Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
33 Todos querem o meu recruta - Parte 02
Capítulo 33: Todos querem o meu recruta — Parte 02
Voltei rapidamente para o local onde estava a mulher grávida, sabendo que as bestas gostavam de atacar primeiro os mais fracos. Acertei em cheio, encontrando a besta bem em frente da mulher e a menina, cortei a cabeça da fera salvando as duas e procurando em volta para ver se tinha mais alguma. Não encontrando qualquer vestígio de que houvesse outros inimigos, coloquei as espadas de volta em minhas costas e fui até as duas.
A mulher estava de joelhos no chão e havia um líquido deixando suas partes íntimas. — Rápido, rápido, o meu irmãozinho vai nascer! — disse a menina me segurando e puxando-me pelo braço.
Me abaixei até a mulher e peguei-a no colo, sem dizer nada. Não poderia ajudar de outro modo. Carreguei-a o mais rápido que pude, enquanto a menina me acompanhava de perto. Um novo sinal de Mya foi disparado, na mesma direção da qual eu vinha, olhei para trás e vi cinco bestas vindo em minha direção.
Coloquei a mulher no chão novamente e tive que ir cuidar delas, matei-as o mais rápido possível, voltando até a grávida e carregando-a novamente. Assim que cheguei mais perto do centro da cidade, entreguei-a para o chefe, que encontrei por ali e expliquei rapidamente a situação. Ele se encarregou de levá-la até o hospital.
Um novo disparo chamou a minha atenção para a direção apontada, na qual uma leva de dezenas de bestas avançavam em minha direção, pois atrás de mim estava a igreja, onde muitos estavam reunidos e abrigados. Me lancei contra as bestas e embarquei em uma luta acirrada que não tinha enfrentado em muito tempo.
Em meio a luta, sofri um grave ferimento na barriga, que apesar de não ter sido fundo, a quantidade de sangue que estava perdendo, começava a me preocupar. Perdi a conta de quantas matei, mas minhas mãos já estavam cobertas de sangue, assim como minhas lâminas.
Sentindo uma tontura, caí de joelhos no chão. E apesar de ter sido poucos segundos, foi um momento de fraqueza no qual poderia ter perdido a vida, se não fosse meu recruta aparecer e me salvar, matando as duas bestas que seguiram para cima de mim, com um único golpe.
— Rivaille! Céus, você está sangrando muito! — disse completamente preocupado, largando suas espadas, tirando o casaco que vestia e usando-o para tentar conter o sangramento, ajoelhado em minha frente e olhando para a minha ferida de modo desesperado. Sabendo que estava seguro, guardei as minhas espadas para ficar com as mãos livres.
Seus olhos começavam a ficar amarelos e vermelhos, lembrando-me do que havia falado com Armin Arlet. — Eren — chamei, não obtendo resposta. — Eren, olhe para mim — pedi tocando seu ombro e vendo seus olhos me encararem sérios.
— Preciso do meu recruta nesse momento e não de uma besta assassina. Se perder o controle, vai criar mais problemas e talvez me machucar ainda mais — expliquei calmamente, vendo um novo sinalizador ser disparado.
— É hora de trabalhar, vá e mate-as. Estarei aqui quando voltar — garanti dando-lhe um beijo, assim como ele havia feito anteriormente. Seus olhos voltaram pouco a pouco ao verde e uma expressão triste apareceu em seu rosto. Ele me ajudou a levantar e sem dizer nada, começou a seguir na direção que Mya nos apontou.
— Ei pirralho, antes que eu esqueça... Ótimo ataque — elogiei vendo um pequeno sorriso em seu rosto, antes dele partir para a batalha.
— Ele é um bom recruta, perfeito para batalha e pelo que posso ver, ótimo para passar o tempo — disse-me alguém saindo das sombras de uma casa ao meu lado, alguém que tinha visto tudo o que aconteceu ali. Ele era um Capitão, assim como eu, mas atuava na polícia e não na tropa.
— Ele é um ótimo recruta. Mas é meu, então tira o olho — disse sério, fuzilando-o com os olhos.
— Deveria tomar cuidado com suas palavras, quase parece que está com ciúmes — debochou sarcasticamente.
Andei mais perto dele e puxei a minha espada em um rápido movimento, colocando-a em seu pescoço, surpreendendo-o — Isso não foi ciúmes, foi uma ameaça... Fique longe do meu recruta, ou vou matá-lo — disse forçando a lâmina contra o seu pescoço, sujando-o com o sangue da besta e fazendo um pequeno corte em seu pescoço.
— Você será punido se me matar — disse sério, tentando camuflar o medo.
— Como se eu nunca tivesse sido punido antes — sorri discretamente, apertando mais o casaco ensanguentado em minha ferida.
— Fique longe do Eren e tire seus olhos dele, seja para fins de trabalho ou pessoais — esclareci, sabendo que ele gostava de homens e percebendo a malícia naquele olhar que ele direcionou ao meu recruta quando disse que ele era "bom". — E não se esqueça, Eren é meu companheiro de trabalho e meu parceiro na cama. Se quiser tentar algo com ele, lembre-se que terá que passar por cima de mim primeiro — encerrei olhando-o seriamente e vendo seu pânico. Aposto que naquele momento, eu devia estar mais assustador do que uma besta.
