Phaeleh I
42 Capítulo 42 – Vínculo
Notas iniciais
Quando Svan voltou para casa, a noite já estava avançada. Ele pensara muito a respeito das palavras de Wray, mas não chegara a uma real conclusão. Ainda não entendia as reais implicações de doar a si mesmo, como Wray dissera, e era uma questão que já lhe dava bastante dor de cabeça. Assim sendo, ignorou os escravos que dormiam na sala diante do fogo ameno da lareira e rumou direto para o quarto, não se preocupando por seus pés fazerem o soalho gemer. Ele era um homem muito pesado, jamais conseguiria ser silencioso.
Assim que abriu a porta, apesar da decepção, não pode deixar de contemplar Meine adormecido. Só de vê-lo seu peito esquentava e uma comichão se iniciava, o que era um tanto quanto desconfortável. O pequeno elfo estava deitado de lado, as costas voltadas para a lareira. Ele dormitava serenamente, segurando um livro em uma mão. Provavelmente lera até dormir esperando por ele.
Svan entrou na habitação, fechando a porta o mais silenciosamente possível. Tentou não fazer barulho para não acordar Meine, respeitando seu sono. Ele queria que o albino descansasse o bastante para ter energia a cada manhã, pois cada sorriso do Phaeleh para ele era a maior alegria.
Phaeleh… Como pudera se envolver com algo tão grandioso ao ganhar um escravo? Deveria ser algo tão corriqueiro, tão… irrelevante. Quando tudo se desenvolvera até aquele ponto? De repente, nada mais era como ele conhecia. E tudo porque Niels cometera a loucura de lhe presentear com um rapaz vítima das pilhagens.
Svan tirou a roupa e se asseou rapidamente, limpando o corpo do suor do dia. Jogou os cabelos para trás, que agora estavam mais longos do que quando conhecera Meine e, completamente desnudo, deitou-se no colchão, tentando ser delicado para não acordar seu companheiro. Meine apenas suspirou, como se, inconscientemente, soubesse que ele estava ali. Isso o comoveu. Aquela ligação, aquela intimidade e… a confiança.
Alguma vez Wray estaria errado em algo? Tudo o que seu amigo dizia era verdade, como se possuísse uma idade secular de experiência. Sua doença o havia envelhecido precocemente? Wray via o mundo de um ângulo que ninguém mais via e isso o fazia ser muito mais sábio que os anciões do clã. Era tenebroso e admirável ao mesmo tempo, principalmente se levasse em consideração quão jovem era.
Svan estendeu a mão e afagou a bochecha de Meine. Então, esticou-se na cama e plantou um beijo carinhoso em sua testa. Ele amava Meine e não podia evitar. Era bastante consciente de seus sentimentos e da força que eles tinham dentro de si, o que apenas reforçava sua ideia de que tinha de proteger seu Phaeleh a todo custo. Svan o puxou para a cercania de seus braços, tirando o livro e o jogando no chão, necessitando unicamente abraçar seu amor, sentir seu calor e seu cheiro, sentir-se forte e imbatível novamente. As palavras de Darius retumbavam em sua cabeça como um pesadelo, lembrando-lhe do que deveria fazer e postergava por tolas inseguranças.
O Phaeleh ficará sob sua proteção com uma condição, dissera. Svan ainda podia sentir na pele o arrepio do poder que irradiava do rei elfo naquele momento. Ele não é um escravo e não deve ser tratado como tal. O Phaeleh é sagrado e as leis dos homens não se aplicam a ele. Faça-o inferior a isto e veremos quantos minutos seu clã de bárbaros pode resistir a uma invasão.
–*-*-
Era madrugada quando Meine despertou. A luz da Lua se infiltrava por frestas da janela fechada e o vento uivante que a esmurrava a fazia estremecer. A lareira havia se apagado há algum tempo, deixando apenas a frágil iluminação de duas tochas presas a arandelas de ferro às paredes. Ele sabia que neve estava caindo em grandes quantidades lá fora, e não sabia como sentia isso – era uma certeza que se instalara em sua cabeça como se houvesse acabado de ver os flocos rodopiando no ar. Mesmo dentro do quarto, ele sabia que nevava e que amanhã seria muito, muito difícil trabalhar.
