Pesados Pesadelos Pesarosos
3 Dímere e Aguilhão
Quando os sonhos não eram sobre o passado, o presente não oferecia muita positividade para inspirar meu subconsciente.
Frequentemente, campos de margaridas tornavam-se erva daninha, o pasto dava lugar ao concreto e toda vildade associada — fábricas, lucro, corporações, trânsito, fumaça, renda, aluguel. Eu já era adulta, o que queria dizer que trabalhava até nos meus sonhos.
Em meio a tudo isso, a voz inefável dele, de todos eles, fazia eu sentir como um gado atado ao aguílhão, cujo propósito era produzir. Não era humana, era o dímere de produto e produtor. A realidade era mais distópica que a ficção.
Fale com o autor