Perfect Harmony
3 Capítulo 2
Notas iniciais
“Nossas duvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar” – William Shakespeare.
Ao entrar no escritório do John, reparei que me olhou com um sorriso bobo.
–O que aconteceu? – perguntei me sentando em uma das cadeiras.
–Bom vê-la de volta – respondeu brincando.
–Não acredito que já sentiu minha falta? – brinquei também.
–Claro que senti, como irei terminar as palavras cruzadas sem seu cérebro? — comentou enquanto me mostrava o jogo.
–Com uma coisa nova que inventaram, chama-se internet, conhece?– caçoei enquanto pegava o tal jogo, para conferir, ele mostrou língua para mim, então eu sorri. Dei-me bem logo de cara com John, éramos grandes amigos, deis de que entrei para a delegacia ele me aceitou como eu era, não me olhava estranho quando passava no corredor, sabia que eu estava aqui porque merecia – Porque me ligou?
–Não vai me ajudar com o jogo? – não respondi, apenas sorri — Tenho que te contar duas coisas – respondeu pensativo.
–Então me diga – falei deixando o jogo de lado.
–Fui chamado para chefiar uma nova unidade de investigadores – disse pausadamente, creio que para avaliar minha reação.
–Nossa John, é uma honra, não é? – disse empolgada, ele sempre desejou esse cargo.
–Em Los Angeles – prosseguiu triste de mais, pra quem sempre sonhou com essa oferta.
–Não estou entendendo essa tristeza – comentei confusa.
–Medson, você sabe que sempre sonhei com isso – acenti com a cabeça – Só que agora não sei o que fazer.
–Não estou entendendo.
–Med terei que abandonar muitas coisas importantes por esse cargo – realmente não estava entendendo aonde ele estava querendo chegar – Pessoas importantes, sabe, amigos, mais que amigos...
–John olha – interrompi – Na nossa vida, muitas vezes temos que abrir mal de algumas coisas para conseguirmos outras com as quais sonhamos, é assim que funciona, vamos sempre continuar sendo seus amigos, mesmo estando longe.
–Você nunca percebeu não é? – perguntou-me triste.
–Percebi o que?
–Medson há anos que estou tentando te conquistar – foi como se eu tivesse levado um apunhalado pelas costas, não sei exatamente a expressão que eu fiz, mas ele pareceu preocupado – Me desculpe, a anos eu gostaria de ter te dizer que te amo.
–John, não sei o que você quer que eu te diga... – exclamei sem nem se quer pensar direito, senti meu chão se desfazendo, estava confusa, primeiro o Spencer volta, e agora isso, não sei o que fazer.
–Não quero que diga nada, só precisava dizer isso antes de tomar uma decisão, antes de ser tarde demais.
–Desculpa... eu... – comecei a gaguejar, na verdade, não tinha o que dizer, nunca havia percebido os sentimentos dele a meu respeito, isso mostra o quão boa perfiladora eu sou. Sem falar que neste exato momento estava machucando meu amigo, mas também a mim mesma, respirei fundo, e apenas fiquei observando-o, não posso mentir, nunca senti nada pelo John, alem de amizade, nunca nem por um instante, muito pelo contrario, sempre tentei arrumar namoradas para ele.
–Acho que já sabia a resposta Med, eu te amava escondido, mas você nunca me viu assim, sempre me viu como um amigo não é? – acenti timidamente com a cabeça, então ele forçou um sorriso – Acho que me mudar para Los Angeles não vai ser tão ruim assim.
–Nunca quis te magoar John...
–Eu sei, esta tudo bem, que bom tivemos essa conversa Med, não iria conseguir seguir em frente sem lhe falar isso, mas no fundo esperava outra resposta.
–Acho melhor voltarmos a trabalhar – levantei um pouco zonza, tudo parecia estar girando, sinceramente eu não sabia o que fazer a respeito disso, estava perdida.
–Sinto muito Med, não queria te deixar assim.