Apesar do frio no cômodo, ele estava aquecido. Um par de braços fortes encadeavam seu corpo ao de Svan e o calor de sua pele irradiava para a de Meine, expurgando o frio e os incômodos. Meine sorriu e abraçou Svan apertado. Mesmo que tivessem planejado uma noite romântica, houvera imprevistos e os planos deram errado. Entretanto, Meine, apesar de um pouco chateado, não estava verdadeiramente aborrecido com a situação. Ele entendia que Svan estava estressado e a carga em seus ombros era demais para suportar. Muitas vidas estavam em suas mãos, sob sua responsabilidade, e ele levava seu trabalho como chefe tribal muito a sério. Essa era uma das qualidades defeituosas de Svan que ele admirava muito – possuía seus pontos bons e ruins ao mesmo tempo.
O sono de Svan era muito, muito pesado. Ele roncava como o ronrono de um urso hibernando, baixo e gutural, o peito amplo e musculoso subindo e descendo. Meine deslizou uma mão por seu rosto e, planejando recompensá-lo de alguma forma, esticou-se para pressionar um beijo casto nos lábios macios do Berserker. Ele não desejava despertá-lo, entendia que Svan precisava descansar. Mesmo com a ajuda de Niels e de Wray, ainda não era o suficiente para sequer lhe prover qualquer alívio. Meine deitou a cabeça em seu ombro, aninhando-se contra ele.
O que faria se a guerra acontecesse no inverno? Ele não lutava e suas técnicas com o arco ainda estavam se desenvolvendo lentamente em seus treinamentos com Oleg. Os três elfos estavam animados e enérgicos ante seu pedido para que o ajudassem a aprender alguma coisa e Oleg decidiu se tornar seu mestre caso estivesse determinado a suportar o mais árduo dos treinamentos para aprender. Ele logo descobriu que Oleg era um tirano quando ensinava – rígido, raivoso e impaciente, porém, seus métodos eram eficazes e Meine os compreendia. Seus dedos estavam feridos por tanto puxar o arco e os músculos dos braços latejavam dolorosamente por suportar uma arma tão grande.
A mão de Svan que estava em suas costas deslizou para suas nádegas, acariciando uma delas com os dedos ásperos. Meine estremeceu, erguendo o rosto e sorrindo ao se deparar com o brilho malicioso nos sonolentos olhos verdes que o fitavam com desejo e letargia.
— Não sabia que estava acordado, Van.
Svan repuxou o canto dos lábios para mostrar um pouco dos dentes em um bizarro esboço de sorriso.
— Como se eu não fosse acordar quando me beijou.
Meine não soube se deveria se sentir culpado ou travesso quanto a isso, então, deixou suas emoções fluírem em torrentes, fazendo-o sorrir. Ele deslizou uma perna por sobre o quadril de Svan e logo montou escarranchado sobre sua pélvis. Incapaz de se controlar, expôs a língua por entre os lábios e golpeou a ponta do mamilo do Berserker. Svan grunhiu e estremeceu. Meine sabia o quanto ele era sensível naquela pequena região e descobriu seu prazer ao brincar com o bico rijo, intumescendo-o apenas com a língua para que Svan aproveitasse o que pudesse ver.
