Perfect!
25 Sombras do Presente. part I
Notas iniciais
"Picture perfect memories, scattered all around the floor;
Reaching for the phone 'cause I can't fight it anymore;
And I wonder if I ever cross your mind;
For me it happens all the time...."
Mansão Merlyn (domingo a noite)
Malcom e Rebeca
Narrador
—Tenho que admitir, essa garota não para de me surpreender!--Malcom exclama, desabotoando a camisa no quarto-- Primeiro a tatuagem, igual a de Thomas...Não, minto. Primeiro a forma com que Ela consegue separar o namoro deles do tarbalho na Global.Depois, o fato de ter conquistado nossos netos de maneira tão incontestavel, fazendo o mesmo com nosso filho...--frisa, voltando-se para encarar a esposa, que retirava os brincos, sentada na cadeira em frente a penteadeira--A tatuagem...E agora essa: o pai é um padre!...Será que ainda podera nos surpreender de alguma forma??--questiona, erguendo os braços.
—Pode--afirma Rebeca, abrindo uma gaveta, retirando de lá uma pasta que entrega ao marido,olhando-o através do espelho--Melhor sentar-se--diz, vendo-o franzir o cenho diante do pedido.
Mais por reflexo do que propriamente por seguir a sugestão da esposa, ele senta-se na cama, abrindo e começando a ler o conteúdo que ela lhe entregara, seu rosto demonstrando as diversas emoções que sentia enquanto o fazia.
—Ainda acha que não devemos ter reservas em relação ao envolvimento dela com nosso filho e nossos netos??--questiona, ficando de frente para ele.
—Acho...-Malcom começa, cuidadoso-- Que já erramos demais com Thomas, Rebeca.--afirma, olhando direto em seus olhos-- Não pretendo cometer mais nenhum erro que possa me custar perdê-lo e a nossos netos por consequência.
—Malcom, não acredito que mesmo diante do que tem a sua frente, ainda assim não irá me apoiar completamente!!?--reclama.
—E o que tenho aqui? --questiona, jogando a pasta sobre a cama-- Nada além do relato..Da história de uma jovem que fugiu de um casamento que prometia ser,na verdade, uma condenação!--frisa, não dando tempo de ela responder--Admita,Rebeca, se fosse você, ou nossa neta, a enfrentar uma situação como a descrita aqui, sua atitude seria a mesma...-para, franzindo o cenho mais uma vez-- Desde quando tem essas informações em suas mãos? Por que mandou investigá-la, pra inicio de conversa? Ela chegou a lhe dar um motivo válido, além do evidente ciume que sente da aproximação dela com nosso filho e netos?
—Não se trata de ciumes, Malcom!!--bufa, terminando de fazer uma trança no cabelo--Apenas de zelo!...E tenho esses dados comigo a pelo menos três meses--informa,
—Sei!!... O mesmo zelo que a fazia espantar todas as namoradas que Thomas trouxe até se envolver com Adalind?--pergunta, vendo-a enrugar o nariz em uma careta--Reconheça Beca, nenhuma mulher, na sua opinião, esteve ou está a altura de seu filho!
—Nosso filho--frisa, apontando para ele--Mas dessa vez não se trata disto,Malcom. Como você acabou de dizer, já erramos muito com nosso filho. O fizemos sofre, inclusive fisicamente--relembra, fazendo-o fechar os olhos--Também não desejo errar mais uma vez! Mas não pretendo ficar de braços cruzados e vê-lo ser seduzido novamente pra depois ser magoado, como Ela fez! Ainda mais correndo o risco de nossos netos sofrerem junto com o pai--completa, suspirando-- Ela me ...nos enganou muito e por muito tempo, pra que eu possa ignorar os sinais! Não vou permitir uma nova Adalind em nossas vidas. Não vou!--assegura, enxugando uma lágrima que escapara de seus olhos, fazendo-o vir até onde estava, ajoelhando-se a sua frente.
