Perfeitos um para o outro... Ou quase isso

42 Meu passado - Levi - Parte 03


Capítulo 42: Meu passado — Levi — Parte 03

— Meu nome certamente assustaria alguns, mas atrairia muitos problemas, então se quiser me chamar por ele, faça isso só quando estivermos sozinhos — expliquei, deitando no sofá ao seu lado, vendo-o se ajeitar para me dar espaço e permitindo que ambos ficassemos de frente um para o outro.

Deixei meu braço esticado para que ele pudesse apoiar a cabeça e depois que se arrumou, dei-lhe uma rápida explicação sobre o sobrenome Ackerman que dizem ser de guerreiros fortes e o fato de muitos terem esse sobrenome, mesmo não sendo da mesma família, continuando a minha história logo em seguida.

— Fui identificado e capturado. Fiquei preso em uma cela e esperei pela decisão dos juízes. Depois de três dias de debates, fui sentenciado a morte, mas na noite que antecedeu a data marcada para a minha execução, alguém veio me resgatar.

— Ele era um soldado, um pouco mais jovem do que eu e tinha acabado de virar tenente. Esse soldado era Erwin Smith.

— O comandante te resgatou? Por quê? — perguntou o pirralho visivelmente surpreso.

— Erwin acreditava que o que eu fiz, não foi exatamente errado, apesar dos métodos que usei... Mesmo que tivesse matado pessoas, ele considerava justiça e não assassinato, ainda mais quando todos que matei, realmente mereciam morrer.

— Naquela noite que deveria ser a minha última. Erwin me disse que se eu quisesse mudar o exército, salvar pessoas e evitar tragédias como a que aconteceu comigo, eu deveria lutar de um modo diferente. Sendo que ele salvou minha vida e que eu estava cansado de viver daquele jeito, resolvi confiar naquele jovem.

— A cela na qual eu estava preso, foi incendiada para acobertar a minha fuga e a culpa pelo incêndio criminoso foi colocada sobre aqueles que me odiavam pelas vidas que tirei. Passei um tempo escondido e durante esse tempo investiguei Erwin de minha própria maneira enquanto ele tentava me convencer a entrar para o exército e ajudá-lo na sua "luta contra o mal".

— Depois que percebi que ele era uma boa pessoa, resolvi ajudá-lo em seus objetivos. Ele conseguiu me registrar no exército usando a influência do seu pai que era juiz na época e que hoje já é falecido e consegui esconder meu verdadeiro nome, sendo conhecido apenas como "Rivaille"... Assim começou a minha estadia no exército, isso faz um pouco mais de dez anos.

— Quando conheceu Hange? E quando decidiu fazer sua própria arma? — perguntou curioso.

— Hange era minha amiga de infância. Nós nos conhecemos através de nossos pais que faziam negócios uns com outros. Ela entrou para o exército antes de mim, então por algum tempo, foi meio que minha superior. Erwin pediu a ela para que me aceitasse no seu esquadrão, antes que ele pudesse me atribuir a outro lugar.

— Ela sempre esteve em seu laboratório, mas quando a conheci ela também ia a campo para testar as armas que criava contra as bestas. Passei tanto tempo ouvindo sobre seus equipamentos que acabei criando interesse em criar a minha própria arma, então com a ajuda dela, criei o meu dispositivo de locomoção.

— Logo depois comecei a ser enviado para mais missões e assim que aprendi a controlar completamente o meu dispositivo, me tornei Capitão. Hange continuou sendo tenente e decidiu parar de ir a campo, preferindo focar experiência na defesa ao invés de ataque... Ela tem tentando desvendar o segredo das barreiras e está tentando encontrar um método de recriá-las ou criar algo que sirva para o mesmo propósito — expliquei sobre minha velha amiga, vendo sua compreensão ao entender.

— Sabe... não é que eu não esteja gostando da sua reação, mas está tudo mais tranquilo do que eu esperava — comentei vendo-o rir, um sorriso pequeno e simples, mas que continha verdadeiro divertimento e felicidade.

— Eu não sou uma pessoa tão boa, afinal, já matei antes — começou sua explicação, parecendo se lembrar de momentos desagradáveis. — E eu te amo, então estou preparado para amar qualquer parte sua, até mesmo seu passado que não presenciei... Para completar, seria uma mentira se eu dissesse que nunca suspeitei do que poderia ter te acontecido antes de entrar no exército...

— Você já deve ter ouvido falar daquela expressão que algumas pessoas dizem, sobre que "se um olhar matasse, eu poderia estar morto" que refere-se ao fato de algumas pessoas olharem para outras com intenções assassinas.