— Meine – rosnou. Não era um rosnado de repreensão. Ele sabia o tipo de sons que escapavam involuntariamente de Svan quando ele sentia prazer: grunhidos, rosnados, suspiros, gemidos esporádicos. Mas os grunhidos eram mais excitantes. Pareciam perigosos, ameaçadores, exibindo uma iminente perda de controle, todavia, Svan se mantinha agrilhoado a seu próprio autocontrole imposto. Meine não tocou o mamilo com os lábios, apenas com a língua, porque queria que Svan visse como a área se enrugava e endurecia, úmida por sua saliva. E ele golpeou implacavelmente, girando-a rápida e lentamente, alternando entre as velocidades, para então pressionar a ponta. Svan soltou o ar em um suspiro que se assemelhou a um bufar. Seu membro inchava gradativamente, tocando as nádegas de Meine, enquanto sua própria masculinidade reagia às brincadeiras. – Meine, maldição…
Meine se abaixou, os cabelos roçando o peito de Svan, enquanto tomava o mamilo na boca e chupava. O quadril de Svan se ergueu da cama e seu membro empurrou entre as nádegas do elfo, roçando em sua entrada e lhe arrancando um gemido. A vibração do som atingiu a ponta eriçada, ascendendo seu prazer. Svan parecia estar entrando em um frenesi enlouquecido. Ele estocava rapidamente, aumentando a fricção, enquanto Meine o lambia e sugava com força, atingindo-o com a língua. Os próprios quadris de Meine começaram a inconscientemente se mover, ondulando em busca de prazer, esfregando o pênis no ventre do Berserker.
Eles já suavam, as respirações descompassando, os corações acelerando. As mãos de Svan atacaram, cada uma tomando uma nádega em concha, apertando-as e separando-as. O vento frio tocou Meine intimamente, fazendo-o gemer e arquear. Seus lábios se entreabriram, libertando o mamilo de Svan quando gemeu. A glande quente de Svan em contraponto com o frio do aposento pressionaram sua entrada, recuando e empurrando, atritando a região, até que ele cravou os dedos nos ombros do Berserker.
— Van… – ofegou.
Uma das mãos de Svan se moveu, os dedos deslizando pela fenda entre as nádegas, até que o indicador tocou o orifício enrugado, acariciando-o em uma pressão circular, fazendo menção de entrar sem fazê-lo.
— Meine – Svan grunhiu e soltou o ar em um suspiro brusco. A ponta do dedo o invadiu e ele enterrou o rosto no peito largo, mordendo o lábio inferior. Ainda não estava doendo, mas era um tanto quanto incômodo. – Olhe para mim.
Meine respirou fundo e se forçou a erguer o rosto. Svan o olhava – olhos dourados e brilhantes de uma fera, como ouro derretido, tão fixos nele que o paralisaram. Eram perigosos. Eram famintos. Descontrolados, indômitos. Por um longo momento, Meine se viu perdido e hipnotizado pelos olhos incandescentes e bestiais. Ele não pestanejou, não respirou. Eram belos e aterradores ao mesmo tempo. Ele se lembrava de como Svan era quando transformado – o maior urso negro que ele já vira na vida. Era uma criatura corpulenta, grandiosa como um carvalho e mortal. E aquela mesma besta o olhava por detrás dos olhos do homem, unidos em um corpo e separados por uma mente. E Meine soube, em seu coração, que o que estava em jogo ali, dentro das paredes do quarto, não era a segurança do clã – era a aceitação.
Ambos, Meine e Svan, temiam o descontrole da besta. Temiam-na e evitavam-na, pois ela era caótica e irrefreável. Mas… Meine já a viu. Já tocou o urso. Esteve em suas costas, olhou em seus olhos. Conhecia o poder de sua fúria tanto quanto a ternura de seu amor. Ele ainda estava assustado ante a possibilidade de ser ferido como houve na primeira vez. Seu corpo tremia só com as lembranças e ele não queria sentir aquela dor nunca mais. Ele estava com medo e existia em seu interior uma pontada de covardia. De vontade de desistirem, de pedir para permanecerem nos seguros joguinhos.
Ele era forte o bastante para se doar por inteiro e superar seu medo, entregando-se tanto ao homem quanto à besta? Ele confiava na fera tanto quanto confiava no homem?
