Notas iniciais
Yo! Peço desculpas pelo sumiço dos últimos dias. Devido a alguns problemas eu precisei me ausentar e ainda não poderei voltar por agora. Hoje estarei postando dois capítulos e o próximo capítulo só sairá em duas semanas, no dia 02/09. Conto com sua compreensão.

Capítulo 19: O segredo de Eren — Parte 04

— Capitão, está tentando fugir? — perguntou um dos que estava atrás de nós.

— Sim. Já matei o bastante de pessoas por hoje — disse seriamente, ouvindo dois deles rirem. — Não se mova — disse em tom mais baixo, olhando por cima dos ombros e falando com Eren. Ele acenou minimamente, apenas para que eu soubesse que ele entendeu.

— Vamos acabar com isso! — avançaram os quatro ao mesmo tempo. Abaixei-me um pouco, tomando impulso em meus pés e me preparando para o meu movimento.

Usei o gás nos pés para saltar para cima e quando estava a um metro do chão, ativei o dispositivo especial que tinha em minha espada e que eu raramente usava, o dispositivo de lançamento de lâmina. Aquele era meu "truque na manga" eu só o usava quando sabia que teria que matar todos os que estavam presentes.

Lancei as lâminas nos dois da frente e depois usei novamente o gás para me movimentar. O gás do pé e o do quadril foi ativado ao mesmo tempo, enquanto eu continuava a minha subida e virava um mortal para trás, passando por cima do cavalo e atingindo os dois que vinham atrás, acertando um chute em cada um.

Eles caíram dos cavalos e eu caí de pé no chão. Rapidamente coloquei duas novas lâminas no cabo vazio e me virei avançando contra eles. Matei um deles rapidamente, o outro conseguiu reagir e resistiu por cerca de três golpes, antes que eu conseguisse matá-lo. Olhei para os dois que estavam na frente e percebi que eles morreram só com as lâminas disparadas, poupando o meu trabalho.

— Incrível! — disseram os dois montados no cavalo. Não sei qual deles estava mais impressionante e com o olhar mais brilhante, se era a garota... ou o garoto.

— Certo, certo. É incrível. Agora vamos seguir viagem — disse guardando as lâminas ainda suja de sangue e sentindo minha mão doer. Ao disparar as lâminas, o cabo vibrava tanto que às vezes podia machucar, e hoje foi um dia daqueles. Eren desceu do cavalo e veio até mim. Tirou uma faixa que tinha enrolada e guardada em seu bolso e enrolou em minha mão.

— Se tinha isso, devia ter colocado em você mesmo — repreendi, depois que ele segurou minha mão, limpou os maiores resíduos de sangue com sua camisa e colocou a faixa.

— Meus machucados são apenas arranhões. E vai ser um problema se a sua mão doer, pois nesse momento nossas vidas dependem delas — brincou com um sorriso, que tentava mesclar sua preocupação. Apenas tentava, pois eu podia ver a verdade.

Seguimos para as árvores onde deixamos nossos cavalos, levando o resto do dia para chegar lá, devido a estar andando. Felizmente os cavalos estavam lá e com todo o nosso equipamento. Pudemos comer, tomar água e fazer curativos em nossas feridas. Troquei meu esquipamentos e reabasteci o gás. Fazendo alguns pequenos concertos em minha arma e na de Eren.

Descansamos por algumas horas e aproveitando o templo nublado, seguimos viagem durante a madrugada. Conseguimos avançar um bom pedaço antes do dia amanhecer, depois fizemos uma parada. Durante o nosso "descanso", perto de um lago no qual os cavalos bebiam água, os dois conversavam e eu me mantinha atento.

— Cley também não conseguia se controlar, sempre que muitas bestas se aproximavam, ele se transformava e feria todos que estavam perto. Eu mesma me machuquei muitas vezes — explicou a menina, mostrando ao pirralho uma cicatriz que tinha no braço. — Mas você não machucou o soldado bonzinho, então deve ser melhor em se conter — dizia surpresa.

Quase engasguei com a água que tomava ao ouvir, "soldado bonzinho". Eren sorriu brevemente e continuou a conversa com ela, enquanto eu pensava no quanto a menina tinha visto... Eu matei outras pessoas em sua frente e estava longe de ter uma aparência benévola, mas mesmo assim, perto do que presenciou, eu era considerado "bonzinho".