—E se ela não for,Rebeca? E se realmente amar Thomas? Amar nossos netos??..Sei que tem suas razões para não confiar nela ou em qualquer outra mulher que se aproxime dele,ou de nós, e não te condeno por isso--afirma, segurando as mãos da esposa entre as suas, beijando-as--Mas devemos confiar no julgamento de Thomas e das crianças. Maddie e Ethan me parecem ser espertos o suficiente para,ao contrario de nós, se deixarem seduzir por um rostinho bonito!--diz, continuando a segurar suas mãos --Acho que devemos confiar mais no julgamento dos três...Vamos dar um voto de confiança para essa moça,ok?
—Não sei,Malcom...Você leu tudo com atenção? Viu o que fez e com quem fez??--interroga-o.
—Li e vi. E se quer saber, até onde me lembro do filho mais velho dos Palmer, ele deve ter merecido--diz, sincero, arrancando um sorriso da esposa--Raymond sempre foi um ótimo rapaz...Já não posso dizer o mesmo de Ronald--continua, levantando-se--Se bem me lembro, Thomas e os rapazes também sentiam o mesmo. Tanto que Ray foi incluído no grupo e ele não. Ronald era ambicioso e prepotente...-ela o interrompe.
—É exatamente esta uma das minhas preocupações. Sei que ele está morando em outra cidade, mas um dia pode voltar, nem que seja para visitar os pais, ainda mais agora que Raymond irá assumir todo o controle da Palmer Tech--informa, surpreendendo-o.
—Ray vai assumir a Palmer?? --questiona, vendo-a confirmar com um aceno--E como sabe disso se nem eu sabia??
—Moira me contou. Ela e Robert almoçaram com Anna e Richard semana passada, em Las Vegas, e ele disse que passaria todo o controle para Ray, já que o filho mais velho não quer voltar a morar em Starling e não pretende mudar a matriz para outra cidade..--comunica, estranhando a reação do marido--Por que esse ar de preocupação??
— Mesmo estando longe,Ronald não vai gostar de saber que o irmão mais novo ira "mandar" nele, visto que Ray será o CEO da Palmer . Ele certamente não ira querer se submeter ao irmão, ficar preso, por assim dizer, a aprovação de Ray para seus planos-- para, esfregando os olhos-- Tenho certeza que assim que for comunicado,voltara a Starling para fazer o pai mudar de ideia...E isto sim me preocupa. Lembro muito bem da forma como olhava para Thomas e os demais--faz uma nova pausa, como se estivesse lembrando de alguma coisa.. --Ronald claramente tinha inveja não apenas por ter sido preterido em prol do irmão junto aos rapazes, como tinha ciumes da popularidade de nosso filho, de Oliver e Eddie. Dos outros também ,mas destes em especial...E realmente me preocupa a reação dele ao saber que Thomas e Caitlin estão juntos.
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Manhã de segunda
Tommy
_Bom dia meu amor!--cumprimento Cait,dando-lhe um beijo casto, assim que entro na cozinha voltando de minha corrida matinal--Filhotes!!-- brinco, beijando um e depois o outro--Gato!!--digo, passando a mão na cabeça do animal, que se esfregava em minhas pernas.
—É chavinho,pai..O nome dele é chavinho--Ethan me corrige,atirando um pedaço de presunto no chão.
—Ethan, não! Lembra do que a doutora Julie disse pra gente. Não é bom ele comer essas coisas!--Maddie ralha, olhando feio para o irmão.
—Uma vez só não mata!--exclama, dando de ombros, e antes que se torne uma briga, intervenho.
—Ok,sem discussões a esta hora da manhã--ordeno, pegando uma maçã-Vou tomar um banho e já me junto a vocês para o café--aviso, estranhando o silêncio de Cait--Está tudo bem meu amor??--pergunto, fazendo-a me olhar.
—Sim, sim.. Está sim--diz, um sorriso discreto no rosto.
