Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
24 Nossa relação - Eren
Capítulo 24: Nossa relação — Eren
Narração do ponto de vista do Eren.
Assim que o Capitão e Mya saíram, Armin e Mikasa pularam sobre mim, me abraçando e fazendo-me gargalhar.
— Você parece ter crescido, isso é bom, pensei que estaria sendo maltratado — disse Mikasa, me apertando mais do que o necessário.
— Eu estou bem, mas não se continuarem me apertando assim — avisei ouvindo-os rir e se afastar.
Convidei-os para sentar em uma mesa que tinha na rua, já que não sabia se podia levá-los para dentro. Eles não pareceram se importar, então conversamos e rimos, como não fazíamos desde que nos separamos.
Fiquei sabendo que os dois estavam no mesmo esquadrão e que o responsável pelo seu esquadrão era um Major muito respeitado. Eles foram os recrutas de sorte, pois muitos queriam entrar para aquele esquadrão. Ambos já tinham uma posição fixa, mesmo sendo apenas recrutas, mas diferente de mim, eles ainda não haviam ido para uma batalha real.
Eles ouviram boatos sobre mim e sobre Rivaille, então estavam preocupados. Eles iam começar a falar o que tinham ouvido, quando o som de um cavalo se aproximando nos interrompeu. Ainda era cedo para o Capitão estar de volta, então não devia ser ele. Me levantei e segui até perto da entrada, vendo um homem acompanhado de mais três, chegar.
— Major! O que está fazendo aqui? — perguntou Armin surpreso. O homem de barba levemente branca assim como seu cabelo na altura do queixo, desceu do cavalo sendo seguido pelos outros, vindo até nós três.
— Eu soube que estavam usando sua folga para vir visitar seu amigo e resolvi vir fazer uma visita ao Rivaille. Ele está em casa? — disse se aproximando e para a minha surpresa, Armin se colocou em sua frente.
— O Capitão Rivaille não está em casa. Sinto muito Major, mas parece que perdeu a viagem — explicou com um sorriso. Eu conhecia bem o meu amigo, ao ponto de saber que ele estava nervoso.
— Nesse caso, faço uma visita ao recruta Eren Jaeger — disse-nos com um sorriso, enquanto Armin congelava seu corpo. Era isso que ele temia. Eu não era tão inteligente quando Armin, mas ao ouvir as palavras daquele homem, parecia que estava ouvindo Reiner falar, prova de que ele não era uma boa pessoa.
— Desculpe, Senhor. Mas não tenho permissão para receber ninguém na ausência do Capitão. E essa área é restrita, a não ser que tenha permissão do comandante Erwin Smith. O que eu acredito que não tenha, pois ele está com o Capitão nesse momento — disse seriamente, vendo a surpresa de todos.
Aquele negócio de área restrita, era algo que havia escutado por alto, mas sabia que era verdade e faria o que fosse preciso para colocar distância entre mim e aquele homem.
— Entendo. Então vou me retirar por hoje. Por que não vem visitar meu esquadrão qualquer dia, sua presença será bem vinda, pois minha área é de livre acesso — brincou dando um novo sorriso e subindo novamente em seu cavalo, partindo em seguida junto com os outros homens e nos deixando a sós.
Armin pediu desculpas e disse que sabia que o homem não teria dado permissão para eles saírem por nada. Mas que não esperava sua presença ali. Os dois não sabiam de nada sobre as pessoas que me queriam, mas eu já tinha percebido a inveja que tinham de Rivaille e o tanto que querem tudo o que lhe pertence.
Voltamos a conversar e brincar, enquanto Mikasa falava sobre que eu deveria tomar cuidado com Rivaille, pois ele poderia me atacar. Ao escutar tais palavras eu quase gargalhei, afinal, fui eu quem o atacou.
— Está ficando tarde, é melhor irmos. Eu vou pegar os cavalos — disse Mikasa, indo em direção ao celeiro e pegando os animais que estavam abrigados ali para descansar.
— Você parece bem. Estar perto daquele que ama, te faz feliz? — perguntou Armin com um sorriso malicioso. Ele sempre soube que eu admirava o Capitão e disse que o que eu sentia por ele não era só admiração. Nunca tinha entendido essas palavras, não até beijá-lo e estar em seus braços. Eu sabia que gostava dele, mas depois daquela noite de sexo, percebi que o amava.
— Ele é incrível, Armin — admite com um fraco sorriso. — Seu treinamento é difícil, suas habilidades de lutar são incomparáveis e sua expressão séria está sempre em seu rosto, assim como eu imaginava, mas... — Sorri um pouco mais antes de continuar.
— Ele se preocupa comigo. Me protege. E mesmo depois de saber sobre o meu segredo, ele ainda me permite estar ao seu lado. Está tudo perfeito, eu estou mais que feliz — confessei vendo surpresa em sua face, talvez pela felicidade que eu exibia ou pelo relato de que Rivaille sabia sobre meu segredo.
