Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
15 Prazer e trabalho
Capítulo 15: Prazer e trabalho
Acobertados pela noite, puxei-o pelo pescoço e trouxe sua boca para mais perto, beijando sem me conter e sendo retribuído. Nada de selinhos ou de beijos superficiais, me movi contra sua boca com avidez, querendo aquilo mais do que esperava, e ser retribuído, deixava tudo melhor.
Ele era inexperiente e eu por outro lado, não tinha tanta experiência quanto deveria ter em minha idade. Não era como se não tivesse me envolvido com muitas pessoas, mas sexo pode ser facilmente contido e satisfeito, sem precisar de beijos. Mas eu fiz questão de beijá-lo, pois sentia necessidade disso.
Em algum momento a minha língua começou a se envolver na sua e colei meu corpo ao seu, sentindo suas mãos segurarem em minha cintura. Era bom, bom até demais. Beijar era ótimo e eu não queria mais parar, ainda mais quando ele estava lutando com tanto esforço para conter seus gemidos de prazer que pareciam querer sair a todo momento.
É possível sentir prazer com um beijo? Eu achava que não, até aquele momento. No momento em que iniciei aquele contato, me senti mais excitado do que se estivesse vendo uma mulher nua em minha frente e o modo como ele respondia a minha investida, deixava tudo melhor. Se minha boca não estivesse ocupada, tenho certeza de que estaria rindo, pois ele me desejava e mesmo com o medo que confessou sentir, esse desejo era mais que evidente em momentos como aquele.
Eu queria continuar... Ah! Como queria! Mas meu trabalho não iria permitir, não naquele momento. Se já não fosse problema o bastante ter aqueles assassinos em meu encalço, eu teria que me preocupar com um ataque das bestas, que já começavam a cercar aquele velha cidade.
Me separei do recruta e olhei na direção na qual podia sentir a maior concentração de bestas, para a minha surpresa, ele fez o mesmo. Nós nos encaramos por alguns segundos, tentando esquecer a excitação de momentos atrás, enquanto eu pensava se ele ter olhado naquela direção era uma coincidência ou ele sabia que eles estavam lá, assim como eu.
Senti a aproximação dos soldados e me afastei dois passos, colocando grande distância entre nós. Eren pareceu entender, pois parou de me encarar e passou a mão sobre os lábios, limpando um pouco de saliva que havia ficado ali, retirando a prova do que estávamos fazendo.
— Capitão Rivaille, o que devemos fazer? Parece que estamos cercados — disse o primeiro deles ao chegar até mim, os outros três chegaram logo depois, correndo atrás do primeiro. Me contive para não mandar uma indireta, por eles terem sentido a intenção assassina das bestas e agi profissionalmente.
— Vamos nos separar em três grupos de dois. Nosso objetivo é fugir das bestas e evitar um confronto direto, aproveitando a presenta de grande quantidade delas aqui para ir investigar a Vila Mo. Nos reuniremos aqui em três dias — ordenei vendo-os se encararem em silêncio. Certamente, se separar não fazia parte dos seus planos.
— Algum motivo para serem contra? — perguntei encarando-os seriamente. Eles negaram e conversaram entre si para separar os dois grupos, sabendo que eu e Eren iríamos formar o terceiro grupo. Após mais alguns minutos, nós voltamos para perto dos cavalos, pegamos eles e partimos.
Com eles longe, eu tinha uma preocupação a menos, mas ainda existiam muitas mais. Saí com Eren por uma área que estava sendo menos vigiada e após matar as duas bestas que estavam em meu caminho, nós seguimos cavalgando. Peguei o máximo de desvios possíveis e matei as bestas que estavam no caminho, chegando próximo de uma floresta de Pinheiros e instruindo Eren a subir em uma árvore.
— Não há problema em deixar os cavalos lá embaixo? — perguntou meu recruta, assim que alcançamos um galho algo, logo após amarrar as rédeas dos cavalos na base da árvore.