Observo-a por um minuto antes de seguir para nosso quarto. Estava começando a conhecê-la bem o suficiente para saber que estava mentindo. Não disse nada nem iria fazê-lo na frente das crianças, mas assim que estivéssemos a sós ,a questionaria.
Infelizmente meus planos são frustrados visto que , após deixarmos as crianças na escola, recebi a ligação de Walter Steele, avisando que já estava a minha espera. Fecho os olhos, irritado.
Na empresa, o dia começa e transcorre corrido e tenso diante das informações trazidas por ele não apenas sobre a auditoria quanto sobre o atentado que meu pai sofrera meses atrás.
Apesar de as investigações não estarem concluídas, a policia acreditava que fora, de fato, uma tentativa de homicídio, restando saber se contra o CEO da Global ou se contra Malcom Merlyn, pessoa física, por assim dizer.
Quanto a auditoria, estava cada vez mais claro que certos diretores andaram (agora já não o faziam mais) levando vantagem em alguns contratos, irritando meu pai , e a mim também, admito. Apesar de não ter mais nenhum direito em herdar a Global ou qualquer outro negócio da família, me preocupava por muitas razões, incluindo a herança a qual meus filhos tinham direito.
No final da tarde, quando estamos na sala, meu pai terminando de ditar um memorando para Cait enquanto analiso alguns documentos, Ray Palmer aparece a porta.
—Boa tarde Tommy.., senhor Merlyn--cumprimenta a mim e meu pai,sem exibir seu sorriso característico.
—Oi Ray..O que te traz até aqui? Alguma coisa de errado com nosso contrato?--a Global, a QC e a Palmer Tech haviam fechado um contrato em comum, tanto para reformulação e modernização de maquinas, equipamentos e sistema de segurança--Algo que queira corrigir?--questiono-o, levantando-me, parando ao vê-lo fazer um sinal com a mão.
—Na verdade, vim conversar com Cait...Digo, senhorita Snow--corrige-se--Podemos conversar um minuto??--questiona olhando direto para Cait, que volta-se para mim.
—Tudo bem.Pode ir--digo, acompanhando-a com o olhar, intrigado.." O que Ray e Cait tem em comum? E desde quando são amigos"
—Algo errado em os dois conversarem??--escuto meu pai perguntar e volto-me para ele-- Te incomoda ??
—Não--minto,voltando a sentar,fingindo analisar os papeis a minha frente, mas uma vez, vez ou outra espiando os dois com o canto do olho.
—Cuidado,Thomas, ciume é bom. Mas não em excesso!--meu pai alerta e antes que tenha chance de responder, Cait retorna.
—O que foi?--pergunto, preocupado com a repentina palidez em seu rosto--Está tudo bem?--insisto e ela me olha, acenando afirmativamente...." Está mentindo! Por que,Cait? Por que está mentindo pra mim??", questiono mentalmente,pensando em deixar o assunto para mais tarde.
—Caitlin, gostaria de marcar um jantar com seus pais qualquer dia--meu pai diz, me surpreendendo--Gostei muito de conversar com ele mas tivemos pouco tempo. Poderia ver isso pra mim?
—Sim senhor Merlyn--responde automaticamente, o olhar perdido.
—Cait, que tal pararmos pra uma rapidinha?-- provoco-a.
—Sim sen....O QUE??--grita, levantando-se.
—Tá, tentei ignorar mas não deu.O que Ray queria com você?--pergunto, jogando os papeis sobre a mesa, encostando-me no sofá, cruzando os braços a frente do peito.
—Desculpa mas acho que não seja hora nem lugar pra isso, Senhor Merlyn!!--frisa, me encarando, os olhos faiscando de raiva. Não contenho um leve sorriso, o que a irrita ainda mais--Se me dá licença, vou preparar estes memorandos--avisa, retirando-se, fechando a porta atrás de si.
—Um ova que vai!!--me levanto indo até sua mesa,parando a seu lado, apoiando as mãos sobre a mesma, chamando sua atenção--Esteve estranha o dia inteiro. E agora essa visita surpresa de Raymond Palmer. O que ele queria com você? Desde quando são tão íntimos?
