Nem sempre pesadelos começavam mal. Na verdade, os piores deles iniciavam-se como belíssimos sonhos. Muitas vezes, eu era menina novamente; Acreditava em magia e na possibilidade de um meio-gigante barbudo numa motocicleta voadora me resgatar de quem eu deveria considerar família, mas os rostos já não me diziam nada e o escatimar do afeto magoava-me de maneira aguda.

E então, numa virada inimaginável, tudo se transformava na cena pecaminosa gravada na minha mente à ferro: Quando a mão do adulto que deveria me proteger me tocava no meio da noite enquanto meus lábios eram selados por uma cola amarga.