Perfect!
24 Sombras do passado part II....Ronnie
Notas iniciais
"....Cherry lips,crystal skies, I could show you incredible things;
Stolen kisses, pretty lies, you're the king, baby I'm your queen;
Find out what you want, be that girl for a month;
But the worst's yet to come..."
Blank Space
Taylor Swift
Portland
Cinco anos atrás
Ronnie
Olho o relógio pela décima vez começando a ficar realmente irritado. Não gosto de esperar. Nunca gostei. Mesmo que seja por uma mulher bonita, como é o caso.
Sorrio ao vê-la aparecer na varanda ao lado da mãe.Aceno para as duas, que caminham em minha direção. Tenho muita sorte. Muita sorte mesmo. Enquanto muitos garotos e até alguns homens tentaram, eu consigui conquistá-la. Bem, mais ou menos.
—Boa noite,Ronald--escuto a senhora Snow cumprimentar-me, me tirando do devaneio--Sentimos sua falta hoje na missa--comenta.
—Pois é, não deu tempo de ir--minto (em parte)--Estava conversando com meus pais e acabei perdendo a noção do tempo--justifico, beijando sua mão--Ficaram eufóricos com a novidade.
—Que bom--assente, sorrindo--E quando virão para que possamos nos conhecer?-quer saber.
—Infelizmente só poderão vir alguns dias antes do casamento--falo, notando,pelo canto do olho, a expressão de desagrado de Caitlin--Meu pai quer que a família toda venha e para isso precisam esperar as férias de meu irmão. Mas assim que Ray estiver em casa, viajam para cá--asseguro, voltando para minha linda noiva--Está linda, querida!--elogio, beijando seu rosto-- Minto. Você é linda. Sempre....Vamos?--convido e concorda com um meneio de cabeça.
Rapidamente abro a porta, fazendo-a entrar, dando a volta a seguir, a fim de entrar no lado do motorista.
—Não voltem muito tarde,por favor. Caitlin tem aula amanhã e apesar de já estar aprovada, não queremos que falte--pede, sorrindo mais uma vez.
—Pode deixar. Assim que terminar o jantar, a trago de volta--digo, entrando no carro-- Depois de namorarmos um pouquinho, lógico--sussurro, tomando sua mão, beijando-a.
—Quer dizer depois de transarmos em seu carro!--diz, ácida, puxando a mão.
Olho-a por um segundo antes de dar partida no carro, acenando para minha futura sogra antes de sair.
—Ainda está zangada comigo Caitlin?--pergunto, após alguns minutos, olhando-a de soslaio--Sabe, fiz para seu bem. Não precisa ir embora de Portland para fazer o curso que deseja, meu anjo. Pode fazê-lo aqui. Perto de sua família, de mim.--continuo--E depois que nos casarmos...-ela me interrompe.
—Quer mesmo insistir nesse casamento??--questiona, me olhando--Eu não te amo,Ronnie. E isso não vai mudar em um ou dois meses- afirma, amargurada.--Quanto a faculdade, não se trata de ser melhor aqui ou em outro lugar qualquer. Sei que posso fazer meu curso em Portland tranquilamente....O que me irritou foi o fato de ter me tirado o direito de escolha---reclama---Não podia ter interferido na minha vida como fez! Invadiu minha privacidade. Mesmo que já fôssemos casados, não teria esse direito!--exclama, alterando o tom de voz.
—Fale baixo,mocinha. Não sou um de seus colegas de escola ou do grupo de jovens da igreja! Sou seu noivo--relembro.
—Noivo,não dono!--bufa, zangando-se ainda mais ao me ver sorrir--Nunca será meu dono Ronnie. Não manda e não vai mandar em mim. Mesmo que cheguemos a nos casar de fato.
—Nos Vamos nos casar,Caitlin--asseguro,parando o carro, aguardando minha vez na fila do estacionamento--Isto é fato. Conforme-se. Não vou mudar de ideia e sabe muito bem que seus pais concordam comigo.
—Só porque acham que é o " senhor perfeito"--diz, fazendo aspas no ar--Mas não é!!--cala-se, me encarando, séria--Ronnie, por favor, vamos acabar com isso. Não quero me casar. Não te amo....
—Mas amou. Um dia. E pode voltar a amar--afirmo, beijando sua mão mais uma vez.
