Pesadelos
4 Comparando sonhos
-Bom dia, pessoas que não vivem sem eu!
— Muito engraçadinho você, né? – essa é Jeny
— Muito mesmo. – e essa é Lucia — idiota.
— O que houve com sua boca? – perguntou
-O que tem minha boca? – perguntei enquanto pegava um espelho com Jeny. – Merda!
-O que foi isso, Thomas? – “não posso acreditar” – apanhou de alguém? – “apanhei!”. Respondi mentalmente.
Quando vi a marca em meu rosto lembrei-me de algo que parecia um sonho. Apareceram algumas imagens borradas em minha mente, mas eu não conseguia distingui-las ou saber o que eram.
-Vou ao banheiro ver isso direito. Já volto – sai da sala apressado. Como um corte desse tamanho pode aparecer em meu rosto e eu não saber de onde veio.
Estava no corredor andando de cabeça baixa quando... – Bom dia, Thomas.
-Ah, bom dia. – era Rose.
— Tudo bem com você? – simpática como sempre.
— Tudo sim, e com você?
— Estou bem. Mas tem certeza que esta bem mesmo? O que foi isso no seu rosto? – Nem eu sei responder o que é isso...
-Não foi nada. E o que foi isso no seu? – Rose estava com uma marca roxa, fraca, mas aparente por causa da sua pele claro. – Quem fez isso com você, Rose? – fiquei nervoso ao pensar que alguém a machucou.
— Ah, isso? Bem... Podemos conversar isso depois? – Ela parecia sem graça, mas com raiva.
— Podemos sim, claro! — concordei sem hesitar – Mas você esta bem, certo?
— Acho que sim. Espero que você também esteja. – ela disse isso passando a mão sobre meu corte. Eu até o esqueci.
-Ah, sim. Estou. – menti.
-Então até mais. – ela disse e saiu andando em direção à sala. Eu realmente gosto dela e detesto ter a ideia de que posso perdê-la, mas sinto que só estamos no aproximando, cada vez mais.
A aula de física começou e parecia que o dia iria ser longo. Está um calor infernal e eu odeio, odeio, odeio o sol. Jeny e Lucia não pararam de perguntar o que houve com meu rosto e eu ja não tinha mais desculpas. Também queria saber o que houve.
Rose parecia estar interessada na aula, mas só parecia. Ela me observou a manha toda. Eu sabia que ela estava preocupada com algo e isso me preocupava também.
Deu a hora do intervalo e resolvi ficar na sala. Não queria descer e ver o sol. Meus dois pés no saco resolveram ficar comigo.
— Para de falar assim de nós duas. Sabemos que você nos ama. – disse Lucia. O pior é que ela tinha razão.
— Agora estamos sozinhos, Thomas. – Jeny se aproximou – diz para nós o que houve com você.
— Eu ja disse para você: não é nada. – aquilo já estava me deixando nervoso.
— Thomas, por que não quer me contar o que aconteceu para nós?
— Achei que contássemos tudo um para o outro – odeio quando Jeny faz chantagem emocional.
— Achou errado. Tem muita coisa sobre mim que vocês não sabem.
— Como assim? Eu pensava que confiasse em nós duas. – ela realmente estava inconformada.
— Não precisa de drama, Jeny. Eu confio em vocês, mas não precisamos contar tudo. – eu estava começando a perder a paciência com ela. Isso era difícil de ocorrer. – Tem coisas que precisam ser guardadas.
— Deixe-o, Jeny – Lucia interveio – ele deve ter seus motivos.
— Obrigado por entender, Lucia. – eu realmente estava grato e queria deixar claro para Jeny que não queria falar sobre isso.
— Mas aposto que ele tem alguma coisa para dizer à Rose.
— O que? – não entendi o que Lucia quis dizer. Ela apontou para a porta. Rose estava ali.
— Vem Lucia. Thomas deve ter mais o que fazer – Jeny pegou o braço de Lucia e saiu da sala apressada esbarrando em Rose ao passar pela porta.
— Me desculpe por isso. – eu disse enquanto ela entrava.
— Tudo bem. Só queria entender porque elas me odeiam tanto – Infelizmente era verdade. Elas odiavam Rose.
— Eu também queria... – concordei com ela, mas na verdade sabemos. Elas não aceitam que eu goste tanto de Rose conhecendo ela em tão pouco tempo. Se fossem só as duas, mas todos próximos a mim não gostam dela.
— Eu vim para conversar com você.
— Eu sei. Diga. – puxei uma cadeira para ela se sentar.
— Bom... Por favor... – ela parecia não saber o que dizer – você sabe que confio em você, certo?
— Rose, desse jeito você esta me deixando cada vez mais preocupado.
— Sabe, é que ontem eu tive um sonho. – ela resolveu dizer
— Um sonho? – lembrei-me do meu. – continue.
-Foi um sonho realmente estranho. Havia um homem com a pele deformada. Ele me disse várias coisas estranhas e me bateu. Tudo pare...
-Espere! – interrompi. – você não vai dizer que essa marca no seu rosto tem relação com o sonho, vai?
— Bem... Achou estranho? – ela corou.
— Sabe... Na verdade não. – resolvi contar. – eu também tive um... – “Trim.”. Merda, o sinal tocou.
— Podemos nos encontrar à noite?
— Sim. – concordei enquanto Rose se levantava e ia para seu lugar.
O resto do dia demorou uma eternidade para passar. Resolvi não ir ao curso. Não queria ficar sozinho novamente. Irei somente na próxima semana, quando Lucia e Jeny iniciarem o curso delas.
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