Personalidades Perdidas
2 O Segundo Prólogo: Leto
Um corte. Mais um corte. Outro corte.
Encontrei um canivete com uma das pessoas que havia matado há pouco, e ele estava me servindo perfeitamente bem. Apesar de pequeno, a lâmina da faca embutida nele era suficientemente afiada para fazer cortes, cortes e mais cortes. Cada deslize daquele fio de metal na pele de uma pessoa me gerava um prazer enorme. Eu atingia orgasmos e mais orgasmos consecutivos. Não conseguia mais parar, era incontrolável.
Gritos de dor me deixavam em êxtase, e eu fazia com que essa sensação fosse a mais duradoura possível. Iluminado por uma noite de claro luar, sentia que este era o momento perfeito de agir e eu só aguardava minha presa.
Senti que havia alguém me observando, mas eu não podia ser visto fazendo isso. Ir atrás daquela figura também poderia ser arriscado: estive contando com o elemento surpresa todo o tempo, e não pretendia perdê-lo tão cedo. Peguei uma das bolsas das vítimas que haviam por lá, botei alguns itens que me poderiam ser úteis e sorrateiramente segui para a rua de forma a continuar minha tarefa.
Esperei, esperei e esperei. Aparentemente, o toque de recolher era efetivo para muitas pessoas, mas sempre haviam aquelas que o descumpriam, seja por chegarem atrasados em suas casas ou por mera rebeldia. Adolescentes pichando muros eram frequentemente vistos por mim, e eu os atacava impiedosamente. Naquela rua, eu não conseguia mais encontrar ninguém, porém a sensação de poder emanando em mim fazia com que meu corpo e minha mente exigissem por mais.
Todos costumavam rogar por Deus nos momentos de ajuda. Ele não existia, pois eu o encarnava. Se aquelas pessoas estavam fora de suas casas, estavam cometendo algum delito contra a Lei dos Homens. E eu era o responsável por julgá-los e concedê-lhes a pena que me interessava: a morte.
Finalmente, meus olhos fitaram o que eu queria encontrar.
Naquela rua mal iluminada e arborizada, forcei a visão e enxerguei ao longe uma única pessoa solitária caminhando. Ela estava só, com feição de alguém preocupada ou triste, mas isso não me interessa. Aquele desejo por sofrimento já estava me sufocando ao ponto de se transformar em dor.
A necessidade de esconder me veio à tona. Apesar de não ter o hábito de fazer isso, subi em uma das árvores que havia por perto e diminui a minha respiração ao máximo. Esperei pacientemente que ela passasse por perto. Talvez demorasse uns dois minutos pelos meus cálculos.
Ela não aparentava ter medo, já que andava de uma forma tranquila e até elegante. À medida que eu conseguia enxergar mais e mais daquela pessoa, meu desejo de possuí-la aumentava. Cabelos longos, corpo que aparentava ter bastantes curvas. Meus olhos brilhavam de interesse, e meu coração batia mais forte.
Esperei, esperei, esperei. Calculei em um minuto o tempo para que ela atingisse o local que eu estava para atacá-la. Sem saber o que a esperava, ela continuou andando de forma imponente e me fazia perguntar se ela era da região. Conhecia o toque de recolher? Não importava, eu levaria julgamento para ela. Ela não devia estar ali, e pagaria por isso.
Então, chegou. Não ligava mais se fosse visto e, de um salto, pulei logo atrás dela e agi rápido com a faca do canivete. Com a parte cega e mais pesada da minha arma, bati na região da medula espinhal dela e, ao mesmo tempo, tranquei a respiração da garota. Segurar o canivete ao contrário, pela lâmina da faca, fez com que minha mão se cortasse e sangrasse, eu lambi meu próprio sangue e, logo após isso, a garota desmaiou rapidamente. Eu tinha que levá-la a algum local.
