Perículo

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Bom, eu demorei pakas... e acho que mesmo assim não ficou tão bom. Mas na verdade, já estou com o capítulo 3 pronto. Só falta passá-lo ao computador. É, quando fico com tédio nas aulas, começo a escrever sem parar. Pra falar sério aqui, foi assim que surgiu perículo. Mas em fim... peguem a pipoca *o*

- Quem é você? — o encarei assustada. Coloquei o travesseiro como “escudo”.

Dei mais uma olhada na pessoa a minha frente. Olhos azuis-esverdeados. Ele estava parado ao meu lado da cama. Sim, era um homem. A sua camisa polo xadrez estava aberta, sem nenhuma outra que cobrisse seu corpo por dentro. Seus músculos eram perfeitamente desenhados. Era bem capaz que eu tivesse perdido um bom tempo meu, só olhando para o aparente “deus grego” que estava a minha frente.

Ele deu um sorriso de canto de boca, e sua risada – que pelo visto saiu fraca e esganiçada – ficou aparentemente charmosa. Sua calça jeans preta, só servia para deixa-lo mais gato e sedutor ainda, ainda mais porque era em estilo rasgada. Ele levantou, levando seus dedos aos bolsos. Encostou-se de lado a parede, e me olhou fixo.

- Novamente...- falei gaga. – Quem é você?

Ele riu.

- Eu vou chamar a polícia. – essa frase, que para qualquer um teria soado medonha, para ele soou engraçada. Por que? Ele riu novamente. Seu cabelo estava alinhado, era de um preto charmoso e lustroso.

- Não vai adiantar... – ele continuou rindo. O canto de sua boca levantou novamente. – E além de tudo, eu não mordo.

Ele se aproximou de mim. Seus dedos tocaram suavemente em minha nuca, suas mãos geladas estavam em minhas costas. Ele aproximou sua boca de meu ouvido, dizendo:

- Ela não é mais confiável.

Senti os dedos frios que haviam pousado em minha nuca saírem, virei-me para vê-lo, mas ele já havia saído. Joguei-me novamente sobre a cama com lençóis acolchoados. Fechei os olhos novamente para pensar por um instante no que havia se tornado minha melhor amiga. Ou se ainda era a Julliet. Essa realmente era uma pergunta que eu estava me fazendo já a um bom tempo.

...

Calcei minhas botas pretas, que se adaptavam perfeitamente a minha blusa tomara-que-caia. Meus cabelos ainda estavam um pouco cacheados, por causa baby liss. Peguei minha mochila, jogando-a nas costas. Deslizei pelo corrimão da escada e caí em um salto. Corri rapidamente até a cozinha, e em um pulo ágil, capturei meu café da manhã. Minha mãe soltou um riso. Um riso muito tosco. Que não se comparara nem, de longe com o sorriso que havia recebido no dia anterior.

Ele chegou novamente com a camisa aberta, as mãos dele estavam no bolso, ele andava como um daqueles modelos perfeitos, desfilando para milhões de pessoas – em rede nacional-. Me olhou fixo com aqueles olhos profundos. Olhou para o próprio corpo, e com um estalo de dedos, fez com que sua calça se tornasse azul, uma camisa polo branca e um casaco qualquer, apareceram, retirando a imagem que havia me feito babar – literalmente – algumas horas atrás.

- Pensei que espíritos não trocassem de roupa. – falei.

– Sou só um guia espiritual. Seu guia, na verdade. — ele estendeu uma de suas mãos para mim — Prazer, meu nome é Logan.

Olhei-o ainda intrigada. Minhas mãos congelavam. Estiquei as mangas de meu casaco cinza e rosa, para que cobrisse totalmente meus braços. Esse era definitivamente um dos casacos que mais me aqueciam. Ele olhou para mim, puxando-me até o jardim. Porque ele não parava de me olhar?

- Perdeu alguma coisa? – este comentário fez ele rir. – Tá olhando o que?

- Você. – ele disse ainda rindo. – Ninguém consegue me enxergar, quer que eu olhe para o que? – ele voltou a rir. Revirei os olhos várias vezes, mas ele parecia não notar. Propositalmente.

Ele pegou minha mão e pôs a outra no bolso, fomos caminhando até um lugar parado e sombrio, ele retirou a mão do bolso e a colocou em minha nuca, levou a outra para o lado que havia sobrado , deixando as duas paralelas. Seus olhos mais profundos do que nunca penetraram nos meus. Aquele momento era tão perfeito que nada poderia estragar. Ainda na mesma posição, ele disse:

- Me espere aqui, o.k.? Qualquer coisa, grite. Grite bem alto.

- Tá legal. – disse um pouco chateada.

Por que ele não me beijou? Droga! Ele se materializou rapidamente. Esperei parada, colocando uma das minhas mãos em minha nuca para massageá-las. Fiquei ali pensando em várias coisas, por exemplo, o que teria acontecidocaso tivesse o beijado. Vi uma garota com a mesma jaqueta de umas manhãs atrás, o cabelo o louro solto sob os ombros. Julliet.

- Sentiu minha falta? – ela perguntou irônica. – Cadê seu protetor? Ele te deixou aqui?- ela fingiu uma cara de dó. Insuportável como sempre. Ou melhor, desde que tinha morrido.

- Estava espiando todo esse tempo? – perguntei. – Mas já que quer saber, ele voltsa daqui a pouco.

- Tempo suficiente. – ela murmurou.

Olhei-a de cima para baixo. Não conseguia acreditar que era a minha melhor amiga. A garota que sempre me acolheu quando eu precisava, a mesma que me deu conselhos, e a quem aconselhei. A que ria de tudo e de todos, que nunca se abalou por causa de críticas. Ela puxou meus cabelos, me atirando contra a parede. Levei as mãos aos lábios.

- Logan! – berrei. Ah, droga!, pensei

- Perdeu a coragem? – ela disse novamente sínica – Não sabe mais se defender sozinha?

- Não sabe, — ouvi uma voz masculina, que de um tom fraco foi aumentando – que é feio ouvir as conversas alheias?

Meu coração acelerou. Saber que a garota com quem jogava The Sims 3, e sempre queria fazer uma boneca parecida com a Demi Lovato e que com certeza era uma das pessoas mais importantes pra mim, agora me odiava. Meu coração batia mais forte a cada segundo. Ela ficou paralisada, tenho certeza que por dois motivos: Um – Logan era um gato; Dois – Ele podia tirar ela dali apenas piscando um dos olhos. Ela se desmaterializou como um flash.

- Você está bem? – ele perguntou.

Não consegui me controlar. Explodi em lágrimas. Meu rosto estava inchado, levei os dedos aos olhos, tentando enxugar a água que descia do meu rosto. Minhas mãos estavam trêmulas, quase tão trêmulas que esqueci que estávamos em um cemitério. Sentei-me em uma das criptas, levando as duas mãos ao rosto, continuei a chorar. Ele me olhou tenso. Sentou ao meu lado, abraçando-me forte. Um de seus braços estava em volta de meu ombro. Com a mão que sobrara, ele tocara a minha. Encachei minha cabeça em seu ombro. Levantei com um sorriso fraco.

- Obrigada. – falei rouca

- Amanhã começamos. – ele disse. – Você não está muito bem hoje. – ele pegou minha mão, e caminhando, levou-me até em casa. Subimos as escadas, meu rosto ainda estava vermelho. Ele abriu a porta, soltando minha mão enquanto dava-me um beijo na testa. – Nos vemos amanhã.

...

Acordei pela manhã, jogada em minha cama, ainda estava com minhas roupas de antes. Não havia trocado. Fui andando sonolenta até o banheiro. Ajeitei meu cabelo com a mão, e em seguida prossegui com a escova. Peguei minha escova de dentes e pus-me a escová-los. Com a tinta spray roxa, tingi o cabelo em mexas. Abri minha caixa, onde se encontravam minhas lentes de contato, que eram de tom verde-amarelado. Passei o blush em pó, e em seguida o batom luminoso rosa. Ajustando meu corpete rosa neon e preto – que davam destaque a colada calça jeans que eu vestira. Salto agulha e brincos não muito grandes. Coloquei minha bolsa no ombro e os livros nas mãos. Saí correndo para não perder o horário. Cheguei na escola uns cinco minutos antes de o sinal bater. Todos os alunos olhavam para mim intrigados. Provavelmente, por causa da mudança de visual.

