Perfect!
52 Revelação
Notas iniciais
Residência Tommy e Cait (Domingo, 18/10 – 22:50 p.m)
Narrador
— Cara, não acredito que fez isso Ethan! – Nick exclama sentado sobre o braço do sofá do escritório, onde se encontravam após terminarem a limpeza, as mãos apoiadas nos joelhos, encarando o primo, incrédulo – Me diz que tem uma boa, não, uma Ótima razão para ter feito algo tão estúpido! – exclama.
— Se ao menos tivesse transado com a Laura eu entenderia, porque era este era o objetivo não é? –Kelly questiona, não esperando resposta – Porque se foi por isto e não fez nada, absolutamente nada, e quando digo nada me refiro a transarem porque sei que não rolou...
— Kelly, cala a boca! – interrompe o rapaz, estancando junto às portas de vidro, encarando o primo – Evidente que não menti sobre o pai ter permitido a Todos – frisa, apontando-os um a um – Dormirem aqui, como fizeram em nosso aniversario, pra transar minha namorada – garante, encarando a garota – Acredite em mim Laura, por favor.
— Então essa ideia sequer passou por sua cabeça, é o que está dizendo? interroga ela, cruzando os braços.
— Se disser que não estaria mentindo...
— Coisa que provou saber fazer muito bem obrigado! – Maddie exclama, zangada.
— Mas que droga! Dá pra pararem de apontar o dedo como se apenas eu tivesse culpa na situação toda. Não vi nem ouvi nenhum de vocês reclamando ou contestando se era ou não verdade a começar por você maninha. Ficou bem satisfeita quando disse que papai tinha mudado de ideia e permitido que ficassem – acusa.
— A culpa disso tudo é minha! – Sarah afirma, chorosa – Se não tivessem feito a festa nada teria acontecido.
— De jeito nenhum Sarah – Maddie apressa-se dizer indo abraçá-la, Mariana, Camile e Laura unindo-se a ela – Meu irmão que é um idiota! – xinga, olhando-o enviesado – Você não tem culpa de nada. Nem nós – acresce, confortando a amiga.
— Tá satisfeito agora Ethan? Além de meter todos nós, direta ou indiretamente numa tremenda confusão, ainda fez a Sarinha sentir-se culpada – Camile acusa.
— Engraçado, na hora que falei ninguém, eu repito, NINGUÉM duvidou do eu dizia. Nem lembro de terem pedido para ligar pro pai na frente de vocês confirmando – reforça o rapaz.
— Ethan está certo – Connor se pronuncia, saindo do canto onde se encontrava – Maddie tinha me dito que o pai não havia permitido a nenhum de nós, rapazes, dormirmos aqui nem a Laura, visto que não estava presente, portanto deveríamos ter tentado confirmar a nova versão do Ethan e não simplesmente aceitá-la de bom grado – declara.
— Acontece que jamais pensei que meu irmão fosse fazer algo tão absurdamente estúpido, Connor! – Maddie afirma, sobressaltando-se ao ver a porta ser aberta – Pai, eu...
— Laura, sua mãe a espera na sala. Sarah, Alexa e Mariana, vocês irão com ela – Tommy avisa, não dando atenção a filha – Já expliquei a Sheila que a culpa pelo ...mal-entendido, não foi sua – diz, dirigindo um olhar severo ao filho – acrescenta, voltando-se para amiga da filha – Sarah, não se martirize. A coisa mais comum de acontecer é uma festa sair do controle, tenho bastante experiência com isto, acredite – garante, sorrindo minimamente – Sua mãe ligou-me avisando que não estaria em casa, pedindo que dormisse aqui – informa, prosseguindo sem dar chance ninguém falar – No entanto, diante do acontecido, pedi que ficasse em casa de Sheila, com Laura. Tudo bem pra você? – pergunta, chamando a garota com um aceno.
— Sim senhor Merlyn – anui ela, aceitando a mão que o empresário lhe estendia, abrindo a boca surpresa ao receber uma caixinha de veludo negro.
— Presente meu e de minha esposa – Tommy diz, sorrindo franco – Parabéns – deseja, abraçando a jovem, beijando-lhe a fronte – Agora vão indo. Todas – comanda, as garotas obedecendo, uma a uma, despedindo-se dos amigos, Laura limitando-se um breve toque na mão que Ethan lhe estendia, saindo cabisbaixa.