Coloquei-a em meus ombros, ela era um pouco pesado. 60 quilogramas, talvez? Não faço ideia, não me importa. Com aquele corpo, continuei andando em busca de algum bom local para fazer o que queria, me afastando mais daquela avenida principal e indo em direção a um beco estreito. Becos eram clichês para qualquer atividade, mas eles eram suficientemente bons para evitar olhares indesejados — se é que havia algum.
Encontrei um ginásio que aparentava estar em reformas. Os portões de metal, pintados de um escuro azul, estavam entreabertos de modo que o meu acesso lá seria fácil. Existia bastante material de construção, havendo uma mistura de materiais que variavam de areia até telha. Não obstante, a poeira e o mofo se estendiam por todo o local.
Aquela moça estava totalmente inerte, e isso lhe dava uma aparência bastante frágil. Pessoas frágeis também mereciam morrer, pois o mundo era dos fortes. Vários pesquisadores do passado costumavam dizer que só os fortes sobrevivem, a teoria da seleção natural ou qualquer que seja o nome que haviam dado a algo tão óbvio. A hipocrisia existe no mundo para permitir que pessoas fracas e sem o direito de viver, vivam, e isso me enoja. Aquelas máscaras de emoções e sentimentos que as pessoas vestem ao lidar com outras, seja no trabalho, ou com familiares e amigos, mereciam ser julgadas.
Hipocrisia, falsidade, sinceridade, felicidade, tristeza, raiva. Tudo isso são mentiras, coisas irreais. Abomino, condeno, odeio tudo isso.
Procurei por algo que pudesse prender aquela garota. Achei algumas cordas um pouco antigas que provavelmente seriam usadas para ajudar a arrastar objetos naquele local imundo. Uma barra fina de metal também estava por perto. Com um isqueiro na bolsa que levava, aqueci a barra por algum tempo até a mesma se tornasse facilmente maleável.
Enquanto esquentava a barra, comecei a suar ao tentar suprimir aqueles impulsos de tentação, mas resisti e esperei tranquilamente que ela acordasse. Atentamente, observo por qualquer sinal de movimento daquela garota, mas não havia nenhuma reação por parte dela. A madrugada ainda estava começando, havia muito tempo até que o toque de recolher se encerrasse.
Minha mão que segurava a barra era a mesma que havia sido cortada há pouco, e ela começava a esquentar a medida que passava o tempo. Enquanto fazia todo esse processo, fui me aproximando da garota que jazia inconscientemente, parecendo mais um corpo morto que qualquer outra coisa. Procurei um bom local para usar a barra, e vi a grade de contenção que ficava entre o campo do ginásio e a pequena arquibancada local. Larguei o isqueiro no chão e rapidamente arrastei o corpo da menina para perto de lá, estiquei-a toda, peguei os braços e estiquei para perto da barra.
Foi necessário esquentar o metal um pouco mais, o suficiente para me economizar as forças que seriam gastas em breve. Dobrei a barra ao redor das duas mãos da menina e da grade, deixando uma espécie de algema única para as duas mãos, usei a corda e tracei alguns nós ao redor dos calcanhares também. Ela não teria como se mover, mas ficaria confortável o suficiente para tanto enquanto eu extrairia meu prazer.
Só de olhar para o corpo da garota, minha boca começava a salivar. Minhas refeições eram humanas, e só eles podiam me satisfazer. A dor do desejo me incitava a querer apressar tudo, mas dei uma olhada na vítima pela última vez antes de começar.
Suas roupas estavam rasgadas por eu ter arrastado-a um pouco e havia algumas poucas escoriações em sua pele. O seu cabelo já estava todo esvoaçado pela caminhada, mas parecia que eu estava em um conto de fadas.
Naquele local vazio, comecei a rir histericamente. Ri de loucura, ri pelo poder. Eu podia fazer o que bem entender. Ela era minha, ninguém poderia intervir. Adorava sentir que estava acima daquelas pessoas inúteis.