—Sabe que não era amor o que sentíamos...O que sentimos um pelo outro--corrige-se, tentando soltar a mão, que seguro mais firme.
—Sentimos, Caitlin..--corrijo-a--Eu,pelo menos ainda sinto--falo, soltando sua mão, acariciando seu rosto--Você é tão linda! Tão suave, doce, tão macia e cheirosa-- seguro em sua nuca trazendo-a para perto, beijando-a com violência.
Quando a solto, vejo seu lábio sangrar no canto. Ofereço-lhe um lenço.
—Viu o que me faz fazer?!--reclamo, movendo o carro, parando em frente a porta do restaurante-- Não gosto de machucá-la. Mas as vezes, me faz perder a cabeça. Especialmente quando insiste nessa ideia de terminar nosso noivado--reforço, saindo, dando a volta para encontrá-la, entregando a chave ao manobrista.
—Oi Cait, tudo bem??--escuto-o cumprimentá-la e antes que responda,me adianto.
—É senhorita Snow pra você, garoto. Refira-se a minha noiva com mais respeito de agora em diante--reclamo, acrescentando em seu ouvido--Se não quiser perder seu emprego.
Seguro-a pela cintura, trazendo-a para perto de meu corpo, sentindo-a tentar afastar-se.
—Sorria meu amor, sorria--ordeno, apertando-a mais--Palmer. Tenho uma reserva. Mesa para quatro--dirijo-me a jovem host do lugar, que se derrete em sorrisos, nos guiando pelo restaurante.
No caminho, paramos diversas vezes, sendo cumprimentados tanto por empresários locais ( alguns meu concorrentes) bem como membros da comunidade da qual o pai dela é padre. Pessoas influentes na maioria.
Casar com Caitlin vai me fazer unir o útil ao agradável. Não que seu pai fosse tão influente assim. Na verdade, as pessoas que o cercavam é que eram. Pedre Snow é um homem carismático e popular na cidade. Justamente o impulso que preciso para destrancar algumas portas que ainda estavam fechadas para a Palmer Tech na cidade.
Quando consegui, finalmente, convencer meu pai a abrir uma filial da empresa em uma cidade maior do que Starling (para onde tínhamos mudado após quase perder tudo em uma das crises financeiras que atingiu o país), me ofereci de imediato para assumir a responsabilidade da presidência.
Queria muito sair daquele fim de mundo onde nos tinha enfiado.
Detestava aquela cidade. Não suportava aquela mentalidade tacanha e restrita, que contradizia o próprio nome do lugar. Como uma cidade que tem um nome tão pretensioso era tão medíocre, eu nunca vou conseguir entender.
Mais do que a cidade, detestava seus habitantes. Tão limitados, sem nenhum tipo de ambição, conformados em viverem eternamente à sombra das duas famílias mais antigas do lugar: Queen e Merlyn.
Admito que quando conheci Oliver e Thomas, cheguei a pensar que havia alguma esperança. Quem sabe nós três,juntos , não poderíamos sacudir a cidade, transformá-la realmente no que o nome almeja, uma estrela.
Minha esperança morreu assim que percebi que ambos estavam mais do que satisfeitos que as coisas permanecessem como estavam.
Também, pudera! Em Starling, todos se dobravam diante dos Queen e dos Merlyn! Thomas e Oliver eram tratados como príncipes. Eram praticamente intocáveis. Mesmo depois de Thomas ter,por assim dizer, caído em desgraça ao engravidar a protegida dos pais.
Eram incrível como praticamente a cidade inteira o defendia. Além de irritante. Muito irritante. Principalmente porque eu sabia que se fosse comigo seria diferente pois além de minha família ser nova na cidade, não tinha o charme que aquele infeliz tinha! Precisava reconhecer, o cara era realmente carismático. Irritantemente carismático. Ele e o Queen conseguiam o que queriam apenas distribuindo seus sorrisos pela cidade. E quando digo tudo era tudo mesmo, principalmente mulheres.
Qual não foi minha surpresa ao ser preterido pelos dois por meu irmãozinho, Raymond.
Desde que havíamos chegado a cidade,tentava fazer amizade com os dois. Sabia que se quisesse ser alguém em Starling, era deles que precisava me aproximar. No entanto, ambos preferiram Ray a mim.