— Tio Tommy...eu sinto muito – Nick diz, em tom de desculpa – Agimos tão errado quanto Ethan – reconhece o rapaz, apertando os dedos de forma a fazê-los estalarem, como fazia sempre que estava nervoso – Devíamos ter tentado confirmar o que dizia.
—Deveriam mesmo – declara o pai dele, Sean, adentrando – Vamos falar sobre isso em casa – avisa, sinalizando para saírem – Até mais Thomas...tente ter calma, ok? Agiram errado, mas é coisa de adolescente, como bem sabemos – declara baixo, tocando o ombro do cunhado – Boa noite – despede-se após os filhos terem saído.
— Boa noite Sean – Tommy responde, impassível.
— Pai...
—Sentem-se – ordena o empresário, ignorando a filha mais uma vez – Os três – diz, indicando o sofá, os jovens obedecendo, ele o fazendo sobre o braço da poltrona, de frente para os três, olhando-os atentamente antes de falar – Onde dormiu Connor? – pergunta, direto, encarando o rapaz.
— No quarto de ...
—Perguntei a ele, não a você Madeleine – interrompe-a, dirigindo-lhe um olhar severo, voltando-se para o rapaz novamente – Onde?
— No quarto de Ethan, com os demais garotos, como foi no aniversário deles senhor – lembra o rapaz – As meninas dormiram em seu quarto já que Alexa queria assistir mais televisão e... não vimos problema – admite, sério, abrindo e fechando a boca, desistindo de falar.
— Se pretendia me dizer que nada aconteceu, poupe seu tempo – adverte, respirando profundamente, virando-se para os filhos – Qual dos dois vai me contar exatamente o que aconteceu depois que viajamos e por favor não toquem na história da festa se não quiserem me fazer perder o pouco de paciência que resta! – adverte, olhando-os – Então? Estou esperando – cobra, cruzando os braços no instante em que a porta é aberta dando passagem à esposa, que se posta a seu lado pousando uma mão sobre seu ombro direito.
— Ethan me garantiu que tinha falado com vocês no final da tarde, no sábado, e que havia mudado de ideia e permitido ao pessoal dormir em casa, pai. Todo mundo – Maddie afirma – A mãe da Laura estranhou e até tentou ligar pra vocês, mas os dois números deram fora de área e como vovô Merlyn e vovô Snow chegaram enquanto conversávamos, ela sabendo que os dois dormiriam aqui também, não viu problema na Laura ficar – revela, olhando de um para outro, ansiosa – Não o desobedeceria propositadamente pai, sabe disso – lembra.
— Sabemos que nenhum dos dois o faria Maddie – Caitlin a corrige, dando atenção ao filho, que permanecia calado, cabisbaixo – O que tem a dizer Ethan? – questiona-o.
— Adianta eu dizer alguma coisa? Não irão acreditar mesmo! – responde, desanimado.
— Para quem cogitava, até alguns dias atrás, ser advogado ou promotor desiste muito fácil de argumentar em sua defesa –relembra Cait olhando-o carinhosamente, o garoto encarando-a um tempo, dando um suspiro profundo antes de começar a falar.
— Tudo que eu queria era passar um pouco mais de tempo com a Laura. A gente quase não fica junto por causa do idiota do pai dela – diz, prosseguindo após olhar sorrateiramente a expressão do pai – Evidente que a ideia de transar com ela passou por minha cabeça sim, mas somente se ela também quisesse e isto meio que acabou assumindo a posição de bônus depois que vi a alegria da Sarah – afirma – Ela é uma menina legal, não merece o que os pais estão fazendo com ela....
— Nisto concordamos – Maddie o interrompe momentaneamente.
— Quando a vi tão contente com tudo que havíamos preparado...sei lá, só achei que seria legal, que ficaria ainda mais feliz se pudesse ficar com as amigas mais tempo e só pra que saiba pai, mandei uma mensagem pra você – revela, Thomas permanecendo calado – Tá, eu sei que fiz besteira, mas poxa vida, não sou mais criança! Não somos. Tá na hora de vocês confiarem um pouco mais na gente né não? – aponta de si para a irmã e o namorado dela – Apesar de implicar com ele, sei que confia no Connor ou não o deixaria dormir aqui tantas vezes, algumas até no quarto da Maddie...
— Com a porta aberta. Sempre – pontua a garota, tensa.