— Eren, ele realmente te faz feliz? Não está dizendo isso só para não nos preocupar, não é? — perguntou Mikasa que voltava e escutou parte de nossa conversa. Fiquei surpreso com suas palavras, que tinham preocupação ao invés de fúria.
— Não me olhe desse jeito. Eu sei que você não me ama... Então vou tratá-lo como um irmão e nada mais. Se você estiver feliz, por mim está tudo bem. Eu não tenho o direito de impedir a sua felicidade quando te fiz sofrer tanto — explicou falando sobre a época em que eles me temeram e no qual tive que ficar sozinho com meus monstros internos
— Eu estou feliz. Confie em mim — pedi vendo-os balançar a cabeça em concordância. — Obrigado Mikasa, por entender, cuide do Armin por mim — pedi ouvindo-a rir.
— Ei! Sei que sou fraco, mas não me trate como uma garota que precisa ser protegida! — disse Armin para a nossa diversão.
Mais algumas brincadeiras e depois Rivaille chegou. Eles foram embora, falando que não sabiam quando nos veríamos de novo e sem falar sobre os seus problemas, que eu tinha certeza que tinham, principalmente com um responsável como aquele. Após a despedida, ajudei Mya a guardar as coisas, que eram muitas, depois segui até seu quarto.
Antes que ele me falasse o que queria falar, relatei a presença do tal Major. — Ele não gosta muito de mim, mas nunca fez nem um movimento hostil... Parece que vou ter que ficar de olho em Theo Becker — disse sentado ao meu lado na cama, olhando fixamente para a parede em frente.
— O que queria me dizer?
— O comandante e eu falamos sobre as suspeitas que temos de Grisha e sobre o possível envolvimento dele em criação de meio humanos e meio bestas. Ele recolheu algumas informações que acho que deveria saber — explicou referindo-se ao fato dele ser meu pai.
— Grisha foi expulso do grupo que estudava as bestas, pouco antes de "desaparecer". Seus colegas deixaram relatado que ele falava sobre experimentos, algo que não devia ser feito, justamente pelo fato da suspeita sobre um experimento ter iniciado o problema das bestas.
— Ele voltou para Shiganshina e dizem que a última pessoa que o viu foi sua mãe e que eles tiveram uma briga, mas não se sabe o motivo. E foi descoberto que, não há uma linhagem Jaeger nesse país... Baseado nisso, achamos que seu pai veio de outro país, mas não sabemos de onde. Você já sabia de alguma dessas coisas?
— Não — afirmei ainda confuso. — O porão da minha casa, onde meu pai costumava me levar para dar as injeções, ainda deve estar lá... Será que há algo sobre ele naquele lugar? — perguntei falando sobre minha antiga casa, o lugar que deixei para trás desde os oito anos, quando perdi minha mãe e todos os demais habitantes de Shiganshina.
— Eu vou pensar sobre isso... Vá verificar seu equipamento, pois amanhã vamos treinar algo novo — disse encerrando a conversa. Fui ao meu quarto e trabalhei em minha arma pelas duas horas seguintes. Já passava das onze quando voltei ao quarto do capitão, depois de tomar banho e trocar de roupa.
Eu bati e depois da permissão, entrei. Após fechar a porta, pedi desculpas pela demora e deitei no meu lugar. Ele estava como sempre, de barriga para cima, olhando o teto e fiz o mesmo por muitos minutos, percebendo logo em seguida que estava nervoso em dormir na mesma cama que ele, afinal, nós tínhamos transado. Parece que a ficha finalmente caiu.
Virei meu rosto para encará-lo e percebi que seu rosto estava virado para mim. Desviei rapidamente o olhar, sentindo seu olhar mais intenso em minha direção.
— O que foi? — perguntou depois de um pouco de silêncio.
— É... um pouco estranho dividir a cama... depois de ontem — expliquei tentando esconder a vergonha.
— Você quer fazer de novo? — Ao ouvir suas palavras, a vergonha veio como um tsunami e invadiu meu rosto. Cobri-o com a mão e o ouvi rir. Foi um riso baixo, mas definitivamente era um riso. — Desculpe, estou cansado demais para ter energias para fazer sexo. Deixemos isso para um outro dia, quando ambos estivermos em boas condições — disse para a minha felicidade, tristeza, alívio e um pouco de decepção.
Saber que teria outras vezes, me deixava feliz e aliviado. Saber que não seria naquela noite, me deixou triste e decepcionado. Ouvi movimentação na cama e quando espiei por entre os dedos que ainda estavam em minha face, vi que ele tinha se virado de costas para mim, estava se preparando para dormir. Dei "boa noite" e recebi o mesmo. Me virei para o lado oposto e tentei dormi, mas o coração parecia querer me manter acordado, pois batia mais forte sempre que eu lembrava que ele estava logo ali ao meu lado.
Não resisti e me virei em sua direção aproximando-me e o abraçando, sentindo meu coração enfim se acalmar. Eu estava dependente da sua companhia, tanto quanto da sua proteção.... Em um momento como aquele, me perguntava o que iria acontecer se eu dissesse que o amava e que queria muito mais do que um sexo casual.
Fale com o autor