Perseguição

5 Capítulo 5 - Não há rosto?!


Naquele mesmo dia quando chego a casa, sinto um ar estranho por ali, um ar mais pesado e denso, que me dificulta a respiração. A janela da sala está aberta de alguma forma e a luz da cozinha está acesa. Primeiro pensamento que me vem à mente é que eu fui assaltada. Então, pego uma faca afiada de cortar carne e ando pela casa, vasculhando tudo. Vejo meu quarto revirado e o banheiro com o vidro trincado, mas ninguém por lá. Abaixo a mão e deixo a faca cair no chão fazendo um corte no meu pé, quando vejo estar errada. Aquela coisa está de novo frente a frente comigo. Meus passos vão recuando à medida que o ser encapuzado sai de perto da janela. Vou ligando a luz a cada cômodo novo, mas não consigo ver seu rosto, o capuz é muito denso. Só percebo que estou mancando quando meu pé machucado não acompanha o ritmo do outro, me fazendo tropeçar no pé do sofá, caindo no chão.

-Por favor, pare... – Sussurro piedosamente. – O que você quer? Pare!

Mas o ser não fala uma palavra se quer e então, ele se impulsiona para se jogar em cima de mim. Grito com os olhos fechados. Alguns segundos se passam enquanto estou paralisada no chão, até que eu tomo coragem em abrir meus olhos novamente. Não há nada ali. Meu coração luta para voltar ao batimento normal, mas é quase impossível nessa altura do pavor. Então depois de alguns minutos eu resolvo tomar um banho gelado para relaxar.

Minhas mãos tremem desde o ocorrido. Debaixo do chuveiro, fecho os olhos e deixo apenas que a água dê conta de levar toda a perturbação para o ralo. Então a luz do banheiro falha algumas vezes e isso faz minhas mãos tremerem nervosamente de novo. Demora apenas cinco segundos até que a luz saia e eu fique no escuro debaixo da água que agora se torna quente. O que está acontecendo? Água esquentando sem luz? Então um líquido entra na minha boca — que está boquiaberta — e sinto gosto de ferrugem. Meu Deus, sangue! Saio debaixo da corrente de água no momento que a luz volta e vejo que não há sangue ali, somente água cristalina. Coloco minha mão embaixo da água e sinto-a gelada novamente. “Não quero viver assim!”

Essa confusão toda me faz sair do banho e me enrolar numa toalha, saindo do banheiro o quanto antes. Vejo Henry chegar e jogar sua mochila no sofá. Ele olha ao redor e vê a bagunça, então para seu olhar em mim.

-O que aconteceu por aqui?

-Henry! – Digo aliviada, abraçando-o com força, sentindo sua retribuição.

-O que foi? O que houve aqui amor? – Ele acaricia minhas costas, o que me mantém tranquila e protegida.

-Não sei, tem algo me perseguindo, eu estou com medo, eu não quero mais isso, eu quero ir embora! – Minhas lágrimas saem de uma vez só e minha voz está trêmula.

-O que é que está te perseguindo? A gente chama a polícia! Viu o rosto dele?

-Ele não tem rosto.

Notas finais
pois é, é uma "pequena" inspiração em Slender, mas só nisso também... espero que gostem >