Não sei como ou porque mas meu irmãozinho nerd caiu nas graças de ambos, Oliver e Thomas, passando a companhá-los em festas, viagens , passeios de barco, etc. As vezes, Ray me convidava para ir junto, dizendo sentir-se deslocado, que precisava de um rosto amigo por perto, mas não foi isso que vi nas poucas vezes que deixei minha irritação e meu orgulho de lado e o acompanhei. Confesso que esperava vê-lo sendo usado como mascote ou algum tipo de "empregado" dos príncipes de Starling e sua côrte ,mas não era o que acontecia. Ray era tratado como um igual tanto por Thomas quanto por Oliver e seus familiares e amigos, o que serviu apenas para aumentar minha irritação.
A gota de água aconteceu em meu aniversário de vinte e três anos. Na metade da festa, Oliver e Thomas decidiram ir para a inauguração de alguma boate nos Glades, levando Ray e metade dos convidados com eles.
Aquilo me irritou a tal ponto que precisei sair da cidade por uns dias pra respirar. Quando retornei, Merlyn havia se metido na confusão que acabou fazendo-o, meses depois, ser expulso de casa pelo pai, sendo inclusive (pelo menos foi o boato que circulou na cidade) deserdado.
A lembrança do fato traz um sorriso a meu rosto, chamando a atenção de minha doce noivinha.
—Do que está rindo??--questiona, desconfiada.
—Lembranças querida. Só lembranças--afirmo, olhando-a..." Como é bonita!! Realmente o padre caprichou!", penso, voltando a sorrir.
A conheci por um mero acaso.
Não sou de frequentar igrejas, mas, como disse, precisava me relacionar e conhecer as principais forças empresariais da área. Comecei pelo clube, só depois fui a igreja, onde a vi pela primeira vez, cantando no coral.
Fiquei encantado com sua beleza e sua voz, decidindo naquele momento que teria aquela coisinha doce pra mim. Nem mesmo o fato de saber quem eram seus pais me fez mudar de ideia. Ao contrario. Só aumentou minha vontade em possuí-la, o que fiz depois de uma bem calculada conquista.
Apesar de ser virgem, Caitlin não era exatamente inocente. Tinha suas experiências. Era esperta, altiva, decidida. Levá-la pra cama não foi uma tarefa tão fácil quanto pensei que seria. Mas eu tinha minhas armas.
Depois que transamos a primeira vez, dei um jeito de me aproximar mais e mais da família dela, conquistando-os aos pouco até pedi-la em namoro e casamento, praticamente ao mesmo tempo, levando ao conhecimento dos pais dela que já havíamos "avançado o sinal" ( o que não a agradou ), me comprometendo a corrigir meu erro(ela acabara de completar dezessete anos) tornando-a minha esposa.
No início, como boa filha, obediente, acatou a decisão dos pais,mas,com o passar dos meses percebi que a ideia já não a agradava mais.
Tentou romper comigo diversas vezes, de diversas formas,inclusive se deixando beijar e acariciar em público, o que nos rendeu uma discussão feia. Mas, como sabia que era parte de um plano para me fazer desistir, virei o jogo a meu favor, perdoando-a pela suposta traição, passando a ser visto por todos como o melhor dos homens. Em público. Quando estávamos a sós, deixava claro que não aceitaria uma nova traição, quer fosse planejada ou real. Várias vezes usei de certa força para fazê-la entender que não iria se livrar de mim.
Agora mais do que nunca a queria. Queria dobrá-la, baixar aquele nariz e para isso fui ao extremo de fazê-la perder o período de inscrição de uma faculdade na Califórnia, onde fora aceita, motivo de sua raiva atual.
—Melhore essa cara,Caitlin, meus convidados chegaram--aviso, fazendo-a erguer os olhos co copo a sua frente, fuzilando-me --Fica ainda mais linda zangada--provoco-a, levantando-me para receber o casal que chegava.
Durante todo o jantar, Caitlin manteve-se em silêncio, limitando-se a responder as perguntas que meus investidores lhe faziam.
—Peço desculpas pelo comportamento distante de minha noiva--digo na porta do restaurante enquanto aguardamos nossos carros---Está nervosa com a proximidade do casamento.
—Imagino. Deve ser meio assustador casar-se tão jovem assim--Rayn assente, compreensível.
