Perseguição
4 Capítulo 4 - Ele me observa
Notas iniciais
Depois da faculdade, já no terminal de ônibus, eu ainda lembrava a frase naquele banheiro público. Aquilo me atormentava a todo o momento e eu queria fugir disso, mesmo sabendo que poderia não ter saída. Sento-me no banco do terminal e espero meu ônibus que para variar, está atrasado. Olho em volta as pessoas correndo de um lado para o outro, e outras apenas desfilando por ali. Meu olhar está pairando sobre o terminal, quando meu corpo congela. Do outro lado do terminal, vejo novamente o ser encapuzado e ele parece me ver, pois começa a se aproximar. Meu coração acelera. Olho para os lados opostos para ver se mais alguém via o que eu estava vendo! Uma mão toca meu ombro e eu me viro com um grito. Mas é apenas Jane. Olho para o ponto que havia visto o cara de capuz, mas ele não está mais ali.
-O que foi?! – Jane parece assustada, assim como algumas pessoas do terminal também estão, me olhando como se eu fosse uma psicopata.
-Nada, eu estava sonhando alto. – Tento sorrir em meio à tensão que corre em minhas veias.
-Então... – Ela parece meio desconfiada, mas prossegue – Eu vim pra te entregar o convite do meu casamento, caso queira ir com Henry. Não vai ser nada tão relevante, vai ser mais para os amigos íntimos e familiares. Aí como eu te prometi no jantar que te traria, aqui está.
-Obrigada. – Digo pegando o cartão dourado e leio-o.
-Contamos com a sua presença. – Diz e depois de uma pequena pausa, continua — Por acaso você viu Boone ou a Gabi?
-Não vi não... Talvez ela tenha pegado o ônibus mais cedo.
-Tudo bem, obrigada. – Diz sorrindo – Eu vou indo, tenho que esperar a carona de Kevin lá fora do terminal. Beijos!
Ela sai sorridente e eu guardo o convite na bolsa. Suspiro, agora realmente mais calma. Olho para o relógio acima de mim e fico impaciente com o atraso do ônibus. Vejo um ônibus estacionar e os passageiros saírem. Cumprimento de longe Joana que sai do ônibus com sua expressão eterna de doçura e entra logo em outro ônibus. Entre a multidão que ainda desce do ônibus, vejo um capuz preto tentando descer. Impaciente, ele desce pela porta de trás e começa a andar apressado. Então vejo que usava um tênis bege e calça jeans. A pessoa tira o capuz e nem olha para mim, passando adiante. Respiro aliviada. Mas então quando olho para trás, sinto que algo me observa e esse “algo” era o tal ser encapuzado que está dentro de um ônibus vazio logo atrás de mim. Sinto um arrepio, como sempre quando o vejo.
Meu ônibus chega depois de duas horas de atraso e então eu entro correndo para dentro dele, desejando viajar para longe. Para um lugar onde minha cabeça não fosse atormentada e isso parasse. Seja lá o que isso for.
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