Notas iniciais
Estamos entrando no estágio final da história

Capítulo 47: Mudanças e respostas

Narração do ponto de vista de Erwin.

A hora marcada para a missão chegou, saí do quartel, montei o meu cavalo já preparado e comecei a cavalgar em direção a muralha que separava Shina de Maria. Passando pela divisa e seguindo em direção ao portão da cidade Maria, onde os demais me esperavam.

Durante o caminho, o dia começava a virar noite e eu podia presenciar as tochas e luzes da cidade se acenderem na medida em que eu avançava pelas ruas. Durante aqueles poucos minutos, debati internamente se tinha feito a decisão correta em chamar Rivaille...

Eu me sentia mais seguro com a sua presença, mas não podia negar que estava sendo egoísta, pois eu mesmo já tinha lhe dado um afastamento, algo que era bem merecido.

Naquele pouco tempo em que ele esteve longe das missões no exército, sua ajuda ao povo continuou e como prometido, suas ações foram reveladas aos cidadãos dentro das barreiras. O Marechal pretendia ganhar credibilidade para o exército com suas ações, mas aqueles que conheciam como o exército realmente era, sabiam que Rivaille não agia pelas ordens deles.

E por falar em Rivaille, ele e o garoto seguiam em um ótimo relacionamento e para a minha felicidade, esse ótimo relacionamento estava sendo compartilhado comigo. A confiança que eles tinham um no outro, eles também possuíam em mim e isso me deixava muito feliz.

Ainda me lembro da sensação confusa e de surpresa, quando o recruta Jaeger me fez revelações sobre ter o mesmo sangue daqueles que criaram as bestas e sobre o que tinha descoberto em um antigo diário. Apesar da surpresa, fiquei muito feliz com sua confiança. Ele, que era aquele a quem meu amigo tinha escolhido para compartilhar sua vida, estaria frequentemente presente em minha própria vida e suas ações me deixavam confortável em saber que podia contar com ele.

Naquela tarde em que conversamos, meu amigo estava fazendo compras na cidade, então nós conversamos sozinhos. Porém, o que poderia ter sido uma conversa tensa ou profissional, se tornou uma divertida confissão sobre o passado e conversas sobre o futuro.

Em relação ao passado, a possível presença do desaparecido Grisha Jaeger no laboratório, devido a sua bolsa encontrada por lá, foi mencionada e discutida. Tanto eu, quanto o garoto, quanto meu amigo Rivaille, sabíamos que aquilo não devia ser uma coincidência.

Eren Jaeger deixou claro que estava escondendo algo, mas não fiz questão de lhe pressionar para saber o que era. Apenas escutei suas teorias, que envolviam o seu pai e a possibilidade dele conseguir controlar as bestas.

De acordo com o que me foi relatado, os dois acreditavam que Grisha podia estar por trás de ataques como a armadilha na Vila Mo ou até mesmo o ataque nas montanhas, talvez feito em uma tentativa de testar Eren.

Quando esse assunto foi levantado, perguntei se o ataque a Shiganshina também pode ter sido intencional e o garoto admitiu que ainda não tinha parado para pensar nisso. Afinal, as bestas sempre atacavam quando uma barreira se quebrava, mas até aquele momento, ninguém nunca tinha pensado quê... assim como foi algo novo para os humanos, as barreiras se quebrando, também deveria ser algo novo para as bestas.

Talvez... Apenas talvez, aquele ataque não tenha sido algo feito completamente apenas pelas bestas... Quanto ao futuro, ouvi informações sobre as primeiras bestas, sobre as barreiras e sobre um ovo encontrado, ovo esse que eles iam usar em uma experiência. Foram tantas informações que sinceramente, mesmo eu, fiquei confuso por alguns segundos.

Depois de alguns minutos de cavalgada, cheguei ao ponto de encontro, onde as equipes me aguardavam.

— O Capitão Rivaille ainda não está presente — disse alguém dentre a multidão que me esperava.

