Perfect Harmony
10 Capítulo 9
Notas iniciais
“Só vire a página de um livro quando tiver certeza de ter entendido o contexto e as entrelinhas, evitando correr o risco de perder algo precioso em sua vida ou não entender o final da historia...” – Renata Quintas.
Não sei exatamente se havia feito a coisa certa, dizer tudo aquilo para Med esta causando-me um certo receio, talvez eu devesse ter esperado um pouco mais, ou pelo menos ter esperado o caso terminar, mas acabei sendo impulsivo, e agora o que me resta fazer, e esperar que ela entenda que tudo o que eu disse foi verdade.
–Café fresquinho na cozinha – comentou Morgan logo que coloquei meus pés novamente na delegacia.
–Tudo bem – respondi me dirigindo para lá, ao entrar vi uma mulher, a mesma que havia levado os vídeos das câmeras de segurança para Medson e eu analisarmos.
–Oi – disse a me ver entrar.
–Olá – falei não muito interessado, precisava voltar para a sala de reuniões o mais rápido possível.
–Como vai o caso? – perguntou-me.
–Não muito bem – comentei mais uma vez, me dirigindo ao balcão, peguei um copo e comecei a enchê-lo de café.
–Viu a Medson por ai? – questionou-me novamente, fala serio será que ela não percebeu que eu não queria conversar?
–Foi resolver uns problemas na casa dela – respondi me virando para sair rapidamente dali, mas ela fez questão de bloquear minha passagem.
–Algum problema?
–Não – respondi somente.
–Para alguém do FBI você não mente muito bem – impressão minha ou ela estava tentando flertar comigo? Isso não é bom.
–Olha só eu preciso trabalhar, ligue e converse você com a Medson se acha que alguma coisa esta errado.
–Na verdade eu perguntei sobre você, alguma coisa errada? Alguma coisa que eu possa fazer? – questionou-me se aproximando, o que me fez rapidamente dar alguns passos para trás, mas isso não a deteve de vir mais perto.
–Sim se afastar – respondi já perdendo a paciência.
–Não gosta de mim Dr Reid?
–Gostaria mais se me deixa-se trabalhar, o que acha?
–Até deixo – diz chegando mais perto, mas o problema é que eu não podia ir mais para trás já estava preso na parede, e não tinha como me esquivar para o lado, era uma cozinha muito apertada, minha melhor opção nesse momento, é afasta-la a força, se ela tentar se aproximar mais – Se você me prometer que vai me ligar quando o caso acabar.
–Vamos colocar assim, eu não prometo nada, e mesmo sim você me deixa trabalhar.
–Não parece algo justo – retrucou com uma voz fina e baixa, fala sério isso já estava ficando ridículo.
–Realmente preciso trabalhar – repito mais uma vez.
–Aqui esta meu telefone – comentou mostrando-me um cartãozinho e colocando-o no bolso da minha camisa – Me liga mais tarde – antes que eu pudesse responder algo, escuto uma tosse, vindo da porta da cozinha, o que me deixou paralisado ao ver quem era.
POV. MEDSON
Estacionei o carro, estava morrendo de medo, tremendo da cabeça aos pés, a verdade, não sei se o que estou fazendo, mas acho que já esta na hora de correr atrás de algo, já que aparentemente todos resolveram me dizer o mesmo discurso. O “porém” da historia toda, é que não sei exatamente como fazer, o que eu preciso fazer, se é que isso faz algum sentido.
Entrei na delegacia novamente, com medo de como poderia acontecer. Resolvi ir direto para cozinha, precisava de um pouco de café, para tentar acalmar meus nervos, e saciar meu quase vicio por cafeína. Mas ao chegar lá me arrependi da minha escolha, vi uma cena que fez meu corpo congelar, não podia acreditar no que estava vendo.
Rapidamente imitei uma tosse, o que fez com que os dois se assustassem, Spencer me olhou com uma cara de desespero, já Lizie, com a maior cara lavada, simplesmente fingiu que nada aconteceu.
–Medson? – comentou ela – Achei que estava na sua casa.
–Acabei de voltar.
