Perfect!

53 Is too late to apologize?


Notas iniciais
Olha quem resolveu aparecer!!! Olá flores. desculpem a demora mas estou em processo de mudança, por assim dizer, e precisarei de um tempo para me reorganizar. Não irei atrasar muito mais os capítulos porem não sei se conseguirei postar no intervalo que desejo salvo O Preço, que ainda tenho capítulos na reserva. Mas na medida em que for terminando os capítulos em andamento irei postando. Próximo provavelmente será Madly, em seguida LH, os dois que estão em fase de correção. No mais, espero suas rewiews (alias irei responder a todos nas outras fics agora mesmo)...Boa leitura....Bjinhos flores.

“ Pra você guardei o amor que eu nunca soube dar;

O amor que tive i vi sem me deixar;

Sentir sem conseguir provar, sem entregar e repartir;

Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar;

O amor que vive em mim vem visitar;

Sorrir, vem colorir solar, vem esquentar;

E permitir...”

Pra Você Guardei o Amor

Nando Reis part. Ana Cañas

Palmer Tech (quarta, 21/10 -15:45 p.m)

Narrador

— Sim? – Ronnie Palmer pergunta, apertando o botão do interfone em sua mesa

< Senhor Palmer, o senhor Thomas Merlyn pede para que o receba > anuncia sua secretária fazendo o empresário fechar os olhos e respirar profundamente.

— Tommy está aqui? – Raymond Palmer espanta-se, erguendo os olhos do contrato que examinava, olhando diretamente para o irmão.

— Foi o que ela disse não foi? – devolve Ronnie, mal humorado – Mande-o entrar – ordena, soltando o botão – Pai e filho num mesmo dia...eu mereço! – resmunga não tão baixo quanto deveria fazendo irmão o encarar de olhos semi cerrados ao vê-lo arrumar-se, abrindo e fechando uma das gavetas em sua mesa – O que foi Raymond? Não estou escondendo nenhuma arma, não se preocupe – ironiza, cerrando os punhos ao ver a porta ser aberta dando passagem a Thomas – Thomas Merlyn, prospero empresário do setor aeroviário de Starling e redondezas! A que devo a honra de sua visita? – ironiza, encarando o moreno a sua frente.

— Boa tarde Ronald, Ray – cumprimenta-os, recebendo um breve aceno do Palmer mais novo, ainda absorto em digerir a informação que o irmão deixara escapar – Vou ser direto: vim falar sobre nossos filhos – Thomas diz tranquilamente, ainda de pé.

—Deixe-me adivinhar: veio pedir-me permissão para que aquele moleque namore minha filha, acertei? – interroga, não dando chance ao empresário responder – Não pensei que fizesse o tipo antiquado Merlyn. Vai querer um dote também? – ironiza novamente, rindo com o canto da boca.

— Devo concluir que já sabe do envolvimento dos dois? – questiona Thomas, ignorando os comentários do outro. Havia prometido a esposa ser paciente e não responder as provocações que por ventura fizesse.

— Até Raymond já sabe disso Merlyn! – exclama o empresário, sinalizando para que sentasse, ao que Thomas recusa com um gesto de cabeça – Pelo que soube, seu filho é atrevido o suficiente para não esconder o interesse em minha filha. Admito que o moleque ganhou um pouco do meu respeito por isto – afirma, sério.

— Minha esposa e eu gostamos muito de Laura. É uma menina inteligente, bondosa e apesar de tudo ficamos felizes em saber que nosso filho estava se envolvendo com ela – Thomas afirma, respirando fundo antes de continuar – O que vim lhe pedir, ou propor, como queira, é que deixemos os dois fora de nossas desavenças. Evidente que se pudesse escolher esse namoro não aconteceria e...

— Por que não? Acaso julga minha filha inferior a seu filho? – Ronaldo corta-o, enrijecendo o corpo na cadeira.

— Esse namoro não aconteceria por conta do passado entre nós três, não por Laura. Como disse, a consideramos uma boa menina – Thomas o corrige – Caitlin temia que você julgasse provocação de nossa parte apoiar os dois e por conta disto se opusesse com mais afinco – revela, Ronald rindo sem mostrar os dentes, girando sua cadeira de um lado para o outro.

— Não foi a única. Minha ex certamente deve pensar o mesmo já que tentou de todas as formas esconder o que estava acontecendo de mim – comenta, apoiando os braços sobre a mesa, inclinando o corpo para frente – Tem uma filha da mesma idade. Diga-me Merlyn: que faria se fosse o contrario? Se estivesse em meu lugar e eu no seu? – questiona, recostando-se antes de prosseguir – Nós dois sabemos o que os garotos nessa idade querem. Transar. Sexo sem compromisso e nenhum pai gosta de pensar em um marmanjo tirando proveito de sua menina – argumenta.

— Concordo. Porém deve concordar comigo que proibir não é a melhor alternativa – Thomas pondera – Minha filha e o namorado dormiram e dormem algumas vezes juntos em nossa casa ou na dele. Não posso dizer que é fácil pra mim, mas prefiro saber exatamente aonde estão. Nos dias de hoje é o melhor que podemos fazer – prossegue – Não posso prometer a você que Ethan irá se comportar cem por cento do tempo. Posso garantir que estaremos de olho sempre que estiverem em nossa casa. Já tive uma conversa séria com ele e terei quantas mais julgar necessário para chamar atenção ou corrigir o comportamento dele. Ethan está levando bastante a sério esse namoro. Mais até do que gostaria, admito – afirma o empresário.

— Laura também, pelo que sei – Ronald revela, surpreendendo-o – Nessa idade tudo parece eterno, definitivo, possível...- divaga, silenciando repentinamente.

— Está de acordo em deixar os dois de fora então? Vai deixa-los namorar em paz? – pergunta, tirando-o do devaneio.

— Se seu filho fizer minha filha sofre, se magoa-la de alguma forma....

— Eu mesmo me encarregarei de puni-lo – Thomas se adianta.