Ele não sabia o que responder. Ele não encontrava uma sincera resposta em seu próprio coração. A certeza que tinha era que amava o homem, com qualidades e defeitos, com todo o temperamento ruim e as carrancas aborrecidas. Svan era péssimo com as palavras, mas era ótimo com as ações. Ele sabia mostrar o que sentia mais do que falar. Meine queria… queria ser ainda mais íntimo dele. Ele queria ser dele tanto quanto queria que ele fosse seu. Queria possuir e ser possuído, consumir e ser consumido.
Diante dos olhos tão dourados, tão ansiosos por aceitação, o que poderia fazer? Svan parecia estar imerso no mesmo conflito que ele. Naquele mesmo temor.
Meine respirou fundo. Forçou-se a encarar os olhos da besta, a absorver sua radiante cor, a se adaptar ao verde oculto pelo dourado. Svan soltou suas nádegas e uma de suas mãos repousou em seu quadril enquanto a outra se elevava para lhe tocar a maçã do rosto com os nós dos dedos. O carinho o fez tombar a cabeça para receber mais, para sentir mais. Para ser amado. E houve uma pergunta muda entre eles, apenas olhos nos olhos, e Meine sentiu o que Svan sentia em cada palavra não pronunciada – eu te amo mesmo se você não quiser ir até o final. Nada vai mudar.
Meine sequer se deu conta de que sorriu.
— Eu sei que homens não podem casar – Meine sussurrou e sua voz quebrou no meio da frase – E eu sei que eu sou um escravo. – seus lábios tremiam, contudo ele não conseguia parar de sorrir. – Mas eu te amo, Van. E… – ele respirou fundo, munindo-se de coragem para dizer – Eu quero ser seu. Seu amigo, seu amante, sua família. Quero ajudar no que você precisar e estar ao seu lado em todos os momentos. Eu quero… eu quero… – ele queria tantas coisas que as palavras formaram um nó em sua garganta, acumulando-se e não saindo. Ele não conseguia mais prosseguir. Queria que Svan sentisse seu amor e sua determinação e não tinha certeza se estava se expressando adequadamente. Havia tanto a dizer e nada a falar.
Abruptamente, Svan se sentou e Meine se desequilibrou. Entretanto, antes que pudesse cair de costas sobre as pernas do Berserker, braços musculosos envolveram todo o seu corpo e o prensaram contra um peito sólido e quente. Meine foi apertado, abraçado com tamanha força que o ar se esvaiu de seus pulmões e suas costelas doeram. Sentia como se tentassem fundi-lo a Svan, unindo dois corpos em um só, como se ele pudesse entrar em sua carne. O rosto de Svan se enterrou na curva de seu pescoço e ele inalou seu cheiro, afundando nele ainda mais. Aquilo doía, mas Meine não queria romper o contato.
Era acolhedor.
O coração de Svan martelava contra o seu. Rápido, forte, pesado. Uma sensação cálida se instalou em seu cerne. Meine se sentiu tão amado naquele abraço, tão aceito. Ali, não havia amo e escravo, Berserker e Phaeleh. Era apenas Meine e Svan. E o amor de Svan era tão forte, tão seguro, que ele não teve a mais ínfima dúvida do que deveria fazer a seguir. Meine levou as mãos às costas largas do guerreiro, afagando sua pele, tocando-o e mimando-o como poderia fazer. Naquele singelo gesto tão impensado de Svan, ele disse a Meine sem carecer de palavras, o que Meine queria confirmar sem estar ciente de tal necessidade – não era pelo clã. Não era pelo futuro. Eles queriam seguir adiante pelo amor que sentiam um pelo outro. Eles queriam se unir da forma mais íntima e mais irrevogável possível.
Meine se esticou nos braços firmemente apertados de Svan e beijou com força sua bochecha áspera pela barba de um dia.
— Eu confio em você, Svan.
O abraço de urso afrouxou brevemente, apenas para seus olhares se encontrarem. As sobrancelhas de Meine se ergueram quando viu lágrimas cintilando nos olhos de Svan – lágrimas de alegria, de aceitação, de agradecimento, de reverência. De carinho.
