Persecuted
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Sakura, sabes que a mãe te ama, não sabes? – perguntou a minha mãe chorando enquanto me abraçava.
– Sim, mãe… Mas o que está acontecendo? – perguntei com medo da resposta.
– A mãe apenas quer o teu bem. Agora irás ficar aqui e serás uma menina bem comportada, está bem? – pediu a minha mãe enquanto tentava sorrir.
– Mas e a mamã? Para onde vai? Não vai ficar comigo?
– Não posso filha, é para o teu bem… — murmurou ela começando a chorar ainda mais.
– Mas eu não quero ficar neste lugar sozinha… — sussurrei olhando para aquela grande casa… Era um orfanato.
Vi a minha mãe levantar-se e logo depois bater à porta da grande casa.
– Não saias daqui e lembra-te que sempre te amarei. – deu-me rapidamente um beijo na testa e saiu dali a correr.
– MAMÃ!!!
A noite engoliu a minha mãe e foi a última vez que a vi.
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Acordei assustada e reparei que estava a chorar. Malditas lembranças! Estúpidas lembranças! Porque que estas memórias simplesmente não me deixam?!
“A mãe apenas quer o teu bem…”
Aquela voz assolou-me a mente e fiquei irritada. Ela nunca quis o meu bem! Eles abandonaram-me porque de certeza já sabiam a aberração que eu iria tornar-me! Pois é exactamente isso que sou… Uma aberração!
Levantei-me bruscamente e dei um murro na parede. Quis ainda dar outro, mas não queria acordar os meus pais adotivos.
Limpei rapidamente as lágrimas e sentei-me na cama. Tentei acalmar-me um pouco e olhei para as horas. Tinha de preparar-me para a escola…
Iria ser mais um dia horrível, como sempre…
Tomei um banho rápido, escovei os meus longos cabelos rosa e escolhi como sempre uma camisola com capuz preta e umas calças de ganga quaisquer.
O meu nome é Hayashi Sakura, tenho 17 anos. Aos 5 anos fui abandonada pelos pais em um Orfanato e essa é a única memória que tenho deles. Nem sequer me lembro dos seus nomes… Apenas me recordo da minha mãe a deixar-me naquele lugar. Do meu pai nem uma imagem tenho na minha mente.
E quando pensei que a minha vida não podia piorar, depois te der sido abandonada pelo próprios pais, aquilo começou a acontecer.
Aos 6 anos, começaram-me a acontecer coisas estranhas e percebi que eu era diferente dos outros… Um dia ao correr no jardim do orfanato cai ferindo-me na perna. E para meu espanto, passado alguns minutos, miraculosamente a ferida sarou-se até não deixar quaisquer vestígios.
A partir daí sempre que me magoava passado muito pouco tempo as feridas curavam-se e também nunca fiquei doente. Mas isto foi apenas no início… Depois comecei a ouvir ouves…
Primeiro comecei a ouvir murmúrios, vozes sussurrantes, palavras soltas… Eu não percebia o que era, mas depois comecei a ouvir frases completas e apercebi-me que conseguia ouvir os pensamentos de todos os que me rodeavam… Pensamentos alegres, pensamentos cruéis, pensamentos podres… Murmuros, risadas, gritos… E comecei a detestar as pessoas, ao ver como elas podiam ser falsas.
Mas o pior não foi isso…
Era quando eu tocava nas pessoas…
Sempre que toco numa pessoa podem acontecer duas coisas. A minha mente é inundada de imagens e sentimentos onde posso ver o futuro dessa pessoa ou então ver o seu passado e os seus pensamentos e memórias mais obscuras.
Foi aí que o meu inferno começou…
Um dia, no orfanato toquei numa amiga e vi a sua morte. Fiquei com medo e disse-lhe. Avisei-a e ela chamou-me de bruxa! E fugiu de mim. No dia a seguir ela morreu tal como tinha previsto. A partir desse dia toda a gente ficou medo de mim e excluíram-me. Eu era uma aberração.
A minha infância foi difícil, sempre sozinha sem nenhum amigo. Apenas ganhei alguma esperança quando fui adotada por um casal muito simpático.
Ainda não percebo o que viram eles em mim, mas eles perceberam que eu era diferente. Foram muito gentis comigo e eu gosto deles. São as únicas pessoas com quem eu falo e me dou bem. São honestos e eu sei que gostam de mim. Já vi a morte deles, mas também eles ainda irão ter uma longa vida.
Também me dou muito bem com o Sasori, é o meu único amigo. A única pessoa que me compreende e mesmo sabendo que eu sofro bastante nunca fala nisso. E também é a única pessoa que sabe da minha “anormalidade”. Ele é filho da irmã do meu pai adotivo.