— Está certo Merlyn. Darei uma chance a seu garoto, mas saiba que estrei de olho e nada de dormir em sua casa ou na de minha ex, aliás irei falar com Sheila ainda hoje sobre isto – avisa – Mais algum assunto? – pergunta.

— Não. Nenhum – Thomas diz após um breve silencio onde aproveita para examinar o outro – Fico feliz que tenhamos nos entendido – afirma.

— Não se anime muito com isto Merlyn. Nada mudou em relação ao que penso a seu respeito muito menos de sua senhora – diz, respirando fundo – Mas pelo bem de minha menina vou tentar engolir esse namoro – declara.

— Tomarei isto como um ato de boa vontade de sua parte – Thomas diz – Boa tarde Ronnie, Ray – despede-se, voltando-se para sair, estancando ao escutar ser chamado.

— Melryn, avise seu garoto que estarei de olho. Melhor ele se comportar – reforça, Tommy encarando-o por breves segundos antes de sair, Raymond levantando rapidamente, o seguindo.

— Tommy, quando vai me contar o que há entre você e Ronnie e não me diga que já sei porque essa rixa, por assim dizer, antecede a Caitlin – questiona, parado em meio a antessala do escritório, encarando o amigo.

— Talvez seja melhor que fizesse essa pergunta a seu irmão – sugere – Por hora, tenho uma pequena dúvida a ser esclarecida – diz, dirigindo-se a secretaria -Senhora, poderia dizer-me qual horário meu pai esteve aqui? – pergunta, direto, vendo a mulher empalidecer.

— Nenhum horário senhor Thomas – nega a mulher fazendo-o rir minimamente.

— Entendo. Obrigado – agradece, dando atenção a Ray novamente – Vai ao jantar de boas vindas a pequena Susie? – questiona.

— Não perderia por nada, mesmo porque Sara organizou tudo e me mataria! – brinca o moreno fazendo Tommy sorri.

— Nos vemos na casa dos Diggle então. Até mais tarde Ray – despede-se do amigo com um aperto de mãos, seguindo direto para o elevador.

— Senhora Mouses, uma dica – Ray diz, voltando-se para a mulher assim que Tommy entra no elevador – Aliás, vale para todas – corrige-se, apontando as duas jovens estagiarias fazendo-as sobressaltarem-se – De nada adianta negar a presença de Malcom Merlyn em algum lugar, ao mesmo tempo ou anterior ao filho, se ao anunciar a presença do segundo o faz especificando – sugere, a mulher o encarando confusa – Quando foi avisar meu irmão da presença de Tommy, frisou tratar-se do senhor Thomas Merlyn. As pessoas tendem a fazer essa diferenciação apenas e tão somente quando ambos, pai e filho, estão no mesmo ambiente ao mesmo tempo ....Ou quando um esteve antes que o outro com pouco tempo de intervalo, ou seja, assim que o anunciou, não apenas eu mas o próprio Tommy teve certeza de que o pai havia estado por aqui anteriormente – conclui, piscando para ela antes de retornar ao escritório do irmão.

— Oh, droga! O senhor Ronald vai me esganar – comenta a mulher, tensa.

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Tommy (16:20 p.m)

Deixo o prédio da Palmer com uma duvida ardendo em minha mente, indeciso se deveria esclarece-la agora depois, o toque de meu celular tirando-me do devaneio.

— Oi amor – atendo, destravando meu carro ao aproximar-me.

< Onde está? Já falou com Ronnie? Como foi? > pergunta e por seu tom sei que está preocupada.

— Acabei de sair da Palmer Tech e devo dizer que foi surpreendentemente bem – conto, entrando no veículo, acoplando o aparelho ao painel, pondo-o no viva voz a fim de continuar falando com Cait.

< Como assim? Esta querendo dizer que ele aceitou sem questionamentos ou ameaças o namoro dos dois, é isso? > quer saber.

— Não exatamente afinal não seria Ronnie se não o fizesse – digo escutando-a rir – Fez sim ameaças, mas bem mais leves do que esperava e em momento algum citou uma possível tentativa de tirar a guarda de Laura da Sheila, muito embora ainda irá conversar com ela. Aliás, seria bom que avisasse sobre isto – aconselho, manobrando a fim de deixar o estacionamento do prédio.

< Farei isto. Mas como foi com ele? O que disse quando falou o assunto que te levou a procura-lo? > interroga e desta vez sou eu a rir de sua curiosidade e ansiedade.

— Bem, pra começar, assim como previ, não ficou surpreso. Já sabia sobre o envolvimento dos dois e claro que não gostou – digo, parando no farol vermelho – Te conto os detalhes daqui a pouco, em casa. Mas uma coisa me intrigou: tenho certeza de que meu pai esteve com Ronnie em algum momento hoje – revelo.

< Malcom foi ver Ronnie? Pra que? Por que? > Cait questiona.

— Estou me fazendo as mesmas perguntas amor – digo, suspirando – E algo me diz que essa visita teve a ver com a mudança sensível na atitude de Ronnie comigo. Evidente que me provocou, mas de uma maneira completamente inesperada – admito — Esperava um comportamento diferente do que encontrei. Mesmo quando ameaçou fazer algo contra Ethan caso magoasse Laura, não foi da maneira que esperava.

< Ele ameaçou nosso filho e ainda acha que está tudo bem? Tommy, Você está bem? > indaga.

— Estou amor e o que quis dizer é que Ronnie não disse nada que eu não tenha dito a Connor quando começou a namorar firme com Maddie, especialmente no ultimo ano – relembro escutando seu “Ah” – Ronnie agiu exatamente como eu agi e isto me deixou surpreso e confuso. Ele concordou em não interferir excerto se ou quando Ethan fizer algo que magoe a filha, aceitou deixar nossas diferenças de lado em prol da felicidade dela...Eu realmente não esperava essa reação e começo a pensar até onde a visita de meu pai teve influência nisso – confidencio.

< Mas o que Malcom pode ter dito ou feito para mudar a opinião de Ronnie? > interroga.