— Você disse meu nome, Meine.
Os olhos de Meine se abriram como pratos ante a perplexidade que o assolou. Fazendo uma mental retrospectiva do que dissera a Svan e tendo suas bochechas esquentando por seu descaramento subito, deu-se conta de que talvez Svan estivesse certo e sequer se dera conta. Realmente foi capaz de pronunciar o nome de Svan?
— Eu… tem certeza?
Svan assentiu e um sorriso diminuto de orgulho repuxou as comissuras de seus lábios.
— Sim.
Meine fez uma careta.
— Não sei se consigo dizer de novo.
Svan negou com a cabeça e, satisfeito, pressionou os lábios nos de Meine. O resultado foi imediato – Meine derreteu contra ele, enfeitiçado. Os lábios se moveram um sobre o outro com sofreguidão, com volúpia, provando e conhecendo novamente. Então, Svan mordeu seu lábio inferior, puxando-o para baixo. Quando Meine suspirou, a língua quente entrou em sua boca, invadindo como um viking, reivindicando o que era seu com maestria, movendo-se e enroscando na sua, instigando-o a responder à altura. Eles se beijaram lenta e demoradamente, provando do sabor e do calor um do outro. Meine amava os beijos de Svan – eram carinhosos e excitantes ao mesmo tempo. Levavam-no a um estado de entrega que se assemelhava a embriaguez. Então, lá estava ele, desejando mais, ansiando por muito mais do que aquilo. Ele chupou a língua de Svan entre os lábios antes de devorar sua boca, incapaz de resistir ao desejo líquido que lhe pressionava dolorosamente a virilha.
Suas costas arquearam, colando-se ao peito musculoso e talhado por cicatrizes de batalha. Svan sugou seu lábio inferior entre os seus e ergueu as pálpebras lentamente, revelando os olhos dourados, fitando Meine. Sua ereção crescia, inchada, entre as nádegas de Meine.
Ele sentiu a conexão visual se estabelecer. A ligação, a união.
— Você não precisa saber dizer meu nome – Svan sussurrou contra sua boca. Suas respirações se entrelaçavam, mesclando-se uma na outra. – Eu gosto de como você me chama.
Os dedos de Meine acarinhavam suas costas distraidamente.
— Eu quero saber dizer.
Svan beijou seus lábios outra vez.
— Eu quero fazer amor com você, Meine – grunhiu, beijando seu queixo, mordendo se maxilar. Meine tombou a cabeça para trás para lhe oferecer mais espaço para beijar e morder. – Mas minha besta está pedindo para sair.
Meine entendia. Ele sentia um pouco de medo, mas também de segurança. Ele tinha agora, muito mais do que antes, certeza de que Svan jamais o machucaria. Ele tinha de confiar.
— O que você sente? – perguntou.
Svan beijou seu pescoço e sugou entre os lábios a carne sensível daquela região, usando a língua para chupar e lamber ao mesmo tempo. Meine estremeceu em seus braços, sentindo-se ser tombado levemente para trás.
— Meu sangue está muito quente. – Svan grunhiu contra sua pele, descendo um rastro de beijos dos ombros ao peito, até lamber um mamilo túrgido e fazer Meine suspirar de prazer – Há fúria e prazer.
Meine tentou procurar as palavras em sua cabeça quando Svan soprou sobre o bico molhado e todo o seu corpo tremeu pela onda de excitação que o escaldou. Seu membro estava ereto, oscilando suavemente para cima e para baixo, clamando por ser tocado, por ser chupado, por liberar seu conteúdo. Sua mente girava, gravitando em torno do prazer, e ele, por um momento, esqueceu-se do que falavam.
Qual era mesmo o assunto?
Ah… algo sobre Svan… mas o quê?
Os dentes de Svan arranharam seu mamilo. Ele cravou os dedos nas costas do Berserker.