— Nem sempre não é filha? – Thomas manifesta-se, encarando-a, o rosto da garota assumindo uma tonalidade avermelhada.
— Então pai – Ethan retoma – Se sabe disso, na boa, que diferença faz vocês estarem ou não em casa? E quantas vezes já saíram juntos sozinhos? – argumenta.
— Sério que está tentando tirar o foco de você maninho? – Maddie inquire, aborrecida.
— Não. O que quero dizer é que se você e Connor ou eu e Laura quiséssemos fazer algo...errado, eles estarem longe ou perto não faria diferença alguma – explica – Admitam: demos uma prova de que podem confiar em nós já que Laura e Connor estiveram o tempo todo o tempo todo aqui conosco e não termos feito nada demais, não foi? – argumenta, olhando do pai para a mãe alternadamente – De novo, sei que fiz besteira, que deveria realmente ter feito o que disse a todos que tinha feito, falar com você de novo pai, mas, tirando o que aconteceu na festa, que não foi nossa culpa, só pra constar, o final de semana foi tão bom quanto o de nosso aniversario. Todo mundo se divertiu, a Sarah está feliz...até os vôs, que andavam bem jururus, estão felizes. Precisavam ver os dois brincando de índio com os trigêmeos!! – relembra, arrancando um sorriso de Caitlin.
— Acha mesmo que isto justifica sua atitude filho? – Thomas questiona, encarando o garoto.
— Não senhor – responde, abaixando o olhar – Desculpa pai... e mãe – pede, erguendo-os novamente – Sei que errei e assumo as consequências de meu ato – afirma, empertigando-se.
— Sério? Está realmente disposto a assumir as consequências de seus atos? – Thomas interroga, balançando a cabeça negativamente, um sorriso amargo – Disse a pouco que não quer ser tratado como criança, que temos de confiar mais em vocês dois – lembra, apontando de um para outro – Então demonstrem que merecem isto não apenas com palavras, mas com atos e bancar o João-sem-braço pondo toda responsabilidade sobre seu irmão é ser tão culpada e infantil quanto ele Madeleine – pontua, encarando-os por um tempo, suspirando antes de voltar a falar — A curto prazo, sua mentira irá obrigar-me antecipar a conversa com Ronnie Palmer a fim de evitar que ambas, Sheila e Laura, venham a sofrer algum tipo de represália por parte dele. Saiba que existe o risco de ele resolver cumprir a ameaça de tentar tomar a guarda da filha da ex – revela, o garoto ficando pálido – Imagino que isto decretaria o fim de seu namoro porque certamente iria tira-la da atual escola para outra além de, sem medo de estar exagerando, contratar seguranças para impedi-la de vê-lo – diz, encarando o filho alguns segundos – Estão de castigo, os dois. Nada de festinhas, nem mesmo em casa, saídas em finais de semana para onde quer que seja, ou reuniões com amigos. Sua rotina durante um mês será casa/escola e vice-versa – decreta.
— Não é justo! – Maddie protesta – Ethan que mentiu pra todo mundo....
— E Todos fizeram Questão de bancar o Joao-sem-braço! – reitera o empresário alterando a voz, impaciente – Conveniente, não é filha? Nenhum dos dois tentou saber se ele havia falado comigo novamente– aponta dela para Connor – Por de fato confiar em você, como meu filho bem lembrou, acredito que nada aconteceu. Mas Connor, de uma próxima vez, tome a iniciativa de buscar apurar se o que estão lhe dizendo é certo ou não – aconselha – Bom, agora é melhor que vá para sua casa e vocês para seus quartos. Quando o jantar estiver pronto mando chama-los – ordena.
— Posso levar Connor ao carro antes? – Maddie pede, levantando-se.
— Melhor não Maddie. Nos despedimos na sala – o rapaz antecipa-se, estendendo-lhe a mão – Boa noite senhor e senhora Merlyn e desculpem qualquer coisa – pede, conduzindo a namorada para fora da saleta.
— A longo prazo, o que acha que pode acontecer pai? – Ethan questiona, encarando-o.
