Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEY VOU ATUALIZAR SURFISTINHA G.G http://endorfinasebobagens.blogspot.com.br/

POV LEO

Não preguei o olho durante toda a noite. Por motivos fáceis e complicados de explicar. A dor só havia aumentado desde a minha queda, estava tremendo com um frio insuportável e acabei urinando na cama. Estar com câncer era uma merda. Completamente dependente de Percy, achei uma injustiça acorda-lo em sua primeira noite decente de sono nessa semana, não poderia ser caprichoso ao ponto de mandá-lo ajudar a me trocar. Agüentaria até a manhã seguinte, e ainda era apenas 2h.

E ainda tinha meu reencontro com o meu ex — melhor amigo e meu ex — provável namorado. Tudo isso havia mexido comigo de uma maneira inimaginável, ter Jason tão perto foi doloso demais pra mim. Quando eu perguntei por que partir e nunca mais dar uma noticia sequer, sem me ligar ou perguntar se eu estava bem! Ainda mais Nico, a quem eu considerei como um irmão, alguém que eu confiava, partiu e nem ao menos lembrou que eu existia que algo existiu entre nós.

Não queria ver ninguém, se eles não se preocuparam comigo enquanto tinha saúde, não é agora que estou doente que irão se aproximar para redimir seus erros. Sem falar que só de pensar que Nico e Jason têm um caso faz meu estomago se revirar.

Continuei sentindo dores insuportáveis no abdômen até que elas se espalhassem por todo o meu corpo, o frio fazia que eu batesse o queixo e comecei a sentir o suor escorre do meu rosto. Tudo em acumulo fez com que lagrimas caíssem fartas pelo meu rosto, lagrimas quentes cheias de dor, ódio e saudade. Peguei a pequena garrafa d’agua e tomei um gole pra me tranqüilizar. Calma só teria mais algumas oito horas para que alguém acordasse e viesse me socorrer.

Tentei pensar em coisas boas, lembrei de hazel contando uma história constrangedora de Frank. Lembrei de Cecília mandando eu construir um cachorro robótico e de quando eu quase queimei a casa de Pipper por que deixei o fogão aceso e sai distraidamente. Fiquei nesta nostalgia até que a dor se tornou insuportável, a queimação no esôfago voltou e inclinei cabeça para não me afogar no próprio vomito. Gemi baixinho e olhei novamente no relógio, apenas 4h34, não sei até quanto suportaria até gritar por socorro, a minha cama completamente molhada, meu cabelo grudando na testa, a falta de ar, a tremedeira e o frio.

Será que estava com hipotermia? Acho que não!

Fui agüentando, me segurando, agarrando com força a beirada do colchão, rezando aos deuses para conseguir agüentar por aquela madrugada. A dor intensa já estava me fazendo delirar enquanto balbuciava algumas palavras ilegíveis, com o nome de Jason, meus olhos começaram a se revirar quando a luz se acendeu e a imagem de Percy se formou acima de minha cabeça, e por um segundo um alivio tomou conta do meu corpo.

POV PERCY

Tinha pensamentos assombrosos. Ver Nico tão próximo, tão meigo fez algo se mexer dentro de mim.

Quando Jason deixou a sala, ficamos somente eu e ele, a mais de cinco anos não ficamos sozinhos, e da ultima vez que isso aconteceu eu tive a minha primeira vez.

Eu o olhei nervoso, sua expressão era fria, como sempre. Ele abriu a boca para dizer algo mais rapidamente a fechou. Olhei a porta que fechava e imaginei a reação de Leo ao ver Grace novamente.

– Como ele está? – perguntou Nico com a voz baixa, mas completamente firme. Quando fixei seus olhos ao meu, percebi que estavam vermelhos e tumultuados como se guardasse muitos segredos.

– Os médicos acham que o tratamento dê certo – expliquei tentando manter a voz controlada e não a beira de um ataque de nervos.

– Ele bebia muito? – perguntou Nico se mexendo desconfortável no sofá.