— Quando era criança, eu também machuquei meu amigo e minha irmã de criação. E às vezes ainda machuco, foi a primeira vez que consegui me conter depois de ter perdido o controle — confessou o meu recruta, falando sobre um passado que eu desconhecia.

— Você também tomou injeções para virar meio besta? — perguntou curiosa.

— Sim... Algo do tipo — respondeu, não querendo continuar o assunto. Aquilo chamou a minha atenção e quase me pronunciei e pedi por uma resposta, mas não tinha o direito de pedir que contasse coisas que não queria contar. Se fosse necessário, eu o faria dizer, mas em outro momento.

— Pode me dizer, porque eles atacaram seu grupo? — perguntei a ela, vendo que Eren ficou confuso, ao não entender do que estávamos falando. O tom de voz dela abaixou e ela explicou.

— Eles estavam procurando meu irmão. Muitas pessoas vinham atrás dele por achar que ele fosse o garoto da profecia.

— Que garoto da profecia! — perguntamos os dois ao mesmo tempo.

— Vocês não sabem?! — disse surpresa, pouco antes de continuar. — Existe uma lenda antiga que diz que uma criança metade humana e metade besta, pode controlar todos os humanos e todas as bestas — disse ela para a minha surpresa e a curiosidade de Eren.

Nós tínhamos que seguir viagem, então deixamos a conversa sobre as bestas para uma outra hora. Eu garanti a ela proteção, em troca do seu sigilo sobre o segredo de Eren e ela aceitou. Mesmo sendo uma criança, ela sabia o que precisava fazer para sobreviver e agora que estava sozinha, precisava arranjar um jeito de viver.

Eren não disse mais nada no decorrer da viagem e parecia novamente perdido em pensamentos, mas pela sua expressão, eu podia saber que não eram pensamentos maliciosos. Ele parecia preocupado com o que a menina lhe disse, enquanto eu estava curioso.

A minha investigação estava concluída. Eu não tinha descoberto o motivo da concentração de bestas, mas vendo que elas nos armaram uma armadilha, eu estava começando a suspeitar que estavam sendo controladas, mas como eu não tinha provas, manteria isso longe dos relatórios que teria que fazer ao Erwin. Mesmo não conseguindo um resultado positivo da investigação, as bestas foram eliminadas, então meu trabalho estava feito.

Eu ainda precisava conversar com a menina e com o garoto, assim como precisava descansar e me recuperar de meus ferimentos, que apesar de não serem graves, me afetavam muito junto com o cansaço. Então decidi passar na Vila das montanhas e ficar ali alguns dias, antes de retornar oficialmente da minha missão.

Quando cheguei na vila, o chefe ao ver meus ferimentos, não fez perguntas e ofereceu sua ajuda. Pedi a uma das mulheres que cuidasse da menina por alguns dias e depois pedi por um quarto, comida e banho. O banho foi a minha primeira parada, assim como dos outros dois, depois nos reunimos na cozinha da estalagem, onde nós serviram muitos pratos deliciosos e onde comemos por quase uma hora, principalmente Eren.

Na hora de dormir, pedi ao recruta para dormir em outro quarto, pois com a barreira ativa, não tinha possibilidade de sermos atacados. Eu precisava urgentemente descansar e com ele me agarrando durante a noite, isso ia ser a última coisa que eu conseguiria fazer.

Dormi bastante, talvez até mais do que deveria. Quando acordei, ele estava em meu quarto, seu olhar estava fixo em meu corpo, enquanto eu dormia de barriga para baixo e sem camisa. Ao perceber que eu estava acordado, seu rosto corou e ele desviou o olhar... Ali estava o pirralho virgem e tímido, eu senti falta dele naqueles últimos dias.

— Gosta do que vê, pirralho? — perguntei em tom de diversão, sentindo-me tão descansado, ao ponto de poder brincar. Me sentei na cama e ele olhou discretamente ao meu peito. Antes de balançar a cabeça afirmativamente e recuar novamente seu olhar. Eu teria continuado a minha provocação, se não fosse ele dizer que eu tinha que ouvir uma coisa.

Notas finais
Até mais. :-)