Notas iniciais
Voltei como combinado! Obrigado (a) por esperarem.

Capítulo 21: Oficial e extra oficial

Após sairmos da vila e agradecer o chefe pela estadia oferecida, nós seguimos viagem. O cavalo de Mya foi deixado para trás, pois não podíamos usá-lo sem ser registado. Ela seguiu com Eren, abraçada a ele, sentada atrás de suas costas.

Ao invés de irmos para a base na floresta, eu os levei para a base dentro da cidade, afinal, tinha assunto a resolver em Shina e não sabia ao certo quanto tempo iria demorar. Seria perigoso demais deixar os dois lá fora, principalmente quando Eren não consegue nem mesmo cuidar de si mesmo, quando não está usando aqueles misteriosos poderes.

No primeiro dia, Mya e Eren passearam pela casa, parecendo duas crianças que encontraram um lugar novo para brincar. Depois sentei e conversei com os dois, principalmente sobre aquele negócio das injeções que eu havia ouvido e que ainda estava em minha mente.

Eren me revelou a parte de seu passado que tinha a ver com seu pai e a semelhança com a história da menina deixava tudo mais estranho e suspeito. Eu não era muito bom em lidar com teorias, então precisaria da ajuda de meu mais antigo amigo, que estava mais do que acostumado a pensar.

No dia posterior, avisei que iria sair e que tinha previsão para ficar fora o dia todo, talvez até dois dias. Relembrei as ordens do garoto e pedi a ele para falar com Mya sobre as principais questões, que iam desde as minhas duas bases, meu trabalho dentro e fora do exército, quem eu era e o modo como pensava. Pois para alguém que viveria em minha companhia, ela precisava estar ciente dos perigos.

Deixei-os na base segura e à cavalo, segui até a cidade Shina, indo ao quartel da Tropa de Exploração e pedindo para ver Erwin. Sentado na cadeira em sua frente, eu comecei o meu relato, cobrando as explicações quando elas eram necessárias.

Comecei explicando que já tinha percebido que os quatro eram assassinos e que tinha me livrado deles. Pedindo em seguida, que me explicasse mais sobre essa questão.

— O pedido para deixar que eles te acompanhassem, veio do Marechal. Ele é um dos que mais te odeia, devido ao seu hábito de não obedecer as ordens dos superiores. Por isso estava ciente de que ele estava planejando alguma coisa. Autorizei a ida deles, pois em troca ele me cedeu informações e eu sabia que você daria conta deles, mesmo se realmente fossem assassinos.

— Que tipo de informações conseguiu?

— Sobre que o comandante da Polícia do Interior está trabalhando com Theo Becker e que tipo de transações e planos eles estão fazendo. São assuntos para serem discutidos em outra ocasião — explicou, deixando claro que ainda precisava fazer investigações.

— Por falar em Theo Becker... Eu encontrei os corvos e eliminei-os da face da terra. Isso será um problema?

— Alguém viu ou alguém sobreviveu? — Neguei com a cabeça e ele sorriu brevemente. — Estão não há problemas. Apenas um grupo corrupto a menos no mundo. Pode me dizer sob quais circunstâncias os encontrou e o motivo que te levou a eliminá-los? — perguntou, enquanto olhava para os papéis que eu havia trazido.

Ali estavam os relatórios oficiais, o que não revelava, nem sequer metade do que eu havia visto e ouvido em minha última missão. Por isso Erwin vincava suas sobrancelhas loiras e completava as informações que tinha ali, com meus relatos.

Contei a parte que ia desde a minha investigação na Vila Mo, que me revelou os corpos daquele grupo e o sequestro das crianças. Seguindo para a parte em que encontrei o grupo e em busca de alguma criança viva, matei-os e depois a salvei.

— Mya Sthor, essa seria a menina que foi salva? — questionou enquanto olhava um dos papéis em sua frente. Acenei em concordância e ele prosseguiu: — Quer contratá-la como empregada... Ela só tem dez anos?

— É mais responsável do que parece — respondi sem acrescentar meus outros motivos que incluíam principalmente Eren. Não só pelos dois terem se dado bem, mas por ela saber sobre seu segredo e mesmo assim aceitá-lo. Ele precisava saber que além de mim, existiam outros que estavam ao seu lado.

— Eu vou usar meus contatos para conseguir fazer essa contratação, mas não poderei pagar um salário inteiro. Darei a ela meio salário e a outra metade ficará como casa e comida. De acordo?

— É o suficiente — garanti com um quase imperceptível suspiro de alívio. Eu sabia que seria difícil fazer aquela contratação, mas fiquei aliviado que ele fosse ajudar.

— Por que o grupo foi atacado e as crianças sequestradas? Os corvos estavam procurando alguém em específico? — continuou com suas perguntas, percebendo de imediato que algo estava errado.

— Sobre isso... — Ao tocar naquele assunto, eu tinha muito o que falar, então comecei calmamente. Falei sobre a conversa que tive com a menina, sobre a história que me contou e sobre o tal garoto da profecia, acrescentando depois as descobertas feitas através de Eren, sobre ele ser metade besta, a sua perda de controle e seus poderes.

— Não podemos saber se essa história é verdadeira, mas vou investigar para ver se descubro algo. Quanto ao recruta, vou manter sua identidade em segredo, será um problema se descobrirem isso, ainda mais pessoas iriam tentar tirá-lo de você — afirmou ciente de que a situação era delicada.

— Deixe-me perguntar, apenas para garantir. Ele não é um perigo a sua segurança? — questionou preocupado.