Na escola ninguém gosta de mim, tal e qual como no orfanato. Chamam-me de aberração e bruxa, mas eu não me importo muito. Não gosto de estar com pessoas. Pois são todas falsas.
E é uma tortura ter que estar numa sala cheia de pensamentos, gritos, e o pior ainda é na hora de almoço… A única coisa que me acalma é ouvir música… Afasta um pouco os pensamentos.
Acabei de me vestir e saí do meu quarto. Desci as escadas e fui para a cozinha. Vi os meus pais adoptivos a tomar o pequeno-almoço, como sempre. O nome deles é Hayashi Yumiko e Hayashi Takeshi.
– Bom dia, Sakura. – cumprimentaram eles como sempre.
– Bom dia… — murmurei.
– Tudo bem? – perguntou Yumiko como sempre preocupada.
“Porque que ela está sempre tão em baixo? Até fico triste ao vê-la todos os dias assim.”
A Yumiko sempre pensava isto todas as manhãs! E eu sempre detestava que ela se preocupasse comigo… E agora como sempre vai perguntar-me se algo se passa na escola.
– Está tudo bem na escola?
Bingo!
A minha vida era uma rotina sem fim… Onde cada dia a seguir ao outro é igual… Nada na minha vida mudava desde muitos anos.
– Sim, Yumiko… — disse tentado sorrir.
“Gostava tanto que ela me chamasse por mãe… Mas eu só quero ver é um sorriso verdadeiro na cara dela…”
Isso é quase impossível… Desculpa Yumiko…
Takeshi como habitual não disse nada, simplesmente sorriu para mim e começou a ler o jornal.
– Bem, eu já vou. – disse para os meus pais enquanto me dirigia para a entrada.
– Mas não comeste nada Sakura. – disse Yumiko preocupada. “Porque que esta rapariga é assim? Cada vez a entendo menos… Mas adoro-a”
Sorri por dentro ao ouvir este pensamento. Pelo menos no mundo existia alguém que gostasse de mim… Os meus pais adoptivos.
– Desculpa Yumiko, mas estou enjoada.
– Está bem, mas come alguma coisa na escola!
–ok! – disse mais alto, enquanto saia de casa.
A casa onde vivia era bem moderna e grande. Os meus pais adoptivos eram ricos, mas eu não gostava de demonstrar isso, eu tinha um carro e carta de condução, mas preferia ir para a escola a pé.
Tapei o meu longo cabelo rosa e parte da cara com o capuz, coloquei os auscultadores nas minhas orelhas e meti música aos altos berros para não ter que ouvir os pensamentos das pessoas que passavam por mim.
Demorava sempre trinta minutos a chegar à escola. Passado algum tempo, pude ver o edifício da escola. Suspirei… Mais um dia na minha vida insignificante.
Passei pelo portão e cumprimentei o guarda como sempre fazia…
Baixei a cabeça ao ver os estudantes, eu gostava bastante de passar despercebida entre eles. Sofria menos desta maneira…
Entrei no colégio e dirigi-me ao meu cacifo. Estava lá um papel colado, imediatamente arranquei-o e mandei-o para o chão. Nem valia a pena lê-lo, pois sabia perfeitamente o que estaria lá escrito. “Bruxa!”
Tirei os livros que iria precisar e dirigi-me para sala. Já estavam lá quase todos os estudantes, uns em pé, outros sentados nas mesas a falarem animadamente. Passei por eles discretamente e fui sentar-me na minha mesa que ficava bem no fundo da sala.
Depois de alguns minutos todos se sentaram ao ver o professor entrar, e eu peguei no meu caderno de desenhos. Eu nunca estava atenta nas aulas, e nunca estudava. Simplesmente passava a aula a ouvir musica, para abafar os pensamentos e desenhava. Os professores mesmo sabendo que não estava atenta não me diziam nada, pois tirava óptimas notas. Eu conseguia boas notas, porque sempre que havia um teste ou alguma coisa desse género, simplesmente me concentrava nos pensamentos dos melhores alunos.
Mas hoje havia algo diferente. O professor entrou como sempre, mas vinha acompanhado por alguém. Levantei a cabeça e reparei que era um adolescente. Vi que o professor ia falar, então tirei um auricular, para ver o que ele ia dizer.
– Temos um novo aluno na nossa escola, o seu nome é Uchiha Sasuke. Espero que se dêem bem com ele. Sasuke, podes sentar-te na mesa do fundo que está disponível.
“Oh meu deus! Ele é tão lindo!”
“Olha-me para aquele corpo… Ai…”
“Ele vai ter que ser meu! Ele é um Deus grego!”
