Pesadelos
2 Rose
- Vou embora agora. Tenham uma ótima noite. — Até amanha, Rose. — Até. Ela dava aulas de guitarra para crianças à noite. Tocava bem e tinha bons gostos. Assim como Thomas, Rose gosta muito de musicas, coisas mistérios, terror e demônios apesar de ser extremamente religiosa. Ela estava parada no ponto de ônibus esperando-o e ouvindo musica para passar o tempo. No seu celular tocava "Open your eyes". Rose também odeia ter que ficar sozinha em lugares públicos, mas ao contrário de Thomas, era por puro medo. O ônibus chegou e ela entrou. Passou pela catraca procurando um lugar para sentar. Só havia um banco vazio ao lado de um homem negro e incrivelmente grande. Ela se sentiu desconfortável com o minúsculo espaço que tinha. O homem se moveu para dar um pouco mais de espaço e com o movimento um cheiro ruim exalou de seu corpo, um cheiro que lembrava algo podre. Carne podre. — Boa noite — o homem disse à ela. Uma voz rouca e fraca mas com som de 100 pessoas falando ao mesmo tempo. — Boa noite — respondeu Rose, desejando chegar logo ao seu ponto. — Nós nunca imaginaríamos que algo tão cruel poderia ser linda assim. — O que? — ela se virou pra perguntar o que ele tinha dito mas parecia que eles estava falando sozinho, com o olhar perdido na janela. — Esta esperando o que para me perceber? — dessa vez Rose pode entender o que o homem disse. Ela olhou assustada para ele. — O que o senhor disse? — ela estava assustada com a situação. — Além de hipócrita é surda. Eu perguntei o que esta esperando sua vadia?! — Quem o senhor pensa que é? — ela estava se preparando para levantar e sair dali depois desses insultos. — Espere! — ele segurou seu braço. — Mas o que?!... — ela não conseguiu dizer mais nada. Seu corpo congelou quando ela sentiu a mão quente dele no seu braço. Sua respiração parou por alguns segundos quando ela viu o rosto e o braço desse homem. Estavam deformados e derretidos. — Você não desejar saber quem sou eu? — A voz dela agora estava diferente, forte e alta. Ela não podia falar mas pensava — "como esse vagabundo pode perguntar uma coisa dessa? O que ele esta fazendo? Por que não consigo me mexer?' — Oh, me desculpe. Acho que não pode falar. Melhor assim, poderei falar sem ser interrompido. — ele começava a sorrir. Enquanto ele falava ela olhou em volta. Não é possível que ninguém esteja vendo isso e não faça nada. — Fique tranquila. Ninguém esta nos vendo. Apenas nós dois. — como ele sabe o que ela esta pensando? — muito prazer. Meu nome é Ater. Sou seu demônio. "O que? Como assim demônio? Que tipo de brincadeira estupida é essa?" Ela não entende nada. Só queria estar em casa. — Não é brincadeira. Por que não pode acreditar? É engraçado como os cristãos só acreditam em demônios quando estão dentro das igrejas. Hipocrisia. — enquanto falava, sem largar o braço de Rose, Ater retirava seu casaco, deixando à mostra todo o seu rosto, pescoço e braços. São realmente horrendos. Ela sentiu nojo . — humanos só acreditam vendo. "Humanos só acreditam vendo"... Rose lembra de alguém dizendo isso para ela. Mas quem? Thomas? Sim! Thomas disse isso à ela quando se conheceram. — Acho que agora você esta começando a entender. Seu amigo Thomas... Garoto insuportável. — a expressão dele mudou quando disse o nome de Thomas, seu rosto encheu de ódio. — na verdade você só esta passando por isso por ter conhecido ele. Triste. Uma garota tão linda e talentosa terá que sofrer tanto. "Como assim 'terá'? O que vai acontecer comigo?” Rose estava muito assustada. Nunca tinha sentido tanto medo. — Me desculpe por isso... – ele disse isso dessa vez com uma voz de compaixão, mas sem perder o tom forte. No mesmo segundo Rose sentiu uma pancada forte no lado esquerdo do rosto e tudo se apagou. -Droga! – Ater pareceria não entender. – Como assim você ja desmaiou garota? Acorda! Rose acordou. Esta sentada. Aperta os olhos para enxergar melhor. Esta sentindo uma enorme dor no rosto. _Mas que merda. Você aguenta só isso? Lamentável... – enquanto ouvia aquela voz ela recobrava a consciência e lembrava onde esta. – bom... Acho melhor parar. Ater coloca suas mãos sobre o rosto de Rose. — Não! Pare, por favor. Pare me solte. – As mãos de Ater queimava o rosto de Rose que se contorcia no banco. – Nã... – Não se ouve mais nada, apenas um estalo seco. Ater torce o pescoço de Rose, fazendo- a parar de gritar, se debater e respirar.
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