Perigo eminente...
5 Eu preciso dizer que te amo
Notas iniciais
POV NICO
Estávamos em um ferro velho.
Não sabia que lugar era aquele, mas via Bianca correr ao encontro de um robô gigantesco. Uma explosão...
Eu gritava e procurava entre os entulhos, sozinho e abandonado. Encontrei Bianca ensangüentada murmurando alguma coisa, depois ficando completamente imóvel. Com o corpo dela em meus braços tentei arrasta-la para longe dali.
– Nico é uma alucinação – Gritou Percy puxando-me pelos braços.
– Bianca! – gritei me debatendo tentando puxar Bianca pra mim.
Ela estava ali, podia estar viva, quem sabe com um pouco de Néctar ou Ambrósia ela voltasse pra mim.
A cena mudou novamente, agora estávamos em frente de uma oficina mecânica em chamas. Leo atravessou correndo entre os berros e lagrimas tentando esmurrar a porta, uma mulher muita parecida com ele só que mais velha estava na janela, pelo lado de dentro, em pânico tentando sair.
Não sabia o que era aquilo, mas sabia que era assustador e horripilante como foi pra mim. Frank correu e tentou segurar Leo que incontrolavelmente foi arrastado para longe da porta a tempo da cena mudar novamente.
Guerra, homens sendo atingidos por todos os lados. Bombas estourando e pessoas mortas pelo caminho. Uma mulher lutava bravamente, e arrastava um soldado para a base.
Um tiro, não apenas um, mas vários atravessaram seu peito e ela caiu ajoelhada. Frank gritou tão alto que meus tímpanos pareciam estourar. Ele a segurou nos braços antes que ela caísse no chão, Percy que antes me segurava foi ampará-lo.
Tudo mudou, senti um cheiro forte e ânsia de vomito, Leo gritava e esmurrava o chão totalmente desnorteado. Jason havia desmaiado com o corpo tão rígido que parecia paralisado. Não conseguia buscar mais alguém no meu campo de visão, até ver Percy encolhido em um canto com um homem esmurrando-o.
Mesmo cambaleando e caindo muitas vezes consegui chegar onde ele estava. Não sabia o porquê daquelas visões, eram tão dolorosas, tão súbitas e arrasadoras que o ar parecia ser o mesmo que o do tártaro.
Tentei ser forte, porém uma dor dominou o meu corpo, o ar desapareceu dos meus pulmões, lagrimas surgiram nos meus olhos e antes que essa dor se tornasse mais intensas, desmaiei.
POV LEO
Acordei com uma terrível dor de cabeça. O sol ofuscava meus olhos e só então percebi que aquilo não foi apenas um sonho decorrente de uma noite de porre. Todos estavam deitados no chão. Nico, Jason e Annabeth em posição fetal.
Levantei com dificuldade tentando raciocinar o que tinha acontecido. As imagens da noite que a minha mãe morreu, fora tão arrasador que ainda estava tomado por aquelas lembranças.
Chamei Hazel que estava ao meu lado, seus olhos estavam escuros e sombrios, seu corpo tremulo e ela emanava uma energia tão pesada que me assustou.
Nós dois acordamos o resto da galera que não estava muito melhor que nós dois. Jason estava tão abalado que vomitou assim que consegui se por de pé. Ninguém deu uma palavra sequer do que tinha ocorrido.
– O que foi isso? – murmurou Frank com um semblante arrasado.
– Passamos pelo ar das lembranças – explico Annabeth com a voz arrasada – Toda vez que alguém entra em contato com ele a lembrança mais vivida que ele carrega vem à tona!
– Mas eu não estava lá – murmurou Nico confuso. Todos olharam pra ele e só Percy sacou o que ele estava dizendo acariciando seu ombro de forma carinhosa.
– Não é necessário, o ar da lembrança também trás o seu maior anseio de ter vivido – disse Annabeth arrumando os fios de cabelos que se soltavam do seu rabo de cavalo – Você tinha a necessidade de ver como foi Nico, ele só te trouxe o que você queria.
– Acho melhor discutimos isso mais tarde – disse Hazel encarando o chão.
– Melhor tirarmos um cochilo – Sugeriu Annabeth – Acho que nos vemos no jantar – e assim ela sumiu para dentro do Argo II.
Não queria passar muito tempo ali, caminhei o mais rápido que pude para minha cabine e antes que eu pudesse fechar a porta com toda a minha força o Filho de Hades impediu com a mão e se pos pra dentro. Esperei que ele deitasse para poder compartilhar um lugar ao seu lado.
Deitados, de corpos entrelaçados e fitando aqueles olhos negros avermelhados pelas lagrimas. Queria compartilhar o medo e a dor daquelas lembranças. Só que nenhuma palavra seria tão certa para expressar os meus sentimentos, apertei ainda mais o corpo de Nico contra o meu, que mesmo debaixo do meu edredom conseguia ser tão gelado quanto um picolé. Aumentei a temperatura do meu corpo para conseguir aquece-lo, seus olhos se fecharam e abriram novamente como se aprovasse aquele singelo carinho.
– Era Bianca – ele sussurrou com a voz embargada.
– Eu sei – respondi.
Sabia que aquela garota que Nico arrastou pelo ferro velho é a irmã que ele perdeu há anos atrás. Não sabia como, mas só sabia. Seu cabelo era negro como o deles e compartilhavam o mesmo nariz.
– E era muito bonita – murmurei tentando sorrir
– Aquela mulher... – antes que Nico terminasse a frase apenas concordei com a cabeça e assim ele encerrou a conversa meio corado.
– Só não quero falar sobre isso – expliquei sem graça.
– Tudo bem – ele murmurou
Ficamos assim, em silencio com os corpos colados enquanto eu tentava desvendar a tristeza no olhar do filho de Hades. Apertei ainda mais seu corpo contra o meu, estávamos tão pertos que nossos corpos pareciam um só. Fechei os olhos pra pegar no sono, mas ainda podia sentir que ele me olhava.
– Você vai dormir? – ele perguntou, o encarei vendo que ele exibia um mínimo sorriso.
Aproximei nossos lábios mais não o beijei, só fiquei próximo esperando que ele tomasse a iniciativa ou não. A sua respiração era irregular e seu coração estava visivelmente perturbado.
O beijo aconteceu lento e suave, um selinho descompromissado até ate nossas línguas se encontraram sensualmente curiosas. Beijamos-nos solidariamente, sem nenhuma luxuria e sim som um amor sincero entre amigos.
– Não podemos – ele disse desgrudando nossas bocas, mas não os nossos corpos.
Ele olhou para o teto e eu aninhei a minha cabeça em seu pescoço, não queria discutir, só queria estar ali e saber que ele estava também. Suspirei meio cansado e animado com a relutância do Filho de Hades em se entregar ao prazer.
Movi meu corpo, deixando que os nossos membros entrassem em contato surgindo um breve arrepio em minha pele. Ele virou de costa e eu ri com a tal pretensão dele de repetir o que tinha ocorrido há uma madrugada atrás com Percy.
– Isso é serio mesmo – disse risonho, ele rebolou na minha virilha e eu gemi com aquela maravilhosa sensação.
– Você gemeu, não é estupro – ele murmurou.
– Eu te amo — murmurei ao pé do seu ouvido.
(...)
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