Perigo eminente...
4 Depois da Meia noite
Notas iniciais
POV PERCY
Eu não devia ter iniciado aquilo. Nico tinha acabado de ter um pesadelo, queria protegê-lo para que ele soubesse que podia contar comigo a qualquer momento.
Só que as coisas não saíram como o combinado.
O cheiro de hortelã que saia dos cabelos do filho de Hades era completamente hipnotizante, virei o corpo para poder ter contemplar ainda mais aquele perfume. Só não contava que o seu corpo gelado me causasse um efeito... Erótico.
Lutei contra a minha ereção, mas assim que Nico se moveu todo o meu esforço não valeu em nada. Te-lo tão perto de mim, fez com que o meu desejo se torna-se incontrolável. Cheguei mais perto e o apertei sobre a minha ereção, aproximando ainda mais meu membro de sua entrada. Ele se moveu novamente provavelmente desconfortável e emitiu um barulho que fez meu coração congelar.
O que eu estava fazendo?
O Garoto tinha acabado de ter um pesadelo, molhado a cama e pra ajudar eu estava molestando ele enquanto dormia...
Levantei num pulo, sabia que ele estava acordado, porque seu corpo ficou rígido no mesmo momento em que sai da cama. Liguei o Abajur e encarei o volume em meu shorts.
– Nico – chamei desconfortável.
Ele não moveu um músculo, ficou paralisado e eu quase desmaiei com o tamanho do nojo que senti de mim por ter feito aquilo com ele.
– Eu sei que está acordado – murmurei envergonhado.
Agora a sua reação foi ainda mais de cortar o coração, ele virou o rosto no travesseiro e começou a chorar, seus soluços eram abafados e seu corpo tremia. Sentei ao seu lado na cama e contive o impulso de acariciar os seus cabelos.
Não sabia o que dizer, o que eu fiz não tinha palavras...
Uma lagrima teimosa se desprendeu dos meus olhos e eu a enxuguei imediatamente, condenava tanto meu padrasto que fiz quase a mesma coisa com Nico.
Peguei uma camiseta e a vesti rapidamente, olhei no relógio 2h15 da madrugada.
Sai do quarto por não saber como encarar Nico novamente. Andei apressadamente procurando um lugar vazio pra esconder a cara. Fiquei assustado ao trombar com Jason no corredor. Ele me olhou assustado e tão surpreso quanto eu.
Ele levantou rapidamente e saiu andando até a sua cabine e se trancou. Ok talvez a noite dele não esteja tão boa quanto a minha...
Fui até o convés, esperava que o cheiro do mar me acalmasse, nunca mais esqueceria o que eu fiz.
FLASHBACK ON
Eu não gostava de ficar sozinho com ele. Afinal eu tenho 12 anos e odeio ficar na companhia de Gabe cheiroso.
Estava em meu quarto, porque pela milésima vez na minha vida fui expulso da minha antiga escola, pois acidentalmente o professor de educação física me atacou e eu quando fui me defender acabei queimando parte da escola. Lógico que ninguém acreditou em mim e por isso estou em casa nesta maldita tarde. Gabe estava assistindo futebol americano, e tudo que eu tinha que fazer é ficar calado e quieto até que a minha mãe chegue em casa.
Parece irracional, mas eu tenho um medo estúpido daquele homem, não pelo que ele faz comigo, mas sim pelo o que ele pode fazer com a minha mãe. Levantei da cama e fui até o banheiro pegar algum remédio pra dor de cabeça quando ele grita da sala.
– Pirralho vai pegar uma cerveja pra mim.
Ignorei e voltei para o quarto jogando o edredom sobre a minha cabeça, odiava o som da voz dele, sentia ânsia de vomito toda vez que aquele maldito abria a boca.
Desde que a minha mãe se casou com ele, torço todo dia que ele caia das escadas do prédio ou que algum bandido atire no meio dos seus olhos, mas acho que deus não gosta de mim, logo que ele continua vivo e infectando a minha sala.
Após algum tempo escuto passos no quarto, me encolhi na cama quando notei que ele estava próximo demais.
Suas mãos puxaram os meus cabelos, jogando-me no chão. Um chute atingiu o meu estomago com força retirando todo ar dos meus pulmões. Ele me deu um tapa no rosto e depois, segurou meus braços com as duas mãos. Fazia força pra respirar segurando as lagrimas que teimavam em cair.
– Eu te pedi uma cerveja seu marginalzinho – ele disse com escárnio. – Sorte sua que não posso machucar o seu rostinho...
Ele me jogou novamente no chão e eu tentei me arrastar desesperadamente pro banheiro, ele riu e puxou minha perna acertando-me com outro soco no estomago.
Sei o que vinha em seguida...
FASHBACK OFF
Balancei a cabeça evitando aquelas lembranças.
Tudo tinha acabado eu estava livre dele e em paz com a minha nova família. Passei a mão no cabelo tentando parecer apresentável quando voltasse pra cabine, fingiria que nada havia ocorrido e caso ele tocasse no assunto discutiríamos, se não falasse nada isso morreria ali.