— Por que fúria? – indagou em uma mistura de arquejo e gemido. Não reconhecia a própria voz, tomada pelo êxtase da libido.
Svan, então, deitou-o ao seu lado no colchão com tamanho cuidado que parecia temer que ele se partisse apenas por ser depositado na cama. Seu corpo logo o cobriu, para que o frio sequer ousasse em se aproximar. Ele beijou Meine na bochecha. Então nos lábios. Beijos castos, e tão cheios de significado, de sentimentos… Meine se sentia especial enquanto os olhos de Svan percorriam todo o seu ser. Admiravam cada parte de seu corpo, contemplando-o como se fosse o ser mais belo que já vira em sua vida. Fazia com que se sentisse forte e incrível, digno das bênçãos divinas. Meine corou ante seu escrutínio, e não deixou de se deleitar com a reverência que havia ali. Ele também olhou Svan – as coxas fortes, os ombros largos, o peito amplo e forjado por férreos músculos, o membro grande e excitado que apontava para o estômago, tão ereto que parecia prestes a romper a carne. Então subiu para o queixo quadrado, para os lábios avermelhados pelos beijos trocados, para os olhos brilhantes e selvagens.
Ele tocou a coxa grossa de Svan. Enquanto o acariciava ali, viu o membro saltar, oscilando, como se na expectativa de também ser tocado. Os músculos de Svan se retesaram quando seus dedos deslizaram em direção à virilha. Ele por inteiro enrijeceu e um grunhido vibrou em seu peito – ele queria ser tocado. Mas Meine não o tocou. Ele abriu as pernas, o rosto nitidamente muito vermelho pela excitação e pela vergonha.
— Devore-me, Berserker.
Svan grunhiu novamente e se adiantou como um animal, agarrando os joelhos de Meine e empurrando suas pernas para cima.
— Segure seus joelhos, escravo.
Meine sorriu. Ele obedeceu Svan, segurando os próprios joelhos. Mordeu o lábio inferior pela vergonha que o embargou – estava tão exposto, tão vulnerável. Saber que Svan estava na mesma situação que ele não aliviou seus temores. A dor de sua primeira vez martelou, abruptamente, em sua mente e ele enrijeceu. Não queria se lembrar. Não queria pensar a respeito. Ele desejava Svan. Sua ânsia por ele era grande, era dolorosa, e isso devia eclipsar aquele medo em algum momento.
— Meine – a voz de Svan parecia tentar puxá-lo daqueles devaneios assustadores. Estava grave e rouca pela excitação, retumbante como um rosnado – Quando quiser que eu pare, diga-me. Eu pararei, não importa o momento.
As lágrimas arderam em seus olhos e ele tentou sorrir para Svan.
— Toque-me.
Svan estendeu a mão por cima dele, pegando o vidrinho de óleo que Wray dera a Meine naquela manhã. Ele o havia deixado ali enquanto esperava por Svan e já não se lembrava de sua existência até ver Svan despejar um pouco do conteúdo em seus dedos, deixando-os pegajosos. Meine viu sua mão grande descer e logo sentiu os dedos frios pressionarem sua entrada, acariciando-a em círculos. Ele nunca pensou que ser tocado ali fosse tão bom – era ainda melhor quando feito por Svan. O prazer de sua própria mão não chegava aos pés daquele proporcionado por seu companheiro.
No entanto, ainda sentia medo. As mãos de Svan eram enormes, três vezes a mão de Meine. Esperava que ter os dedos dele em si ajudassem em alguma coisa, e o sentimento de precipitação de repente fora desfeito quando o dedo médio do Berserker penetrou-o profundamente. Foi rápido e Meine ganiu com a invasão, sua entrada apertando-o como se quisesse expulsá-lo.
Svan apenas esperou um pouco para que pudesse movê-lo, entrando e saindo uma porção de vezes, enquanto ele mesmo lambia seu lábio superior ao assistir ao pequeno show.