— As bestas não ferem animais, então se não estivermos montando os cavalos, eles não serão atacados — expliquei mais uma das informações que havia aprendido com a experiência. Ficamos agachados no galho, apesar dele ser alto, eu não queria chamar atenção e enquanto estávamos ali, pensava no que fazer a seguir.
— Vamos dormir aqui o restante dessa noite e amanhã eu vou investigar a vila Mo. Você irá comigo, mas não chegará perto das construções. Quero que fique me esperando no topo de uma árvore, assim como estamos fazendo agora — expliquei seriamente, mantendo meus olhos a frente na direção do mistério que eu tinha que investigar.
— Você sabe o que tem na Vila Mo? — questionou em tom baixo, parecendo ter medo de perguntar... ou de obter uma resposta. — É possível que sejam humanos? — continuou seu questionamento, mostrando que era inteligente.
Eu havia acabado de dizer que as bestas não tinham interesse em animais, então só restavam as barreiras e os humanos a quem faziam questão de caçar. Mas não existe barreira naquela Vila, o que deixa apenas uma única opção para o seu interesse.
Virei meu rosto para encará-lo e vi ali preocupação. Ele temia pela vida de pessoas que nem conhecia e que nem mesmo tinha certeza se existiam. Isso era algo diferente de mim... ele possuía um coração muito maior.
— Não vamos fazer nem uma suposição. Mesmo que os humanos sejam os alvos primários das bestas, há sempre a chance de uma nova revelação ser feita, é por isso que estamos aqui para investigar — lembrei-o seriamente.
Seus olhos encaravam os meus e por estar agachado ao meu lado, isso fazia com que nossos rostos ficassem próximos um do outro. — Mas... — A sua preocupação era tanta, que ele continuava a insistir em assuntos que não estavam sob sua responsabilidade. Não querendo estender demais aquela conversa, aproximei-me ainda mais e toquei meus lábios nos seus, interrompendo a sua frase.
Ao me afastar, expliquei: — Mesmo que sejam humanos e que estejam em perigo, isso não significa que devemos correr até eles para salvá-los. Antes da vida deles, preocupe-se com a sua, se não estiver vivo, não poderá salvar ninguém — lembrei em repreensão, mantendo meu tom de voz o mais gentil que conseguia. Não queria iniciar uma briga.
— Capitão... Você está planejando alguma coisa? Não só referente a Vila, mas também com os homens que nos acompanham? — questionou mudando o foco das suas perguntas e da sua preocupação, direcionando-as para mim.
Pensei no que deveria fazer, questionando-me sobre se deveria dizer-lhe algo, e se sim, o quanto deveria falar. Eren não estava pronto para entrar em meu mundo e eu nem mesmo queria que ele fosse tão longe. Aquela relação deveria ser o que estava se encaminhando para ser... alguns beijos, sexo e confiança em equipe, nada mais do que isso.
— Eu sei que tem seu método de fazer as coisas e por isso não vou questioná-lo, afinal, nem mesmo tenho o direito de fazer isso. Suas decisões são para a minha segurança, então se me diz para não segui-lo até lá, não irei fazê-lo, mas se eu puder fazer algo para ajudar, não hesite em pedir — explicou direcionando a sua visão para um ponto que não estivesse em minha direção.
Ele sentou-se no galho e fiz o mesmo, enquanto nossos pés balançavam com a gravidade. Olhei para ele pelo canto do olho e sua expressão parecia ser a de alguém que estava pensando. Olhei para o céu escuro e depois virei meu rosto para ele, suspirando ao imaginar mais uma loucura que estava fazendo.
— Não há nada que você possa fazer quanto a Vila, pois eu nem mesmo sei o que nos espera lá — disse chamando a sua atenção e vendo-o me encarar. — Quanto aos soldados que nos acompanham, só posso dizer que o alvo deles não são as bestas e que ao invés de nos proteger, eles estão aqui para nos matar — revelei vendo surpresa em sua face.