— Isto vai depender da reação que o pai dela terá depois de nossa conversa – diz o empresário – Sei bem o que é estar apaixonado filho, e tudo que isto envolve, mas atitudes como as que tomou, sempre trazem consequências mais ou menos graves a todos os envolvidos. Já pensou quantos problemas o excesso de penetras na festa poderia ter causado? A senhora Logan nos disse ter retirado diversos jovens dos quartos, de ter pego outros tantos mexendo em armários e moveis, entrando e saindo pela casa toda. Não temos segredos, muito menos me preocupo com possíveis furtos. O que poderiam resultar tais atos é o que me preocupa de fato. Você e sua irmã não fizeram nada de errado, como frisou, mas e quanto a seus amigos? Ou primos? Quanto aos penetras? Muita coisa ruim pode acontecer por conta de uma mentira filho – admoesta – Espero sinceramente que isto não se repita. Disse a pouco que n
— Não ira pai — garante – Me desculpem por toda essa confusão – pede, levantando-se – Não precisa me chamar pra jantar. Tô sem fome. Boa noite pai, mãe – avisa, recebendo um carinho ao passar por Caitlin.
— Tommy...
— Não me peça para repensar o castigo porque não vou fazê-lo – adianta-se.
— Não pretendo pedir que o faça até porque concordo que merecem – afirma ela, massageando o braço do marido – Quero saber se pretende mesmo antecipar a conversa com Ronnie Palmer – diz.
— Sim – confirma, passando a mão pelo cabelo – Assim que ele chegar de viagem irei procura-lo para uma conversa séria e definitiva. Já passou da hora de isto acontecer. Me acomodei e deixei a coisa fugir do controle. Deveria ter tido essa conversa anos atrás quando todo esse mal-entendido entre mim e ele começou – afirma em tom baixo, como se falasse para si mesmo.
— Nunca chegamos a conversar sobre isto, essa raiva que ele tem de você, de forma mais esclarecedora – Cait relembra – Na época em que ele retornou não me importei em perguntar por conta de tudo que aconteceu. Depois fiz como você, deixei para lá...será que não seria a hora de retomarmos este assunto? Até para que saiba em que terreno estou pisando – questiona.
Passam-se alguns minutos até que ele responda.
— Ronald é bissexual – revela, Cait abrindo e fechando a boca, sem saber o que dizer – Nunca ninguém suspeitou de nada e acredito que nem mesmo a família dele saiba a verdade – diz, encarando a esposa – Hoje em dia isto não chega a ser nenhum escândalo, mas quinze anos atrás, em Starling, não apenas seria considerado um quanto poderia por a reputação da família na lama, ainda mais ele estando envolvido com o tipo de pessoas com as quais estava – acresce.
— Ele...Como descobriu? – Cait consegue perguntar, titubeante.
— Ele não deu em cima de mim, se é o que o que deseja saber, nem eu era amigo do pessoal com o qual estava envolvido –Tommy declara, rindo torto — A paixão recolhida dele na época atendia por outro nome: Oliver – revela deixando a esposa estupefata.
— Então como você descobriu?? – reinquire.
— Durante a virada de ano novo, dois anos depois que a família Palmer havia mudado para Starling – revela, coçando o queixo – Os Queen davam sua tradicional festa e toda sociedade estava presente. Não preciso dizer que havia bebida à vontade. Por mais que Robert e Moira tentassem controlar, não puderam evitar os mais jovens acabarem bêbados. A certa altura, Barry, Ray e Sara subiram na mesa principal e começaram a fazer um strip tease chamando atenção de todos. Neste momento notei uma loira surgir do nada. Evidente que Ollie também notou e foi até mais rápido que eu na aproximação. Os dois trocaram umas palavras e depois foram em direção a casa de barcos da mansão. Não me pergunte porque, mas mesmo não estando totalmente sóbrio algo naquela garota acendeu uma luz de alerta e acabei indo atrás deles – diz, calando-se ao escutar a porta ser aberta.
— Senhor e senhora Merlyn, o jantar está servido – a senhora Logan avisa.
— Obrigado Norma – agradece o empresário – Avise Ethan e Maddie por favor – pede – Diga nosso filho que desça ou irei busca-lo – pede
— Sim senhor – anui a mulher, retirando-se.
