Perfeitos um para o outro... Ou quase isso

55 Vamos seguindo, um dia de cada vez


Notas iniciais
Este é o último capítulo. Não se esqueça de deixar o seu comentário sobre a história. :-)

Capítulo 55: Vamos seguindo, um dia de cada vez

Estar rodeado de bestas, não era uma novidade e mesmo sem estar com nossas armas, nós conseguimos sair com vida. Poderíamos agradecer aqueles anos de viagem, por ter melhorado nossas capacidades de combate sem o dispositivo de locomoção. Mesmo Eren estava muito melhor nesse tipo de combate.

Depois de alguns minutos, as bestas estavam mortas e uma grande comoção surgiu dentro da mansão. Mas não lhe demos atenção e saímos pela janela, por que pela janela? Bom, Eren saiu por ali e eu só o segui. Era visível em seus olhos que ele sabia de alguma coisa.

Seguimos em meio a um jardim cheio de árvores, encontrando em seguida Grisha e Júnior, sentado em cima dele. A besta que era tão bela quanto um leão, mas possuía todo o corpo na cor preta, as vezes agia como um pequeno cachorro.

— Bom garoto! Te darei um javali inteiro amanhã — chamou Eren, a besta balançou a cola e correu até ele, liberando o velho Jaeger que estava sangrando devido a um ataque de suas unhas.

— Você domesticou uma besta, sem o uso de remédios... Como esperado, você possui essa habilidade — disse o homem se levantando com dificuldade e ficando de frente para nós.

— Levi, mate-o — pediu meu marido, olhando friamente para o homem em sua frente.

— Entendido — Com essas palavras eu já não precisava mais me conter. Avancei até ele e finquei uma pequena faca em seu pescoço, faca essa que sempre carregava comigo... Um velho hábito de um ex-assassino.

Após a morte do homem, olhei para Eren e ele estava de joelhos no chão, Júnior encostava o focinho em sua cabeça como se quisesse confortá-lo. Andei até lá, me ajoelhei em sua frente e o abracei, sentindo suas lágrimas enquanto ele me abraçava... No fundo, ele ainda tinha esperanças de que nossas suposições estavam erradas e que seu pai não fosse o nosso inimigo... Um pensamento inocente.

Levei-o para casa e mandamos a besta fugir. O resto ficou sob a responsabilidade de Erwin que expôs todas as provas que tinha juntado durante aqueles anos de investigações. Não só aqueles três do alto escalão, como todos os demais corruptos foram expostos, e o "lixo" foi finalmente posto para fora.

Claro que alguns tentaram jogar a culpa para cima de mim, mas eu e Eren deixamos o exército e deixamos que os miliares se virassem sozinho. Erwin daria seu jeito, pois aquele era seu campo de batalha.

Muitos meses e discussões foram necessárias antes que todos fossem punidos pelos seus crimes e mesmo assim houve casos em que não houve punição, afinal, sempre acontecessem casos assim.

Mas a notícia boa é que Erwin pulou algumas patentes e se tornou Marechal. Mesmo com algumas pessoas podres sob seu comando, com ele de olho em todos, as coisas finalmente começariam a ir em um bom rumo... E um exercíto com o qual as pessoas podiam contar apareceu e eu esperava que durasse muito tempo.

Antes de voltar para a nossa caça às bestas, resolvemos tirar novas férias, com a diferença de que não fomos para lugar algum, apenas ficamos entre aqueles que podíamos chamar de amigos ou família e aproveitamos a sua companhia. Mya foi aquela que mais sentiu nossa falta e a que mais gostou da nossa presença ali, era como uma filha carente de atenção. Por vários dias, ela não desgrudou de nós.

Não revelamos nada sobre os problemas do exército e nem sobre a besta "Júnior" ou outras habilidades de Eren, pois certas coisas deviam ser mantidas em segredo. A fera se escondeu na floresta e as vezes Eren ia vê-la.

Permacecemos assim por um longo ano, não querendo voltar para a vida de batalhas e ao mesmo tempo, sabendo que por mais que quiséssemos evitar, não podíamos fazer isso. Motivos não faltam para que só nós dois pudéssemos realizar aquele trabalho. Mesmo que não fosse mais uma missão "oficial" ainda iríamos cumpri-la, mas não pelo exército, e sim, pelas pessoas que precisamos proteger.

No aniversário de vinte e dois anos de Eren, toda a cidade comemorou e uma grande festa foi feita. Embora todos lhe dessem os parabéns, ele só se sentiu bem quando continuamos a comemoração dentro da base, agora só entre os mais chegados.

— Rivaille, vamos dormir — chamava Eren atrás de minha cadeira, onde eu estava sentado, ele estava abaixado e me abraçando por cima dos ombros. — Está com medo de não conseguir acompanhar o meu ritmo — debochou me provocando.

— Que língua afiada, pirralho. Você está bem corajoso recentemente — disse tomando o meu chá, enquanto todos nos observavam, a maioria com sorrisos de diversão no rosto, mas alguns, obviamente surpresos.