Naquele momento, eu estava acima de Deus. Nem mesmo Ele, caso existisse, poderia me impedir de me satisfazer usando daquela inocente garota. Cada vez que eu pensava nisso, risos e mais risos ecoavam ao longo de todo o ginásio, e eu estava totalmente despreocupado.
Aquele corpo quase morto produziu alguns movimentos, fazendo com que eu automaticamente me aproximasse e proferisse alguns tapas fortes na face dela até que, atordoada, acordou. Balbuciava algumas coisas, as quais, não me importavam. Minha mente não deixava que eu processasse o que eu ouvia ou via, tudo era incompreensível. Meu corpo estava agindo por si só.
Ela percebeu que não adiantava conversar. Começou a gritar, e aquilo me deu um êxtase novamente, o mesmo que tive quando matei todos aqueles pecadores. Não, era mais forte. Aquela garota estava lutando incessantemente para se livrar das minhas algemas improvisadas. Poderia passar a noite olhando para aqueles movimentos loucos de desespero e agonia. Mas minha resistência cedeu, e meu corpo avançou na sua direção.
Eu a beijei. A relutância dela em encostarmos nossas línguas era enorme, ao ponto de ficar se desviando. Tentou me morder, não adiantou. Trocamos saliva por um bom tempo e, enquanto isso, minha mão foi automaticamente passando pelo corpo dela. Ainda estava com roupa, mas eu conseguia sentir todas as suas formas. Seios de tamanho moderado, mas extremamente bem formados. Apertei um pouco eles, e estiquei um pouco os mamilos que aparentavam estar duros, ou seria minha imaginação? Mesmo assim, não importa; ainda havia resistência do corpo naquele ponto, mas continuei beijando. Ela não sabia como agir, estava perdida.
Minha mão desceu dos seios e seguiu para uma barriga onde senti um piercing no umbigo. Não gostava disso, ela estava violando algo que deveria ser natural. Desci a mão mais ainda, até que cheguei ao ponto que desejava. As pernas tentavam se fechar ao máximo, mas era inútil. Ainda beijando-a, botei a outra mão e consegui abrir as suas pernas. Inseri alguns dedos na genitália e comecei a masturbá-la levemente. Estava seca, e não aparentava que iria se molhar. Ela lutava, não queria ceder, mas não me importei. Continuei massageando o clitóris, inserindo e retirando os dedos, até que parei de beijá-la e comecei a ver às lágrimas em seus olhos, seguidos de mais gritos incompreensíveis que ecoavam, aos quais nem sequer tentei compreendê-los. Não posso entender esse tipo de ser, isso implicaria em me misturar a eles.
Dei um descanso de alguns segundos a ela enquanto pegava a faca do meu canivete, ainda suja de sangue. Quando voltei, seus olhos abriram-se de medo, imaginando o que eu poderia fazer. Ah, era um orgasmo fluindo a cada simples triscada da faca em seu corpo. Por fim, limpei-a em sua roupa e em seguida a rasguei. Primeiro, a parte superior do vestido e, em seguida, a parte inferior. Estava frio, e ela começava a dar sinais de gemidos, estava se movimentando ao máximo, o que dificultava meu trabalho.
Livrei-me de seu sutiã e de sua roupa íntima com um só corte. Ela estava nua, na forma em que veio ao mundo. Novamente, fechou as pernas e se mexia. Aquilo já estava começando a me irritar. Essas pessoas não deveriam ter qualquer resistência diante de uma pessoa que estava acima do próprio Deus.
Proferi socos impiedosamente. Vários tapas no rosto e vários na barriga. Apertei muito os seios e, enquanto isso, proferia mais e mais tapas até o ponto em que ela não aguentou e cedeu. As pernas estavam inertes, então novamente me concentrei na região genital.
Ela era virgem mesmo possuindo todo aquele corpo escultural. Começaria tudo tirando a virgindade dela, aquilo daria uma dose de humilhação para o resto da vida – como se eu sequer fosse deixá-la viver. Novamente, afastei-me um pouco e fui verificar o que havia na bolsa com pertences que havia trazido. E ainda havia outra com um vibrador dentro.
