Perfect Harmony
14 Capitulo 13
Notas iniciais
“Com o tempo você aprende que herói são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências” – William Shakespeare.
Com o disparo, estilhaços de vidro vieram em cima de mim, em compensação, o tiro havia sido perfeito, assim dizendo, acertei o alvo, e um segundo depois a Dra Carly Hewitt cai morta com a bala enfiada em sua nuca.
Todos me olhavam assustados, menos Hotche que balança a cabeça como um sinal de aprovação. Mas eu fiquei paralisada ao ver uma pessoa caída e morta por minha causa. Sim, sei que fiz o meu trabalho, mas muitas vezes dizer isso não faz com que a culpa diminua.
Spencer veio correndo em minha direção, e tirou a arma da minha mão, já que eu estava com ela ainda segurando, e apontando para onde havia disparado anteriormente. Meus músculos pareciam estar enrijecidos, alem de estar com todo meu corpo tremendo, e sem entender o que se passava em minha volta.
–Você esta bem? – perguntou ele preocupado, eu sequer conseguia responder alguma coisa, apenas olhava para a poça de sangue que estava sendo formada por minha causa – Med, Medson – me chamava, mas não saia nenhuma palavra da minha boca, Spencer então, segurou meus ombros e ficou na minha frente, me impedindo de olhar para o que tinha acontecido, me obrigando a olhar somente para ele – Med você esta bem?
–Por favor, me tira daqui – comecei a chorar, o que eu tinha na cabeça? Eu tinha acabado de fazer o contrario do que havia aprendido na faculdade de medicina, tinha tirado uma vida em vez de salvar.
–Tudo bem, vem comigo – Spencer me levou para fora do shopping, e o ar puro que eu estava tomando ao sair de lá, só me fazia querer chorar ainda mais. Sentei na pequena escadaria que dava acesso a entrada do shopping, Spencer também sentou ao meu lado e me abraçou, ate que aos poucos eu fui melhorando da crise de choro, e tomando a real proporção do que eu havia feito – Você sabe que fez a coisa certa não sabe?
–Tente dizer isso para minha consciência – retruquei um pouco perdida ainda.
–Olha pra mim – sugeriu, mais como uma ordem, do que sugestão, o que eu obedeci prontamente – Eu já passei por isso também, é a pior sensação do mundo, mas aos poucos você vai entender que não tinha o que fazer, e você fez a melhor escolha, as crianças estão seguras agora, vai ficar tudo bem.
–Ok – digo, voltando a me encostar nele, ele me trazia segurança, e por um momento me sinto segura de mim mesma. Nunca imaginei que tiraria uma vida, por isso evitava usar armas, não conseguia me imaginar fazendo o que fiz hoje, mas fiz, e com isso me sentia como a pior pessoa do mundo.
–Med? Med? – escuto a voz de Lizie, olho para trás e vejo-a correr em minha direção.
–Não quero falar com ela – sussurro para Spencer.
–Conversa com ela, depois te levo embora ok – comenta ele, me dando um beijo na testa e se levantando para entrar no shopping novamente.
–Podemos conversar? – ela me questiona sentando onde Spencer estava. Não respondo nada, apenas olho para ela – Obrigada por me salvar.
–Só fiz o meu trabalho – respondo indiferente.
–Mesmo assim, obrigada por me salvar, sei que não estou sendo uma boa amiga.
–Tudo bem – digo evitando olha-La.
–Sinto muito pelo o que fiz com você Med.
–Olha só – comento com toda a sinceridade do mundo, além de uma mistura de raiva, desespero e ódio de mim mesma – Por um momento passou pela minha cabeça de atirar em você – ela arregalou os olhos – Mas não o fiz, porque por mais que você tenha pisado na bola, você era a única amiga que eu tinha na delegacia, a que eu realmente podia confiar, e meu sentimento de amizade por você, falou mais alto que minha raiva – ela ainda me olhava surpresa – Só não faça com que eu me arrependa, de ter atirado nela, pois eu podia muito bem ter feito isso com você. – terminei me levantando, e caminhando para qualquer lugar.
Sim eu estava confusa sobre minhas emoções, por mais que soube-se que havia feito a coisa certa, matar uma pessoa nunca é uma sensação boa, e agora eu entendia bem, o porque de muitas vezes, policiais ficavam loucos, por terem que mataram uma pessoa, mesmo sendo necessário, mesmo sendo seu oficio, a sensação de que você podia ter feito outra coisa, era horrível, mas já havia acontecido, e não tinha como mudar aquilo.
–Tisdale? – me viro e vejo Hotche em companhia de Rossi. Fala serio, eu só queria ficar sozinha agora, colocar minha cabeça no lugar, será que era pedir muito?
–Sim? – comento querendo sair daqui o mais rápido possível.
–Me responde uma coisa – comentou Rossi – Como você aprendeu a atirar assim? – eu nem vi ele chegar, muito menos vi-o no local onde tudo aconteceu.
–Fui obrigada a aprender – respondo com um sorriso um pouco forçado.
–Muito bom – concluiu ele.
–Estávamos pensando – tomou a palavra Hotche – Sei que outras unidades do FBI já havia te chamado para trabalhar com eles, mas aqui esta nossa oferta – diz me entregando o cartãozinho da UAC – Se decidir trabalhar conosco, é só me ligar.
–Obrigada Hotche – digo aceitando o cartão.
–Bom trabalho – me parabeniza Hotche, e voltando para dentro do shopping, aproveito para dar o fora dali, minha casa ficava a quase três quarteirões então eu podia ir caminhando sem problema algum.
–A onde você pensa que vai? – pergunta Spencer correndo atrás de mim.
–Preciso ir para casa, ficar um tempo, sozinha – respondo somente.
–Sozinha é a única coisa que você não vai ficar – brinca me acompanhando, abro a boca para protestar – Não é uma opção.
–Obrigada – digo aceitando a companhia.
Caminhamos ate em casa, era bom ter ele ao meu lado, principalmente nesse momento em que tudo estava de cabeça para baixo e nada parecia fazer sentido, o medo, a insegurança, e a duvida insistiam em me atormentar, mas no fundo eu sabia que ficaria tudo bem, pelo menos por hoje, ou apenas por agora... Ele estava comigo me dando apoio, e mesmo estando totalmente perdida, tinha certeza que ele ia me guiar para o caminho certo, e no fundo... era isso que importava.
“Depois de algum tempo você aprende que não importa aonde já chegou, mas para onde está indo... Mas se não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve.” – William Shakespeare.
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