Voltei apressadamente a passos largos, minha ansiedade de ver que o meu relacionamento com Nico estava normal estava me deixando maluco. Entrei com cuidado na cabine que era pura escuridão.
Com cuidado tateie a cama e percebi que ele não estava mais nela, liguei a luz e só então notei que ele não estava mais no quarto.
Fechei os olhos para evitar as lagrimas.
POV NICO
– Posso passar a noite aqui? – Perguntei na porta da cabine de Leo.
– Claro – ele disse dando passagem para que eu entrasse.
Depois do que fiz, a minha vontade era sumir na primeira sombra e ir para o mundo inferior, jamais teria coragem de enfrentar Percy novamente.
Deitei na cama de Leo, mesmo não perguntando se podia, e ele pareceu não se incomodar. Ele sentou ao meu lado e respirou profundamente antes de iniciar uma conversa.
– O que houve?
– Eu... F-fiz uma bobagem – murmurei evitando os soluços.
– Eu também – ele suspirou – Acho que Jason tem nojo de mim – contou ele.
– Por quê? – perguntei esquecendo dos meus problemas.
Ele levantou indeciso, alternando o peso entre os pés. Seus olhos varreram o quarto a procura de algo que só ele sabia. Leo foi até uma das paredes do quarto e digitou algo que fosse um código, de lá tirou uma garrafa de Whisky, dois copos e um maço de cigarros.
Voltou pra cama e sentou os meus pés, me endireitei e a cena parecia duas garotas prontas pra iniciar uma sessão de fofocas. Ele serviu nos dois copos e acendeu um cigarro.
Não foi novidade fumar pra mim, já faço isso há alguns meses, porém beber é algo novo. Nunca tomei nada mais forte que um simples energético.
– Acho que ele não gosta de... Se sabe... De Gays – ele murmurou encarando a fumaça que tomava conta do ar.
Acendi um cigarro e tomei um gole daquela bebida que desceu rasgando pela minha garganta. O encarei sem saber o que dizer e ficamos assim por um bom tempo.
– Eu abusei de Percy – confessei sentindo uma bola se desfazer do meu peito.
– Como assim? – ele perguntou assustado.
– Eu tive um pesadelo e urinei na cama. Ele acordou e ofereceu dividir a cama comigo. Ai não sei como acabamos ficando de conchinha, ele teve polução noturna e eu me aproveitei disso rebolando no seu membro – resumi a história com as bochechas queimando de vergonha. – Ele acordou quando eu dei um pequeno gemido e saiu do quarto, e eis me aqui! – disse abrindo os braços com um falso sorriso nos lábios, dando mais um gole na bebida.
– E por isso você se acha um estuprador? – ele perguntou como se não fosse nada.
– Estou péssimo, não precisa tirar sarro disse – murmurei dando mais um trago no cigarro.
Há alguns meses atrás se me dissessem que eu passaria uma madrugada bebendo e fumando com Leo, falando de garotos eu provavelmente mandaria o infeliz para o fundo do tártaro. Nunca pensei que podia ser amigo do filho de Hefesto.
– Então hoje você quase foi descabaçado? – ele disse dando um soco no meu braço.
– Des-descabaçado? – perguntei confuso.
– Quase perdeu a virgindade – Explicou fazendo a cara que Annabeth fazia toda vez que contava um fato que só ela sabia, ri com aquela situação.
– Estou com verginha – murmurei sério.
– Se ele gemeu não foi estupro – ele falou tomando o resto de bebida em seu copo e se servindo com mais.
– Eu que gemi – corrigi ainda mais corado.
– Então deve ter sido uma de-li-cia – ele murmurou mordendo os lábios. Revirei os olhos com a cara que ele fazia só os deuses sabe como queria enterrar a cara num buraco... Ah esqueci estávamos no mar.
Ficamos quietos se embebedando e fumando, ter aquele garoto de forma tão intima e fiel ao meu lado me trouxe a lembrança fraca de uma pequena família. Ele seria o irmão que nunca tive.
– Como foi sua primeira vez? – perguntei o pegando de surpresa.
– Incrivelmente doloroso – ele disse recordando o momento com um sorriso nos lábios – Foi há um ano atrás, no acampamento — concluiu ele.
– Você era quem? – questionei envergonhado. No inicio ele fez uma cara de “-hã” e depois riu se dando conta sobre o que eu perguntava.
– Passivo depois ativo – ele comentou meio corado.
– Ativo?
– Não sai com apenas um homem Nico, já sai com muitos – ele falou.
Bebemos mais um pouco enquanto ele compartilhava as suas memórias com Butch, eu ouvia tudo com certa inveja, queria ser despojado como ele é. Saber o que eu queria, ser tão certo com a minha sexualidade como ele era com a dele.
Um barulho horrível tomou conta do navio e saímos da sua cabine aos pulos, no corredor encontramos Jason e Percy correndo com espadas em punho.
Não sabia o que estava acontecendo só sabia que era muito grave.
Um gritou cortou o corredor... “Hazel...” pensei, saímos correndo apressados para onde os gritos saiam.
O que vi foi indescritível.
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