Perigoso

17 Capítulo 17


(Trilha Sonora: The Rest Of Us — Simple Plan)

.P.O.V. Youko.

— Viu? Se você não estivesse aqui eu não teria melhorado. — abriu seu melhor sorriso, me abraçando novamente.

Depois que eu saí da casa do Toshi, comecei a me desesperar, eu passei a noite fora sem avisar a minha mãe! Corri para casa, desesperada, mas minha mãe estava me esperando, irritada.

Claro, se minha filha passasse a noite fora sem avisar, eu não faria torta, com certeza! Me aproximei, cautelosa, e comecei a me explicar.

— Mãe! Desculpe por não e avisar onde eu estava, é que...

— "É que" nada! — exclamou, furiosa. — Você passa a noite fora e eu não preciso me preocupar? Você sabe o quanto eu me preocupei? Sabe?! Eu não dormi nada essa noite! EU POSSO SABER ONDE VOCÊ ESTAVA?!

— D-Desculpe... — abaixei a cabeça, com os olhos marejando. — É que... um amigo meu ficou muito doente e... eu estava me sentindo culpada, estava preocupada também, porque... ele é importante pra mim.

— E o que isso em a ver?!

— Eu... fui cuidar dele... — murmurei. — Desculpe não te avisar, mas eu precisava realmente ajudá-lo, ele mora com o irmão mais velho e mais dois garotos amigos deles, mas os três estavam ocupados e não podiam ficar com ele. Então eu... e ofereci pra cuidar dele.

— Bem, isso muda um pouco as coisas. — a expressão dela suavizou. — Mas você não podia ter telefonado?

— Eu estava preocupada, ele quase desmaiou quando eu estava lá, mas ele pensa que eu não percebi, ele é MUITO desobediente e não parava quieto... — ri fraco. — Prometo avisar da próxima vez que for fazer qualquer coisa do tipo!

— Tudo bem... — me abraçou com força. — Só... não suma desse jeito, do nada, de novo, você é tão desastrada que eu comei a pensar que algo horrível tivesse aconecido.

— Feito. — sorri de leve, apertando o abraço. — Você precisa conhecer o Toshi, mãe! Mesmo doente, ele era a pessoa mais animada e sorridente do mundo!

— E ele está melhor? — entramos em casa, tirando os sapatos e indo para a cozinha.

— Sim, ele estava um pouco melhor hoje de manhã. — respondi, feliz. — Mas eu queria saber se posso voltar para cuidar dele hoje a tarde. Prometo avisar o horário que eu volto!

Ela suspirou, pensativa, mas logo fez um sinal positivo com a cabeça, dando um leve sorriso.

— Fico feliz que esteja ajudando o seu amigo. — colocou a mão no meu rosto. — Seja sempre essa bonequinha caridosa que você é.

— Espero que o Toshi melhore logo. — olhei para baixo. — Ele realmente é importante pra mim, mãe.

— Hmm, acho que entendi esse "importante". — riu, fazendo aspas com os dedos. — Você gosta dele, não?

— N-NÃO! — corei, envergonhada. — Ele é só meu amigo! Eu me preocupo com ele.

— Sei... — ela me serviu um prato de sopa. — Melhor comer se quiser voltar para a casa do seu amigo hoje.

— Tudo bem... — murmurei, emburrada.

Assim que terminei de comer, fui tomar um banho e vestir uma roupa mais confortável, hoje era sábado, então, nada de aulas! Peguei uma bolsa pequena, colocando meu celular e alguns curativos, para o caso de eu acabar me machucando em alguma coisa.

— Tchau, mãe, eu estou indo para a casa do Toshi! — dei um abraço nela, indo para a escola.

Assim que cheguei no portão da escola, tentei me lembrar qual era o caminho que eu havia pegado para a casa do Toshi, quando finalmente cheguei na porta do apartamento, quem me atendeu foi um garoto que eu não conhecia direito.

— Ahn, quem é você? — me perguntou, confuso.

— Meu nome é Youko Matsumoto, da sala do Toshi.

— Ah... — abriu a porta e me deixou passar. — Não sei como você suporta aquele baka.

— Sho, quem está na porta? — perguntou Akira, aparecendo no corredor. — Ah, boa tarde, Youko! Você veio cuidar do Toshi? — aproximou-se, passando a mão no meu cabelo.

— Hai! — sorri, dando um abraço rápido nele. — Espero que eu não esteja atrapalhando.

— Ah, não, na verdade, você ajudou muito! — sorriu de volta. — Eu queria sair com o Yuri para uma apresentação de violino que vai acontecer no parque. Mas eu teria que ficar cuidando do Toshi.