–Tudo bem só levei um choque – respondi sem pensar novamente – Mas tarde nos falamos – precisava sair daqui o mais rápido possível.
–Ok, ate mais tarde então – disse-me triste.
–Até – respondi e me retirei da sala, o que estava acontecendo aqui? Minha vida esta de cabeça para baixo, preciso de ajuda. Preciso para de pensar nisso por hora, preciso ajudar a salvar aquelas crianças, antes que seja tarde de mais. Respiro fundo e resolvo ir para a sala de reunião novamente.
“Nunca deixe que as tristezas do passado e as incertezas do futuro estraguem as alegrias do presente” – Desconhecido.
POV Spencer
Revê-la depois de tantos anos, me fez sentir coisas que há algum tempo não sentia. Ela estava como me lembrava cabelos longos e pretos, bem vestida, e ate o óculos parecia igual. Por um momento me fez pensar que os anos não haviam passado, estava linda como sempre foi, o que me fez tremer, me fez questionar, depois de tanto tempo, o que poderia ter acontecido se por acaso eu tivesse entrado em contato.
Vê-la sair por aquela porta, me fez voltar no tempo, quando eu, havia deixado-a escapar de mim, só não sei o que devo fazer neste exato momento, devo deixa-la ir ou agarra-la e beija-la, quando tudo isso terminar?
–Acho que o Dr Reid tem uma nova namorada – brincou Morgan do outro lado da sala, poupei-me de responder algo, apenas sentei-me em uma cadeira e fiquei calado por um tempo.
–De onde você a conhece? – foi a vez de Rossi perguntar.
–Na faculdade, ela estudava medicina e eu estava fazendo PHD – expliquei brevemente.
–Certo – comentou pensativo.
–O que foi? – perguntei curioso pela reação de Rossi.
–Nada, só não brinque com ela Reid, tenho-a como se fosse minha filha – repreendeu-me Rossi – Sou amigo do pai dela, embora há algum tempo não vejo-a, ainda assim, algumas vezes ainda entramos em contato.
–Nunca brinquei com ela – respondi, mas Rossi me olhou de jeito estranho, então resolvi ficar calado. Não sei dizer, mas acho que a Med deve ter lhe contado algo, sobre nós.
–Quanto tempo namoraram Spencer? – questionou JJ, não sei se foi impressão, mas senti uma certa ironia no “Spencer”, já que ela e a Med eram as únicas pessoas que me chamavam pelo primeiro nome.
–Nunca namoramos – respondi, aquilo já estava me irritando, pra que aquele interrogatório todo?
–Fala serio garanhão – brincou Morgan, resolvi não comentar nada, o que fez com que ele prosseguisse – Como você não namorou uma gata dessa?
–Éramos só amigos – respondi me irritando — Da pra trocar de assunto, por favor, há três crianças que precisamos salvar, no que, minha vida particular irá ajudar?
–Só estamos brincando Reid – entrou na conversa Kate.
–Mas eu não – rebati o mais baixo possível.
Minha relação com a Med foi algo que até hoje não entendi muito bem, nos damos bem logo de cara, rapidamente viramos grandes amigos, sempre há vi como a garota inteligente que estudava medicina para tentar salvar a vida de seu pai, que tinha um câncer no cérebro. Nos últimos meses, antes de seguirmos caminhos diferentes, nossa amizade estava mudando, até que na ultima semana, ela me beijou, estávamos na biblioteca do campus, fui pego de surpresa, o que a fez pedir-me desculpas e sair correndo, não pude fazer muita coisa, fiquei confuso na época, depois disso, voltamos a nos ver apenas no ultimo dia de aula, e nossa despedida foi toda estranha. Relembrando de tudo isso, percebi que eu poderia ter corrido atrás dela, ou demonstrado o que eu sentia, mas agora era tarde, dez anos havia se passado, não havia nada o que poderia fazer em relação a isso.
“O arrependimento sincero é geralmente resultado da oportunidade perdida” – Emanuel Wertheimer.
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