Quem ele pensava que era, para olhar para o meu recruta como se quisesse devorá-lo?! Eren era meu e se alguém tentasse mudar isso, essa pessoa ia descobrir que bestas eram criaturas muito amigáveis, perto de mim.
Após aquele "diálogo", ele foi embora e meu pirralho voltou pouco depois. Mais três bestas mortas e seu trabalho naquela área estava completo. Ele me ajudou a caminhar e fui até o hospital fazer um curativo rápido.
Os ataques se seguiram por uma longa hora, antes da barreira se tornar efetiva novamente. Meu ferimento foi devidamente tratado e fomos descansar em um quarto dado a nós três. Sendo que eu e Eren estávamos machucados, Mya nos disse para dividir a cama e ela dormiu no chão. Se eu não estivesse cansado demais, até teria me aproveitado da situação, mas mesmo o pirralho hiperativo, caiu no sono poucos minutos depois de deitar.
Quando enfim acordamos, já passava do meio dia e ouvimos as tristes notícias de que cerca de trinta pessoas morreram no ataque da noite anterior, mas por outro lado, mais de trezentas vidas foram salvas, essas que tiveram suas casas destruídas pelas bestas e que teriam sido mortas se tivessem ficado dentro de casa.
Naquela noite eu decidi partir e fiz questão de não aceitar recompensa pela meu trabalho. Garanti que em caso de problemas eles poderiam me chamar novamente, explicando que quando eu não pudesse ser encontrado, eles deveriam ir fazer um pedido ao comandante.
Vendo que dessa vez, os soldados enviados pelo comandante não foram de ajuda, eles realmente não queriam ter que depender disso, mas nem sempre eu estaria a disposição daqueles que necessitavam de ajuda.
Na volta para casa, viemos conversando calmamente, já que devido ao meu ferimento, eu nem deveria estar cavalgando. O pirralho dizia que ficava cada vez mais surpreso em ver o quão irresponsável eram os soldados, sendo que a taxa era de dois bons soldados para cada dez que servia o exército.
— Muitos homens mudam sua mente quando sentem o poder de comandar. E muitos desejam poder. É natural que a mente seja corrompida — disse cavalgando entre Eren e Mya.
— Mas você não foi corrompido — comentou a pequena.
— Eu fui muito corrompido, apenas não cedi a parte malévola dessa corrupção — expliquei vendo confusão no rosto dos dois. — É complicado demais para crianças entenderem — debochei de Eren que mostrava tanta confusão quanto Mya. Ele fez cara de ofendido e aquele bico fofo! Fazendo-me sorrir discretamente.
— Eu explico melhor em outra ocasião — garanti ao pirralho, vendo-o acenar em confirmação e sorrir. Ele adorava ouvir minhas explicações, dizendo que aprendia muito comigo. Nunca toquei nesse assunto, mas levando em consideração a diferença em nossa idade, era normal eu ter muito a lhe ensinar.
Naquela semana tudo foi muito complicado. Eren teve que se ausentar dos treinos novamente e fazer a vigia, já que eu ainda estava de recuperação. E Erwin veio me visitar quando descobriu que eu estava ferido. A parte boa era que ele aproveitou para ter a tal conversa que queria, a parte ruim, é que tive que escutar um baita sermão sobre tomar mais cuidado em batalha.
— Rivaille. Os pedidos para terem Jaeger em seu esquadrão durante o treinamento conjunto, tem crescido constantemente — comentou meu amigo, depois de explicar que os boatos sobre o que aconteceu na última cidade atacada já tinham se espalhado pelas três grandes cidades. — mas essa semana um grupo que tinha enviado um pedido o recolheu. Ele veio de um Capitão da Polícia do Interior, sabe de algo?
— Não faço ideia — disse sem conter um sorriso satisfeito, o que não passou despercebido pelo meu velho amigo que ergueu a sua sobrancelha e me encarou com uma expressão que parecia dizer: "Sério? quer que eu acredite que não fez nada, quando está sorrindo desse jeito?!"
— De qualquer modo, vamos ao assunto principal que me trouxe aqui — continuou Erwin, explicando qual era a conversa séria que ele queria ter comigo e o motivo pelo qual queria que Eren estivesse presente.
— Você está falando sério? Quer mandar Eren para o esquadrão de Theo Becker? E ainda quer usar o meu recruta para investigar o Major? Você está louco?! — disse com raiva.
— Acalme-se Levi, deixe-me terminar — pediu seriamente. — Becker possuí grande reputação, a briga pelo Eren já está praticamente ganha. Não posso ir contra isso. E sendo que ele irá para lá, estou tentando obter a sua colaboração na investigação. Pois em todos esses meses, ainda não descobri o que Becker e o comandante da Polícia do Interior estão tramando — explicou-se.
— Eu vou — disse o recruta.
— Eren, isso não é um brincadeira. Você pode se machucar!
— Eu sei. Mas não há lugar completamente seguro, que não seja ao seu lado — respondeu calmamente. — Ao menos com o Major, estarei perto de Armin e Mikasa e ainda posso ajudar o comandante. Há algo positivo, enquanto nos outros esquadrões, não tenho nada a ganhar — explicou seu ponto de visto, me deixando sem ter como retrucar.
— Tudo bem, mas se ele tocar um dedo em você, vou matá-lo! — disse com raiva.
— Não se preocupe Rivaille. Becker não é suicida — garantiu meu amigo, fazendo o pirralho rir.
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