Notas iniciais
Espero que gostem

“Um único minuto de reconciliação, vale mais do que toda uma vida de amizade” – Gabriel Garcia Marquez.

Voltei para sala de reunião, já querendo pegar minhas coisas e ir embora, não estava concentrada para trabalhar, e isso podia colocar tudo a perder, principalmente para aquelas crianças.

Ninguém reparou minha chegada, a não ser Spencer que me deu um rápido sorriso e voltou a olhar para os arquivos do caso. Ele parecia estranho, imagino que aquele caso estava mexendo com ele também.

Sentei-me no mesmo lugar que eu estava antes de Rossi e Spencer chegar, meus arquivos estava no mesmo lugar que eu havia os largado.

Uma coisa estava perturbando meus pensamentos, depois de dez anos Spencer está de volta, claro não para ficar, meu cérebro sabe disso, mas meu coração tem uma ponta de esperança dele ficar por mim, mas isso não ira acontecer. Mas ainda para piorar minha vida John se declara e vai embora, aquilo tudo estava fazendo minha cabeça girar, e não faço ideia do que fazer.

Ficamos em silencio por um bom tempo, todos concentrados e perdidos em seus próprios pensamentos, dirijo meu olhar a Spencer que permanecia de cabeça baixa, gostaria muito de saber o que se passa em sua cabeça neste momento.

Assusto-me, de repente, com o celular de Jeniffer que começa a tocar, quebrando assim o silencio que pairava no ar, fazendo com que nós todos saíssemos de nossos tranzes. Rossi então levantou-se e veio sentar-se ao meu lado.

–Como vai seu pai? – pergunta-me enquanto se sentava.

–Mais ou menos – respondo tristemente – Alguns médicos dizem que é um milagre ele resistir por tanto tempo – complemento.

–E o que você acha sobre isso?

–Acho que ele devia continuar a tomar os medicamentos, mas resolveu para com eles – comento.

–Sei que fez o que podia – consola-me Rossi.

–Mas não foi o suficiente, não estou preparada para perder meu pai.

–Nunca estamos prontos para perdermos entes queridos – diz me abraçando.

–Meu coração não ira aguentar Rossi – digo segurando-me para não chorar.

–No inicio é difícil, mas estou aqui para ajuda-la.

–Obrigada – digo somente, conheço Rossi a anos, meu pai e ele serviram juntos no exercito, e eles viviam falando sobre suas historias para mim, tinha ele como meu segundo pai.

–Por nada criança, vou visita-lo mais tarde.

–Sim, ele ficara feliz.

Ficamos em silencio por um bom tempo novamente, até que Hotche resolve pronunciar-se:

–Vamos analisar o caso por partes, dividindo-nos em equipes – todos concordaram com a cabeça, nãofiz nada, apenas observei os demais, mesmo assim ele prosseguiu – JJ ficara responsável pelo contato com as mídias em geral – fiquei meio confusa de quem poderia ser JJ, mas Jeniffer acenou com cabeça, nem tinha percebido que ela estava de volta – Morgan e Kate vão falar com os familiares – assentiram com a cabeça e saíram – Tisdale, você é mais de campo ou prefere ficar na base? – perguntou-me pensativo, devia estar tentando me encaixar no grupo.

–Sempre trabalhei aqui na delegacia, raramente saio daqui – respondo calmamente.

–Otimo então você fica com o Reid aqui e tentem acha alguma ligação entre as vitimas além das idades, Garcia estará a disposição de vocês dois.

–Tudo bem – digo concordando, mesmo sem saber quem é Garcia.

–Rossi você vem comigo, vamos analisar os locais onde as crianças foram rápidas.

–Tudo bem – respondeu Rossi se levantando – Boa sorte criança – diz enquanto se retirava da sala e acompanhava Hotche.

–Obrigada para você também – digo, mas não tenho certeza se me escutou. Por fim estávamos sozinhos Spencer e eu, há verdade é que estava uma situação meio estranha aqui, mas tentei parecer o mais natural possível, se é que era possível – Então por onde começamos? – pergunto para quebrar o gelo.

–Vou ligar para Garcia e ver se ela pode nos ajudar – responde-me pegando o celular, evitava olhar para mim.

–Legal, quem é Garcia?

–Nossa sabe tudo — comentou brincando.

–Achei que esse papel era seu – brinquei também.

–Também, mas na parte de computadores ela é a melhor – responde-me enquanto discava o numero da tal Garcia – não se assuste – então coloca o celular na mesa, estava no viva voz, pode escutar os dois toques até que uma voz atendeu:

–Fonte de todo o conhecimento na linha, teste-me – sorri ao escutar aquilo, levantei-me da onde estava e fui mais perto para concentra-me na ligação.