- Você está linda. – Disseram três garotas, que vieram em um vulto, e saíram no mesmo.

- Hã... – falei confusa – Obrigada?

Eu assumo, já não estava mais tão abalada com a morte de Julliet. Abalada por minha melhor amiga ter virado um monstro? Sim. Isso sim, eu estava, e muito. Mas pelo fato de ter minha melhor amiga não. Simplesmente por causa de muitos fatores. O primeiro? Bom, minha “cumplice” havia virado uma psicomaníaca. Outro? A Julliet que eu conheci, já tinha morrido. Essa outra forma dela, esse jeito inovado e estranho de ser e estar, era uma usurpadora. Pelo menos era o que eu queria acreditar. Lá no fundo eu sabia, que não importa o que fosse, a Julliet que conheci era a que estava viva. A que nunca morreu, que sempre viveu mais a cada segundo, e que parecia não ligar para simples e ridículos pensamentos. Ela era a melhor pessoa que eu já havia conhecido. E agora? Sinceramente, não sei mais.

- Primeira regra, — escutei algo sussurrar ao meu ouvido – Não pense nela, isso atrai.

- Logan! – joguei meus braços em volta de seus ombros. Ele abraçou minha cintura, foi aí que me toquei sobre a enorme desesperada que se encontrara em mim neste exato momento. – Ér... quer dizer... desculpe né... bom ver você.

Ele riu.

- É bom vê-la também. – ele disse rindo fraco. – Senhorita

- Porque não para de uma vez com as piadinhas? – disse crítica.

- Bom, eu paro quando você parar de falar comigo. – ele disse sério.

- Porque faria isso? – perguntei. O clima estava tenso.

De repente o momento de tensão passara, quando ele disse rindo:

- Como já te disse, — ele falou rindo enquanto encostava o ombro na parede – vão achar que você é louca. Sabe que só você consegue me ver. Vão passar por aqui e se perguntar: ‘ Porque a maluca está falando sozinha?’.

Tá, este comentário me fez dar uma olhada em volta, onde praticamente todo o ginásio me encarara. Dei mais uma olhada, procurando os fones de ouvido, em meio a uma tentativa de fazer parecer que estava cantando alguma música.

Ele se desmaterializou tão rápido quanto tinha aparecido. Então percebi a miniatura parada a minha frente. Uma garota baixa de cabelos grisalhos curtos. Suas caras tinham uma grande quantidade de sardas, e ela teria uma aparência albina, se não fosse ruiva. Ela usava uma bermuda jeans, sapatos esportivos, e uma blusa preta e regata.

Ela me encarou estranha. O que ela queria? Nunca tinha visto a alien na minha vida.

- Perdeu algo? – falei rabugenta. – Desculpe, mas não é normal chegar alguém que você nunca viu e ficar lhe encarando desse jeito.

- Sou irmã dela. – ela resmungou de volta.

- Ah... – falei ainda com dúvidas. – De quem? – ela me olhou. Uma careta enorme tomou conta de seu rosto.

- Já se esqueceu? – ela perguntou sínica. – Você deveria ser uma ótima melhor amiga. Até agora estou me perguntando como ela se envolvia com gente como você.

- Expectativas de mais. – respondi a ela – Você não me conhece. Além do mais, se realmente era irmã da Julliet, porque nunca lhe vi nas vezes que fui a casa dela? – perguntei novamente.

- Eles me mandaram para o reformatório. – ela respondeu mostrando o braço. Estava cortado. – Isso aqui foi em uma briga num bar. Era meu aniversário e uma retardada resolveu dar em cima do meu amigo. Cara, isso realmente mereceu um canivete suíço. Eles acharam que eu precisava realmente de ajuda. Mas agora acho que eles sabem que estou bem.

- Pelo jeito que está falando, — respondi – eles estão bem enganados. Eu realmente duvido muito que depois de tudo que você fez, eles ainda te concedem toda esta confiança. Se eu fosse você não acreditaria nisso. Eles observavam a Ju dia e noite, mesmo sem ela fazer nada que lhes desse certeza de que não era flor que se cheire.