O dedo de Svan era grosso, e logo tornaram-se dois deles a tesourá-lo. Meine realmente se sentiu incomodado de início, todavia agora se sentia melhor. Era uma sensação incomum, tão distinta do que Meine já havia sentido antes. Não fora como daquela vez em que realmente doeu, mas calma, são apenas os dedos. E dois deles ainda.
Svan estava impaciente, ele retirou os dedos quando Meine parecia mais relaxado, seus polegares foram para os lados da entradinha de Meine, esticando-a, e a glande de seu pênis a beijou. O albino ofegou e seu sorriso desapareceu, seu corpo esquentando na medida em que ele se tornava mais ansioso.
Seus olhos se encontraram com os de Svan com uma mensagem silenciosa se passando entre eles. Meine assentiu, tomando o pouco de coragem que lhe restava para aquele momento. O Berserker olhou-o com carinho no mesmo instante em que passou a afundar no corpo diminuto de Meine.
Os olhos do elfo se arregalaram. Svan inclinou-se para frente e Meine imediatamente envolveu seus braços ao redor de seu pescoço. Suas unhas cavando sobre a pele das costas do viking.
— Do-Dói… – Meine choramingou com a queimação que se iniciou conforme sentia-se ser corrompido. No entanto, embora doesse, não foi tão excruciante e detestável como daquela vez. Fora como se ele estivesse lutando e aceitando pouco a pouco do tamanho de Svan, e certamente tentando recebê-lo em seu canal apertado, comprimi-lo em seu ser de uma forma que fora apenas um desconforto, quase beirando o insuportável.
Svan beijou sobre a orelha pontuda de Meine provocando-lhe arrepios e se afundou um pouco mais. Ele com certeza tinha conhecimento de seu tamanho, e foi abrandante para Meine notar que ele estava se controlando bem, que estava conseguindo ser paciente com ele. Era inevitável controlar sua voz, o elfo estava envergonhado por que ele não podia parar, mesmo que quisesse.
— Meine… – Svan sussurrou o seu nome e voltou a beijar sua orelha. Ele parecia ter pego o gosto para isso. – Você está bem? – Naquele instante, Svan terminou de se colocar dentro e Meine se sentia tão cheio a ponto de se sentir sufocado.
O albino anuiu com dificuldade, sua voz simplesmente não lhe obedeceu para respondê-lo. Seus olhos estavam semicerrados enquanto seu corpo inteiro se tornava uma chama flamejante, seu corpo inteiro sofria por espasmos e estremecimentos.
Svan, tão grande como ele era, estava muito bem cobrindo Meine, trocando calor ao corpo diminuto, suas carícias não paravam e pareciam ser uma forma de abrandar o desconforto do elfo que lhe trouxe lágrimas em seus olhos.
— Se sente tão bom e apertado, Meine… – Sua voz rouca trouxe ao garoto mais espasmos sussurrada contra o ouvido. – Eu sempre desejei isso… sempre desejei um momento como esse com você.
E Meine, tão afundado em um mar de sensações desconhecidas, fora aos poucos emergindo para o calor em seu peito tão familiar, aquele sentimento que Svan sempre provocava nele, onde tudo em seu ser clamava pelo seu toque, pelo seu carinho, até mesmo para ser o alvo daquele olhar que sempre lhe fisgara.
Já não era mais tão ruim, Meine até mesmo ousou remexer, e suspirou.
— Eu não entendo… – Disse Svan ofegante. Meine olhou-o acordando um pouco de sua névoa.
— O que você não entende?
— Como você pode se ajustar tão bem agora, sendo que daquela vez foi tão impossível. Eu o feri… e agora você está me aceitando. – Svan tinha aquela voz retumbante que Meine tanto amava, parecia tão sexy, muito mais agora com grunhidos e pequenos rosnados. – Está doendo?
O elfo abriu a boca para responder algo, entretanto dela apenas um gemido estrangulado saiu. Svan estava vermelho, suando tanto quanto Meine, e realmente parecia estar em uma situação difícil enquanto se controlava.