— Não posso entrar em detalhes sobre seus motivos ou seus objetivos, mas garanto que o alvo deles sou eu. Se quer me ajudar, então se mantenha em segurança, pois no momento em que te recrutei, você se tornou o meu ponto fraco... alguém que pode ser usado como refém, por exemplo — expliquei sendo honesto.
Ele fazia várias expressões, desde surpresa, medo, preocupação e até felicidade. Mas não disse uma palavras sequer, então continuei com minhas palavras, ainda olhando em seus olhos e sendo sincero... mais sincero, do que já tinha sido em qualquer outra conversa.
— Eu planejo muito e ao mesmo tempo sou guiado por instintos, por isso, as coisas não costumam sair do modo como eu planejo. Se quer me ajudar, faça o que estou pedindo e isso ajudará muito... E cuide de si mesmo, pode parecer que não me importo, mas você se tornou importante e sentirei sua perda, mais do que pode imaginar.
Com minhas palavras, ele sorriu discretamente, um sorriso triste. — Capitão Rivaille... Eu não sou alguém que as pessoas querem por perto, mas mesmo assim fico feliz com essas palavras. Mesmo na situação séria na qual nos encontramos, ainda assim me sinto feliz de estar ao seu lado — admitiu com um novo sorriso envergonhado.
— Sei que tem seus segredos Eren, não pense que pode me enganar, eu já descobri mais do que imagina — disse fazendo seu sorriso sumir e o medo aparecer em seus olhos. — Mas você não é o único com segredos e digo que se soubesse tudo sobre mim, talvez não se sentiria tão feliz ao meu lado — avisei seriamente, desviando meus olhos dos seus para as estrelas, algo que eu raramente observava.
— Não importa qual seja o seu segredo. Ainda assim estarei ao seu lado — disse, chamando a minha atenção. Quando me virei para ele, seus lábios tocaram os meus. Apenas um selar de lábios, ao menos no início, antes de se tornar um beijo como o que trocamos antes de deixar nossa base temporária.
Ele segurou ao lado de meu pescoço e comandou a ação, enquanto eu apenas retribuía. Quando ele se afastou, estava respirando um pouco mais rápido, a sua respiração estava batendo em meu rosto o que me dava a noção da nossa proximidade. — Sempre estarei ao seu lado — confessou algo que já dissera enquanto estava dormindo.
— Não fale como se estivéssemos casados — repreendi em tom de brincadeira, lembrando do quão bravo fiquei quando ouvi aquilo pela primeira vez e achando fascinante o fato de meu coração naquele momento estar acelerado, não só pelo beijo, mas por aquelas poucas palavras.
Ao ouvir o que eu tinha dito, ele ficou corado e se afastou, para a minha diversão ainda maior. — É hora de trabalhar, escore na árvore e descanse um pouco, ao amanhecer temos muito o que fazer — avisei contendo o riso. Ele se levantou e foi até o tronco da árvore, mas antes de se afastar por completo, eu chamei seu nome, fazendo-o parar de andar e olhar para mim.
— Eu não gosto de fazer promessas que não posso cumprir, então não vou dizer que "sempre estarei ao seu lado", pois não sei o que o futuro reserva para a minha vida ou para a sua, mas eu garanto. Não importa quem você seja... ou o quê você seja... Eu te tratarei do mesmo modo que trato agora e você ainda será uma pessoa importante para mim — expliquei vendo um novo sorriso triste e um aceno de cabeça. Ele parece querer acreditar em minhas palavras e ao mesmo tempo, não consegue acreditar nelas.
Eu pensei em falar a verdade, mas vendo sua reação, percebi que foi certo não ter dito. Aquele não era o lugar e aquela não era a hora para eu dizer... "Acho que desejo seu coração e sua companhia, ainda mais do que desejo seu corpo".
Fale com o autor