— Ela não irá me machucar — garanti confiante — Mas não posso garantir a segurança de outros soldados. Então seria bom não nos enviar junto com grupos, para áreas com muitas bestas, pois parece que o "gatilho" para ativar seus poderes é ser atacado por muitas bestas ao mesmo tempo — expliquei e ele fez um gesto afirmativo com a cabeça, anotando algo em uma das folhas.

— Sobre as pessoas que querem o garoto... Por que esse interesse nele? Não é como se suas habilidades fossem incríveis ou se ele tivesse algo de diferente que seja de conhecimento público — questionei me aproximando dele, apoiando os dois braços sobre a mesa e encarando-o enquanto ainda mantinha seus olhos no relatório.

— Você o escolheu, isso é diferente o bastante — explicou em poucas palavras. — Rivaille é conhecido por ser um incrível soldado, então, espera-se que alguém escolhido por você, também seja um soldado com um futuro promissor... Essa é minha teoria, sobre o que os demais pensam — expôs calmamente.

— Posso fazer algo para impedir que ele se destaque?

— Continue ao seu lado e a mentir nos relatórios. Avise ao garoto que todas as conquistas dele serão atribuídas a você, assim como a eliminação das bestas da Vila Mo. Por enquanto, vamos mantê-lo longe dos holofotes e ele não deve mostrar suas habilidades para outros soldados, isso deve funcionar por algum tempo. No futuro pensaremos em algo mais efetivo — explicou finalmente olhando para mim e me entregando uma das folhas.

— Refaça essa parte e retire a menção sobre ter salvado a menina Mya. Diremos que você a encontrou, mas não que foi salva, ou caso contrário eles irão querer saber de "quem" ela foi salva e isso pode ser um problema — brincou com um pequeno curvar de lábios. Concordei e peguei a folha, assim como uma caneta e uma nova folha, para reescrever o documento.

Escrevi três palavras e parei. Ainda faltava falar sobre algo. — Erwin, acho que o médico Jaeger pode ter algo a ver com esse negócio de humanos meio besta — disse chamando a sua atenção, enquanto olhava para mim. Quando perguntou o motivo pelo qual eu achava isso, contei aquela parte sobre as injeções.

— A pequena contou que seu irmão era um garoto fraco e doente quando criança e que um médico o curou. Ele deu ao menino os poderes de besta, para que pudesse ser uma criança normal. Então a família já sabia dos poderes dele antes dele despertar. Isso foi quando o garoto ainda era um bebê, cerca de nove anos atrás.

— No ano em que Grisha desapareceu e um ano antes da catástrofe em Shiganshina, conhecida como "o início" — disse Erwin, pegando de imediato, parte das minhas suspeitas.

— E Eren me disse que quando era criança, seu pai às vezes agia de maneira estranha. Levava-o até o porão e escondido de sua mãe e de sua irmã adotiva, lhe dava uma injeção, dizendo ser algo para deixá-lo ficar mais forte... Eren tomou uma injeção todos os meses, durante muitos anos, por outro lado o bebê nômade tomou uma injeção por semana, durante três meses... Fora essas diferenças, os dois se tornaram meio bestas e...

— Um médico com injeções foi a possível causa — completou minhas palavras — Grisha está desaparecido e não se sabe se está vivo ou morto, mas nunca tivemos notícias dele, então nem ao menos posso afirmar que ele realmente está "desaparecido".

— Acha que ele fugiu?

— Depois do que me disse hoje, acredito firmemente nisso — explicou honestamente. — Também terei que investigar isso. Ficará quanto tempo dentro dos muros?

— Não tenho certeza — respondi voltando a minha atenção para o documento. Terminei-o em alguns minutos e o entreguei, completando: — Quer alguma coisa de mim?

— Fique aqui dentro por alguns dias. Mikasa Ackerman e Armin Arlet fizeram um pedido para ver o seu recruta. Deixei-os se encontrarem um dia, isso fará bem aos três — instruiu.

— Certo — concordei sabendo que seria o melhor, se era o que ele queria. — Ficarei por três dias — avisei antes de deixar sua sala. Eu precisava fazer algumas compras, principalmente para a menina que só tinha uma muda de roupa que ganhara na vila das montanhas. Mas seria melhor se ela mesmo escolhesse o que iria usar, então deixaria para um outro dia.

Montei em meu cavalo e voltei para a base. Encontrei os dois na cozinha, decidindo o que iriam cozinhar. Avisei que estava em casa e subi ao meu quarto. Enquanto eles preparavam a nossa refeição, fiquei limpando e fazendo ajustes em meu equipamento, que danificou levemente por ter usado aquele truque de lançar as lâminas, depois de não ter usado-o por tanto tempo.

Ao anoitecer, jantamos em silêncio. A garota foi a primeira a se retirar e nós dois ficamos para tomar o chá, ainda em silêncio por alguns minutos.

— Mya disse que é muito boa para prever o tempo... Ela disse que pelas nuvens no céu, hoje a noite... vai chover — avisou fazendo meu olhar seguir até ele discretamente e ver seu rosto levemente vermelho.

Estávamos dentro da barreira, então a chuva não nos proporcionava segurança. Mas ele parecia estar pensando em algo que passava bem longe da nossa segurança. — Se você quiser, por mim tudo bem — repeti as palavras que havia dito em outra ocasião. Seu rosto abaixou, mas pude ver um pequeno balançar afirmativo. Algo como: "Eu quero".

Notas finais
Até mais. :-)