Perseguição
7 Capítulo 7 - Primeiro ataque
Depois que todos foram embora, me senti uma aberração. Até a minha louça demora para ser lavada pela minha pouca vontade de fazer as coisas. Minha mente está perturbada e eu me sinto sufocada. Aquele capuz está estragando a minha vida e não sei como parar isso. Ele aparece quando eu menos espero e somente eu consigo vê-lo! Tenho medo de que as pessoas o vejam somente depois que já é tarde demais. Tenho medo de ele me torturar, de ele encostar em mim... Uma mão toca meu ombro e eu me viro gritando. É apenas Henry.
-Emily, temos que conversar. – Diz num tom sério.
-Desculpa. Eu não queria estragar tudo, mas ele apareceu, é sério... Desculpa. Desculpa. Eu estraguei tudo! – Minhas lágrimas começam a sair livremente.
-Emily...
-Eu não queria... Ele está me atormentando... Eu não aguento mais!
-Emily! – Ele me segura pelos ombros com firmeza – Não há ninguém te perseguindo! Não havia ninguém hoje no jantar, e não há nada de anormal acontecendo. Somente você. Não estou te reconhecendo, o que há com você?!
-ELE ME PERSEGUE! – Eu berro involuntariamente e dessa vez o peso de meu corpo desaba sobre Henry, assim como as lágrimas.
-Emily, eu acho melhor você tomar um banho gelado, tomar um remédio e segunda-feira iremos atrás de um médico.
-Você está me chamando de louca?! – Me afasto de Henry com raiva.
-Não, eu só estou te dizendo que...
-Não! Você acha que eu sou louca. – Uma risada nervosa sai pela minha boca. – Eu não sou louca!
Esbarro no balcão da cozinha, derrubando um vaso de gesso que minha mãe me deu. Minhas mãos trêmulas tateiam o meu cabelo e percebo que estou quase arrancando fios do meu couro cabeludo. Henry está assustado e imóvel no meio da cozinha, enquanto eu me afasto e corro para o banheiro.
Fecho a porta e lavo meu rosto com água corrente da torneira. Apoio-me por um momento na pia e respiro fundo. Ao levantar minha cabeça, vejo o espelho refletir a imagem do encapuzado bem atrás de mim, mas eu não grito. Fico por um tempo imóvel, tentando convencer meu cérebro de que isso é alucinação. Abro minha gaveta e seguro uma gilete com força na mão caso ele me ataque.
E então, suas mãos se levantam. O ser usa luvas de couro preto. Suas mãos em questão de segundos estão no meu pescoço, o que me faz gritar como posso, por estar trancando minhas vias respiratórias. Ele me pressiona contra a parede e manipula minha mão até meu rosto, cortando minha bochecha com a gilete que eu seguro. Tento fazer algum movimento para tirar seu capuz, mas é inútil. Eu estou ficando tonta e minha visão começa a embaçar, quando sou jogada com força no chão e Henry entra. Como sempre, o encapuzado some.
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