—Pois é. Mas quando nos apaixonamos não queremos perder tempo, não é mesmo meu amor?--pergunto, apertando sua cintura.
—Sim--responde mecanicamente, no momento em que nossos carros chegam.
Nos despedimos e seguimos para a casa de seus pais. Meu desejo era levá-la para meu apartamento e passar o resto da noite fodendo-a em minha cama, mas havia prometido levá-la para casa e não queria estragar as coisas com os pais dela...." No entanto, temos tempo suficiente para uma rapidinha!"... Sigo até uma área mais reservada, próxima a um campo de futebol de uma escola local, parando.
—Ronnie, por favor, eu quero ir pra casa--pede assim que paramos.
—Vou te levar, querida--asseguro, soltando o cinto de segurança, fazendo o mesmo com o dela, segurando-a pela nuca--Mas antes, como disse, vamos ...Namorar um pouco--digo, beijando-a com avidez.
Reclino o banco do carona, deitando-a parcialmente, deitando-me sobre ela a seguir, o espaço apertado colando nossos corpos. Deslizo minhas mãos até alcançar a barra de seu vestido, erguendo-o,tocando sua intimidade com uma mão enquanto a outra baixava a alça do vestido desnudando seu seio.
Abandono sua boca, descendo até ele, sugando-o, mordendo-o de leve porém o suficiente para marcar a pele clara e sensível.
—Ficar imóvel não vai fazer minha excitação diminuir,Caitlin--sussurro em seu ouvido-- Só me dá mais vontade de quebrar esse gelo!--exclamo, puxando sua calcinha com força, rasgando-a.
Abro minha calça, mantendo-a presa sob meu corpo, me posicionando entre sua pernas, possuindo-a com urgência, sem me preocupar em usar proteção..."Se engravidar melhor ainda!",penso, gozando dentro dela, investindo algumas vezes antes de me dar por satisfeito.
Me recomponho, levanto o banco, espero-a fazer o mesmo e sigo até sua casa.
Depois desta noite, Caitlin procurou me evitar ao máximo, usando a desculpa dos preparativos finais para o casamento. Não me opus ou fiz confusão, afinal, dentro de mais duas semanas a teria para mim, em definitivo.
Meus pais só chegaram na véspera de nosso casamento( algum problema com o palerma do meu irmão), muito tarde, torando impossível conhecê-la antes da cerimônia.
Como já havia lhes contado a respeito da profissão do pai dela,eles tendo inclusive se falado por telefone, não foi surpresa para eles saberem quem celebraria nossa união.
Aguardando-a no altar,observo novamente a hora erguendo a cabeça ao escutar os primeiros acordes na marcha nupcial, vendo-a entrar acompanhada de um de seus tios (um que infelizmente não gosta de mim), o véu cobrindo seu rosto. Encontro-o próximo ao altar, seu sorriso me deixando intrigado, aperto sua mão, pego o braço de Caitlin, colocando-o por dentro do meu, me volto para o altar e nos ajoelhamos.
A cerimônia começa e nada dela tirar o maldito véu, o que acabou chamando a atenção do pai, que durante sua homilia pede para que o faça. Ela hesita. Ele repete o pedido. Nova hesitação. Impaciento-me e o retiro eu mesmo, me surpreendendo, assim como todos ao ver o rosto que estava oculto sob o mesmo.
—Que brincadeira é esta!?!--questiono, ficando de pé--Onde está Caitlin??
—Me desculpe,Ronnie--implora a morena, chorosa.
—Onde ela está??--impaciento-me, segurando seu braço com força.
—Foi embora--diz--Caitlin foi embora. Ela fugiu!!!
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Dias atuais
Raymond
Levanto ouvindo o toque estridente de meu celular,me xingando por ter esquecido de desligá-lo ou pô-lo no silencioso.
Procuro-o, encontrando-o sobre na mesinha ao lado da cama.
—Alô--atendo, esfregando os olhos.
< Acordei você,maninho?>, escuto a voz familiar do outro lado da linha, me fazendo sentar de um salto.
—Ronnie?? É você??
< Por acaso tem outro irmão?> pergunta, sarcástico.
—O que quer me ligando a esta hora?
< Só pra avisar: estou voltando Ray. Voltando pra casa!>
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