— Resumo da ópera: Ollie só não transou com ele porque Laurel também havia notado a fuga dos dois, me viu seguindo-os e me seguiu. Também não preciso dizer que ela armou o maior barraco fazendo-o fugir na primeira oportunidade certamente temendo ser desmascarada, porém o segui, por curiosidade em parte, pois julgava conhecer todas as garotas da cidade e vi quando entrou no carro retirando a peruca e parte da maquiagem. A princípio não dei credito ao que vira por estar alto – lembra fazendo aspas no ar– Mas quando, uma semana depois dei de cara com a mesma loira em uma boate transando no banheiro masculino com um dos tais sujeitos, minha dúvida caiu por terra posto que não usava nenhuma maquiagem. Aliás, preferia não ter visto nada. Além de demorar uma eternidade para conseguir esquecer a cena bizarra, não conseguia encarar o irmão de Ray sem sentir nojo e vontade de vomitar, o que o levou a desconfiar e, por conseguinte confirmar suas suspeitas de que havia descoberto seu segredo cabeludo – revela, levantando – Depois do jantar te conto os detalhes escabrosos.
— Tem mais?? – pergunta ela, surpresa.
— Muito mais – garante, abrindo a porta para a esposa sair – E ainda nem te contei o porquê de ele me odiar.
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Cait (23:45 p.m)
Sentada no banquinho defronte a penteadeira, escovo meu cabelo vigorosamente enquanto espero Tommy vir para nosso quarto relembrando o teor de nossa conversa antes do jantar.
Apesar de tudo, o jantar havia sido tranquilo. Ethan descera, mesmo contra vontade pois não queria irritar ainda mais o pai, Maddie estava surpreendentemente descontraída, meu sogro e meu pai, que ficaram pra a refeição conosco, mantiveram uma conversa amena com meu marido evitando retomar o que acontecera em casa antes de nossa chegada. Quanto a mim, passei a maior parte do tempo em silencio, digerindo tudo que Tommy contara, como fazia neste momento.
Nunca me considerei uma pessoa preconceituosa. Meus pais, em grande parte por conta da religião, ensinaram-me não julgar ninguém para não sofrer o mesmo. Porém, saber a verdade sobre Ronnie fora um pouco demais para mim e estava testando minhas convicções.
— Seu pai deixou um beijo – ouço Tommy dizer ao entrar em nosso quarto, fechando a porta atrás de si – O meu também, a propósito – acresce, sentando na beirada da cama, descalçando sapatos e meias.
— Maddie e Ethan?- pergunto, olhando-o através do espelho.
— Foram deitar depois de pedirem, os dois desta vez, desculpas pelo acontecido – diz, desabotoando a camisa devagar – Ah, antes que esqueça, Felicity ligou e pediu para te avisar que Anitta e o bebê passam bem e ela deve receber alta amanhã a tarde – conta, despindo a camisa, levantando e vindo até mim – O que houve com seu celular? Ela disse que tentou ligar e dava fora de área – pergunta, parando as minhas costas, pondo as mãos em meus ombros nus.
— Deve ter descarregado – digo, olhando a volta – Pra ser sincera, não sei se o retirei da bolsa depois que chegamos. Fiquei tão focada em resolver as coisas, por os gêmeos para dormir que sequer desfiz nossas malas – admito, encostando meu corpo ao seu, suspirando ao sentir seus dedos massageando meu pescoço – Humm, que delícia! – sopro, afastando-me delicadamente – Mas, quero saber o reto da história. Por que, afinal de contas, Ronnie te odeia tanto? – questiono, girando sobre o assento, ficando de frente para ele, envolvendo-o pela cintura.
— Porque pensa que fui o responsável por uma matéria num desses tabloides de gosto duvidoso onde sua dupla vida foi parcialmente exposta – conta, sentando a meu lado – Como disse, depois que o flagrei naquele banheiro, passei a evitá-lo mais acintosamente. Pode me chamar de preconceituoso, mas não me sentia confortável ao lado dele ainda mais sabendo de sua paixão por Ollie.
— Oliver soube na época? — questiono.
— Contei-lhe no dia seguinte ao flagra na boate – revela – Ambos decidimos apenas evitá-lo sem contar o que sabíamos a ninguém, não por ele, mas por Ray e os pais. Mantemos nosso acordo até hoje. Depois de Ollie, apenas Felicity e agora você, sabem a verdade. Não contamos a nenhum de nossos amigos justamente por sabermos o que aconteceria. Nem mesmo a nossos pais falamos.
— E por que Ronnie pensa diferente? Por que julga que você tenha sido responsável pela tal matéria e como não foi exposto por completo? E como sabia que você sabia sobre a dupla diva que levava? – disparo fazendo-o rir.