— Se não subir, vou te atacar aqui — sussurrou em meu ouvido. Os demais não ouviram essa provocação, mas o sorriso malicioso dele, deixava claro qual era a natureza das suas palavras.

Me levantei e me virei para encará-lo, que enfim havia me soltado. Aquele pirralho cresceu tanto e ao mesmo tempo, parecia ser o mesmo garoto.

— Tudo bem, vamos — disse olhando-o seriamente e intensamente. — Nina, deixe preparado o seu melhor remédio para dor, pois meu marido vai precisar dele pela manhã — disse sorrindo maliciosamente para Eren, e ouvindo algumas pessoas atrás de mim rirem ao entender a verdade por trás de minhas palavras.

— Pensando bem... Acho que vou dormir no quarto da Mya hoje — disse Eren, saindo calmamente. Quando ele passou em minha frente, segurei em seu braço e impedi a sua retirada, ouvindo os risos aumentarem de intensidade.

— Aonde pensa que vai, pirralho?

— Vou ali fora tomar um ar e já volto — sorriu de nervoso, porém não lhe dei tempo para fugir. Apareci em sua frente e peguei-o no colo, derrubando-o sobre o meu ombro e começando a andar em direção às escadas enquanto ele se esperneava como uma criança.

Não lhe dei atenção e sob risos divertidos, deixei a área das refeições, indo ao quarto e só lhe soltando quando chegamos no quarto, jogando-o na cama. — Ai! Seja mais delicado ou vamos quebrar a cama — reclamou se sentando, mas não permiti que ele o fizesse, empurrando-o para que deitasse novamente e deitando sobre si.

— Dúvido que essa cama resista até o amanhecer... É hora de fazer bom uso da sua rápida recuperação e da sua grande energia e resistência — avisei beijando-o e sentindo suas mãos me abraçarem pelo pescoço.

— Sei que estou sendo ameaçado, mas isso é realmente excitante... Acho que sou um pervertido — disse-me entre os beijos.

— Eu já sei disso há muito tempo — avisei voltando a lhe beijar, dessa vez de maneira mais intensa e não permitindo que outras palavras saíssem de sua boca.

Ao abrir meus olhos, senti o seu costumeiro abraço em minha cintura e sua respiração perto de meu pescoço. Estávamos deitados de lado e eu usava o seu braço de apoio para minha cabeça. O seu braço esticado, estava com a mão aberta e minha mão estava dentro da sua. Ambas estavam no sol que entrava pela janela e devido a isso, eu podia ver a aliança em minha mão que reluzia com o raio solar.

Naquele momento, lembrei do passado, de quando conheci Eren e da sensação que eu tinha de que minha vida não seguia em frente e que o tempo estava parado. Essa sensação sumiu com o passar dos anos, agora, eu sentia como se ele andasse rápido demais. Pois os momentos ao lado do garoto, pareciam voar em uma velocidade impressionante.

Naquele tarde, sentamos no gramado que foi cultivado por Nina e observamos os outros levarem suas vidas enquanto aproveitamos um dia a mais na companhia um do outro, um dia a mais em que conseguimos sobreviver e podíamos nos amar.

Eu estava escorado em uma árvore, sentado, enquanto Eren estava deitado em minha frente, escorado de costas em meu peito e sendo abraçado por mim.

— Levi... Quantos anos você tem? — perguntou de repente. Suspirei com a curiosidade e persistência que só aumentava com o passar dos anos e respondi:

— Em dois meses, foi fazer 38 anos.

— Dezessete anos, hein... você é mais velho do que parece — riu com a nossa diferença de idade.

— Arrependido?

— Nem um pouco — respondeu ainda calmo.

— Eren, obrigado por me amar — agradeci sendo honesto. Embora eu tenha retribuído o seu amor, pelo que me lembrava, nunca tinha lhe agradecido.

— Sou eu quem deveria dizer essa palavras — comentou, erguendo seu corpo e se sentando, virando para trás após apoiar sua mão no chão. — Obrigado por me amar e por favor, fique ao meu lado pelo resto da vida — pediu sorrindo e se aproximando para me beijar, um beijo calmo e sem luxúria, apenas cheio de amor.

Toquei seu braço com minha mão, sentindo ali a pequena cicatriz da sua primeira batalha ao meu lado e sorri, dizendo em pensamento que não iria a lugar algum para longe dele, pois não queria vê-lo machucado, seja física ou mentalmente. — Você terá que me aguentar por muito tempo — avisei segurando em seu rosto e lhe beijando.

— Criança passando — disse Mya ao passar ao nosso lado, era seu modo de nos lembrar que estávamos em público, apesar dela já não ser mais uma criança. Ambos rimos e Eren voltou a se deitar em meu abraço.

Naquele tempo ao meu lado, ele cresceu muito e aprendeu muito comigo, mas também aprendi muito com ele. Pois ser amado e amar, era o melhor jeito da vida te ensinar tudo o que há de bom e tudo o que pode te acontecer de ruim...

Não que as partes ruins tenham me afetado, afinal, eu era Levi Ackerman. Além de um pirralho de olhos verdes, extremamente tentador e as vezes inocente, não havia ser vivo no mundo que pudesse ser páreo para mim.


FIM.

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