— Eu não vou durar muito tempo. – Disse o Berserker entre grunhidos.
— Van… – Meine sussurrou, suas mãos não mais arranhando-lhe como antes, mas acarinhando sua pele com ternura, enquanto ele jogou sua cabeça para trás no travesseiro e gemeu. – Eu… eu quero… – Sua voz simplesmente não se alinhava às palavras que ele queria tanto lhe dizer. Algo se acendeu dentro dele e subiu a graus perigosos, enquanto uma sensação completamente distinta, um tanto parecida com o prazer que sentira antes com seus próprios dedos, porém cem graus acima do nível, estivesse transformando o seu corpo em lava derretida. Meine se contorcia ao mesmo momento em que esfregava contra o corpo másculo do Berserker.
Svan passou a se mover intensamente e lento ao mesmo tempo. Ele não foi exatamente brusco, mas sim cuidadoso com Meine. Parecia temer machucá-lo, feri-lo em sua profundidade, entretanto o melhor de tudo para o elfo fora o cuidado, o carinho em que seus olhos demonstravam focados nele, de forma como se Meine fosse tão especial, que o sexo em si não fosse a coisa mais importante.
O elfo albino abraçou-o mais forte, sua voz deixando-o não mais envergonhado, mas descontrolada com gemidos, lamurias e pedidos sem nexo. Svan grunhia contra ele, lambendo sua orelha, seu pescoço e oferecendo pequenas mordidinhas em seu ombro. Ele parecia se controlar com dificuldade, o que deixou Meine ainda mais excitado de alguma forma.
Seu canal doía, mas até que estava suportando bem, porque por trás dessa dor, dessa ardência, havia uma sensação devastadora. Algo como um prazer misturado, e em um instante, quando Svan afastou-se, deslizando para fora, quase se retirando, para então dirigir seu pênis profundamente dentro, tocou-o em um ponto que fez Meine ver estrelas. Um grito escapou dele e suas mãos agarraram fortemente os lençóis da cama ao ponto de fazer os nós dos dedos brancos.
Svan fez de novo e de novo, Meine se sentiu enlouquecido, sua mente entrou em êxtase completo, algo parecido com ver arco-íris atrás de arco-íris. Seus olhos se abriram com o toque de Svan. Uma mão grande e áspera tocou em seu rosto, o acariciando com ternura, mesmo que seus olhos esverdeados agora fossem de um dourado brilhante e apaixonante, Meine estava admirado.
O elfo levou seus braços em torno do Berserker e Svan empurrou um pouco mais antes que Meine sucumbisse ao prazer derretido em seu ventre, seguido por todo o corpo. Arqueou-se completamente, seus lábios se abrindo em um gemido mudo quando seu orgasmo levou-o para um nível que Meine pensou que iria morrer pelo prazer.
Svan se conteve, porém seu rosnado foi longo e estrangulado enquanto seu pênis fora comprimido pelos espasmos do canal aveludado e apertado de Meine, até que sua semente explodiu em seu mais profundo, inundando-o e até mesmo escapando por entre as bordas.
Por conseguinte, Svan deitou-se sobre Meine arfando pesado, sem exatamente colocar seu peso sobre ele. O elfo tinha sua respiração irregular também, parecia tão exausto como nunca antes.
— Meine… Meine… – Svan sussurrou em seu ouvido, beijando-o lá novamente.
— Su-Suvan. – As mãos de Meine correram sobre os cabelos cor de areia do Berserker. – Eu te amo… te amo tanto. – Quando menos esperou, seus olhos estavam embaçados com lágrimas, e ele deixou ser levado por um abraço apertado e doloroso que provavelmente lhe deixaria alguns poucos hematomas a mais. Ele deixou-se ser levado para o carinho do homem que amava, com um profundo sentimento de que aquilo era o certo, de que algo havia mudado em seu ser, de que ele era a sua própria salvação.
No entanto, Meine também sentia que eles estavam prestes a se separar de alguma forma.
Continua…
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