— Não sei amor. Sequer imagino mas conhecendo meu pai como conheço, só posso pensar que o ameaçou de alguma maneira, o que me leva a mais um questionamento: o que ele teria contra Ronnie? – questiono, respirando fundo, nenhuma das possibilidades que passam por minha mente sendo agradável.

< Acha que seu pai pode ter descoberto o segredo de Ronnie e estar usando pra mantê-lo afastado de Ethan? >

— Em se tratando dele, tudo é possível amor- respondo – Mas vamos deixar isso de lado por hora – minto – O importante é que Ronnie não irá interferir no namoro deles. Mesmo assim terei outra conversa, essa definitiva, com nosso filho ainda hoje – aviso – Quer que busque os gêmeos? – mudo de assunto.

< Quero sim meu amor. A reunião aqui parece que vai demorar um pouco mais que o previsto, ao que parece. Te liguei justamente pra pedir isto > avisa < Assim que chegar, peça para Karina banha-los e deixar os três prontos. Chegarei em cima da hora de sairmos para a casa de Anitta e Jax. Terei tempo apenas para uma ducha rápida e mudar de roupa >

— Quer que te espere para tomarmos banho juntos? – sugiro, rindo alto de sua resposta.

< Tommy, quero chegar com o mínimo de atraso, não ter que ligar pedindo desculpas por não comparecer! >

— Ok, sem banho juntos então – decreto, rindo – Nos vemos em casa amor. Beijos – despeço-me.

< Beijos > retribui, desligando ao mesmo tempo que eu.

Passo primeiramente na empresa para ver se estava tudo em ordem além do mais ainda tinha algum tempo para pegar as crianças.

Checo a programação para o restante da semana bem como do final de semana, confiro as planilhas junto com Singer e Jimmy para somente então ir pegar as crianças na escola.

Desta vez não é Laura quem me recebe, como fizera outras vezes. Não resisto perguntar por ela sendo informado que estava auxiliando a professora da turma do jardim I.

Sigo direto para casa aonde faço conforme Cait havia pedido, deixando-os aos cuidados de Karina enquanto me preparo para o jantar.

— Pai? Posso entrar? – escuto Ethan pergunta quando estou terminando de me barbear.

— Sim – respondo, vendo-o abrir a porta, entrando relutante – O que há filho? – pergunto ao notar sua expressão triste.

— Queria saber se posso ficar em casa. Não tô muito em clima de festa – diz, recostando-se ao batente da porta.

— Esse desanimo tem nome? – questiono olhando-o através do espelho, meu filho dando de ombros, torcendo o nariz, chateado – Se não quiser ir conosco tudo bem, não vou te obrigar – começo dizer, enxugando o rosto antes de me voltar para ele – Estive com Ronnie Palmer hoje à tarde – revelo, recostando-me ao balcão, cruzando os braços – Tivemos uma conversa rápida, franca e surpreendentemente tranquila – informo, encarando-o.

— E ai? O que ele disse? – pergunta, não escondendo a ansiedade ante meu silencio – E ai pai, o que vocês conversaram? O que ele disse? Vai fazer algo contra a mãe da Laura? Vai tentar tirar a guarda dela? Vai impedir a gente de se vê...se bem que nem precisa – dispara, baixando os olhos, triste.

— O que aconteceu? Vocês brigaram? – questiono, desviando minha atenção para a porta do quarto ao vê-la abrir-se – Um segundo Karina. Já vou ajudar – aviso.

— Vim justamente avisar que não precisa senhor, as meninas me ajudaram. Estão prontinhos sentados na sala assistindo televisão – comemora, sorridente.

— Obrigado. Daqui a pouco desço e te libero – aviso, ela saindo após anuir com um aceno de cabeça – Então filho, o que aconteceu entre você e Laura? – retomo, passando por ele ao sair do banheiro, retornando ao quarto para me arrumar.

— Ela pediu um tempo por causa dessa ameaça que o pai tinha feito a mãe – conta, sentando-se sobre o colchão, desanimado – Na segunda-feira mesmo me disse que depois do que aconteceu no final de semana não queria causar problemas para a mãe, então a gente meio que tá afastado – completa, brincando com uma das almofadas de Cait – Devia ter te avisado, eu sei, pra evitar esse encontro desagradável. Desculpe – pede – Na verdade tinha esperança de que algo mudasse...

— Então se anime porque Ronnie concordou em deixar nossas diferenças de fora – aviso, a mudança em sua postura sendo imediata – Em outras palavras, não irá interferir no namoro de vocês a menos que faça a filha dele sofrer, o que acho mais do que justo – concluo, rindo ao vê-lo pular, literalmente, da cama, os olhos brilhando – Devagar com a animação filho – aconselho, sinalizando para que voltasse a sentar – Sei que dirá que não irá magoa-la, mas nós dois sabemos que isto é praticamente impossível em um relacionamento. Perdi as contas de quantas vezes magoei sua mãe mesmo não sendo intencional, portanto filho, vou lhe pedir que tenha muito cuidado. Pra começar quero que tenha certeza absoluta do que sente por Laura, que não é mais uma aventura, fogo de palha, como dizem — questiono-o.

— Eu gosto dela pai. De verdade. Como nunca gostei de ninguém antes – confessa, e vejo em seu rosto o mesmo sorriso bobo que sempre carrego em meu rosto desde o dia que encontrei Cait – Não sei se isso é amor, mentiria se dissesse que sim mas também mentiria dizer que não – afirma, coçando a cabeça, confuso e aperto os lábio para reter o riso – Mas sei que quero descobrir pai – diz, o sorriso aumentando.

— Certo filho. Entendo você – garanto, tocando seu ombro – Mas tente ir com calma ok? Não ponha o carro na frente dos bois. Siga o exemplo de sua irmã e do Connor....Não acredito que falei isso! – exclamo, fazendo-o rir – Eles estão indo com calma, espero, se conhecendo mesmo porque todos vocês ainda são muito jovens, têm muito a viver e aprender...E não acredito que falei isso também! Devo estar ficando velho – digo rindo junto com ele – Ainda vai querer ficar em casa? – interrogo.

