Perseguição
3 Capítulo 3 - "Não fui embora"
Notas iniciais
Como o sol batia forte no meu quarto, uma sensação boa de que o dia seria bom, me consome. Eu ainda não me arrisquei a abrir os olhos, pois sabia que teria que levantar da cama e eu estou extremamente cansada. Talvez porque acordei algumas vezes de madrugada por motivos misteriosos que nem eu sei, apenas, acordava.
Sinto os beijos de Henry e isso me faz sorrir. Ele beija meu rosto todo e me morde, provocando cócegas. Tento afastá-lo em meio às gargalhadas, mas ele decide prosseguir ainda mais determinado. Até que se posiciona em cima de mim para segurar minhas pernas com firmeza enquanto suas mãos seguram as minhas. Viro a cabeça de um lado para o outro, tentando fugir de tantos beijos e mordidas, até que eu consigo morder seu braço com força, fazendo-o parar.
-Caramba, não sabia que tinha tanta força com os dentes. Se soubesse nem teria te provocado e posto minha vida em risco! – Ele tenta me convencer de que está falando sério, mas sua boca insiste em rir.
-Cala a boca. É feio tirar sarro de damas como eu, seu grosso.
-Dama? Você? – Ele sorri, enquanto eu tento tirá-lo de cima de mim para que eu possa sair e fazer um pouco de drama. – Dama é uma palavra tão sem significado quando se trata de você... Você é bem mais do que isso.
-Ah, é? Convença-me.
-Você é mais uma... – Ele faz uma pausa pensativa – Megan Vox?
-É Megan Fox! FOX – repito — E cala a boca, você só diz besteiras. – Começo a rir, sendo retribuída por mais um beijo seu.
-Vamos, levanta cinderela. – Ele bate na minha coxa e se levanta da cama.
-Não é a bela adormecida que dorme bastante? – Tento não rir de sua cara.
-Tanto faz, é tudo princesa igual a você.
-O que você quer? – Pergunto desconfiada por tantos elogios.
-Que você levante dessa cama. Vamos correr! – Diz empolgado saltitando até a cozinha.
Não demora muito para que eu esteja de pé e troque minha roupa. Acordei disposta apesar da noite mal dormida e quando cheguei à cozinha, Henry novamente está me servindo cappuccino na xícara. Sento-me de frente para ele e nessa manhã, opto por comer fruta. Não como fruta no café da manhã há um tempo, e hoje decidi quebrar um pouco a rotina. Esqueci que frutas de manhã nunca caíram bem.
Então nós saímos para correr. Regata, shorts, garrafa e disposição. Dessa vez quando passei no mesmo local de ontem, não vi a imagem do ser encapuzado e me senti mais aliviada. Talvez ele tenha ido embora já. E depois de alguns metros, meu estômago está revirando. Paro de correr. Henry parece preocupado e percebe meu mal estar estampado na cara, e então me direciona para um banheiro público, onde me tranco e vomito tudo que comi de manhã. Puxo a descarga e respiro fundo. Olho as paredes daquele cubículo e meus olhos param na frase: “Não fui embora”.
Fale com o autor