Perseguição
2 Capítulo 2 - Lembranças de Infância
Notas iniciais
Ao chegar a casa, depois da faculdade, sinto-me no direito de comer um pote cheio de sorvete. Por algum motivo, eu me sinto nervosa e minhas mãos soam. Então me sento diante da televisão, tampada por cobertas grossas e um pote de sorvete na mão. Rolando os canais, acho um filme de romance – o que não é meu predileto, mas não tinha nada mais de relevante passando – “Coincidências do Amor”.
Já estava na metade do filme, quando me veio à mente a imagem daquele capuz preto no parque. Eu tento tirar aquela cena de todos os jeitos, mas ela cada vez mais se impregna na minha mente. E como um flash, lembro-me de já ter visto isso uma vez... Há muito tempo atrás, quando eu tinha meus 7 anos.
" Era uma noite normal e tranquila como todas da minha vida. Até agora. Enquanto durmo, sinto algo soprar perto de meu ouvido e então meus olhos se abrem instantaneamente, enxergando apenas a escuridão de meu quarto. Depois de vasculhar o quarto da minha cama, fecho os olhos novamente. Dessa vez, ouço alguém sussurrar meu nome. Meus olhos se abrem hesitantes, e então eu vejo uma mancha escura no canto da parede de meu quarto. Fito por um tempo, sem gritar, sem chorar, mas com tudo preso na boca da minha garganta. Então a mancha se aproxima e vejo seu capuz cobrir seu rosto. Grito, me escondendo debaixo das cobertas e minha mãe adentra ao quarto correndo.
-O que foi Emily? – Ela me sacode.
-Tinha um monstro aqui no meu quarto! – Digo ainda chorando, enquanto ela me abraça forte.
-Filha, não tem nada aqui, foi só um pesadelo...
-Não, eu estava acordada, mamãe!
-Filha, fique calma. Mamãe está aqui. Nada de ruim vai acontecer com você.
Por cima dos ombros de minha mãe, vejo a mancha desaparecendo aos poucos para fora do quarto. Aquela noite fui dormir com meus pais em seu quarto. E no dia seguinte, no banheiro de meu quarto, uma mensagem no espelho que parecia ser escrita com tinta vermelha — ou sangue — dizia: “Eu voltarei.” Depois ele nunca apareceu. "
Até agora.
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