— Quero sim. Independente do que contou, não estou com animo pra festa – diz enrugando o nariz em uma careta – Pede desculpas a tia Anitta e tio Jax. Depois passo lá pra conhecer a pequena. Vou aproveitar a tranquilidade pra estudar um pouco. To meio enrolado em Geografia e História – assume, completando rápido quando o encaro – Nada que vá me fazer perder o ano, fique tranquilo – garante levantando – Obrigado pai. Sei que deve ter sido muito difícil para o senhor conversar com ele. E fez por mim – declara, me surpreendendo com um abraço – Valeu pai! Te amo muito – assume e preciso me segurar pra não chorar.

— Também amo você filhote – retribuo, abraçando-o de volta, vendo por sobre sua cabeça Cait a porta nos olhando carinhosamente.

— Tudo bem por aqui? – pergunta após alguns minutos, caminhando até nós.

— Tudo ótimo mãe – Ethan garante, trocando-me por ela – Vocês são incríveis sabia? Amo vocês! – Ethan repete, beijando seu rosto.

— Imagino que contou a ele sobre sua reunião com Ronnie – minha esposa conclui e anuo com um sorriso – Mas saiba que vou estar de olho rapazinho! Terei com ela o mesmo cuidado que tenho com sua irmã – garante, tocando a ponta de seu nariz.

— Pode deixar mãe. Vou me comportar – assegura, tocando a testa com dois dedos – Palavra de escoteiro! – brinca.

— Mãe, me empresta aquela sua blusa de cetim, vinho? – Maddie entra no quarto, estancando ao nos ver abraçados – O que tá acontecendo aqui? – pergunta, desconfiada..

— Nada maninha fofa do meu coração! – Ethan exclama, soltando Cait, segurando a irmã pela cintura, erguendo-a, deixando um beijo estalo em sua bochecha antes de solta-la e sair correndo.

— O que aconteceu? Ethan ficou maluco por acaso? – Maddie questiona, sentando na cama ao mesmo tempo em que passa a mão no local beijado pelo irmão.

— Seu pai falou com o pai da Laura – Cait explica, entregando a blusa que ela pedira.

— Sério? – indaga, me encarando.

— Uhum – confirmo, pegando uma camisa.

— Então, pela alegria exagerada de meu irmãozinho, devo presumir que recebeu permissão para namora-la, foi isso? – pergunta, curiosa.

— Sim e não – respondo fazendo-a abrir os braços, confusa – Ronnie comprometeu-se a não impedir ou interferir salvo seu irmão venha a magoar a filha dele, o que em se tratando de quem é, podemos considerar um enorme avanço – digo, sentando junto dela.

— Até parece o senhor falando com o Connor quando recomeçamos a namorar sério ano passado – relembra e sorrio.

— Muda o nome, sobrenome, mas todo pai tem o mesmo discurso meu anjo quando se trata do namorado da filha – Cait diz, entrando no banheiro.

— Se a senhora diz, mãe – Maddie comenta, dando de ombros e levantando – Vou terminar de me arrumar. Daqui a pouco Connor chega....A propósito, ele pode dormir aqui hoje? – pergunta, parando em meio a porta.

— Adianta dizer que não? – devolvo.

— Tommy! – Caitlin, que saia do banheiro neste exato momento, ralha, me dirigindo um olhar crítico.

— Pode – respondo, resignado.

— Obrigada paizinho – agradece, me lançando um beijo antes de sair.

— Quando vai parar de implicar com o namorado de nossa filha? – Cait interroga, atirando sua blusa contra mim e sorrio – Vai falar com seu pai sobre a visita a Ronnie? – indaga, parando a minha frente, dando-me as costas – Fecha pra mim – pede.

— Hoje não terei como. Avisou que não irá ao jantar na casa de John. Parece que surgiu um compromisso inesperado – conto, franzindo o cenho, subindo junto com o zíper de seu vestido – O que poderá ser? – questiono.

— Não me preocuparia com isto. Certamente irá te falar – garante – Agora termine de ser arrumar que farei o mesmo. Não quero me atrasar e ainda temos que nos organizarmos nos carros – comanda.

— Carros? – interrogo, seguindo-a até o banheiro.

— Connor vira no dele e Maddie e Ethan podem ir com ele, o que acha? – questiona, prendendo o cabelo com as mãos, girando a cabeça conferindo o resultado no espelho, soltando-o após fazer uma careta de desagrado.

— Ethan não irá – aviso fazendo-a encarar-me através do espelho – Estava desanimado porque Laura pediu um tempo e não mudou de ideia depois que lhe falei sobre a conversa. Pediu-me para ficar e deixei – conto, abotoando minha camisa, ajeitando-a dentro da calça antes de abotoar e fechar o zíper.

— Neste caso pedirei a senhora Logan que prepare o jantar para ele – diz, arrumando a gola de minha camisa, me dando um selinho – Lindo! – elogia, saindo.

— Isso. Provoque e saia – reclamo vendo-a rir – Viu meu relógio amor? – pergunto.

— Aqui – sinaliza a mesinha ao lado de nossa cama, pegando-o antes que o faça – Estou pronta. Vamos? – convida.

— Uhum – anuo, seguindo-a enquanto ponho o relógio no pulso.

Na sala, as crianças corriam de um lado para outro tendo Connor e Ethan perseguindo-os.

— Ethan disse que não irá conosco – Maddie avisa em tom de queixa.

— Não vai – confirmo, segurando Caio e Hannah quando tentam passar por mim, Connor retendo Bia – Pediu para ficar e permiti.

— Não disse chata! – Ethan exclama, estirando língua para a irmã.

— Idiota! – Maddie rebate.

— Madeleine não fale assim com seu irmão, especialmente na frente de seus irmãos – Cait ralha.

— Que é idiota Maddie? – Caio pergunta, fazendo uma careta engraçada.