–Penélope, preciso que me faça um favor – disse Spencer.

–É so dizer docinho – a voz do outro lado da linha respondeu.

Preciso que levante todos os dado que conseguir sobre as crianças e suas famílias, veja se encontra algo que as conecte.

–ok, quer cronometrar ou devo surpreende-lo mesmo sem relógio?

–Apenas me ligue quando terminar – Respondeu Spencer meio brincalhão.

–Você vai me amar quando eu te ligar, tchau – e desligou o telefone.

–Ela é sempre assim? – pergunto me divertindo com o telefonema.

–As vezes, mas é muito boa no que faz – respondeu-me guardando o telefone.

–O que fazemos agora? – questiono, já que aparentemente o que éramos pra fazer ele passou para a tal de Garcia.

–Enquanto ela trabalha de lá, trabalhamos daqui, os investigadores tem os vídeos da câmera de segurança, podíamos dar uma olha.

–Legal, vou ligar para Lizie e pedir para trazer aqui para mim.

–Tudo bem – respondeu se levantando e colando as fotos em um painel no fim da sala.

Peguei meu celular e localizei Lizie na lista telefônica.

–Pode falar Med – disse Lizie atendendo a ligação.

–Lizie pode me fazer um favor?

–Claro só falar.

–Estou na sala de reunião, pode me trazer os vídeos das câmeras de segurança onde as crianças foram raptadas?

–Sem problemas, vou pega-los para você.

–Obrigada – respondi encerrando a ligação.

–Agora é so esperar – comentei para Spencer.

–Tudo bem – disse somente, olhando as fotos que ele acabara de colocar no painel – O que será que estamos deixando passar.

–Não sei – respondi me levando e aproximando-me do painel – Spencer posso te fazer uma pergunta?

–Pode – respondeu ainda evitando olhar para mim.

–Você parece que esta incômodo com a minha presença, por quê?

–Impressão sua, podemos voltar para o caso? – retrucou evitando me olhar, ignorei isso e continuei.

–Não importa o que houve conosco a dez anos, vamos fingir que nada aconteceu já passou – não me disse nada, apenas me olhou pensativo – Queria ter meu amigo de volta, se você deixar.

–Como está seu pai? – perguntou-me de repente.

–Não muito bem – respirei fundo.

–Sinto muito.

–Eu também – respondi me afastando e me sentando novamente.

–Sinto muito por não entrar em contato Med – não respondi apenas abaixei a cabeça — Você não mudou muito – olhei-o curiosa – Seus óculos.

–Não entendi – perguntei confusa.

–Seu crachá, você está sem óculos, mas agora está usando eles, por que?

–Você é o perfilador, me diz você.

–Sempre achei que você usava eles como uma mascara, para se esconder dos outros, acho que estava certo.

–Tenho problemas de visão Spencer – retruquei.

–É mas na foto você esta usando lentes – rebateu.

–Tuche – levantei minhas mãos rendendo-me, o que com que ele sorrisse – Você também não mudou muito, seu cabelo.

–É parece igual não é? – brincou.

–Sua mascara – retruquei.

–Afiada senhora Tisdale – sorri – Se não se importar queria muito ver seu pai, quando tudo isso acabar.

–Claro, ele irá gostar de te ver, todos esses anos ele só fala de você – sorri baixo – Vive me dizendo que você foi o único cara que eu apresentei, que ele achou inteligente – dessa vez foi ele quem sorriu – Vocês dois tem muito em comum, acho que foi isso que me fez aproximar-se de você, sentia-me segura a seu lado – completei, evitando olha-lo.

–Aqui estão – disse Lizie, assustando-nos, enquanto entrava na sala de reunião, com a caixa onde continha os vídeos – Atrapalho algo? – perguntou, percebendo nosso clima um pouco estranho.

–Não só o caso que e meio difícil de lidar – respondi disfarçando, enquanto me levantava.

–Tudo que envolve crianças é mais difícil – comentou Lizie – Tenho que ir, até mais, boa sorte – disse retirando-se da sala.

–Obrigada – respondi.

–Acho melhor trabalharmos – sugeriu Spencer.

–Tudo bem – concordei, enquanto pegava uma das fitas.

–É muito bom tê-la de volta Med.

–Digo o mesmo – então sorrimos e fomos trabalhar.

Acho que demos um pequeno passo para a reconciliação, e isso é realmente muito bom.

“O tempo não só cura, mas também reconcilia” – Victor Hugo.