—Em primeiro lugar,Thomas--enfatiza meu nome e sei que está furiosa--Deveria esperar terminar o expediente aqui para me fazer este tipo de pergunta..Em segundo lugar, eu e Ray não somos íntimos. Não da maneira que essa sua mente suja pensou!--bufa, me encarando, o rosto livido pela raiva-- E não foi uma visita surpresa. Ele me ligou mais cedo avisando que precisava conversar comigo e pedi que viesse até aqui. Se soubesse que iria surtar com uma simples conversa, teria marcado em outro lugar..Um quarto de hotel,quem sabe!!--rebate e seguro seu braço.
—Não brinque com isso Cait!--alerto, baixando o tom de minha voz, aproximando o rosto do dela--O que Ray Palmer queria com você??--repito, impaciente.
—Me avisar que o irmão está vindo para Starling!!--diz,algumas lágrimas escapando de seus olhos.
—E que você tem com isso?---questiono, diminuindo a pressão de minha mão em seu braço, cada vez mais intrigado ao mesmo tempo que uma suspeita cruza minha mente, sendo confirmada por ela quando, finalmente, me responde.
—Ronald Palmer é o noivo que abandonei no altar, do qual fugi cinco anos atrás!!-- revela, as lágrimas caindo sem que as controle--Ray sabe. Ele foi um dos que me ajudou a fugir! Por isso me ligou. Por isso veio até aqui hoje. Ronnie ligou para ele está madrugada avisando que em três semanas estará na cidade--levanta-se, puxando o braço que ainda mantinha seguro-- Se me dá licença, preciso sair!!--diz, pegando a bolsa, saindo praticamente correndo, me deixando sem ação.
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"....It's a quarter after one, I'm all alone and I need you now;
Said I Wouldn't call but I lost all control and I need you now;
And I don't know how I can do without, I just need you now..."
Anoitecer da segunda (19:45)
Cait
Sai da Global cega pela raiva e lágrimas que teimavam em cair por mais que tentasse segurá-las, passando pela recepção sem falar com ninguém, seguindo direto para o ponto de ônibus mais próximo.
Não pensei em ir até Anitta pedir a chave do carro ou para que me levasse em casa simplesmente porque não sabia para onde ir! Tanto que peguei o primeiro ônibus que passou, sem prestar atenção ao destino.
Acabo parando na orla.
Olho para os lados tentando me orientar quando sinto meu celular vibrar. Pego-o na bolsa, voltando a guardá-lo após rejeitar a chamada de Tommy. Suspiro, olhando o mar a minha frente. Tiro as sandálias, pendurando-as nos dedos,decidindo caminhar um pouco. Desço até a areia, escolho um lado e começo a caminhar. Dentro da bolsa o celular vibra mais uma vez..." Vá se danar,Thomas Merlyn! Você é igual a ele! Pensei que fosse diferente mas me enganei!", penso, sentando na areia, deixando as lágrimas correrem livremente.
Como se já não bastasse receber a péssima notícia da volta de Ronnie, ainda ter que suportar as desconfianças de Tommy!!
"Como ele pode pensar que havia algo entre mim e Ray? Como, depois de tudo que dissemos um ao outro nos últimos dias, pode desconfiar de mim dessa forma? Pior: fazer toda aquela cena na frente do pai dele. Justo do pai!.Como pode dizer que me ama se não confia em mim?",as perguntas rondando minha mente, me atormentando.
Dobro as pernas, abraçando-as, escondendo meu rosto, permitindo-me chorar copiosamente, a dor de um possível reencontro com Ronnie me aterrorizando.Porém, a dor que Thomas provocara era bem maior.
Ergo a cabeça ao escutar risos, e vejo um casal brincando na areia, correndo um e para o outro, caindo na água. Observo-os um tempo,por entre o véu de lágrimas que cobre meus olhos,antes de me levantar e voltar a caminhar, sem rumo certo, apenas seguindo a orla, não me importando com a noite que começava a cair...
