Perfect Harmony

15 Capitulo 14


Notas iniciais
Espero que gostem. bjs

“Eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso” – Tati Bernardi.

Até em casa a caminhada foi agradável, mesmo sem ter-mos conversado muito durante o caminho, a companhia dele já me fazia muito bem, como pude viver dez anos sem isso? Sem tê-lo ao meu lado?

Chegamos em casa e só então lembrei que minha chave estava na minha bolsa, que ficou no meu carro, que tinha ficado na delegacia.

–Droga – comentei encostando minha testa na porta, sou uma idiota mesmo.

–O que foi? – perguntou Spencer preocupado.

–Estamos pra fora – respondi rindo de mim mesma – As chaves... no carro...

–Esta na delegacia – ele completou rindo também.

–Gosta de sorvete? – questionei de repente, agora olhando para ele.

–O que? – perguntou confuso.

–Sorvete... – repito – Tem uma sorveteria aqui perto, e daqui uns trinta minutos meu pai chega, então a gente podia ir lá, até ele chegar.

–Não é mais rápido ir à delegacia pegar as chaves?

–Não quero ir para lá Spencer.

–Ok – concorda com um sorriso – Vamos então.

–Ta bom – digo enquanto caminhávamos ate a sorveteria.

–Então... – tentou puxar conversa – Como anda sua vida pessoal?

–Bem mal pra falar a verdade – digo com um suspiro.

–Como assim? – perguntou rindo.

–Ah você sabe... não sou a melhor pessoal quando se trata de vida p... – parei de falar quando entramos na sorveteria, caminhamos ate o balcão, e um atendente, muito animado, veio até nós.

–Oi, como posso ajudar o casal? – Me pareceu bem simpático.

–Oi – digo tentando ser simpática também, ele achou que eu e Spencer podíamos ser um casal, já ganhou minha simpatia – Então... eu gostaria de um milk-shake de chocolate... por favor – digo olhando para Spencer que estava concentrado analisando o lugar – Spencer... – falo, assustando-o – O que vai querer?

–Ata claro... – responde voltando a si – O que você pediu?

–Milk-shake de chocolate – respondo achando graça do seu pequeno desligamento de si.

–-Ok, vou querer um Milk-shake de baunilha então.

–Tudo bem, fiquem a vontade já levou seus pedidos.

–Obrigada – respondo, e fomos nos sentar em uma das mesas – O que deu em você, ficou calado de repente.

–Nada só observando o lugar.

–Por quê?

–Porque, eu não sei – responde sorrindo – Só observando, e não fuja você não respondeu a minha pergunta.

–Que pergunta? – fingi de desentendida.

–Qual é Medson.

–Não tem nada que comentar, minha vida pessoal resume-se apenas em cuidar do meu pai, nos momentos quando não estou no trabalho.

–Só isso? – achou graça.

–Sim, fim da historia – digo sorrindo, enquanto o balconista chega com nossos Milk-shakes – Obrigada – agradeço quando ele se retira.

–Obrigado – agradeceu também – Nenhum namorado durante esses dez anos?

–Você esta muito curioso – comento provando o sorvete.

–Eu posso te perfilar se você preferir – sugeri brincando.

–Apenas um – desisto, ele ia descobrir de qualquer jeito.

–Um? – perguntou surpreso.

–Depois dessa cara, nem vou te contar quanto tempo durou – respondo rindo.

–Agora fiquei curioso – ele disse, rindo também.

–Você esta curioso deis da primeira pergunta – retruco sorrindo.

–Não deve ter sido tão ruim assim Med.

–Acho que me afasto das pessoas – prossigo, ignorando seu ultimo comentário — Ou as afasto de mim, ou ainda, um pouco dos dois.

–Isso é normal quando se trata de você – conclui rindo.

–Você também não é uma cola, assim dizendo, você também afasta as pessoas.

–Sim confesso... eu era assim mesmo – respondeu me olhando nos olhos – Mas hoje em dia prefiro mante-las por perto.

–Porque mudou de opinião?

–Não sei, talvez eu tenha percebido que a vida é melhor quando se esta em companhia de alguém – impressão minha, ou isso foi uma flerte? O que me deixou totalmente sem reação.

–Então... – digo disfarçando e mexendo no canudinho do sorvete – Porque não me diz sobre sua vida amorosa?

–Da minha?

–É – digo voltando a tomar meu sorvete.

–O que quer saber? – questionou indiferente.

–Não sei, o que quer me contar?

