Perfeitos um para o outro... Ou quase isso

30 Uma missão qualquer - Parte 04


Notas iniciais
Peço desculpas por estar postando tão tarde e aproveito para avisar que amanhã não vai ter capítulo. Conto com a sua compreensão.

Capítulo 30: Uma missão qualquer — Parte 04

Continuei a explorar, alimentando o fogo com os pedaços de pano e me mantendo atento. Procurei por muito tempo, mas não encontrei qualquer papel ou anotação, o que chamou a minha atenção.

Se as bestas ficavam ali, era impossível que ninguém as vigiasse e que não fizessem relatórios constantes delas. Não havia nada a não ser aparelhos e equipamentos, nem um material de escrita os papéis. Continuei a procurar e através de um buraco na parede, encontrei uma sala escondida. Para a minha sorte, a porta era de madeira, então lhe destruí com um chute e liberei o meu caminho.

Lá dentro se parecia com um escritório, papéis estavam para todo lado e ao invés de isso ser bom, era extremamente ruim, pois com tanta informação para ler, eu demoraria dias e ainda não seria tempo o bastante. Fiz uma avaliação rápida e pelo modo como as mesas e cadeiras estavam organizadas, segui até a mesa da pessoa que tinha maior autoridade ali e daquela que poderia ter alguma informação relevante.

A sua mesa estava abarrotada de papéis, e muitos deles não podiam mais ser usados ou lidos, pois a umidade e o tempo os danificaram. Procurei nas gavetas, tentando encontrar algo que tenha sido preservado e encontrei. Era um caderno, mas sua capa era de couro o que o protegeu e as folhas dentro, estavam preenchidas com palavras escritas com uma cor vermelha que eu acreditava ser sangue.

Diferente da tinta, o sangue permanecia por mais tempo, mesmo em lugares remotos com aquele. Com isso, ainda era possível ler o que estava escrito ali, mas essa não era a maior surpresa... Eu não conseguia reconhecer os caracteres ali escritos.

Coloquei o livro aberto sobre alguns papéis na mesa e ainda segurando a minha "tocha" peguei o pedaço de papel que me foi dado pelo garoto amigo de Eren. Ao abri-lo coloquei-o sobre o livro e comparei-os.

— É a mesma escrita — Era a conclusão na qual podia chegar. Guardei o papel novamente e depois de fechar o livro, resolvi levá-lo comigo. Se o pirralho realmente podia ler aquela misteriosa escrita, então aquelas anotações do livro podiam ser decifradas.

Ainda dentro do "escritório" encontrei uma velha mochila também de couro e que surpreendentemente parecia ser mais nova do que os outros objetos deixados ali e coloquei o livro dentro. A mochila tinha apenas uma alça, então coloquei sobre um ombro e deixei a alça atravessar meu peito. Com isso, o livro estava seguro e eu estava com as mãos livres para usar as duas espadas.

Voltei para a sala das gaiolas e saí para o corredor cheio de placas vermelhas. Ainda havia mais salas á frente, então segui com a investigação. Nas demais salas, não encontrei mais nada que pudesse ser aproveitado, mas encontrei uma nova escada e mais um andar abaixo.

Estava cada vez mais escuro, porém mesmo que eu não pudesse ver, eu podia sentir... tinha uma besta ali. Segui com cuidado, pronto para reagir a qualquer momento, mas ela não se mostrou. Talvez não tivesse sentido a minha presença, ou talvez estivesse se escondendo... era impossível dizer com certeza o que se passava ali.

Depois de andar por muitos minutos, cheguei até um corredor sem saída, só havia uma porta ali e nem um outro caminho a seguir. Abri a porta com o pé, ouvindo o barulho do metal enferrujado ranger e ecoar pela sala vazia atrás de si. Ia dar um passo a frente, quando algo voou em minha direção, com a surpresa andei para trás, vendo uma besta nível um, furiosa, bater contra a porta e fazer as paredes tremerem.

Ela se afastou e se preparou para investir contra a porta novamente, mas não permiti que fizesse o seu movimento. As paredes da construção já estavam danificadas o suficiente, mais um impacto daquele e tudo poderia desabar comigo dentro. Usei o gás e avancei para dentro da sala escura, cravando a minha lâmina com o fogo na cara na besta, marcando assim o meu alvo.

Deixei a lâmina nela e saltei para cima, usando o fogo para localizá-la e caindo sobre seu pescoço ao qual degolei com um único golpe, matando a besta. Com a sua morte, me mantive alerta e analisei ao redor, procurando qualquer indício de que ainda haviam inimigos. Só quando constatei estar seguro é que abandonei a minha postura defensiva e me permiti respirar fundo.

Ajoelhei-me no chão e refiz o processo para ter iluminação, usando o meu segundo e último cartucho de sinalização. Pois como não pretendia usá-los, não tinha abastecido-os antes de entrar no laboratório, os demais estavam com minhas outras coisas no cavalo.

Quando terminei a minha tocha, avaliei aquele último cômodo, ele estava praticamente vazio, exceto por uma pilha de madeiras e outros materiais que estava no canto. Quase parecia que todos os móveis e objetos daquela sala tinham sido quebrados e seus pedaços foram amontados ali, era estranho.

Me aproximei e avaliei de longe entre os materiais empilhados, tentando encontrar o motivo para estarem ali. Não encontrei nada entre o entulho, mas encontrei algo em cima dele. Era branco, redondo e tinha uns trinta centímetros de altura... Era um ovo.