–É o que parece – retrucou ela com um sorriso sarcástico no rosto, minha vontade era de voar no pescoço daquela “pirua” que eu chamava de amiga. Spencer estava paralisado, pálido, parecia que tinha visto um fantasma.
–Não tem que ir trabalhar Lizie? – questionei sarcástica.
–Claro – respondeu ela ainda com aquele sorriso de deboche – Pensa no que eu te falei – comentou olhando para Spencer – Bom trabalho para vocês dois – desejou ela saindo rapidamente da cozinha, poupei-me de olhar para ela, enquanto saia, em vez disso, minha atenção se voltou apenas para a pessoa do outro lado do balcão.
–Eu... eu posso explicar... – gaguejou ele.
–Há pode? – perguntei com o mesmo tom de sarcasmo que usei com minha “ex” melhor amiga
–Olha só Medson... foi algo meio que... eu não sabia... – tentava se explicar se aproximando de mim.
–Claro que não sabia – interrompi – E agora deixa-me adivinhar, vai jogar a culpa nela?
–Sim ela chegou... eu não sabia o que fazer...
–A não sabia?
–Sinto muito – comentou somente abaixando a cabeça.
–O pior de tudo, é que não sei o que teria acontecido, se eu não tivesse chegado...
–Não teria acontecido nada – interrompeu-me.
–Desculpa Spencer, não foi essa a impressão que me deu – respondi decepcionada comigo mesma, preferia ter ficado em casa, é isso que da, meter os pés pelas mãos.
–Esta com ciúmes Med? – perguntou ele com um sorriso malicioso no rosto, o que me deu vontade matar ele também.
–Cici...ciúmes? – agora foi minha vez de gaguejar – Eu?
–Ta sim – retrucou ele.
–Estou decepcionada com você – respondi, tentando disfarçar minhas emoções – Me disse todas aquelas coisas lá em casa, e agora me provou que eram todas mentiras.
–Não eram mentiras – se explicou.
–Não eram?
–Claro que não, eu gosto de você.
–Gosta tanto que mal levou um fora, e veio dar em cima de outra.
–Medson não foi assim que aconteceu...
–E ainda me perguntam, por que eu demoro a confiar nas pessoas... ta ai a resposta.
–Calma ta vamos conversar, melhor por a cabeça no lugar....
–Você tinha razão em uma coisa Spencer – interrompi-o novamente, eu estava completamente alterada – Você mudou, eu mudei, mas eu fiquei cautelosa e você uma pessoa que simplesmente, não se dá para confiar – saí da cozinha, estava tão brava comigo, ao mesmo tempo, com todos ao meu redor, agora mesmo comecei a cogitar a hipótese de pedir minha demissão, não posso trabalhar em um caso com John, Lizie e Spencer juntos, isso não podia dar certo.
–Espera – segurou meu braço, pela primeira vez ele não me deixou sair correndo, tomou uma atitude, só que eu não queria que fosse assim – Você tem todo o direito de ficar brava, só me deixa explicar, por favor.
–Tudo bem – respondi, mas ainda olhava-o seria – Tente.
–Eu cheguei na cozinha e ela...
–Desculpa interrompe-los – comentou Morgan se aproximando – Mas elaboramos um plano, e vamos coloca-lo em pratica agora, Doutora Tisdale, a senhorita vem comigo.
–O que? Eu não sou de campo – respondi me soltando do Spencer.
–Sabemos disso, mas a Kate não pode ir para campo – respondeu-me, claro para substituí-la do perigo eu servia — Então você vem comigo.
–Tudo bem – respondi evitando o olhar de Spencer que me analisava – Qual é o plano?
–Te conto no caminho – comentou – Reid o Hotche esta te procurando.
–Claro – respondeu ele ainda me olhando.
–Prometo que trago sua namorada sã e salva – brincou Morgan.
–Ele não é meu namorado – retruquei me retirando.
–Aconteceu alguma coisa? – escutei Morgan questionar a Spencer, quando me afastei um pouco, mas não pude ouvir a resposta, pois a já estava na porta da delegacia, talvez ir pra campo e sair daquilo tudo, não seja uma ideia tão ruim assim.
“Examina bem os teus pensamentos e, se os vires puros, puro será também o seu coração” – Confucio.
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