– Bem mais desde que você o abandonou – disse sem pensar quando o ódio tomou conta de mim. Leo bebia desde quando a guerra de Gaia começou, e o seu problema com a bebia piorou desde que Nico foi embora sem ao menos se despedir dele. Eu sabia o quanto eles eram próximos e qual era a importância que Nico tinha em sua vida. E quando ele se foi deixando o filho de Hefesto completamente desamparado, pude sentir a sua tristeza de tal forma que poderia tocá-la. Foi então que me aproximei de Leo como um irmão, estava sempre presente e o seguia pelos bares, quando estava de ressaca eu cuidava dele, quando estava bêbado eu cuidava dele, e agora que eu estava doente não iria fazer diferente.

– Eu não o abandonei – ele disse com a voz embargada enquanto mantinha um olhar ao meu.

– Bem, ele é um alcoólatra e agora está com câncer – eu disse com deboche.

– Não me culpe por isso Jackson, não desconte sua raiva sobre mim, não é justo – ele disse completamente indignado com a minha acusação.

Quando pensei em uma boa resposta, Jason entrou na sala e foi embora levando Nico. Pensei durante horas sobre a nossa conversa até pegar no sono. Sonhei com seu corpo no meu, na minha cabine do Argo secundário, a nossa primeira vez e também a única da minha vida, tenho que confessar que não dormir com nenhum homem desde que Nico se fora.

Acordei com um salto, coração acelerado como se me arrependesse em pensar em um possível caso que poderíamos ter. Respirei profundamente para organizar meus pensamentos, até ouvir alguns sussurros desconexos, acendi a luz imediatamente fui conferir como Leo estava.

Meu coração se contraiu.

Em seu peito uma enorme poça de sangue, seus cabelos grudados na testa e o corpo tremulo. Seus olhos antes revirados se focaram em mim e sua mão procurou a minha sobre a cama e quando nossos dedos se cruzaram ele a apertou com o resto da força que lhe restava.

– Leo – chamei atraindo a sua atenção – Vamos para um Hospital Okay? Vai ficar tudo bem – expliquei acariciando seus cabelos.

– Não – disse quase inaudível

– Você esta com muita dor, precisa de assistência – disse com a voz embargada.

– Morfina – ele murmurou com os lábios pálidos com o queixo batendo.

Peguei a seringa e injetei o liquido em eu braços, não queria que Leo se viciasse em mais uma droga, mas ele precisava ter uma alivio. Tirei os cobertores e vi que ele estava completamente molhado, sem duvida ele necessitava de um banho antes que morresse de frio. Não suportava a idéia de ter que colocar fraldas nele.

Suspirei e comecei com cuidado a tirar a sua roupa. Fui ao banheiro e comecei a encher a banheira com água quente e alguns sais para que ele pudesse relaxar. Fui até o quarto de minha mãe e a chamei.

– Mãe, arrume a cama, por favor, aconteceu um incidente – murmurei com os olhos baixos.

– Claro – ela respondeu pulando da cama e eu fui até o quarto ao pé da cama.

– Leo vamos tomar um banho – murmurei quando percebi que a dor diminuía.

Com cuidado peguei no colo, seu corpo completamente nu estava gelado e me lembrei do garoto quente que era literalmente. Entrei na banheira junto com ele, comigo atrás e ele na frente com o corpo inerte, assim que sentiu o calor ele suspirou e deu um pequeno sorriso creio que de alivio. A água estava quente demais pra mim, mas creio que estava perfeito pra ele.

– Leo – chamei após um tempo

– Sim – ele murmurou com a cabeça repousada em meu peito.

– Só me diga quando sentir dor – suspirei com o corpo mais leve.

– Não achei justo te acordar pra me limpar – ele rosnou rancoroso.

– Posso te fazer uma pergunta?

– Claro...

– E se fosse eu? – disse com a voz calma, ele inclinou a cabeça para que nossos olhos pudessem se encontrar e vi o quanto ele estava confuso e com medo.

– Eu faria a mesma coisa – ele balbuciou, me inclinei e selei nossos lábios, num impulso que não sei explicar só precisei dar-lhe um beijo, com um Selinho amigo, sem luxuria. Nossos corpos completamente nus em contato, e tudo o que eu queria é que as coisas fossem mais fáceis.

– Só não me negue o prazer de cuida de você Valdez!

(...)

Notas finais
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