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"....Another short of whiskey can't stop looking at the door;
Wishing you'd come sweeping in the way you did before;
And I wonder if I ever cross your mind, for me it happens all the time..."
Inicio da madrugada de segunda para terça
Tommy
Demoro alguns minutos para sair do torpor que a revelação de Cait me causou e estes se mostram fatais quando saio a sua procura.
Procuro-a por todo o prédio julgando que não iria embora,sozinha..." Idiota! Você é um idiota,Tommy!", me xingo mentalmente quando o segurança da recepção me informa que ela sairá a pelo menos vinte minutos.." Merda!! Que merda!", exclamo, passando a mão pelo cabelo,ligando para ela.
—Droga Cait, atende!!--peço, apoiando a cabeça no balcão.
—Pai?? Tá tudo bem??--escuto a voz de Ethan e ergo a cabeça,voltando-me para vê-lo chegar junto com a irmã, acompanhados de Thea e Sara.
—Está. Está sim--minto, guardando o celular no bolso antes de receber o abraço dos dois--O que estão fazendo aqui? Por que não foram para a casa de seus avós?-- questiono, erguendo-me , encarando minha irmã e Sara, ambas me olhando desconfiadas.
—Fomos levar o gato no veterinário--Thea explica, levantando a caixa de transporte-- Ai, quiseram vir para cá encontrar você e Cait...E por falar nela, está lá em cima?? Ainda??
—Me faz um favor,Thea? Leva as crianças pro apartamento e fica com elas um pouco. Preciso resolver umas coisas aqui,ok?--peço, abaixando-me para falar com os dois--Vão com sua tia. Daqui a pouco chego em casa,ok?
—Certo..-Maddie começa, me olhando tão desconfiada quanto o irmão e as duas garotas paradas a meu lado--Cait também vai?
—Vai. Vai sim...." Se a encontrar e puder me perdoar por ter sido um idiota!"—-Agora vão. E não deem trabalho a sua tia.--digo, pegando o celular mais uma vez.
—Que merda você aprontou desta vez,Tommy Merlyn??--Sara pergunta em meu ouvido, fingindo me abraçar.
—Uma que pode me custar muito caro!--admito, dando as costas para eles,caminhando para o elevador, parando ao ver Anitta sair dele junto com Jax Diggle-- Hei, Anitta, pode me fazer um favor? Liga pra Cait. --peço, explicando antes que pergunte--Nos brigamos e ela não está me atendendo.
—Sabia que tinha acontecido alguma coisa!--exclama, pegando o celular na bolsa-- Não tá atendendo..-diz após alguns minutos---Tá chamando até cair na caixa postal.
—Merda!!--xingo, começando a me desesperar--Onde ela pode ter ido?
—Em se tratando da Cait, pra qualquer lugar--ouço Sara dizer, parando a meu lado--Inclusive embora!--acrescenta, corrigindo-se ao ver meu desespero--Tá, exagerei. Mas seja lá qual foi a merda que aprontou, é melhor corrigir e rápido se não que que eu quebre seu pescoço!--ameaça--Não cheguei a te dizer antes, mas digo agora: se fizer minha amiga sofre, te dou uma surra Tommy.
"...It's a quarter after one I'm a little drunk and I need tou now;
Said I wouldn't call but I lost all control and I need you now;
And I don't know how I can do without I just need you now..."
Depois que Sara,Thea e as crianças vão embora, volto ao escritório ,pego minhas chaves e saio a procura de Cait, sem saber exatamente onde procurar.
Meu primeiro pensamento é Ray e ligo para ele, que me garante não ter falado novamente com ela.
Começo a rodar a esmo pela cidade. Não fazia a menor ideia de onde estaria. Em um determinado momento penso em ir até a igreja onde os pais estão mas desisto primeiro por não saber se moravam lá, segundo pelo adiantado da hora. Já passava da meia noite e certamente bater na porta de um padre a esta hora causaria um susto desnecessário. Além do mais, não tinha certeza de que iria até eles.
