Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
49 O Marechal e mais problemas?
Capítulo 49: O Marechal e mais problemas?
Quando chegamos na mansão, expressões chocadas nos observavam, provavelmente, devido ao sangue que nos cobria.
— Rivaille, o que houve? — questionou o comandante.
— O problema com a floresta era um besta que acreditamos ser uma espécie de nível três... Seu corpo está onde fomos investigar, mande uma equipe voltar a cidade Maria e trazer o Major Solaren e a equipe de investigação — instrui ainda segurando o recruta, pouco antes dele se afastar e cambalear para longe e voltar a vomitar. Por sorte ainda estávamos na rua.
— Eu dou mais explicações depois, no momento, nós precisamos de um banho — encerrei sem querer responder as dezenas de perguntas que eu sabia que iriam vir muito em breve. Caminhei até Eren e afaguei suas costas o mais gentil que conseguia.
— Desculpe... — disse novamente, visivelmente envergonhado. Eu não podia culpá-lo, pois o cheiro era tão forte que mesmo eu estava levemente incomodado e além disso, ficar coberto de sangue conseguia desencadear lembranças desagradáveis, era uma sorte ele estar só vomitando, em alguns casos podia levar ao desmaio.
— Eu já assegurei que não há problema. Vamos. Tomaremos um banho antes que comece a botar para fora o que comeu na semana passada — brinquei vendo-o rir discretamente. Abracei-o novamente pela cintura, mas dessa vez, também passei seu braço por meu pescoço, praticamente carregando-o enquanto ia para dentro da residência.
Ignorando olhares de nojo, surpresa e até curiosidade, fomos direto ao meu quarto, onde já havia um pouco de água que eu mesmo havia buscado no dia anterior. No banheiro, tiramos o equipamento e as roupas sujas e nos limpamos, usando a pouca água que tínhamos a nossa disposição.
Eren foi o primeiro a sair, não queria ficar no mesmo recinto que as roupas sujas, então "fugiu" o mais rápido possível. Eu fiquei para trás para usar a água já suja, para limpar um pouco as roupas e nosso equipamento, embora estivesse longe de ficar descente e em uso, era melhor do que deixar do modo como estavam anteriormente.
Saí alguns minutos depois e encontrei-o deitado na cama, ainda vestindo apenas a toalha, assim como eu estava naquele momento. Seus olhos estavam fechados, mas pela respiração controlada, ele não estava dormindo, estava tentando se acalmar. Apoiei um dos joelhos na cama e subi em cima dele, deitando sobre seu corpo e encarando seus olhos, agora abertos, com meu rosto em frente ao seu.
Suas mãos subiram até ficar em minha cintura e sua força me puxou para baixo, atendendo seu pedido, me abaixei e permiti que sua boca tocasse a minha. Alguns dias sem dormir juntos e sem as costumeiras carícias, e o garoto parecia mais carente que o normal.
— Capitão Rivaille, mensagem urgente... — disse um dos soldados abrindo a porta e entrando, vendo o nosso beijo e a posição nada inocente na qual estávamos, assim como a falta de roupa que naquele momento poderia ser um problema. — Uma mensagem enviada pelo Marechal acaba de chegar, por favor, siga o protocolo e desça imediatamente — pediu constrangido pelo que presenciou e saindo.
Saí de cima de Eren e após me vestir na parte de baixo, desci ainda sem camisa. Assim como o soldado havia ignorado o que viu devido a mensagem, eu precisava ignorar o fato de ter sido interrompido e ir ver a mensagem o mais rápido possível... Se eu ofendessse diretamente o Marechal, seria o meu amigo que teria que arcar com as consequências.
Quando cheguei até o salão de entrada onde estavam muitos reunidos, alguns se surpreenderam ao meu ver sem camisa, mas todos eles me olhavam com um olhar de suspeita... O motivo, era obviamente o soldado que foi me chamar, e que estava completamente vermelho, mostrando que certamente viu algo diferente em meu quarto.
Havia um grupo vestindo um uniforme como o nosso, mas com um capa vermelha sobre seu corpo. Eles eram os mensageiros do Marechal e traziam uma carta para mim. Em frente a todos, peguei a carta e comecei a lê-la, sentindo a presença de Eren atrás de mim alguns segundos depois, já vestido.
— Rivaille, coloque uma camisa — pediu em um tom levemente irritado. Tirei a minha atenção do documento alguns segundos e vi aquela expressão em seu rosto... Ciúmes.