–Sinceramente? – afirmo com a cabeça – Nada – olho-o seria – É que não tem muito que contar.

–Sempre tem alguma coisa.... comece com quantas namoradas você teve – sugiro, ele pensa um pouco, por um momento me pareceu incomodado com a pergunta – Esquece, se não quiser responder sem...

–Namorada mesmo uma também... – continuo observando, acho graça, mas não demonstro, nós dois tivemos um relacionamento durante dez anos, chegava a ser hilário de tão triste, duas pessoas que se entregavam apenas para no trabalho e nada mais – Mas... – fez uma pausa e me olhou distante – Ela foi assassinada na minha frente – me engasgo com o sorvete, como pude fazê-lo lembrar de algo assim, eu nunca poderia pensar em algo do tipo, na verdade nunca se passaria algo assim pela minha cabeça.

–Me desculpa – digo me sentindo péssima – Não sabia...

–Tudo bem, como você poderia saber? – interrompeu-me todo carinhoso. Sorrimos e ficamos um pouco em silencio.

–Quatro – digo por fim.

–Quatro o que? – questiona confuso.

–Quatro meses durou meu ultimo e único relacionamento – completo me sentindo a pessoa mais chata do mundo – E já faz uns três anos – ele sorriu e ergueu o seu Milk-shake.

–Um brinde a duas pessoas que não sabem o que é ter vida pessoal – olho para ele, e sorrio, mas não ergo o meu copo.

–Não tem nem como comemorar algo tão trágico.

–Tem sim, porque é desse algo trágico que nos reencontramos, e se depender de mim, posso ser essa pessoa que entende sua entrega pelo trabalho, porque eu sou assim também.

–Spencer... – tento achar as palavras certas – não podemos ficar juntos, você vai embora amanha e não nos veremos de novo, e....

–E a proposta do Hotche? – questionou-me de repente.

–Como sabe? – pergunto surpresa.

–Eu vi ele te entregando o cartão, imaginei que iria aceitar, pelo Rossi, por mim...

–Não é tão simples – interrompo-o – Não posso deixar meu pai sozinho Spencer.

–Leva ele junto.

–Não posso obriga-lo a deixar toda a vida dele por minha causa...

–E vai deixar de viver a sua vida por causa dele? – questionou-me um pouco atordoado.

–Ele é meu pai, eu o amo, sei que se eu contar para ele sobre a oferta ele vai me obrigar a aceitar, mas quem vai cuidar dele? Tem dias que ele mal se levanta da cama, já outros anda pela cidade toda, outros ainda, mal se lembra do próprio nome, o câncer esta em sua fase terminal, se não o abandonei até hoje, porque o abandonaria agora que ele mais precisa de mim?

–Não estou pedindo para abandona-lo, só pensa na proposta que o Hotche te fez – ele comentou um pouco decepcionado.

–Tudo bem – concordo encerrando assim o assunto.

–Acho que já deu a hora, será que seu pai ja chegou? – ele pergunta, então olho paro o relógio do celular 16h45min.

–Sim faz uns quinze minutos.

–Então eu vou lá pagar a conta, e ai agente vai ok? – comentou se levantando

–O que? A não, eu convidei eu pago – protesto me levantando também e pegando meu dinheiro reserva que deixava dentro da capinha do meu celular.

–Não de maneira alguma – protesta ele.

–Olha só Spencer, estamos no sec XXI, direitos iguais ate na hora de pagar a conta, então eu pago.

–Sou das antigas, e se você não me deixar pagar, eu conto para o seu pai sobre a proposta do Hotche.

–Isso é trapaça, você não faria isso.

–Experimente – comentou rindo e indo pagar a contar.

Enquanto isso, vou caminhando para a saída da sorveteria, fico observando Spencer, parecia um príncipe quando estávamos juntos, porque eu tinha medo de me envolver?

–Vamos? – sugeriu ele vindo em minha direção.

–Na verdade – comento quando saímos da sorveteria – Queria fazer o caminho mais longo.

–O que? – perguntou-me confuso.

–Diferente da última vez não quero que você vá para um lado e eu para outro, vamos aproveitar a companhia um do outro.

–O que sugere?

–Não sei talvez caminhar sem rumo por ai – digo rindo.

–Com você? – comentou sorrindo – Claro.

Dessa vez eu prometo... não vou dizer adeus, não quero dizer isso nunca mais, não para ele.

“Nunca diga adeus para pessoa que ama, diga um até breve” – Edward Klumpp.

Notas finais
Comentem por favor... bjs