Capítulo 48: Besta nível três?

Longas horas de viagem se passaram e finalmente chegamos na floresta densa. As informações que eu tinha sobre aquele lugar eram limitadas, assim como as informações da própria missão.

A ordem que o comandante recebeu foi de montar um grande time e ir investigar a floresta densa... Investigar o quê? Aparentemente a própria floresta, que dizem "devorar homens", prova disso são os mais de sessenta soldados que desapareceram nessa área só no último ano.

Aparentemente o Marechal acredita que "algo" de errado esteja acontecendo nessa floresta. Se bem quê, que ela tem algo errado, isso é mais do que óbvio.

Sendo que eu estava no comando, decidi fazer tudo do meu jeito, para evitar que qualquer problema inesperado surgisse. Então, em vez de ficar vagando pela floresta em meio as árvores e o que quer que tenha causado o desaparecimento dos soldados, resolvi seguir até a grande cidade abandonada. Naquela cidade que estivemos antes, para que a equipe do Major Solaren investigasse uma estranha construção que parecia ser de uma idade diferente das demais existentes na localidade.

Adentramos em uma das mansões abandonadas e fizemos dela a nossa base temporária, ali, montei vários grupos de cinco ou seis homens e fiz com que todos fizessem patrulhas frequentes, e que qualquer informação obtida fosse relatada a mim imediatamente.

Também ordenei que aqueles que não estavam trabalhando, não deveriam deixar a área da mansão. Por quê? Bom, não queria que Becker destruísse nada, como tinha feito com o laboratório da outra vez, não só ele, como qualquer outro era um perigo a minha investigação, já que eu não confiava em mais ninguém além de Eren e Erwin.

Dois dias se passaram e os únicos relatos que obtive foram de barulhos estranhos vindos de dentro da floresta e nada mais, nem mesmo o relato de avistamento de uma besta... Isso não era um bom sinal.

Estava sentado na mesa de um grande refeitório, alguns soldados estavam espalhados em outras mesas, mas sem me importar com a presença deles, apoiei meu cotovelo na mesa e minha cabeça na mão, descansando por alguns minutos. Acordei quando senti uma mão em minha testa, medindo a minha temperatura... Não era preciso ver para saber quem era, seu toque era facilmente reconhecível.

— Estou bem. Vá dormir, Eren.

— Não consigo dormir quando estou preocupado com você. Descanse um pouco — pediu em um tom que parecia implorar. Não estava vendo seu rosto, mas eu podia imaginar a sua expressão séria e preocupada, a mesma que eu via frequentemente.

Abri meus olhos e ele estava sentado ao meu lado. — Descanse um pouco. Faça isso por mim ou ficarei preocupado — explicou com palavras calmas e baixas para que só eu ouvisse. Contra um argumento como aquele, não havia como retrucar. Concordei e segui com o garoto até Erwin que recebia um relato no salão de entrada e mandava os soldados trocarem de turnos com o próximo grupo.

— Alguma novidade?

— Nem uma — respondeu-me o meu amigo. — Vai a algum lugar?

— Vou descansar um pouco... Pedido especial — expliquei vendo-o rir discretamente e olhar para Eren antes de fazer um leve aceno de cabeça, algo como: "Obrigado, por fazer esse teimoso ir descansar". O meu recruta devolveu o aceno com um sorriso divertido. Algo, como: "Tudo bem, já estou acostumado com isso".

Eles eram tão honestos em suas ações que eu podia praticar "ver" o que diziam, e apesar de ficar feliz em ver meu melhor amigo se dando bem com meu marido, não podia negar que sentia um pouco de ciúmes. Embora nunca fosse admitir isso para nenhum dos dois.

Deixei que o comandante ocupasse meu lugar e fui dormir um pouco... Seria melhor se meu pirralho estivesse lá para me abraçar, mas não se podia ter tudo o que queria. Embora eu não gostasse de dormir sozinho, estávamos em uma missão, era hora de trabalhar, e não namorar... embora a tentação de fazer os dois, era grande.

Não sei quanto tempo dormi, mas acordei com Eren me chamando. Sabia que por ele ter me mandado dormir, se chegou ao ponto de vir me chamar era porque algo tinha acontecido. Me coloquei de pé imediatamente e enquanto vestia meu equipamento, que tinha tirado para dormir mais confortavelmente, ele me explicou.

No último relatório recebido, algumas árvores foram encontradas derrubadas, árvores que estavam bem até o dia de ontem. Devido a estranheza da situação, era melhor ir investigar pessoalmente. Devido a isso, depois de alguns minutos, eu, Eren e mais três soldados fomos até lá para investigar.

Ao ver as árvores caídas, algo me chamou a atenção debaixo de uma delas. — Vocês, voltem para a mansão e esperem mais ordens — pedi rapidamente. Eles pareceram não entender, mas acataram a minha ordem, afinal, a autoridade me foi dada pelo próprio comandante.

— O que você encontrou? — perguntou-me o meu recruta, assim que eles estavam longe o bastante para não nos ouvir. Peguei as minhas duas espadas e usando-as, cortei um pedaço de uma árvore e depois dei um chute, tirando aquele pedaço do tronco do lugar onde tinha caído, o lugar onde tinha uma marca no chão.