— Uou! Calma aí, vou te contar tudo – afirma, respirando fundo antes de seguir – Bem, começando pelo final: quando passei a evitá-lo de forma mais evidente, Ronnie montou uma armadilha para mim – revela – Uma noite em que estava com o pessoal na boate, aproximou-se de nós travestido. Lógico que apenas eu o reconheci. Nem mesmo Oliver o fez. Nem Ray, que estava conosco aquela noite, foi capaz de reconhecer o irmão – conta, rindo com o canto da boca – Pois bem, os caras o convidaram a sentar em nossa mesa, ele aceitou e a partir daí procurava me provocar ora pondo a mão sobre minha coxa, ora com palavras e insinuações de duplo sentido. Evidente que minha paciência foi pro espaço e o repeli de forma agressiva deixando a galera confusa. Me levantei da mesa e fui para o bar. Ele me seguiu e lá, longe do resto do grupo, me fez ameaças caso revelasse sua identidade para algum deles, o que, lógico, foi um erro.
— Não disse que não o havia entregado? – contesto, confusa.
— Não revelei seu nome, mas o desmascarei como sendo homem diante da boate inteira – revela – Depois que me ameaçou, se afastou, indo para o meio da pista, dançar, esfregando-se em todos os que estavam próximos incluindo Ray e Oliver. Não preciso dizer que o sangue me subiu à cabeça preciso? – questiona e aperto os lábios retendo o riso ao imaginá-lo na adolescência, irritado após ter sido provocado e ameaçado. Pelas histórias que escutei dele desde que começamos a nos envolver e por suas reações, que conheço bem hoje em dia, imagino que paciência não era uma de suas virtudes. Tal qual resignação ou não teria tido tantos problemas com o pai – Terminei a bebida que havia pedido e me dirigi a pista entrando no meio do grupo formado por meus amigos mais Sara, Laurel e duas outras garotas que andavam conosco naquela época. Comecei a dançar como todos estavam fazendo, me aproximei de Ronnie aproveitando que estava distraído sendo encoxado pelo capitão do time de football e na primeira oportunidade arranquei a peruca e a mini saia que usava, expondo-o. Evidente que todos os rapazes se afastaram imediatamente, alguns xingando. Geral começou a zoar dele fazendo com que saísse correndo da boate – faz uma pausa, pensativo – O que eu não contava era a presença do fotografo desse tabloide no local. O cara fotografou todo o lance na pista. Não satisfeito o seguiu e viu quando entrou em seu carro. Ronnie sempre foi muito exibido e fazia questão de aparecer. Com o carro não era diferente. O modelo era um exclusivo e assim que as fotos foram publicadas as suspeitas recaíram sobre ele. Os pais não gostaram nada da repercussão e foram a público com os dois filhos exigir uma retratação. O próprio Ronnie fez questão de aparecer em bares, boates, eventos entre outros com uma garota diferente durante um mês deixando-se fotografar em situações intimas. Depois disto, declarou abertamente seu ódio por mim considerando-me responsável por tudo que havia acontecido. O que ele não sabe é que o escândalo teria sido mil vezes maior não fosse a interferência de Oliver e minha – diz.
— Como assim? – questiono.
— Bem, o tal fotografo acabou sendo demitido e por raiva ou vingança, sei lá, passou a segui-lo. Por alguma razão o cara pensou que eu tinha interesse em expor Ronnie e me procurou uma tarde quando saia do treino – lembra, balançando a cabeça negativamente – Cait, não tem noção do material que o sujeito tinha em mãos! Fotos, vídeos, gravações de encontros inteiros entre Ronnie e dois sujeitos, um dos quais o tal da boate, onde aparecia transando com eles. As vezes com os dois, outras havia uma mulher presente, em festas em locais de reputação duvidosa não apenas em Starling mas Central também. Se tivesse publicado aquilo, não apenas ele, mas a família teria ido a ruína – assegura, me deixando espantada – Fingi interesse e convenci o cara a me entregar todo material que tinha para analisar. À noite, mostrei a Oliver. Decidimos pagar por tudo inclusive as copias que tivesse feito. Entramos em contato com o sujeito, marcamos o encontro, pagamos, e ficamos com tudo que ele tinha incluindo cópias. Mesmo assim, por garantia, Ollie falou com uma garota com a qual saia cuja mãe era ancora do jornal local para conseguir um teste para o cara na emissora desde que ele não nos enganasse.