— Viu o que falei? Nesta idade as crianças querem saber de tudo e repetem nos momentos mais inoportunos – reforça, bufando.

— Que é idiota Maddie? – Caio repete ganhando o reforço de Hanna, ambos tentando libertar-se de minhas mãos.

— Idiota...é um cara legal – Maddie mente, sacudindo as mãos impaciente.

— Connor é idiota! Connor é idiota! – gritam os dois juntos, saltitando e não consigo conter o riso.

— Como é?? – questiona o namorado de minha filha, surpreso.

— Há, hahahhhha! Se deu mal maninha . o feitiço virou contra a feiticeira!– Ethan comemora, desviando dos tapas que ela desfere.

— Tommy, pare de rir e corrija seus filhos! – Cait reclama, pegando Bia no colo – Vamos logo antes que nos atrasemos ainda mais. Ethan, veja com a senhora Logan seu jantar – recomenda.

— Esquenta não mãe, me viro – garante nosso filho, defendendo-se da irmã

— Madeleine, comporte-se, Caio e Hanna, parem com isto agora mesmo!!...Tommy!! – Cait recrimina-me novamente batendo o pé.

– Já chega filho. Ele já entendeu – admoesto, controlando o riso, pondo-o em meus braços, Hanna agarrando-se a minha perna. Seguro sua mão ajudando-a a “escalar” meu corpo até que a seguro junto com o irmão – Idio....Connor, vá andando para o carro com Maddie ou nos atrasaremos – comando, minha esposa estapeando-me ao passar por mim, pegando Hanna após ter entregado Bia Maddie — Nada de ficar no telefone rapazinho. Disse que iria estudar – relembro, encarando Ethan quando segura a porta para que pudéssemos passar.

— Pode deixar pai. Vou comer alguma coisa e estudar no quarto – garante – Deem um beijo em tia Anitta e na bebê por mim – pede, nos acompanhando até o carro, ajudando-nos a pôr os irmãos nas cadeirinhas, despedindo-se ao terminar.

— Acha mesmo que vai estudar? – Cait questiona, arrumando o cabelo novamente.

— Depois que falar com a namorada pode até ser. Antes duvido – afirmo fazendo-a rir – Espero que cumpra o que me prometeu e vá devagar. Não me agrada a ideia de Ronnie mordendo meu calcanhar – digo, fazendo aspas no ar.

— Ele vai querendo ou não. Laura é tão sensata quanto nossa filha – declara, arrumando uma mecha – Só espero que Ronnie cumpra sua palavra de fato e não busque formas de burlar o que combinou com você – afirma, mordendo o lábio.

— Algo me diz que não irá tentar nada....E que meu pai tem tudo a ver com isto – declaro, acelerando quando passo pelos portões do condomínio.

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“...Quem acolher o que ele tem e traz;

Quem entender o que ele diz;

No giz do gesto o jeito pronto;

Do piscar dos cílios que o convite do silencio;

Exibe em cada olhar....”

Residência Tommy e Cait ( sexta,23/10 – 19:00 p.m)

Ethan

< O numero que você ligou está fora de área ou desligado >, ouço a mensagem novamente e desligo, desanimado.

Desde a quarta-feira a noite, quando meu pai contara sobre sua conversa com o pai da Laura, tento falar com ela sem sucesso. Todas as minhas tentativas naquela noite terminaram na caixa postal fazendo-me pensar que estava me evitando. Mas quando faltou a aula na quinta, fiquei preocupado e pedi pra minha irmã descobrir o porquê.

Confesso: temi que o senhor Palmer tivesse mudado de ideia e dado um jeito de levar ela embora até minha irmã contar que ela estava de cama com uma virose.

— Ethan, mamãe tá chamando pra jantar – Maddie avisa, parando em meio a porta, me encarando – Não conseguiu falar com ela ainda? – pergunta e confirmo com um aceno – Relaxa maninho. Deve estar se recuperando. Essa virose é punk! Dois professores meus estão de cama – conta, Connor surgindo as suas costas.

— Mas nem pra atender ao celular? – resmungo, cruzando os braços.

— Ethan, Laura não vai fugir, o pai dela não vai manda-la para o outro lado do planeta por sua causa – enumera, contando nos dedos – Se não conseguir falar com ela antes, pode faze-lo na segunda antes das aulas ou durante o intervalo – sugere, voltando-se ao sentir as mãos de Connor em sua cintura.

— Oi amor – cumprimenta meu futuro cunhado, beijando o rosto de minha irmã – E ai Ethan – me cumprimenta.

— E ai cunhado – digo, rindo ao notar que ficava tenso – Eu sei que posso falar na segunda, mas queria antes. Queria acertar as coisas entre a gente logo. Vai que o pai dela muda de ideia e decide proibir nosso namoro? – conjecturo.

— Nossa, você é tão otimis...- Maddie começa dizer calando-se ao ter as pernas abraçadas por Hanna e Bia fazendo-a perder parcialmente o equilíbrio – Mas o que vocês estão aprontando agora?? – pergunta, tentando fazer as duas larga-la – Pai, olha isso! – reclama, apontando as meninas.

— Hannah e Bia, soltem sua irmã – ouço papai dizer surgindo segundos depois – Venham, vamos descer para o jantar – chama, segurando-as pelas mãos.

Salto da cama indo me juntar a eles, aproveitando quando começamos a descer as escadas para cochichar no ouvido de Connor.

— Vai fazer mesmo? Tá decidido? – pergunto.

— Uhum – anui ele sem me olhar, atento a minha irmã.

— Mesmo correndo o risco de levar um fora ou de papai te esfolar antes que tenha a chance de dizer que Maddie Não está grávida? – provoco-o rindo quando me encara tenso.

— O que tanto cochicham? – Maddie indaga, parada junto ao sopé a nossa espera.

— Nada – respondemos juntos.

Na sala, descubro que vovô Snow, vovô Merlyn e aquela amiga dele, Ângela, também estavam presentes.