A marca no chão, era uma pegada de besta, mas... a pegada tinha quase um metro de largura e de comprimento, seu tamanho devia ser enorme, muito mais do que uma besta de nível dois.

— Existe uma besta nível três ou algo assim? — perguntou surpreso, com os olhos fixos naquele formato.

— Não que eu saiba, ao menos eu nunca vi... Mas, nós sabemos da existência de algumas bestas que nunca vimos.

— As doze primeiras? — completou o meu raciocínio, tentando ver se tinha chegado até a resposta certa.

— Elas tem dezenas de anos de vida. Seu tamanho deve ser maior do que uma besta de nível dois — expliquei a minha teoria. Trocamos mais algumas palavras, até que Eren olhou em uma direção, surpreso, e um rugido alto soou pela floresta.

— Merda! Ela sentiu o cheiro do meu sangue! — disse ele ativando sua arma e subindo para o topo das árvores. Não estendi o que estava acontecendo, mas fiz o mesmo que ele, saindo do chão e vendo uma enorme besta aparecer naquele local alguns segundos depois.

— Enorme! — disse o recruta incrédulo. "Não diga!", pensei sarcástico. Se uma besta de nível dois era do tamanho de uma casa, essa besta era do tamanho de quatro casas juntas, duas casas em baixo formavam o seu comprimento e com mais duas casa em cama, tínhamos a sua altura.

— O que quis dizer com ela sentiu o cheiro do sangue? — perguntei preocupado, pousando em um galho algo, ao seu lado.

— Ela acha que eu sou o cientista que a criou, praticamente me xingou e disse que dessa vez vai me matar — disse ele, especificando ter ouvido algo que eu não fui capaz de ouvir. — Vamos matá-la?

— Tem certeza que preciso dar uma resposta?

— Acho que não. Fico com a parte de cima — avisou com um sorriso.— Entendido — afirmei pulando da árvore e caindo em cima da fera, chamei a sua atenção para mim e depois disso, passei por baixo dela, por entre suas patas e cortei-as... o meu objetivo era fazer ela cair e Eren lhe cortar a cabeça, mas sua recuperação era muito rápida, tanto, que no momento em que a lâmina saía da ferida causada, o início da própria ferida já começava a se curar.

Tentei outras maneiras para imobilizá-la, mas não foi possível. Não havia outra escolha, além de atacá-la diretamente. Depois de ter gastado mais da metade do meu gás e de Eren ter me ajudado a tentar encontrar um ponto fraco e ambos falharmos, decidimos atacar juntos.

Com isso decidido, cada um de nós foi para um lado diferente, usando o gás em sua potência máxima para fazer vários movimentos entre as árvores e fazê-la perder a nossa posição. Depois de coordenar nossos movimentos, nós dois avançamos contra ela e atacamos juntos o seu pescoço, com as quatro lâminas juntas, conseguimos cortar por completo, fazendo sua cabeça se separar do pescoço e ela morrer.

Assim que caímos no chão, junto com a cabeça da besta, uma grande quantidade de sangue espirrou em nós dois, fazendo Eren vomitar. Era a primeira vez que ele fazia isso em batalha, devia ser pelo cheiro forte do sangue ou pelo nojo de estar coberto com aquele resíduo. Quanto a mim, estava mais preocupado com o meu gás que tinha acabado.

Caminhei até Eren e dei alguns tapinhas em suas costas enquanto ele colocava para fora a sua última refeição. Quando terminou, nos afastamos da besta e ele retirou o seu casaco, usando-o para tentar limpar seu rosto, o que não deu certo, pois o pano estava ainda mais sujo que ele.

— Espere — pedi enquanto ainda caminhamos, pegando um lenço que tinha no bolso e que estava limpo e usando para tirar a maior parte do sangue em seu rosto. — Tudo bem? Precisa vomitar de novo? — perguntei preocupado. Seu rosto estava pálido, mesmo com as manchas e respingos vermelhos, era fácil ver isso.

— Estou bem... eu acho... Desculpe por isso — pediu parecendo envergonhado.

— Sem problemas. Vamos voltar para a mansão e tomar um banho, deve haver água suficiente para nos limpar — dei-lhe a boa notícia, pois tínhamos encontrado um poço no dia anterior e muitos barris de madeira foram trazidos para usarmos na nossa higiene enquanto estávamos ali.

— Sei que agora não é a melhor hora para isso... E para ser sincero, nem quero conversar. Mas... ela morreu fácil demais — expôs a sua preocupação, enquanto eu abraçava-o pela cintura e o ajudava a andar.

— Não posso ter certeza, mas pela sua movimentação e pela falta de proteção enquanto estava sendo atacada, acho que ela não encontrou muitos humanos, ou os que encontrou, matou rapidamente, não entrando em uma luta difícil... Sua experiência em batalha era quase zero.

— Tem alguma notícia boa?

— Sim — afirmei enquanto continuava a apóia-lo para andar. — Agora só faltam 11 — respondi, vendo um pequeno sorriso de compreensão em seus lábios.

Notas finais
Até mais. :-)