Enjoei só de ouvir todos aqueles pensamentos das raparigas… E logo meti de novo auricular para afastar os pensamentos.
Olhei para o tal novo aluno e só aí é que reparei como ele era.
Alto, cabelos negros rebeldes, uns olhos profundos de um tom ónix, uma pele clara que fazia contraste com os cabelos e olhos. Por uns instantes fiquei perdida nos seus olhos, mas logo desviei o meu olhar ao perceber que ele também me encarava.
Voltei a olhar para ele e vi que ele estava a dizer alguma coisa à turma e logo depois passou pela sala indo sentar-se no seu lugar. Que para meu azar ou sorte era ao meu lado.
Ele olhou de novo para mim e eu imediatamente olhei para o meu caderno de desenhos e tentei não me importar com ele.
Comecei a desenhar e antes que me apercebesse fiz um esboço da cara do aluno novo. Mas o que raio se está a passar comigo? Risquei imediatamente o desenho todo e rasguei-o.
Aquele estranho rapaz olhou de novo para mim com aqueles olhos penetrantes e por momentos senti um medo na minha barriga. Baixei logo os olhos um pouco assustada.
Aquele rapaz trazia-me uma sensação estranha… Metia-me um pouco de medo…
Aos poucos a aula foi passando e tentei distrair-me com a música. E quando fui a dar por mim reparei que todos estavam a levantar-se. Peguei nos meus livros e também me levantei, mas senti a minha camisola a ser agarrada. Virei-me e vi aquele estranho rapaz, parecia que queria falar comigo?
Retirei os meus auriculares e fechei os olhos com força ao sentir a minha cabeça a encher-se de pensamentos dos alunos que ainda estavam na aula. Respirei fundo e tentei prestar atenção ao rapaz que naquele momento tinha largado a minha camisola.
– Desculpa, mas tu és a Haruno Sakura? – perguntou ele, a voz dele era suave, mas também um pouco rouca.
Haruno? Por momentos fiquei um pouco confusa, mas logo disse:
– Ah… Desculpe, mas o meu nome não é Haruno. É Hayashi, Hayashi Sakura.
Por uns instantes ele pareceu arrependido pelo que dissera, mas logo disse:
– Ah, claro. Erro meu, desculpa. – e deu um pequeno sorriso. – Bem, prazer em conhecer-te. – e estendeu-me a sua mão, fiquei vacilante, pois não gostava de tocar em pessoas, eu não queria tocar-lhe! Ficar com a cabeça cheia de imagens do seu futuro ou do seu passado, ficar enjoada e cheia de dores de cabeça.
Comecei a recuar um pouco embaraçada.
– Ah… prazer…
Comecei a recuar ainda mais e ele olhou-me de forma estranha. Ele agora devia pensar que eu era alguma idiota… Virei-me para “fugir” dali, mas fui contra uma mesa que não tinha visto e deixei cair os meus livros. Boa… Já não bastava ser uma anormal, agora tinha de ser desastrada.
Baixei-me rapidamente para apanha-los e foi quando vi que o novo rapaz, o Sasuke se não me engano, também se tinha baixado para ajudar.
E para meu horror o que eu mais temia aconteceu. A sua mão foi de encontro com a minha. Fechei os meus olhos com força à espera de a minha mente ficar inundadas de imagens, sentir aquelas dores de cabeças horríveis, mas nada aconteceu…
Fiquei perplexa e abri os olhos completamente admirada.
Não havia nada… Nem sequer um pensamento, uma imagem, uma sensação… Nada.
E o melhor foi aperceber-me que estava tudo silencioso, não ouvia sequer os pensamentos das outras pessoas. Nada!
Pela primeira vez na minha vida, senti-me tão bem… Sem barulho… No silêncio total… E era a melhor sensação do mundo.
Ele afastou a sua mão e logo a minha cabeça foi assaltada pelos pensamentos dos outros alunos.
Eu estava confusa, muito confusa com o que tinha acabado de acontecer.
E agora que eu reparava nisso, eu também não lhe ouvia os pensamentos…
Olhei para aquele rapaz, ele era diferente de todos os outros e isso ainda me assustou mais.
Mas tinha de admitir que tocar nele, foi a melhor coisa que me tinha acontecido no mundo, mas por outro lado…
– Estás bem? Aconteceu alguma coisa? – perguntou ele com os meu livros.
Depois do que tinha acontecido nem sabia o que dizer… Mas de uma coisa eu tinha a certeza…
Depois de conhecer este rapaz, a minha vida nunca mais seria a mesma coisa…
O problema é que não sei se isso é bom ou mau.
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