— Suponho que tenha dado certo já que nada veio a tona – presumo, Tommy confirmando com um aceno.
— Cerca de dois a três meses depois, mais ou menos na mesma época em que Adalind veio morar em casa, Ronnie viajou ficando um bom período fora – lembra , levantando – Nunca soube o motivo dessa viagem e quando ele retornou a cidade tinha meus próprios problemas pra me preocupar e a vida dele não fazia parte de minha lista – frisa, abrindo botão e zíper de sua jeans, despindo-a – Te convidaria a me acompanhar, mas já tomou seu banho então...- deixa a insinuação no ar, me dando as costas, entrando no banheiro.
— Ronnie bissexual! – repito para mim mesma, pensativa – E ainda travestindo-se...Espera um segundo..- reflito, franzindo o cenho, levantando rápido – Tommy, o fato de ser bi não obriga ninguém a se vestir diferente. Por qual razão ele fazia isto? – questiono, mordendo o lábio ao vê-lo debaixo do chuveiro.
— Nunca soube nem perguntei. Mesmo porque poderia interpretar mal meu interesse e como falei antes, pode me chamar de machista, mas se antes já não simpatizava ou queria conversa com ele, depois do que vi quis menos ainda – reforça, sorrindo de forma provocativa – Ouviu o que eu disse? Ou está distraída demais? – provoca-me, apoiando as mãos na porta aberta do boxe, as gotas de água escorrendo por seu corpo – Terra para Cait! – estala os dedos fazendo-me erguer os olhos, encontrando os seus, o brilho malicioso me pondo em chamas.
— Sabe, acho que vou me refrescar um pouco. De repente me deu um calor! – exclamo, despindo a camisola, única peça que usava, recebendo seu olhar faminto – Por que esses olhos e essa boca tão grandes, lobo mal!? – brinco, mordendo o lábio outra vez, me aproximando devagar, soltando um gritinho quando me agarra e puxa para dentro.
— Preciso responder essa pergunta chapeuzinho!? – devolve, tomando minha boca num beijo ávido que me deixa sem fôlego.
— Não, não precisa – sopro, ofegante quando cessa o contato em busca de ar – Melhor demonstrar – sugiro, enroscando meus braços em seu pescoço.
— Será um prazer! – diz, beijando-me novamente.
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Palmer Tech (Quarta, 21/10 – 10:34 a.m)
Narrador
— Bom dia senhora Mouses– Ronald Palmer cumprimenta a mulher, parando junto a mesa da secretaria, pegando os envelopes sobre o tampo, entrando em sua sala sem dar atenção aos presentes, o homem parado junto a janela do décimo oitavo andar do prédio voltando-se ao escutar sua voz.
O empresário atira a pasta sobre o sofá próximo, estancando ao escutar ser chamado pela secretaria.
— Senhor Palmer, o senhor Merlyn está aguardando para lhe falar – avisa fazendo com que se volte rápido.
— Como é? – interroga, travando o maxilar ao escutá-la repetir a informação.
— O senhor Merlyn aguarda para lhe falar. Está a sua espera a mais de uma hora – reforça a mulher, recuando um passo ao ver a expressão do patrão – Quer que o dispense? Avisei-lhe que sua agenda estava cheia, mas quis esperar – conta, dando mais um passo atrás.
— Não – responde finalmente, abrindo e fechando os punhos – Dê-me cinco minutos e o faça entrar – ordena, dirigindo-se ao bar no canto do escritório luxuoso, servindo-se de um drink o qual sorve de um único gole, mexendo a cabeça lateralmente, erguendo o rosto em direção a enorme janela de vidro, permanecendo inerte a olhar para fora até escutar a voz da secretaria mais uma vez.
— O senhor Merlyn – avisa, abrindo a porta ao mesmo tempo em que o empresário se volta, o riso cínico morrendo ao deparar-se com a figura imponente parada em meio a seu escritório.
– Confesso ter pensando tratar-se de outra pessoa quando minha secretaria anunciou sua presença – declara o empresário, recuperando-se parcialmente da surpresa, recuando instintivamente quando o outro se aproxima.
— Imaginei diante de sua reação– afirma o recém-chegado, encarando-o, a expressão endurecendo – Hora de termos uma conversa definitiva meu caro Ronald – Malcom Melryn declara, rindo enviesado.

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