Capítulo 51: Esse é o nosso dia a dia

A viagem da base na cidade abandonada até a muralha Maria, foi cansativa para as crianças, mas nem uma delas reclamou, sabendo que era necessário. Mesmo que os pequenos não entendessem a complexidade do mundo dos adultos, eles entendiam que as vezes precisamos fazer o que não queremos, a fim de sobreviver.

Já na base segura, começamos o planejamento para receber aquelas pessoas. Encarreguei Nina de ajudar Mya com a comida e o serviço que agora iria aumentar e designei Tony e Riran para serem babás.

As outras cinco crianças eram ainda menores que Mya e não eram tão espertas quanto ela, na verdade, a explicação mais justa seria que ainda eram muito inocentes. E como não queria que os outros vissem o treinamento dos dois, iria deixá-los fora de ação por algum tempo, de preferência nem mesmo iria revelar que eles tinham um dispositivo.

Juntando o útil ao agradável, decretei que as crianças fossem mantidas no segundo andar e no terceiro andar e que eles cuidassem delas. Quanto ao fato dos quartos que ficavam no andar superior, tomei uma decisão sobre isso também.

Alguns dias depois eles chegaram, todos com patentes de Capitão e acima, e ficariam por uma semana, devido ao fato de que não podiam se ausentar por muito tempo de suas responsabilidades... Embora na minha opinião, uma semana já era bastante tempo para pessoas com cargos dessa importância se ausentarem de seus grupos.

Eram vinte deles no total, e infelizmente Erwin não estava entre eles, afinal, seu trabalho não lhe permitia se ausentar por nem sequer um dia. Quanto aos que estavam presentes, existiam aqueles que me viam como um modelo a ser seguido, outros eram neutros e outros me detestavam, como Becker... Sinceramente, parecia uma maldição, do tipo: "Quanto menos eu quero vê-lo, mais tenho que aturar a sua companhia".

Eu lhes acompanhei para dentro e apontei para o primeiro andar, explicando em poucas palavras:

— Os banheiros ficam ali, naquela direção fica a cozinha e nem um de vocês tem permissão para ir até lá. Aqui faremos as refeições — disse parado em meio ao refeitório.

— Por que não podemos ir para a cozinha? — perguntou alguém.

— Por que minha cozinheira não gosta de outros soldados — respondi seguindo para a sala ao lado, era uma espécie de sala para visitas, que eu tinha meio que reformado e feito um dormitório. Os sofás e demais móveis foram retirados e em todo o espaço agora tinham várias cama de solteiro, que peguei dos restantes dos quartos não usados e os coloquei ali.

— Por que não podemos ficar nos quartos? — perguntou outro.

— Por que não confio em vocês — disse de modo frio, olhando para aquele que me fez a pergunta e depois acrescentando enquanto olhava os demais. — Há pessoas sob minha proteção aqui e não quero que eles se machuquem, por isso vou manter o olho sobre vocês, mesmo durante a noite. Minha casa, minhas regras. Se estão descontentes, vão embora. Para aqueles que vão ficar, vão para fora, vamos treinar.

Após terminar, eles me seguiram sem dizer nada. Aquelas pessoas ali, possuíam em sua maioria cargos muito mais elevados que o meu, mais minhas conquistas e experiência no campo de batalha, eram maior do que a de todos eles juntos. E por mais que quisessem me responder, devido ao motivo de estarem ali, certamente não podiam fazer isso.

Naquele dia, praticamos luta, todos juntos. Quanto ao meu recruta, ele não participou do treino. Durante aquele primeiro dia, Eren ficou com as crianças, explicando-os sobre não descer ao primeiro andar e instruindo os dois a não agir de maneira impensada, mesmo em casos de emergência. Quando se tratava em agir sob pressão, meu recruta era um veterano.

Depois do banho, todos estavam no quarto, cada um em sua própria cama. Alguns lendo, outros observando e alguns até mesmo já dormindo. Já passava das dez da noite quando ele chegou. Sem cumprimentar nenhum dos presentes, ele veio direto até a minha cama e se sentou ao meu lado.