— Não se preocupe, eu fico aqui, pode ir aproveitar o seu encontro. — me animei um pouco.

— E-Encontro? — Yuri apareceu, corado.

— Ah, v-vocês não estão saindo? — comecei a ficar vermelha. — Nossa, desculpa! Eu pensei que... ah, vocês entenderam!

— Ei, tudo bem. — Akira riu. — Na verdade, é sim um encontro, o Yuri só não sabia do convite ainda.

— Que convite? — Yuri estava com cara de sono. — Onde nós vamos?

— Para a apresentação de violino do parque aqui perto. — explicou, se aproximando do menor. — Se arrume logo! — deu um beijo na testa dele, abraçando-o de lado.

— Eu vou falar com o Toshi, tudo bem?

— Claro, ele está no quarto dele.

Andei até o quarto do Toshi, batendo na porta e entrando, ele estava dormindo, encolhido numa bolinha. Me sentei ao lado dele, tentando entender o que ele estava murmurando, ele parecia estar tendo um pesadelo.

— Não... não... — se mexeu um pouco. — Eu não quero... parem...

— Ei, Toshi! — encostei na testa dele, febre novamente. — Acorde, preciso falar com você.

— Me deixa dormir, quem quer que seja... — cutuquei-o novamente. — Sho, seu baka, me deixa em paz.

— Ei! — comecei a fazer cócegas nele, que virou para mim, irritado. — Você mereceu!

— Nem ligo. — se encolheu de novo, cobrindo a cabeça com o cobertor. — Você está agindo como se fosse minha babá!

— Se você vai agir como um bebê tem que ter alguém pra cuidar de você. — cutuquei a bochecha dele. — Vamos, acorda.

— Não! — agarrou o cobertor com força. — Eu estou doente, me deixa dormir.

— Se você dormir de novo eu não faço sopa. — ameacei, fazendo com que ele se sentasse, rapidamente.

— A sopa não! — fez cócegas em mim. — Sua sopa é muito boa, você não pode negar comida à uma pessoa necessitada!

— Para de ser chato! — ri, empurrando-o para fora da cama. — Trouxa! Se quer sopa, vai ter que me ajudar a fazer, eu sei muito bem que você está melhor!

— Chata! — cruzou os braços, sentado no chão. — Deixa eu me aproveitar da boa vontade deles um pouquinho!

— Da deles, não da minha! — apertei as bochechas dele, risonha. — Vamos, levante.

— Ok, ok. — reclamou. — Mas só se você me der um abraço!

— Depois que você levantar. — desafiei. — Preguiçoso.

— Nós já vamos sair. — Akira apareceu na porta, rindo. — Parem de discutir e se beijem logo!

— Ei! — reclamei. — Por que você faz isso? É errado!

— Tchau pra vocês! — saiu, nos deixando sozinhos, com o Sho na sala.

— Ei, nanicos. — exclamou. — Eu vou sair com o Ichiro, tentem não destruir a casa.

— Baaaka. — Toshi exclamou, irritado. — Vai com o seu namoradinho, baka gorducho!

— Toshi! — dei um tapa no braço dele. — Você é muito irritadinho!

— Ele zoa minha altura eu posso zoar com aquele saco de batatas que ele chama de corpo! — rebateu, escutando o Sho bater a porta com força.

— Você irritou ele. — reclamei.

— Nem ligo! — mostrou a língua pra mim.

— Você realmente fez isso? — comecei a rir. — Que infantil, Toshi!

— Vamos logo fazer a sopa! — levantou, irritado.

— Ok, ok. — consegui parar de rir, me levantando e indo para a cozinha com ele. — Seu abraço. — abracei-o por trás, ainda tentando segurar o riso.

— O que se usa pra fazer sopa? — perguntou, confuso.

— Uma panela, uma colher, uma faca, uma tábua de cortar, macarrão, tempero, — ele foi pegando as coisas que eu pedia. — cenouras, batatas, carne, sal, arroz, cebola e água.

— Ok, ok, e agora?

Comecei a mostrar pra ele como se fazia uma sopa, mas ele não estava entendendo nada, então, resolvi fazer eu mesma.

— Deixa que eu faço, você não serve pra cortar legumes. — ri.

— Então me vende! E compra um coelho pra por no meu lugar! — exclamou.

— Aposto que um coelho saberia fazer sopa! — provoquei, bagunçando o cabelo dele. — Mas você pode me fazer companhia, pode ser?

— Ok... — cruzou os braços, emburrado.

— Para com essa cara, seu bobo. — dei um beijo na bochecha dele, voltando a cozinhar. — Em meia hora a sopa fica pronta.