— Rivaille está na sua base na cidade abandonada. Ele nos encontrará fora dos muros — expliquei em tom calmo, silenciando-os. Passamos pelo grande portão de ferro e saímos da proteção da barreira, do lado de fora, esperamos.

Enquanto os minutos se passavam, eles começavam a ficar impacientes enquanto resmungavam sobre o atraso de Rivaille. Quanto a mim, bom... não era a primeira vez que saía em uma missão com ele e sabia melhor que todos os presentes, que ele não era um exemplo quando o assunto era chegar na hora para uma missão.

Quase meia hora depois da hora marcada, ele apareceu entre nós, trazendo o recruta consigo. — Desculpe pelo atraso... Tive um dia agitado — explicou sorrindo discretamente.

Ao ver aquele sorriso estampado não só em seu rosto, mas também no rosto do garoto, eu podia facilmente deduzir o quê... ou melhor, "quem" tinha deixado seu dia agitado. Apenas acenei em compreensão e nada mencionei sobre suas atividades pessoais.

— Como combinado, você pode assumir o comando... Trabalho melhor com a mente do que com as espadas — disse ao meu amigo que afirmou, virando seu cavalo e olhando para os demais atrás de mim e que não haviam se pronunciado desde a sua chegada.

— Quantos de vocês aprenderam a usar o dispositivo de locomoção e podem usá-lo em um combate real? — Perguntou Rivaille, dentre os mais de quarenta homens e mulheres ali presentes, apenas três levantaram a mão, enquanto respondiam a sua pergunta.

— Três, hein... Sinto pena de Hange que fez tantos equipamentos para nada — ouvi seu comentário, antes dele chamar aqueles três e conversar com eles separadamente. Durante as instruções que ele passava. O recruta se aproximou de mim e com um sorriso me cumprimentou, antes de iniciar uma amigável conversa.

— Soube que a missão é investigar soldados desaparecidos na floresta densa e sei também que o Capitão tem interesse em saber o que tantos soldados faziam lá, mas aposto que o motivo pelo qual ele aceitou essa missão, é por que você também está indo — expôs seus pensamentos. Podia parecer uma queixa, mas eu já aprendi a lidar com ele e sabia que não era nada além de comentários honestos e sinceros.

— As vezes é necessário que eu saia e, confio apenas nele para garantir a minha segurança — expliquei calmamente, acrescentando: — Peço desculpas, por ter atrapalhado as suas férias.

— Tudo bem — disse sorrindo. — A propósito, queria fazer uma pergunta. Soube que se recusou a tentar usar o dispositivo, por quê? — A sua curiosidade parecia-se com a de uma criança e fazia-me achar graça.

— Jaeger! Não se dirija ao Comandante tão casualmente, você está falando com um superior! — disse um dos Capitães presentes.

Era verdade que podia ser considerado grosseiro e até desrespeitoso, mas eu gostava do modo como ele me tratava, era como um amigo e não um superior e é assim que eu queria ser tratado por ele, do mesmo modo que meu bom amigo Rivaille às vezes me tratava.

— Mesmo se aprendesse a lidar com a arma, isso seria apenas tempo perdido, pois raramente saio para lutar. As minhas lutas são mais internas do que externas — respondi ao garoto, ignorando o que foi falado atrás de mim e ele fez o mesmo.

— Entendi... Então vou fazer o meu melhor do lado externo e deixar o lado interno sob sua proteção — brincou fazendo referência ao fato de que assim como Rivaille, não podia fazer muito quando o assunto eram problemas que precisavam ser resolvidos com palavras ao invés de com lâminas.

—Conto com sua ajuda — respondi pouco antes de meu velho amigo voltar até nós.

— Eren, pare de conversar e assuma sua posição.

— Sim Senhor — respondeu rapidamente, se afastando e voltando ao serviço. Eu achava aquilo fascinante... Como eles estavam felizes na sua vida pessoal e não misturavam com a vida profissional. Sinceramente, chegava a invejar.