Coincidência ou não, a sorte estava do meu lado. Andei calmamente em sua direção enquanto novamente ela se debatia. Sequer me importei em detê-la, apenas coloquei o vibrador bruscamente para dentro da vagina. Comecei a excitá-la ao máximo, até que a lubrificação vaginal começou a sair misturada com um pouco de sangue. Afinal, ela era humana.
Enquanto jazia deitada, nua, acabada, dei uma lambida do pescoço até a barriga, abaixando lentamente e deixando meu rastro de saliva pelo corpo. Em seguida, também desci e provei um pouco daquela mistura. O néctar da vida humana, nada podia ser mais delicioso.
Peguei a faca e dei uma mordida no mamilo esquerdo. Puxei o seio um pouco para cima e tracei a faca em um só golpe. Sem cerimônia, fiz o mesmo com o outro.
Gritos de dor ecoaram pelo ginásio, aquela cena chegava a me esbugalhar os olhos de tanto prazer. Ela começou a evacuar. Urina e fezes começaram a sair de uma só vez, fazendo com que o sangue começasse a ficar porco. Sem me importar, continuei arrancando aquele piercing, seguido pelo seu clitóris.
Naquele exato momento em que passei a faca impiedosamente em seu clitóris, ela deixou de ser mulher. Eu era a pessoa que julgava à todos, podia fazer o que bem entendesse com aqueles que estavam abaixo de mim. Eu escrevia em linhas tortas, a dor era o início para a redenção dos pecadores.
Gritos, gritos. Ela já estava rouca, seus olhos encontravam-se secos de tanto chorar e sem força para resistir, mas ela se manteve acordada. Provavelmente burrice, mas eu não pararia de qualquer forma.
Com outra faca que estava na minha bolsa, fui lentamente tirando sua pele. Comecei pela mão direita e fui seguindo até o antebraço. Fiz o mesmo para o outro lado do corpo dela, descendo até os pés. Calmamente, tirei a pele do rosto. Agora ela estava literalmente em carne viva.
Fiz alguns cortes na ligação entre o tronco e seus membros, deixando basicamente só o osso. Quando desfiz as quatro ligações, simplesmente puxei aqueles membros um a um. No primeiro, ela desmaiou de tanta dor. A garota não conseguia mais gritar. A abertura feita pelo braço separado do corpo fazia com que o sangue escorresse pelo chão do ginásio.
Agachei-me um pouco e o lambi. Esperei alguns minutos e dei alguns tapas em seu rosto, até que ela ficasse consciente de novo. Repeti o mesmo com os 3 membros restantes, sempre dando uma pausa para que ela continuasse acordada.
Um barulho ocorre, eu não pretendia me arriscar a ser visto. Estava na hora de terminar tudo, iria deferir o golpe de misericórdia. Meti a faca em sua garganta de uma só vez, fazendo uma curva logo em seguida para a região cerebral. Após isso, rapidamente, abri seu corpo e tirei seu coração, seguindo logo para os olhos.
Os olhos são engraçados. Independentemente da vontade das pessoas, eles podem revelar o que uma pessoa está sentindo naquele exato momento. Eu ficaria encarando-os aqueles belos glóbulos oculares pelo resto da noite. Botando os restos mortais dela no lixeiro, junto ao seu tronco que continuava sangrando enquanto guardava os olhos na minha mochila, fui embora daquele lugar.
Pelo resto da noite, não encontrei mais ninguém e voltei para minha origem. O dia começava a amanhecer, joguei aquelas minhas coisas em um lugar qualquer, incluindo os olhos dela.
Apesar de ter ficado frustrado pelo resto da noite, só possuía uma certeza: aquelas pessoas as quais julguei haviam alcançado o almejado descanso eterno.
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