— Você montou uma cama de solteiro de propósito para nós, não é? — perguntou enquanto tirava as suas botas, usando seu cotovelo para esbarrar no meu braço.

— Nem todo mundo tem uma mente tão pervertida como a sua — expliquei enquanto virava a página do livro que estava lendo. Era um livro escrito pelo próprio Eren, mais especificamente, uma espécie de "tradução" envolvendo a criação das barreiras e os termos ali usados. Ele fez isso para que eu desse a Hange, em uma tentativa de ajudar com a criação de defesas contra as bestas.

Eren terminou de tirar as suas botas e depois tirou a sua camisa, assim como fazia quando estava quente, depois deitou-se na cama e se ajeitou para dormir. Terminei de ler o livro e tirei minhas botas, deitando ao seu lado logo depois.

Fiquei de costas na cama, enquanto Eren estava virado de costas para mim e de lado na cama. — Vocês vão dormir juntos? — ouvi a voz de alguém perguntar. Sem nem sequer me dar ao trabalho de ver quem havia falado, respondi:

— Somos casados, onde achou que Eren iria dormir? — A minha resposta lançou uma pergunta que ninguém ousou responder, enquanto eu apenas pensava que aquele era o primeiro dia e já estava com vontade de matar todos eles.

Virei-me de costas para Eren e não demorou muito para que o pirralho me abraçasse pela cintura, como fazia todas as noites, para a surpresa dos presentes que parecia nos furar enquanto éramos observados.

— Rivaille, quantos anos você tem? — perguntou o meu pirralho chamando a minha atenção e daqueles mais próximos que podiam facilmente ouvir qualquer palavra que fosse dita entre nós. Me virei em seu abraço e fiquei com minha face frente a sua, encarando seus olhos e abraçando-o também.

— Por que isso agora?

— Nada demais, é que estava conversando com as crianças e eles estavam discutindo entre si sobre quem era o mais velho. E enquanto eu ouvia eles falarem sobre idades, percebi que ainda não sabia sobre a sua, então resolvi perguntar — explicou-me sobre algo que havia acontecido naquele dia.

— Não vou dizer.

— Por quê, não? — Ele estava visivelmente mais curioso do que bravo com a minha recusa.

— Por que não quero te dar um motivo para querer o divórcio — expliquei ouvindo-o rir.

— Idiota! Como se eu fosse querer um absurdo desses — disse entre risos se aproximando de mim, me dando um beijo na boca e se virando. Aproximei-me mais de seu corpo e tentei dormir, ignorando os olhares em nossa direção e tentando não rir ao imaginar a expressão surpresa que eles deviam estar fazendo.

No dia seguinte, após o café da manhã, todos descansaram e depois voltamos ao treino, dessa vez Eren se juntou a nós. E por um pedido dos demais, ele foi o meu primeiro adversário... não demorou muito para que as quedas começassem.

— De pé — ordenei calmamente, depois do quinto tombo.

— Sim senhor — disse o meu recruta, se levantando e assumindo uma posição de luta, apesar da dor aparente que estava sentindo. Quando se tratava de treino, eu nunca pegava leve com ele, pois sabia que meu marido podia suportar, pois ele era aquele que escolhi para estar ao meu lado. Mas claro, sempre estava atento para quando ele chegava no limite.

Eren atacou com um soco que eu bloqueei e depois de tentar me chutar, derrubei-o novamente. — De pé — disse novamente e o processo se repetiu por mais algumas vezes, até que mandei-o ficar de pé e ele não o fez.

— Onde está doendo? — perguntei me agachando para falar com ele, que estava sentado e sem coragem de levantar. — Tudo — respondeu fazendo aquele bico fofo de criança.

— Qual parte está mais dolorida? — corrigi a minha pergunta.

— Costas — explicou enquanto eu lhe oferecia uma mão e o ajudava a levantar. Já de pé, fiz com que se virasse para mim e avaliei os estragos ao levantar a sua camisa.

— Não está tão ruim. Alguns pequenos hematomas que vão sumir em alguns dias. Por hoje, descanse, amanhã volte a treinar.

— Entendido — assentiu indo para dentro de casa, Mya iria cuidar bem dele.

— Alguém irá se voluntária para assumir o lugar de Eren? — Como resposta, todos mexerem as cabeças em sinal negativo. Em alguns deles que eram mais emotivos, eu podia imaginar pelas suas expressões, o que estavam lhe passando pela cabeça.

"Se ele trata o marido dele desde jeito, qualquer outro sairá do treino em uma maca!"... Ou algo do tipo.

Durante o resto daquele dia, eles treinaram entre si e não pratiquei com mais ninguém. Os outros não estavam tão a vontade com a ideia de ficar com alguns hematomas, não tanto quanto Eren que já estava acostumado com essa rotina. No dia seguinte iríamos praticar algo diferente do combate, mas não fiz questão de lhes informar isso.

Na hora do banho, devido ao fato de só ter três chuveiros, entravam um pouco por vez, fiz questão de não entrar junto com Eren, pois a tentação seria demais para suportar, mas como eu esperava, aquele garoto travesso não ficaria sem aprontar.

Enquanto eu tomava banho, ele entrou no banheiro e sob o olhar surpreso dos outros dois que estavam ali naquele momento, ele retirou suas roupas e veio até o meu chuveiro. Eles eram separados por uma divisa e não havia porta, então não foi difícil me alcançar.

Ele me abraçou pelas costas e disse: — Cheguei!

— Não diga!... Se não tivesse me dito eu nem teria percebido — disse com sarcasmo, tentando terminar de tirar o sabão do corpo, sendo difícil com ele colado contra mim. — Você sabe que tomar banho juntos, sempre resulta em sexo, então por que está aqui?

— Por que será? — retrucou usando de sarcasmo como eu tinha usado. Respirei fundo e toquei seu braço para que me soltasse e pudesse então me virar para encará-lo.

— Você realmente é um pervertido. Como pode pensar em sexo quando temos tantos olhos sobre nós?

— É justamente devido a tantos olhos sobre nós — explicou tocando o meu pescoço e me puxando para um beijo. — Quero que todos saibam que você é meu e que eu sou seu, para que parem de tentar nos separar — completou seriamente, após uma pausa no beijo que logo foi desfeita.

Aceitei seu beijo e segurei em sua cintura, colando seu corpo ao meu e sentindo sua excitação em minha barriga. Desci uma de minhas mãos até suas nádegas e depois levei-a até a fenda entre elas, forçando um de meus dedos a entrar dentro dele e ouvindo-o gemer entre o beijo.

Seus braços rodeavam o meu pescoço e uma de suas pernas estava se levantando pouco a pouco para me dar um pouco mais de espaço. Afundei mais o meu dedo dentro de si e sem estar lhe beijando, o gemido saiu alto e claro. Além de ouvi-lo, escutei também o barulho de algo caindo no chão, chamando a minha atenção para os outros que ainda estavam ali nos chuveiros ao lado.

Embora eles não pudessem ver nada do pescoço para baixo, não era difícil imaginar o que estávamos fazendo. Prova disso era que um deles estava completamente vermelho e o outro incrédulo.

— Saíam — disse sério, olhando para os dois com um olhar mortífero. Não queria que ninguém pressencissse aquele momento íntimo. Eren queria mostrar que éramos realmente casados e depois do que eles viram, isso foi provado, agora o restante era um ato particular.

Ele mordeu levemente meu pescoço, fazendo um pequeno gemido deixar meus lábios. Um gemido que quase soou como um rosnado devido a minha raiva com os dois espectadores. — Agora! — disse em tom mais alto, parecendo trazê-los de volta para a realidade. Os dois se enrolaram na toalha e rapidamente saíram após pegar suas roupas, nem esperando para vesti-las antes de sair.

Com o barulho da porta, ouvi uma risada do garoto e ao olhar seu rosto, lá estava o sorriso travesso. Aquele pirralho! Eu estava entre a vontade de lhe morder por inteiro ou de lhe dar umas palmadas, embora, tenho certeza... ele iria gostar do que quer que eu escolhesse.