— Oi vôs, boa noite – cumprimento, indo direto a eles, me voltando para a amiga de vovô Merlyn a seguir – Senhora Rodriguez, boa noite.

— Já falei que pode me chamar de Ângela meu lindo – me corrige, sorridente – Boa noite. Está melhor? – pergunta e franzo o cenho – Seu avô me disse que não sentia-se bem – explica.

— Estou sim, obrigado – agradeço, lançando um olhar confuso a vovô, que sinaliza para deixar pra lá.

— Boa noite – papai vem até onde estamos junto com mamãe, meus irmãos atirando-se no sofá, brincando com nossos pets.

— Thomas, deixe-me te apresentar minha amiga, Ângela Rodriguez Garcia. Ela é arquiteta e está se mudando, em definitivo espero, para Starling – vovô Merlyn apresenta, o entusiasmo na voz dele sendo notado por todos.

— Prazer em conhecê-la – papai responde, educado, apertando a mão dela.

— O prazer é todo meu – responde, mantendo o sorriso – E você deve ser Caitlin, esposa de Thomas e mãe dessas fofuras – diz, assanhando meu cabelo – Menina, tenho que te dizer que admiro sua coragem. Cinco filhos merece meus parabéns – declara.

— Opa, minha deixa – digo, saindo de fininho, deixando os adultos conversando.

Vou até o jardim e tento ligar para Laura novamente. Desta vez cai na caixa postal.

— Pelo menos ela já ligou o aparelho! – resmungo, sentindo o peteleco em minha nuca – Hei! Que agressividade é essa cunhado? – questiono, massageando o local.

— Justamente por me chamar de cunhado – Connor responde, parando a minha frente com os braços cruzados – Se soubesse que iria ficar me zoando não tinha te contado nada – reclama, me encarando.

— E quem iria te ajudar e sondar o terreno pra você? – rebato, rindo convencido – Por falar nisso, se pretende manter sua decisão, espero que tenha preparado um belo de um discurso pra convencer o pai aceitar essa maluquice que inventou – aconselho, tocando seu peito com o dedo.

— Qual maluquice? – Maddie surgi de repente, nos assustando – Tem alguma a ver com o fato de estarem cochichando pelos cantos nos últimos dias por acaso? – interroga, desconfiada.

— Epa! Não ando cochichando pelos cantos com seu namorado coisa nenhuma! – reclamo – Foi Connor que me procurou pedindo conselhos e segredo – acuso, me escorando a parede, cruzando os braços e rindo da cara de indignação que ele faz.

— Pediu conselhos pro Ethan? Sério? Por que? – interroga, encarando-o com as mãos na cintura.

— É que eu....pensei em....Eu acho que talvez...bem...- se enrola me fazendo rir mais e alto acabando por chamar atenção do pessoal lá dentro – Maddie, andei pensando nos últimos dias e tomei duas decisões – Connor começa após respirar fundo, tomando coragem, sem perceber que papai se aproximara – Eu decidi ficar em Starling, na universidade quero dizer – especifica, prosseguindo ainda sem notar nosso pai perto da porta da varanda – O curso de medicina não deixa nada a dever aos que vi em outras universidades. Faço minha graduação aqui e no futuro quando quiser buscar alguma especialização o farei em algum outro local ou pais dependendo da área que escolher e ai minha esposa vai poder me acompanhar e....

— Esposa?? – Maddie o interrompe e noto, pelo canto do olho, nosso pai ficar alerta, mamãe pondo-se ao lado dele.

— Esposa – confirma ele, respirando fundo novamente antes voltar a falar – Como disse, tomei duas decisões. Uma foi essa em relação a meu curso. A outra, a mais importante para mim...- diz, levando a mão ao bolso da jaqueta que usava. Discretamente, posiciono meu celular ativando a filmadora – Sei que vai parecer precipitado, meu pai disse que era, minha mãe meio que surtou, mas ambos disseram que se é isto que quero irão me apoiar...então...- para, inclinando-se, pondo um joelho no chão e segurando uma mão de minha irmã, que está completamente petrificada – Madeleine, não preciso esperar uma eternidade pra saber que é a mulher com a qual quero dividir minhas alegrias, tristezas e conquistas de minha vida. Que espero deseje o mesmo em relação a mim. O que sinto por você não é passageiro ou fogo de palha, como alguns dizem. Por conta disto, quero te perguntar: Madeleine Merlyn Shade, quer ser minha noiva?

— Como é? – papai entra na varanda junto com mamãe fazendo meu candidato a cunhado se assustar, vacilando levemente, se recuperando o suficiente para sustentar o olhar assassino de nosso pai enquanto se levanta. Desligo o celular – Que historia é esta de noivado? – pergunta, encarando o namorado de minha irmã.

— Senhor Thomas, iria falar com o senhor depois do jantar – Connor afirma, se recompondo – Quero pedir a mão ...quer dizer, na verdade quero...Gostaria...- se enrola e balanço a cabeça negativamente.

— Tava indo tão bem – sussurro, indo em seu auxilio – Noiva é a palavra que está procurando cunhado – brinco, parando de rir ao encarar papai – Ele me disse que estava pensando em pedir Maddie em casamento mas não pra casar agora, que ficariam noivos pra casar quando....Quando vocês casariam mesmo? – me volto para Connor, que a essa altura está mais branco do que cera – Esquece. Quer saber: não devia ter acreditado quando te disse que seria uma boa ideia. Não foi – digo.

— Não me diga gênio! – ironiza, tenso.

— O que Ethan disse é verdade? Pretendia pedir minha filha em casamento? Hoje? – papai interroga.

— Não. Quer dizer sim – Connor se atrapalha novamente e rolo os olhos – Senhor, amo Maddie. Eu realmente quero, um dia, não agora, me casar com ela, ter filhos..

— Está gravida por acaso Madeleine? – papai o interrompe.

— NÃO! – dizem (ou devia dizer gritam??) minha irmã e Connor ao mesmo tempo, ela saindo da letargia – Evidente que não pai. Nunca transamos e sabe disso – Maddie bufa, se voltando para o namorado – Por que isso agora? E por que não falou comigo ao invés de ir pedir conselhos ao retardado do meu irmão? – xinga, nenhum deles me dando chance de defesa.

