Perfeitos um para o outro... Ou quase isso

54 Grandes conquistas, pequenos gestos


Capítulo 54: Grandes conquistas, pequenos gestos

Narração do ponto de vista de Erwin.

O tempo passou rápido. Durante o Primeiro ano da viagem daqueles dois, nem mesmo tive notícias deles, mas depois as notícias começaram a vir. A cada dois meses eu recebia uma mensagem, que dava-me um relatório.

Eles vinham para a cidade para pegar diferentes tipos de suprimentos, mas vinham e iam tão rápido que ninguém lhes via. Aqueles poucos que falavam com eles, eram o pessoal da base na cidade abandonada, que crescia a cada dia mais. Crescia por quê? Porque os dois continuavam salvando pessoas e as levavam para aquele lugar.

Homens eram treinados por Levi e Eren ainda longe daqui e depois eram deixados naquela base, junto com suas famílias. Nos três anos que se seguiram, a base da cidade abandonada, foi chamada de "Cidade dos desprotegidos" e só era permitido morar ali se o próprio Rivaille lhe trouxesse, os demais eram considerados inimigos. Talvez fosse um pouco extremo, mas era o mínimo que podia ser feito para evitar aproveitadores, afinal, existiam muitos em situações parecidas, mas nem todos realmente mereciam tal ajuda.

As pessoas dentro das grandes cidades lhes deram nomes como "heróis" e "guardiões do povo"... e mesmo que eles ainda fossem soldados, suas ações foram completamente separadas das do exército. As pessoas os viam como salvadores e não assemelhavam mais a sua imagem ao exército que se encaminhava a cada dia mais para rumos que me faziam sentir vergonha de estar nesse lugar.

Mas felizmente, quando se tratava do exército, nem todas eram pessoas ruins e alguns realmente se importavam com a vida de outros. Um bom exemplo disso era Hange que continuava as suas pesquisas sobre a barreira. Não tenho certeza do que continha naquele livro que Rivaille deu a ela, mas suas pesquisas evoluírem muito nos últimos anos.

Hange me explicou que as barreiras eram feitas com energia, a energia da vida das bestas, como se sua energia vital fosse um tipo de bateria... Ela estava atualmente procurando algo que pudesse substituir essa bateria. Embora pudesse ser algo complicado para pessoas leigas nesse assunto, como eu. Podia ser visto a sua evolução e mesmo que demorasse mais alguns anos, eu tinha certeza de que ela iria atingir o seu objetivo e que um novo tipo de barreira seria criado.

— Comandante, uma mensageira pede permissão para entrar — avisou alguém parado do lado fora da sala onde acontecia uma reunião. A permissão foi dada e logo a jovem entrou.

— Olá, Mya. Como vai? — cumprimentei assim que a vi. Tinha crescido e se encaminhava para se tornar uma bonita adolescente.

—Vou bem, tio Erwin — respondeu sorrindo e vindo até mim, ignorando os demais... Ela deve ter aprendido isso com meu amigo. — Rivaille está de volta a sua base e pediu para que arrumasse uma reunião com o Marechal. Os detalhes estão aqui — disse ela, assim que chegou ao meu lado, entregando-me um envelope que nem mesmo estava lacrado. Como sempre, Rivaille tinha muita confiança na jovem.

Peguei a carta e me despedi dela, lendo e permanecendo calmo, apesar das palavras que li ali escritas... Depois de tanto tempo de planejamento, finalmente era hora de começar a limpeza e o Marechal seria o primeiro lixo retirado. Sabendo o que viria a seguir, dei a reunião por encerrado e mandei a mensagem ao Marechal, dizendo que o Capitão Rivaille tinha assuntos urgentes para tratar com ele, referente a missão de matar bestas nível três que lhe foi entregue.

Levou uma semana para um de seus mensageiros me trazer uma resposta, mas logo a reunião foi marcada. Não fiz questão de lhes acompanhar até a casa do Marechal e resolvi ficar no meu escritório, preparando-me para o que viria a seguir.

Narração do ponto de vista de Eren.

