Perseguição

8 Capítulo 8 - Quero seu rosto


Notas iniciais
Bom... Tentei me empenhar ao máximo nesse e no último cap. ( 9 ), então, espero que curtam...

Naquela mesma noite, Henry fez questão de fazer o curativo, mesmo não acreditando na história que eu lhe contara. Segundo ele, me cortei sozinha e as marcas no meu pescoço de asfixia são das minhas próprias mãos. Ele acha que eu sou louca, tenho certeza.

Estamos deitados na cama, Henry me abraçando e eu encarando a porta que de repente se abre numa fresta. Cutuco a perna de Henry, mas ele não acorda. Algo está me observando ali, e sei quem é, mas não o vejo. Quem lhe deu permissão para entrar afinal? Sinto o ar do quarto pesar, como na vez que encontrei a casa virada de cabeça para baixo. Vejo-o entrar no quarto lentamente, sem fazer barulho, sem movimentos bruscos. Ele parece flutuar em vez de andar e não ouço sua respiração.

-Henry. – Sussurro, mas ele apenas se ajeita na cama, sem acordar.

Apenas a luz do poste da rua ilumina o quarto, o que é pouco para o que eu precisava agora. Ligo o abajur e então o encapuzado não está mais ali na minha frente. Uma tensão paira no ar e minha mão começa a soar. Meu coração acelera, meu corpo se arrepia, e quase não consigo respirar direito. Tudo parece ter parado para ver o que irá acontecer a seguir. Grudo mais no corpo de Henry, sentindo o medo entrar pelas minhas veias. Henry acaricia meu quadril e murmura algo que não consigo decifrar, minha mente está perturbada demais. E então vejo o encapuzado reaparecer, no pé da minha cama. Ele levanta a coberta, deixando meus pés à mostra.

-Henry. – Chamo-o com medo.

-O que foi? – Ele murmura sonolento, sem abrir os olhos.

E meio segundo depois, o encapuzado segura meus calcanhares com forças e me arrasta para fora do quarto, me fazendo gritar o quanto posso, até onde minha garganta permite. Estou sendo arrastada para fora de casa, mas me seguro no batente da porta principal, enquanto ele tenta me puxar com frieza. Ouço Henry gritar meu nome e então ele fica pasmo ao ver o encapuzado. No segundo que vai para segurar minha mão, o encapuzado consegue me fazer soltar e me arrastar por mais um longo percurso, dessa vez, correndo. Minha barriga já está esfolada, — eu sinto isso muito bem — assim como meu queixo que raspa na calçada a cada passo do ser. A essa hora da noite não há ninguém por ali, infelizmente. Henry está desesperado e corre feito louco, mas não consegue nos alcançar.

Está frio e meu corpo está ardendo. Provavelmente mais tarde já estará infeccionado pela quantidade de sujeira que se passou pela minha pele esfolada. E por um breve momento consigo ver para onde estamos indo. É para o cemitério. O encapuzado simplesmente chuta o portão de ferro e me arrasta a alguns metros adentro ainda. Para atrasar Henry, ele joga uma lâmina de machado em sua perna, que o faz berrar e cambalear até atingir o chão, agonizando. Um grito sai pela minha boca, mas sei que é em vão.

Quando o ser encapuzado solta meus pés, ele segura meu pescoço novamente, me levantando do chão, com um canivete em mãos. Não demora muito e ele logo faz cortes em meu rosto e meu sangue começa a escorrer pelas luvas de couro preta que usava. Meus gritos são em vão e de algum modo, seu capuz cai, revelando sua identidade, que na verdade não há. Não há rosto. Não há boca, mas eu ouço uma voz. A mesma voz de quando eu era criança que me chamava pelo nome.

“Quero seu rosto.”

Notas finais
espero que gostem... (: