Perfeitos um para o outro... Ou quase isso
39 As decisões de Levi - Parte 02
Capítulo 39: As decisões de Levi — Parte 02
— Está mais calmo? — questionei quando ele se afastou o suficiente para que eu visse seu rosto e seus olhos inchados. Ele apenas balançou a cabeça minimamente, parecendo não querer falar.
— Quero que mantenha algo em mente... É um fato que pessoas morreram sobre sua proteção e isso não pode ser apagado, mas o fato de que graças a sua presença algumas delas viveram, também deve ser lembrado — expliquei tocando meus lábios nos seus e depois puxando-o para um abraço, trazendo sua cabeça para que se encostasse em meu peito.
— E não se preocupe com nada... Ninguém vai afastar você de mim novamente e temos um tempo de folga, então não se preocupe com nada e apenas descanse — pedi aproveitando para matar a saudade do seu calor.
— O que te custou, para conseguir tudo isso?
— Nada com o que precise se preocupar e nada muito importante, eu garanto — afirmei, não querendo preocupá-lo, embora do meu ponto de vista, eu não tenha dito nada além da verdade.
Fiquei tanto tempo ali com ele que Eren acabou pegando no sono. Sentindo seu abraço em minha cintura, não pude evitar lembrar daquelas semanas sem aquele contato e do quanto senti sua falta.
Não queria sair dali e não teria feito isso, se a porta não tivesse se aberto e por ela não tivesse passado Erwin. Ele não disse nada, apenas fez sinal para que eu saísse pois queria falar comigo. Suspirei tristemente por ter que sair dali e com cuidado para não acordá-lo, saí da cama. Saindo do quarto em seguida, na companhia do comandante e vendo que todos os outros ainda continuavam ali.
— Eren não vai ver ninguém, vão embora. Principalmente vocês dois. Nem mesmo eu quero vê-los, agora — disse aos dois "amigos" do pirralho, vendo a culpa em seus olhos. Eu não iria perdoá-los pelo que fizeram, mesmo se Eren algum dia lhes perdoasse.
— E quanto a vocês... Não é uma boa ideia se aproximarem do Eren agora, ele ainda está se sentindo culpado pelas mortes daqueles que não pode proteger, a presença de vocês só vai agravar isso — expliquei calmamente para aquela que eu lembrava ser a esposa do chefe da cidade das montanhas.
— Entendo, nós vamos nos retirar. Entretanto, gostaria que transmitisse uma mensagem nossa a ele. Lhe agradeça por ter salvo nossas vidas e por não ter nos abandonado. Além disso, diga a ele que meu marido preferiu salvá-lo a viver, pois sabe que Eren pode fazer muito bem ao mundo caótico e assustador que cerca as pessoas comuns como nós — encerrou a sua mensagem, sendo acompanhada pelas crianças e os dois rapazes.
Com eles, os dois traidores também partiram, deixando apenas nós e a pequena. — Eren está dormindo. Eu cuido dele por agora, pode ir para casa descansar e seria bom se sentasse e conversasse com eles sobre o meu trabalho e as duas bases, faça o mesmo que Eren fez com você quando veio morar conosco — instrui para ela que acatou sem fazer perguntas.
— Você sabe que não posso contratá-los, não é? Não se trata apenas de uma criança dessa vez — lembrou-me meu bom amigo.
— Eu vou levá-los comigo para fora da cidade Maria. Morando na cidade abandonada, eles não precisam estar trabalhando comigo para viver sob meu teto — expliquei em poucas palavras os meus planos.
— Soube que aceitou as condições que lhe impuseram, desculpe por não poder fazer nada contra isso... A propósito, como está o garoto? Acha que ele vai superar? — disse escorado na parede, enquanto eu estava escorado na porta.
— Não se preocupe com o acordo, foi o melhor a ser feito. Eles finalmente conseguiram o que queria e eu ganhei muito em troca. Sobre o Eren... Ele vai se recuperar, talvez não imediatamente, mas eu conheço-o bem e sei que não vai me decepcionar — expliquei calmamente.
O corredor do hospital estava vazio, deixando o silêncio quase sempre frequente, exceto quando um de nós se pronunciava: — Veio aqui para mais alguma coisa? Ou só para saber como ele está?
— Vim agradecer ao Eren. Graças a ajuda dele, consegui algo importante que pode ser usado contra Becker no futuro, assim como outros do alto escalão. Se eu conseguir mais algumas provas, poderemos fazer uma limpa no exército e jogar o lixo para fora — explicou parecendo empolgado.
— Aja sacos de lixos para caber todos — brinquei fazendo-o rir e acompanhando-o por alguns segundos. Ele logo teve que voltar aos seus deveres e eu voltei para perto do meu recruta, sentando na cama ao seu lado e sendo imediatamente abraçado.
No dia seguinte, Eren recebeu alta do hospital e fomos para a base, lá ele conversou com os sobreviventes da cidade das montanhas e eles lhe trataram muito bem. Mesmo as crianças que perderam suas mães e entre queridos, sabiam que Eren as protegeu, mesmo que não tivesse conseguido fazer o mesmo com os outros.
Depois disso ele se fixou no treinamento, treinando, correndo e praticando. Tive que brigar com ele para descansar, pois se deixasse por sua conta, treinaria até desmaiar.
Aquele era o seu "luto" era o modo de seguir em frente, ele queria ficar mais forte para que aquilo não acontecesse novamente. Eu entendia o sentimento, realmente podia compreender, mas se deixasse que ele continuasse assim, ele iria se destruir. Fiquei na base por uma semana, enquanto tinha assuntos a resolver, nesse tempo permiti ao Eren fazer o que quisesse, mesmo que tudo o que ele desejasse fazer era treinar.
Durante esses poucos dias, fiz as tais apresentações para um grupo pequeno de soldados, expliquei-lhes o máximo que podia em uma semana e deixei que eles repassassem o que tinham aprendido aos outros, isso era o máximo que podia fazer, já que, o treinamento com aquela arma era difícil e demorado e eu sabia, mais da metade dos soldados não conseguiria usá-la, pois querer usar e conseguir usar, era diferente.
Aproveitei também para fazer algumas preparações em Shina, avisando que passaria um tempo por lá. Fui até Hange, pedir a ela dois novos equipamentos para que eu pudesse dar aos dois rapazes que estarão morando comigo e nós aproveitamos e conversamos um pouco. Ela me pediu desculpas por estar construindo os dispositivos de locomoção sem a minha permissão e eu a perdoei, pois no fim, ela só estava seguindo ordens.
Nem todos tinham a mesma coragem que eu, para dizer "dane-se" para as pessoas que pagam o seu salário.
Por fim, conversei com eles, os sobreviventes. Eles não poderiam ficar dentro das cidades, então iria levá-los para a base na cidade abandonada. Aquelas terras não eram de ninguém e fiz delas o meu segundo lar, então não importava quem ou quantas pessoas iam morar comigo.
— Devo deixar essa questões clara. Lá não há barreiras e vivemos com o perigo de ser atacados a qualquer momento. As vezes eu e Eren vamos precisar nós ausentar no futuro, então vocês terão que ficar sozinhos. E como não posso sustentá-los de graça, todos terão o seu trabalho. Vocês dois vão aprender a lutar — esclareci para os dois jovens e os demais que estavam sentados na mesa e ainda de pé, em frente a eles, continuei.
— Vocês podem ir para outra cidade se quiser. Mas não posso garantir que alguém vai lhes acolher. Garanto que irão ter o que comer, onde morar e segurança enquanto eu estiver por perto, mas há riscos e dificuldades.
— É melhor do que não ter onde morar. Agradeço sua oferta e a aceito — disse a esposa do falecido chefe, olhando para os dois garotos, que aceitaram sem reclamações. Na situação na qual eles estavam, o que eu estava fazendo por eles, era mais do qualquer outro faria.
— Certo. Com esse assunto encerrado, gostaria de avisar que eu e Eren vamos nos ausentar por três semanas. Nesse tempo, vocês devem permanecer nessa base e não sair para ir a lugar algum. Vocês tem comida o suficiente e pedi a um velho amigo para lhes trazer algumas roupas, por enquanto, devem se virar com elas — expliquei indo em direção as escadas.
— Podemos saber onde estão indo, ou seria grosseria perguntar? — foi honesta a pequena Mya.
— Algo próximo de uma viagem de lua de mel — respondi fazendo a pequena rir.
— Então, finalmente resolveu assumir para todos que estão juntos? — perguntou com um sorriso divertido, confirmando as minhas suspeitas de que ela já sabia de nós, apesar de não se pronunciar a respeito, afinal... não era como se tentássemos esconder de todos, ao menos em casa, agimos de modo normal.
— Isso é um problema para vocês? — perguntei ao ver os três adultos me encarando surpresos. A mulher que tomou para si a liderança do pequeno grupo, no lugar do seu marido, sorriu e disse: — Desculpe, apenas fiquei surpresa. Não temos problema contra o seu relacionamento. Espero que a viagem ajude Eren a melhorar.
— Também espero — disse dando um suspiro. Apesar de eu chamar de lua de mel, talvez nem pudéssemos namorar durante aquela viagem. Eu não ia exigir qualquer contato, não até Eren estar bem para isso.
— Respondendo sua pergunta Mya. Eu nunca quis esconder o meu relacionamento com o Eren, mas será um problema se algumas pessoas descobrirem, então vamos manter isso apenas entre nós — expliquei, olhando também para os outros residentes da casa e vendo-os afirmar, eles deviam entender.
Ao chegar no quarto, peguei Eren terminando de arrumar uma pequena mochila com algumas roupas minhas e suas.
— Para onde vamos? — questionou cheio de curiosidade.
— Para a cidade Shina. Para a minha casa que fica lá, mais especificamente — expliquei sentando na cama ao lado da mochila que ele fechava. — Vou te mostrar um pouco mais de mim e fazer você perceber a idiotice que fez quando aceitou ter esse relacionamento comigo — encerrei vendo um pequeno sorriso em seus lábios.
Apesar de ser pequeno, me alegrava ver um sorriso ali. Eu queria usar aquelas três semanas para fazer o sorriso voltar ao seu rosto, enquanto aproveitava para falar a ele a verdade sobre mim. Queria que ele soubesse que eu o amava e que estava disposto a qualquer coisa para continuar tendo-o ao meu lado, mesmo que fosse preciso revelar todo o meu passado obscuro.
— Vai ser a nossa primeira viagem de lazer juntos, estou ansioso, mais do que esperava estar... Obrigado por isso — admitiu sorrindo brevemente de novo e fazendo um sorriso surgir em minha face, ao escutar a palavra "primeira"... Saber que ele pretendia ter outras, mostrava que ao menos o nosso relacionamento continuava firme, apesar das suas quedas psicológicas.
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