— Você estava insegura por causa da universidade. Só quis te deixar mais tranquila em ralação a nós e ...

— Desde quando um compromisso é empecilho pra alguma coisa Connor? – Maddie retruca, cruzando os braços.

— Pra mim é sim – diz ele fazendo ela bufar – Não um empecilho no sentido de impedir sair com outra pessoa ou coisa assim, mas se a pessoa leva esse compromisso a sério não vai querer se envolver com mais ninguém....Ah, droga, isso não tá saindo do jeito que planejei! – Connor exclama, levando a mão a cabeça. Confesso, não estivesse envolvido nessa confusão toda seria engraçado. Connor estava todo enrolado, Maddie brava e papai olhava os dois com certa desconfiança. Pra meu alivio e felicidade do retardado do meu cunhado, mamãe interviu.

— Ok, já chega – ordena, fazendo Maddie e Connor se calarem automaticamente – Um: nossa filha não transou com o namorado. Ainda – começa, erguendo o dedo, silenciando o protesto de papai – Dois: estava sim insegura com a entrada dele na universidade, não negue. Três: fico feliz que pense dessa forma Connor. Levar a serio um compromisso hoje em dia é coisa rara e deveria ficar feliz também meu amor – afirma, segurando a mão de papai – Connor quis mostrar o quanto leva a sério o relacionamento com nossa filha a ponto de querer tranquiliza-la e a nós por tabela, porque também estávamos preocupados, admito. Universidade é uma mudança grande meu bem. Novos amigos, novos valores, muitas influencias e dizer que não irão interferir em suas relações e amizades anteriores é ser ingênuo meu querido – diz, sorrindo – No entanto, se considera que ficar noivo de nossa filha vai te ajudar a atravessar toda essa mudança com mais tranquilidade....

— Vai senhora Merlyn. Tenho certeza que vai – Connor interrompe mamãe, e voltando para Maddie – Era o que estava querendo dizer. Você é minha calma, meu porto seguro, meu refúgio. Não tem sido apenas minha namorada. Tem sido minha amiga, conselheira, companhia nos momentos difíceis.... Quero ser o mesmo pra você. Quero te deixar segura em relação a nós dois – declara, segurando a mão de minha irmã – Mas não é apenas pra te deixar segura que estou te pedindo, e ao senhor também – dá um rápido olhar a nosso pai – Que aceite ser minha noiva. Peço isto porque te amo e não tenho dúvida de que iremos nos casar um dia. Não vamos casar amanhã ou depois...ou mesmo daqui a um ano. Faremos isso no seu tempo como tem sido desde o dia em que aceitou namorar comigo- conclui, ao que parece, encarando minha irmã.

— Pai? – Maddie se volta, e posso ver que esta quase chorando (assim como eu).

— Eu devo estar perdendo o juízo....- papai começa dizer, sacudindo a cabeça negativamente – Você quer isso filha? – devolve, Maddie respondendo com um aceno afirmativo – Então que seja. Tem minha permissão...

— Benção meu filho. Se diz benção – vovô Snow o corrige.

— Ou isso – papai anui sacudindo a mão, fazendo todos rirem – Espero não me arrepender dessa decisão.

— Não irá senhor Merlyn, não irá – Connor garante, retirando uma caixinha de veludo de dentro do bolso da jaqueta – Este ainda não é o anel que queria te dar – diz, abrindo-a, uma meia aliança com pedras azuis surgindo – Por hora serve – completa, pondo-a no dedo de minha irmã, selando o compromisso com um beijo.

— Agora que terminou e você, meu caro cunhado, conseguiu sair vivo dessa enrascada – começo dizer, me pondo entre os dois tão logo param de se beijar – Podemos jantar? Estou morto de fome! – pergunto, olhando de um para outro.

— Nossa, você é tão romântico maninho! – Maddie declara, beijando minha bochecha.

— Venham. Vamos comemorar! – mamãe convida, beijando o rosto de papai – Não fique assim amor. Podia ser pior. Ele poderia ter proposto fugirem em segredo – brinca.

— Teria sido bem menos vergonhoso, porque vamos combinar: tu se enrolou demais cara!! – não resisto provoca-lo.

— Se e quando for sua vez, quero ver se vai se sair melhor – devolve, entrando junto com minha irmã.

— Isso me lembra...Pai – chamo fazendo-o estancar – Pode me levar até a casa da Laura depois do jantar? Ela esta doente e quero fazer uma visita – peço.

— E não pode esperar até amanhã? – questiona-me.

— Poder até pode....Mas eu queria falar com ela. Desde a festa que não nos falamos, excerto quando me pediu um tempo – lembro, coçando a cabeça – Não vou demorar, prometo!

— Vou pensar está bem – diz, sinalizando para que entrasse a sua frente.

Durante o jantar o assunto gira em torno do pedido tosco do Connor, da mudança da amiga de vovô e da bagunça que os gêmeos haviam feito quando chegaram da escola levando nossa governanta a loucura.

Estou deitado em uma das espreguiçadeiras junto a piscina, Connor e Maddie namorando alguns metros a frente, meus avôs e Ângela brincando com meus irmãos mais novos no jardim, distraído vendo minhas redes sociais para ver se Laura havia postado alguma coisa quando escuto mamãe chamar e me levanto indo até ele.

— Liguei para Sheila – informa – Ela disse que se não for demorar pode ir ver a Laura – diz, sorrindo quando a abraço – Seu pai já está no carro te esperando. Não demorem – pede.

— Pode deixar e obrigado mãe – digo, lhe dando um beijo antes de ir correndo ao encontro de meu pai.

No caminho, peço a ele que pare em uma banca de flores pedindo que comprasse dois buquês.

Quando para em frente a casa dela estou tão nervoso que preciso parar algumas vezes no curto espaço entre o carro e a porta, papai me incentivando. Respiro fundo antes de tocar a campainha, aguardando um segundo antes que a porta seja aberta.

