não exitem em dar aulas particulares. Agora podem ir.

Quando saímos da diretoria, Elliot e Dallas trocaram olhares enquanto eu e Austin murmurávamos sobre o quanto o outro era insuportável.

É, este será um longo dia.

Continua...