Sorri discretamente e permiti que ele me ajudasse a vestir a camisa social que tinha trazido. Passei um braço pela roupa e depois o outro braço. Em seguida, segurei o documento ao lado de meu corpo com uma mão, permitindo que ele fechasse os botões para mim.
— Algum problema?
— Talvez sim, talvez não — sussurrei no mesmo volume, enquanto ele fechava os últimos botões e dava uma rápida olhada para o que eu estava lendo.
O Marechal era uma figura misteriosa que nos últimos anos se recusava a falar com pessoas de fora, além dos seus mensageiros. Mesmo Erwin já não o vê há uns três anos. As suas ordens continuam vindo e há algumas pessoas com quem ele conversa, como Becker. Mas devido a sua ausência e as suas "amizades" sempre que seu nome é mencionado ou uma ordem sua é emitida, eu já espero um grande problema.
— Rivaille... Eu conheço essa letra — disse Eren surpreso, tão surpreso que o volume da sua voz nem mesmo foi controlado e as palavras pronunciadas, saíram altas o suficiente para que aqueles mais próximos pudessem ouvir.
— Tem certeza? — Um simples aceno de cabeça foi a sua resposta. — Quem? — questionei, vendo-o se aproximar e sussurrar em meu ouvido aquele nome. Mantive a expressão neutra, mas estava surpreso, muito surpreso.
Com aquelas duas palavras, muitos mistérios foram solucionados em minha cabeça, mas muitos outros surgiram. Disse aos mensageiros que iria escrever uma resposta e pedi que esperassem enquanto voltava ao meu quarto, levando o garoto comigo.
Ao chegar no quarto, peguei papel e caneta e comecei a escrever, sentado na cama e apoiando a folha atrás de um velho livro. Eren deu a volta na cama e subiu nela, vindo até mim e me abraçando pela cintura, enquanto se ajeitava para sentar atrás de mim. Assim que senti seu corpo atrás do meu, me escorei nele e seu queixo repousou em meu ombro.
— Capitão, os mensageiros pedem que se apresse... Devo... dizer algo a eles? — perguntou outro soldado, entrando no meu quarto e encarando a cena com olhos assustados.
— Eu sou assim tão velho, que o costume de bater na porta antes de entrar, não existe mais? — perguntei ao Eren, que fuzilou o soldado com os olhos, tão irritado quanto eu.
— D-desculpe a intromissão! Vou pedir a eles para esperar mais um pouco! — avisou saindo e fechando novamente a porta.
Em momentos como aquele, sentia vontade de trancar a porta, mas devido a emergências que podiam surgir, durante as missões, não era aceitável querer privacidade. Terminei de escrever a minha resposta, explicando o que tinha sido encontrado na floresta e que a criatura estava morta... E mesmo que tivesse certeza que não era uma coincidência a mensagem ter chegado assim que nós a encontramos e a derrotamos, eu nada podia provar e por isso, nada podia fazer.
A mensagem foi entregue aos mensageiros e eles partiram, depois disso esperamos a equipe do Major Solaren chegar e levei os homens que tinha trazido, de volta para a cidade Maria. Durante as pausas na viagem, expliquei ao comandante sobre o documento mandado a mim, o que Eren tinha dito e minhas suspeitas. Ele disse que iria juntar essa informação as suas investigações e deixamos de lado esse assunto... por enquanto.
Os meses restantes de nossas férias se passaram, o nosso ano de férias acabou e tivemos que voltar ao trabalho. A nossa primeira "missão", era a tal reunião para falar sobre as bestas, no qual lhes dei as informações relacionadas as fraquezas das bestas, focando na descoberta sobre que apenas as doze primeiras bestas podiam gerar filhos e claro, não mencionando o assunto referente ao ovo, ao livro ou o sobrenome dos antepassados de Eren.
Com essas informações, eles decidiram usar a carcaça da besta morta, para tentar descobrir mais sobre elas e as demais onze primeiras bestas, elas foram oficialmente chamadas de "bestas nível três" e todos os soldados da Tropa de Exploração, receberam a ordem de priorizar a morte de tais bestas.
Deixamos o ovo de lado, mas Eren estava frequentemente "falando" com ele e vendo se possuía reações, enquanto eu fazia uma missão atrás da outra e a nossa vida na base da cidade abandonada, seguia de modo corrido, tão atarefado e sem tempo, que mesmo algumas horas de sexo pareciam ser impossível de se conseguir. Essa rotina durou um mês, até que o meu pirralho resolveu priorizar a satisfação do desejo sexual ao invés de nossas missões.
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