Começamos a nossa ida até lá, seguindo um padrão de avanço estabelecido por ele e um sistema de comunicação usando disparos de sinalizadores coloridos. Duas horas depois da nossa partida, fizemos a primeira parada. Sentei-me junto dos dois em uma pedra, sentindo o olhar de todos sobre nós, não que qualquer um de nós três se importasse muito com isso.

— Está sentindo isso?

— Sim, são duas — respondeu o recruta ao Rivaille, falando sobre algo fora do meu entendimento. — Eu vou cuidar delas — decretou o mais novo, se levantando e seguindo em frente, chamando a atenção de todos.

— O que ele está fazendo? — questionei levantando e me virando, vendo ele caminhar em frente, saindo na direção da área que antes eu estava dando as costas.

— Há duas bestas nos espreitando, mas elas não vão atacar pois estão relutantes devido ao grande grupo, então ele vai se afastar para dar a ela a chance de atacar — explicou o plano de ação que o recruta estava tomando, se levantando e também se virando para olhá-lo, parado ao meu lado.

Não demorou muito para as bestas lhe atacarem, saindo de um pequena floresta que havia ali perto. — Está tão escuro. Isso não será um problema?

— Não. Eren tem treinado para lutar durante a noite, ele não terá problemas — explicou-me com grande confiança. Poucos segundos se passaram e tudo o que podia ser visto era um movimento rápido e com giro no ar, antes dos dois animais caírem mortos no chão. A luz da lua não estava tão forte, mas foi possível presenciar todo aquele rápido confronto e... foi lindo.

— É incrível o quanto ele evoluiu. Seus movimentos tornaram-se refinados e assisti-lo em batalha, é algo lindo de de ver — admiti em tom baixo, olhando para meu amigo e vendo um sorriso em seu rosto, um sorriso de orgulho.

— Compreendo bem o que está dizendo... Adoro vê-lo em batalha — confessou meu amigo, olhando para o garoto que voltava triunfante com um olhar de puro carinho. Ao ver aquilo, percebi que finalmente, meu amigo estava vivendo a sua vida.

— Você parece feliz, então não preciso mais me preocupar — disse aliviado.

— Eu estou mais do que feliz — disse surpreendendo-me ao ver um rosto sério em sua expressão, enquanto ele dizia:

— Ele soube de todo o meu passado e me aceitou. Ele me confiou o seu passado sem hesitação. E ele faz questão de dizer o quanto gosta de mim, a cada dia que passa ao meu lado... Eu estou mais do que feliz, Erwin, sinto que estou sonhando e espero nunca acordar desde sonho — confessou se virando para mim e sorrindo, um sorriso que nunca vi em seu rosto, um sorriso em que mostrava que ele finalmente encontrou um motivo para seguir vivendo.

— Fico feliz por você, Levi — disse tocando suas costas em um rápido cumprimento, apesar de estar surpreso com o fato do garoto já saber de tudo. — Mas essa aliança aí é bem chamativa, talvez os problemas apareçam logo — lembrei-o ao olhar na direção da sua mão, na qual uma aliança de ouro estava exposta, uma aliança igual aquela que havia visto na mão do garoto quando ele veio falar comigo, ainda em frente ao portão dos muros da cidade Maria.

— Problemas surgem com frequência. Um a mais ou um a mesmo, não fará muita diferença — disse com tranquilidade. Eren chegou até nós e recebeu um elogio do seu Capitão, o que pareceu deixá-lo feliz.

— Capitão Rivaille, estamos prontos para seguir — Avisou Mikasa Ackerman, uma das três pessoas que tinha dominado o equipamento, ainda pertencente ao grupo de Becker que também estava presente...

Por que eles estavam ali? Era uma boa pergunta. Eu ainda não sabia como ele estava agindo, mas já tinha provas sobre os seus planos que estavam sendo executados com o comandante da Polícia do Interior e não iria demorar muito para que ele tivesse decretado o fim da sua carreira militar.

Notas finais
Até mais. :-)