Tento ligar mais algumas vezes mas agora sempre ia para a caixa postal.
Cansado e , a esta altura, mais do que desesperado, paro o carro próximo a um dos bares da orla. Desço, entro no lugar pedindo a bebida mais forte que tinham.
Algumas doses mais tarde, e depois de ter espantado metade das garotas que procuravam por clientes, pago a conta, saindo.
Entro no carro mas não dou partida, ficando sentando, estático, as mãos no volante, olhando o vazio. Após alguns segundos nessa posição, começo a socar a direção até sentir meus dedos latejarem, o sangue brotando dos ferimentos causados pelo atrito.
Lágrimas de arrependimento escorrem pelo meu rosto. Permito que o choro preso a muito flua sem barreiras.
Encosto a cabeça no volante,olhando para meu lado esquerdo, erguendo-a ao visualizar uma figura em um dos balanços do parquinho ali perto.
Desço do carro, atravessando a rua sem prestar atenção, quase sendo atropelado, o som da freada brusca seguido do xingamento e da buzina chamando atenção de Cait, que olha em minha direção. Paro, rezando para que não fuja mais uma vez.
Depois de minutos que mais pareceram uma eternidade, recomeço a andar em sua direção, respirando aliviado ao perceber que não fugiria,parando a sua frente.
Me ajoelho, buscando suas mãos, segurando-as entre as minhas, olhando dentro de seus olhos, ainda vermelhos e inchados, dor e angustia refletidos neles.
—Me perdoa, Cait! Por favor, me perdoa!--peço-- Fui...Eu sou um idiota, estúpido e cretino. Não tinha o direito de duvidar de você...
—Não tinha mesmo!--me interrompe--Como pode pensar que teria alguma coisa com Ray? Justo com ele? Como pode pensar que posso ter qualquer coisa com outro homem ? Eu amo você, seu cretino! AMO!-- repete, chorando-- Não devia,mas amo!Seu estúpido, idiota, seu...--silencio seus xingamentos com um beijo, a principio não correspondido. Aos pouco,porém, Cait se entrega, correspondendo com a mesma ânsia que eu, mantendo nossas cabeças juntas quando cessamos o contato em busca de ar--Devíamos parar por aqui,Thomas..-começa, dando-me um selinho--Não quero me magoar ou magoar você. Nem quero magoar seus filhos...--suspira, afastando nossos rostos, segurando o meu em suas mãos--Talvez sua mãe esteja certa. Talvez não sejamos certos um para o outro..Temos muitas feridas...
—Que podemos curar juntos!--afirmo, interrompendo-a-- Não me peça pra me afastar,Cait. Além de não conseguir, isso me mataria!..Eu amo você--digo, beijando-a mais uma vez--Nunca senti nada sequer parecido com isto. Nunca amei ninguém antes. Nunca,Cait--asseguro, olhando dentro de seus olhos--Preciso aprender a lidar com esse sentimento e tudo que ele me causa..Não desiste de mim, de nós, por favor!--imploro, abraçando-a, deitando a cabeça em seu ombro-- Não desista, por favor!-reforço.
—Como poderia desistir da minha própria vida?--diz, beijando minha cabeça--Desistir do ar que respiro? Mesmo que esse sentimento me magoe de vez em quando.
—Não quero te magoar! Nunca mais!--afirmo, puxando-a para meu colo, sentando na areia -- Eu preciso de você Cait. Do seu amor. É tudo que mais quero nessa vida!
—Você me tem,Tommy. Não duvide nunca disso!--diz,selando seu perdão com um beijo..
Continua
"....Guess I'd hather hurt than feel nothing at all..
It's a quarter after one I'm all alone and I need you now...
And I don't know how I can do without
I just need you now
I just need you now!"
Need You Now
Lady Antebellum
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