— Olá Ethan, boa noite – dona Sheila me cumprimenta – Isto é para mim? – pergunta apontando as flores.

— Estas sim – digo, lhe entregando um ramalhete – Desculpe ter vindo tão tarde, mas é que....Bem, eu queria falar com Laura e...

— Tudo bem meu querido. Caitlin me explicou. Pode entrar. Ela está na sala com os avós – indica, abrindo mais a porta – Ponha isto lá dentro por favor, quero falar com seu pai um segundo – avisa, me devolvendo o buquê.

— Uhum, certo – anuo, seguindo a direção indicada.

A primeira coisa que escuto é o som de seu riso com palmas, me enchendo de alegria. Logo depois, quando me aproximo, vejo a avó e o avô dela dançando sem música.

Paro, olhando a cena admirado, a saudade de minhas avós batendo forte.

— Olha meu rapaz, boa noite – a voz bondosa me tira do devaneio e ergo os olhos – Suponho que estas flores sejam para minha netinha – diz, sorridente e de imediato retiro uma rosa de um dos buquês entregando-a.

— Pra senhora.

— Muito gentil de sua parte – agradece, sinalizando, nada discretamente, para que o marido saísse junto com ela, deixando Laura e eu sozinhos.

— Oi – digo, dando a volta, me aproximando um pouco mais, as flores queimando em minhas mãos.

— Oi – responde, me dando um de seus sorrisos doces e naquele momento entendo tudo que Connor disse a minha irmã horas atrás – São para mim? – pergunta.

— Sim – digo, lhe entregando os dois buquês – Quer dizer, um é da sua mãe mas ela pediu pra trazer pra dentro porque foi falar com meu pai e eu estou tagarelando porque não sei o que dizer, digo sei, mas não sei por onde começar – desabafo, suspirando....Quem mandou tirar saro do Connor!!.

— O começo seria uma boa ideia – sugere, sentando-se, pondo as flores sobre a mesinha de centro delicadamente, sinalizando para que sentasse.

— Então....É tarde pra pedir desculpas pela besteira que fiz no aniversario da Sarah? – pergunto, encarando-a – Porque se arrependimento matasse, estaria mortinho! – dramatizo, sentando, sorrindo junto com ela, ficando sério em a seguir – Me perdoa? Não devia ter mentido, com ou sem boas intenções – confesso.

— Não devia mesmo – anui, seu sorriso se apagando – Quase causou um grande problema pra minha mãe, sabia? Não sei bem porque meu pai mudou de ideia e resolveu não fazer nada quando soube do que eu tinha dormido em sua casa sem que seus pais estivessem por lá.

— Eu sei e peço que me desculpe por isso também – peço, me inclinando até segurar suas mãos entre as minhas – Se pudesse voltava no tempo e mudava aquele final de semana inteiro só pra não ver a decepção que vi em seus rosto – afirmo – Sei que errei, e que provavelmente vou errar outras vezes, mas se você tiver um pouquinho de paciência e estiver disposta a me ajudar sendo minha namorada, não mais as escondidas, prometo me corrigir – digo, beijando meus indicadores cruzados.

— Ethan, sei que nossos pais conversaram, mas ...eu não sei se devemos arriscar. E se papai mudar de ideia? Se resolver tirar a guarda de minha mãe? – questiona, fungando.

— Ai a gente foge! – brinco, fazendo-a rir – Falando sério agora, ele não vai fazer isso. Meu pai confia e eu confio nele – afirmo, tranquilo – Quero andar de mãos dadas sem medo de alguém ver, de te beijar sem ter que ficar de olho nos outros...namorar sem precisar me esconder – declaro – Me dá uma chance? – peço, esperançoso.

— Também não quero me esconder – afirma após um tempo.

— Isso é um sim? – pergunto.

— É...desde que prometa se comportar! – condiciona – Chega de problemas Ethan. Meu pai não costuma ser tão condescendente e honestamente não sei até quando ainda será. Não quero dar motivos para ele brigar com minha mãe menos ainda com seu pai – conclui.

— Vou tentar. Com afinco. Prometo – garanto, surpreendendo-a com um beijo.

— Uhum, uhum...Seu pai está chamando Ethan – escuto a senhora Meslyn dizer e me interrompo o beijo com relutância.

— A gente se vê na segunda – Laura diz, acariciando meu rosto.

— Uhum...na segunda – reafirmo, levantando devagar, lhe dando um selinho antes de seguir a mãe dela até a porta, me despedindo.

Sigo todo o caminho de volta pra casa em silencio, notando meu pai vez ou outra me olhar, curioso, quebrando-o apenas quando entramos em casa.

— Pai, obrigado. Por tudo. E desculpe minha atitudes no final de semana passado. Não vai acontecer de novo – garanto.

— Vai sim filho – me corrige, não dando chance responder – Não do mesmo jeito, mas certamente vai aprontar ainda, faz parte tanto do crescimento quanto de sua personalidade. Não me importo que o faça, desde que não machuque, magoe ou prejudique ninguém, ok? E fico feliz que esteja disposto a o faze-lo– diz, bagunçando meu cabelo – Agora vá dormir, já está ficando tarde – manda, despindo seu blazer.

— O senhor não vai? – pergunto, vendo-o seguir para o bar no canto da sala.

— Daqui a pouco. Boa noite filho – despede-se, me dando um sorriso curto.

— Boa noite pai e obrigado outra vez – digo, correndo para lhe dar um abraço antes de subir para meu quarto, feliz por finalmente poder namorar sem ter que me esconder de ninguém, por ter feito as pazes e conseguido o perdão de todos que havia magoado – Isso é bom demais!!! – exclamo, me atirando sobre a cama, rindo feliz.

“...Achei, vendo em você;

Explicação nenhuma isso requer;

Se o coração bater forte e arder;

No fogo o gelo vai queimar...”

Notas finais
Nos vemos em breve. Bjinhos flores.