— O que tem isso? — perguntei enquanto tentava entender onde aquilo ia acabar.

— Bom... O seu olhar para aqueles que te irritam é parecido, mas uma definição mais precisa, seria algo como: "Se fosse alguns anos atrás, você estaria morto" ou "Se tivesse permissão para te matar, já teria feito isso há muito tempo".

Ao ouvir suas palavras, não consegui evitar sorrir. Apesar da explicação dele ser mais uma brincadeira do que a realidade, ele estava bem próximo do que eu verdadeiramente pensava em momento como aquele que ele estava descrevendo.

— Parece que sou mais fácil de se ler do que imaginei — comentei, realmente me divertindo com todo aquele assunto.

— Não se preocupe, existem poucas pessoas com coragem o suficiente para te encarar nos olhos por tempo o suficiente para ver alguma coisa — completou também sorrindo e fazendo-me rir.

Estava satisfeito com toda aquela interação e um pouco decepcionado comigo mesmo, pois meu propósito em trazê-lo até ali, era fazê-lo esquecer aquele último incidente e falar sobre a verdade envolvendo o meu passado. Queria fazê-lo sorrir e lhe confortar, mas no fundo era ele que estava fazendo isso.

Só agora tinha percebido que Eren era aquele que mais tomava as iniciativas, não só no quesito sexual, mas também em conversas, em brincadeiras e praticamente qualquer interação entre nós. Mesmo que eu o amasse, parecia sempre estar hesitante quando o assunto era lidar com ele.

Aquilo precisava mudar e agora não havia nada mais que pudesse assombrar a minha mente, pois ele sabia de tudo. Abracei-o pela cintura, puxando seu corpo para perto do meu e beijei-o para a sua surpresa. Eu não queria forçá-lo a nada, mas sabia que se ele não quisesse, seria honesto em me deter, pois era assim que Eren Jaeger era.

Continuei beijando-o, sendo retribuído com calma e interesse. Me afastei depois de alguns segundos, olhando para seus olhos em busca de qualquer desconforto, mas encontrei apenas tranquilidade.

— Não precisa ser tão cauteloso... Eu ainda vou sofrer muito tempo com o que aconteceu e ainda quero treinar muito para que aquilo nunca mais volte a acontecer, mas não vou me martirizar por estar vivo. Eu sobrevivi, e vou aproveitar a chance que ganhei estando ao lado daquele que amo — explicou-me com um pequeno sorriso, voltando a me beijar e segurando em minha nuca, enquanto fazia um pequeno carinho ali.

— Vamos para o quarto? — sugeri me afastando poucos centímetros. Ele sinalizou que "sim" e deixamos o sofá para trás. Andamos até o quarto de mãos dadas e assim que entrei no recinto, fechei a porta atrás de mim e a tranquei, pois diferente da pequena Mya que não nos atrapalhava, naquela casa tinha um monte de gente intrometida, os mesmos que estavam nos observando no sofá, escondidos atrás da parede, que eu podia sentir desde o momento em que mandei-os dormir...

Deveria ter desconfiado que eles saíram fácil demais.

— O que foi?

— Nada de mais, só pensando... E por falar em pensar, eu não trouxe lubrificante, o que fazemos? — Perguntei puxando-o para que pudesse abraçá-lo pela cintura. O meu recruta sorrindo, abraçou-me pelo pescoço e abaixou sua cabeça alguns centímetros para que pudesse me beijar, explicando em seguida:

— Você não trouxe, mas fui eu quem fez a nossa mala e não podia deixar isso de fora — Seu sorriso era divertido e malicioso, até me surpreendi.

— Você já estava com a intenção de aproveitar ao máximo essas três semanas, não é? — provoquei dando um beijo em seu pescoço.

— Ficar três semanas com você, sem treinamento, sem missões e sem preocupações... Eu seria louco se fosse desperdiçar uma chance dessas! — afirmou sorrindo mais abertamente e voltando a me beijar.

Fiquei surpreso com aquela afirmação, mas fiquei muito feliz. Eren estava superando o acontecido com mais facilidade, isso mostrava que ele tinha crescido um pouco desde que tinha vindo morar comigo. Eu sabia que por dentro ele ainda estava sofrendo e que não esqueceria o que presenciou por muito tempo, mas ele queria seguir em frente e se queria fazer isso ao meu lado, iria estar lá para ele.

Seja abraçando-o se precisasse chorar, seja beijando-o para tentar confortá-lo, ou amando-o enquanto estávamos na cama. Se podia ser a luz para a sua escuridão, seria com prazer, pois era isso o que aquele pirralho era para mim.

Notas finais
Até mais. Não se esqueça de deixar o seu comentário. :-)