- Você não sabe quem sou, — ela respondeu em um grito – tá legal? Não sabe o que eu já fiz, e mesmo assim critica meus atos. Quem é você para falar de mim?

- Só o que já vi sobre você foi o suficiente para saber do que se trata seu passado. – fiquei séria por um momento — Álcool, drogas, shows, invasões de privacidade, suspensões... se duvidar já deve até ter sido suspeita de algum crime, seja ele grave, ou não.

Ela virou as costas para mim, onde percebi que se enxergara claramente a estampa, com uma letra morta e bem desenhada escrito: “ Beach Bitch’s”. Seu cabelo curto ficava parado, sem nenhum movimento enquanto andara. Cruzei os braços na altura de meu tórax.

Ela voltou-se em minha direção novamente. Olhou-me fixo e apontou o dedo indicador para mim. Ela estava esfregando aquele dedo porco na minha cara? Já era baixo de mais, até mesmo para ela, a irmã psicopata da Julliet.

- Escuta bem, — ela disse, quase enfiando seu dedo indicador em uma de minhas narinas – não vou ser obrigada a te aturar. Eu sei que você e minha irmã eram muito amigas. Sei o que fizeram, e seja lá o que pense que acho, não vai passar, o.k? Não em branco. Você e eu sabemos qual o problema.

- Não sei do que está falando. – disse, me fingindo de desentendida, óbvio. Me aproximei dela, tentando intimidá-la. – Não tenho medo de você. Conte sobre mim, e saberá como pode ver seus pais ainda piores depois da morte da filha. – falei. Me senti mal por isso, mas sabia que era o certo. Essa garota não podia simplesmente chegar e acabar de detonar os pais dela por completo. Sei lá... só não achava certo, conhecia aquela família a tanto tempo.

- Não tenho medo de meus pais. Não se finja de sonsa. – ela fez uma careta bastante expressiva – Você sabe o que é. E também sabe que uma hora ou outra, isso vai acabar com você. Isso a destrói por dentro não é mesmo, Blair? Você não vai agüentar a pressão. Sinto muito, mas você está tão morta quando a Julliet por dentro.

Olhei-a. Me controlei para não derramar as lágrimas que estavam em meus olhos, até mesmo porque eu e ela sabíamos do que ela tanto falava. Eu sabia. O ritual. Mas não tinha coragem de admitir, nem para mim mesma. Leve o polegar ao rosto e enxuguei uma lágrima. Eu não acredito que estava perdendo meu tempo me humilhando na frente de uma criança e sendo ameaçada por ela.

- Você adora isso não é mesmo? – perguntei. Agora rindo sínica – Sabe que sua irmã está morta. Sua família, seu pai, sua mãe... seus tios, avós... e você? Está realmente ligando? Você não parece se importar com o que realmente aconteceu. Parece que simplesmente não tem coragem de virar para si mesma e dizer: “ Está na hora de crescer”. Putz... sua irmã está morta. Morta. E você parece não se importar com isso. Parece estar bebendo cada gota com prazer, como se estivesse saboreando a sobremesa. Eu e você sabemos sobre o que eu e Julliet fizemos, mas também sabemos que você está aproveitando o último pedacinho de torta.

Ela me deu as costas e foi embora. Nessa mesma hora vi Logan se materializar novamente. Ele se encostou na parede, olhando para baixo. Porque estava tão estranho hoje? Ele sabia de algo que eu, Blair, não sabia? O que estava acontecendo afinal?

- Me conte. – falei. Estava começando a ficar com uma séria vontade de atacar alguém, sim, eu vou acabar virando uma maníaca assim.

- O que? – ele perguntou

- Chega de mentiras. – falei abalada – Já foram muitas durante realmente muito tempo. Eu confio em você. Por enquanto. Mas se tem pelo menos um pouco de honestidade fale para mim. Você sabe de algo que não sei. Isso não consegue esconder...

- Realmente, — ele interrompeu minha fala – eu sei. Essa é mais uma prova de que mentiras não saem da minha boca. E eu prometo, você vai saber. Na hora certa.

Notas finais
Bom, espero que tenham deixados. ODEIO leitoras fantasmas, então deixem reviews, ou a Julliet vai atrás de vocês durante a noite u-u