Vestindo nossos uniformes, seguimos sendo escoltados até uma bonita casa. Lá, fomos levados a um grande escritório. Nesse escritório havia um homem, escondido por uma cortina em frente a sua mesa... Aquele era o Marechal.

— Qual é a emergência, Capitão Rivaille? — perguntou uma voz que representava ser velha, enquanto a sombra do homem parava de escrever e olhava em nossa direção.

— Eu tenho uma denúncia séria a fazer — Se pronunciou meu marido, parecendo calmo, diferente de mim. — Nesse tempo em que estivemos em missão. Fomos constantemente vigiados e acreditamos que seja pela mesma pessoa que muitas vezes nos atacou no passado de diferentes maneiras.

— Há alguma prova, Rivaille?

— O envolvimento do Major Becker e do comandante da Polícia do Interior foram comprovados através das investigações do comandante Erwin Smith. Há provas de que eles tentaram me sabotar ou me atacar em diferentes ocasiões... Quanto ao terceiro responsável, não podemos provar — disse com olhos sérios em direção a sombra.

Apesar de não poder ver claramente, por um momentos, pensei ter visto a sombra sorrir. — O terceiro homem esteve nos vigiando e tem mais interesse em nos estudar e testar do que matar, mas ele não deixa de ser uma ameaça as nossas vidas. É uma pena que não podemos provar, afinal, quanto maior o seu cargo, maior a sua autoridade, não é, Marechal?... Se é que deveria te chamar assim...

— E do que eu deveria ser chamado? — perguntou em um tom que soava como diversão.

— Grisha Jaeger... Ou devia dizer, "pai"? — cuspi as palavras com desdém, ouvindo uma risada. Pouco antes da voz se pronunciar, não a voz do velho, mas aquela voz que era muito nostálgica e que no presente momento, fez meu coração se dilacerar.

— Não seja assim, filho. Não foi essa a educação que sua mãe lhe deu — após dizer isso, ele saiu de trás das cortinas e se mostrou a nós. Estava mais velho, seu cabelo e barba eram uma mescla de preto e branco, mas apesar de ser velho, não era tanto quanto o Marechal deveria ser.

— Como se atreve a falar da mamãe, cretino! — disse quase partindo para cima dele e sendo segurado por Levi. Ao lembrar do relato de que meus pais haviam brigado antes do ataque a Shiganshina, eu podia deduzir que ela tentou impedi-lo e aquele homem não ouviu seus apelos. Ele não merecia a mulher que tinha, minha mãe era boa demais para ele.

A postura daquele homem era reta e ele não parecia estar nervoso ou preocupado em ter sido descoberto. Na verdade, provavelmente sabia que não poderia se esconder de nós por muito tempo.

— O que entregou a minha identidade? A minha letra na carta que Eren viu? Alguma informação no livro deixado pelo velho cientista Kirin? Ou deixei alguma pista para trás? — questionou curioso, olhando para Levi.

— Tudo isso e um pouco mais... É difícil para alguém desaparecer do dia para a noite. A não ser, que ainda estivesse por aqui. E seus movimentos contra nós, não foram realmente sutis. A sua intenção em testar Eren e a mim, era praticamente clara em suas ações — disse Levi.

— Quanta cooperação, capitão Rivaille. Você é um ótimo genro — brincou sorrindo maliciosamente de um jeito maléfico.

— Não posso perder o meu controle. Prometi a minha adorável esposa, que faria você nos contar toda a verdade, antes de te dar de comida para as bestas — explicou, fazendo-me acalmar um pouco a minha raiva.

Levi estava ali, eu não precisava me apressar. Aquele homem teria o seu fim, assim como Becker e qualquer outro que me ferisse, pois Levi me amava e cuidava de mim.

— Veremos quem será comido pelas bestas — disse dando um estalar de dedos e fazendo uma parede explodir atrás dele. Em meio a explosão, ele fugiu e estávamos poucos segundos depois, cercados por bestas que surgiram ao nosso redor.

Notas finais
Até mais. :-)