Olhei para a besta que tinha matado e a conclusão de que aquele ovo pertencia aquela besta chegou facilmente. Era a primeira vez que eu via um ovo de besta, até porque, a humanidade nem mesmo sabia como eles se reproduziam. Toquei o ovo e parecia frio, estava pronto para quebrá-lo e ver o que tinha dentro, quando ele se mexeu. Rapidamente dei um passo para trás e ergui as minhas espadas... se tratando de bestas, qualquer cuidado era pouco.

Mas o ovo não mais se mexeu. Fiquei encarando-o sem saber o que deveria fazer, e no fim, resolvi levá-lo comigo. Aquele ovo podia ser a chave para a humanidade finalmente entender por completo o mistério por trás das bestas.

O ovo era pesado, mas não tanto quanto o meu recruta. Depois de carregar Eren desmaiado depois dos treinos por tantas vezes, carregar aquele ovo seria moleza. Usei um braço para equilibrá-lo e com a outra mão continuei a segurar a espada que iluminava meu caminho, seguindo calmamente os corredores que me levaram até ali e subindo os andares até encontrar a saída.

Com as espadas guardadas e um ovo enorme na mão, cheguei até a sala pela qual entrei, percebendo que o dia já havia virado noite. Saí pelo buraco que me serviu de entrada e chamei meu cavalo que estava se escondendo. Após montar nele segui para uma grande casa que encontrei pelas redondezas.

Estava com medo que alguém viesse me procurar, então não podia continuar andando pela cidade com algo tão chamativo. Escolhi uma casa grande, não só por ter muitos cômodos, mas porque casa de pessoas ricas eram aquelas que teriam cômodos secretos nos quais eu poderia esconder o ovo e o livro.

Levou mais algumas horas até que eu conseguisse encontar um dos cômodos secretos e depois de deixar o ovo e o livro, saí imediatamente indo para a outra direção e usando uma das casas simples para entrar e dormir. Acordei pouco tempo depois com o barulho de explosões e de uma construção caindo. Levantei e ao olhar pela janela, percebi ser a direção do laboratório. Saí da casa e fui até lá com o cavalo, tendo a confirmação do local, assim que cheguei.

— O que está fazendo? — Perguntei a Theo Becker, que sorriu "amigavelmente" ao me ver.

— Estamos dentro da cidade Rivaille, aqui é cada um por si, então não preciso me reportar a você. Mas como um colega soldado, não tenho nada a esconder... Eu entrei ali para investigar e descobri muitas bestas se escondendo naquela construção, então resolvi dificultar sua saída — explicou calmamente.

Me explicar seus planos, não era por querer me dar uma resposta, ele estava tentando encobrir o que estava fazendo... E quanto ao que era? Bom... Ele estava no mínimo destruindo algo que não devia ser destruído.

— Muitas bestas... — repeti aquelas palavras olhando para a construção que começava a aparecer agora que a poeira da destruição tinha sumido. — Fico feliz que tenha cuidado delas, pois estou cansado demais para lutar — respondi, saindo logo em seguida e indo para longe dali, sem revelar a sua mentira, sabendo que se o fizesse também me revelaria.

Deixei para dormir outra hora e voltei para junto de Solaren e os outros. A investigação seguia bem e eles não pareciam se importar com o que eu tinha feito ou com o que Major Becker e os seus estavam fazendo. Permaneci por perto deles, cochilando sempre que podia e me mantendo alerta para a movimentação de Becker que se aquietou depois da destruição do laboratório.

Se eu fosse fazer uma aposta, diria que o objetivo dele estava cumprido, assim como o meu. Ficamos uma semana na cidade e poucas bestas nos atacaram, nada difícil de se livrar. A equipe de Solaren terminou o seu trabalho e se preparou para partir, enquanto tudo no que eu conseguia pensar, era no pirralho com quem dividia a cama todas as noites e de quem estava sentindo muita falta.

Na noite antes do nosso regresso para casa, Solaren e sua equipe preparam algo como um churrasco com carne de um javali que seus integrantes capturaram próximo aos muros, enquanto investigavam o lado de fora da construção.

Durante a reunião, todos nós nos sentamos ao redor de uma fogueira e eles beberam alguns vinhos antigos que tinham sido descobertos por Theo Becker em uma velha adega. E como dizem os especialistas, quanto mais velho é o vinho, melhor ele é.

Uma noite de risadas e comemoração pelo trabalho bem feito, era assim que eles chamavam. Uma desculpa para beber, era o que eu via.

Quando a manhã seguinte chegou, pedi para a equipe do Major Solaren se podiam me dar uma das mochilas que trouxeram para levar o que achassem de interessante na construção. E apesar de não lhes dizer para o que era, Solaren ordenou que me cedesse uma delas.

Aproveitando o fato do esquadrão de Becker estar todo embriagado e ainda dormindo, fui até local onde estava o ovo e peguei-o assim como a mochila com o livro. Quando cheguei no buraco no muro pelo qual entramos, muitos olharam com interesse para a minha mochila, mas ninguém ousou perguntar o que era, para a minha surpresa, nem mesmo Theo Becker.

O caminho de volta foi mais fácil que a ida e não encontramos nem um empecilho. Perto do meio dia, nós chegamos na cidade Maria. Me despedi deles e segui pelo lado de fora dos altos muros, sabendo que eles, assim como muitos outros, estavam se corroendo de curiosidade para saber o motivo pelo qual eu ficava tanto do lado de fora das muralhas, já que minha base e minha casa, ficavam dentro delas.

Ao chegar em casa, encontrei três corpos de bestas perto do portão e quando Eren veio me receber, seu ombro estava ferido, mas felizmente ele estava bem. Larguei a mochila no escritório e fui ao banho, queria descansar, mas precisava conversar com Eren... Isso se meu corpo conseguisse controlar o desejo e me permitisse conversar.

Notas finais
Até sexta-feira. :-)