Perfect!

56 Cait & Tommy dão sorte!


Notas iniciais
Olá flores! Voltando pra atualizar mais uma fic. Deveria ter postado no final de semana mas o cansaço pelo EJC foi maior! Além de não ter conseguido revisar (muito embora os benditos erros adorem se esconder de nossos olhos!). Bem sem demora, vamos ao que interessa. Grata a todas as rewiews passadas....Grata pela paciência e por não desistirem da historia... Grata pelos cem acompanhamentos....More rewiews pleaseee!...Boa leitura....Bjinhos flores.

“Acorda mas pode ser sem pressa;

Lá fora o dia começa cedo;

E nós não temos nada a perder;

E aqui dentro, o tempo passa lento;

Nunca me arrependo de perder;

Esse tempo com você ...

Então deixa, eu tentar cuidar de você;

Que eu deixo;

Pra amanhã o que eu tenho pra fazer...”

Deixa

Lagum feat. Ana Gabriela

Hospital geral de Starling (sexta, 13/11 – 21:17 p.m)

Caitlin

Estaciono o carro próximo a entrada do hospital, desligo o motor e ao erguer meus olhos para a entrada do lugar, paraliso. Do nada. Simplesmente paraliso. Minhas mãos ao volante apertam tanto que os nós ficam esbranquiçados. Ainda assim não me movo ou diminuo a pressão. Minha mente ordena, eu sei que devo sair, mas meu corpo recusa-se obedecer.

Segundos depois estou chorando copiosa e compulsivamente, esmurrando o volante cada vez mais fortes até que um grito alto e agoniado que formara-se em meu peito escapa por minha boca reverberando no interior do veiculo ainda fechado. Dor, revolta, medo, tensão acumulada, tudo misturando-se e me fazendo apertar o volante mais uma vez, “sacudindo-o” e a mim mesma com força, um novo grito agudo escapando por meus lábios.

Estava terminando de dar o jantar aos trigêmeos quando recebera, através do pai de Sheila Menslin, a notícia do acidente no qual meu marido, filho e futuro genro haviam-se envolvido e não vi nem ouvi mais nada a minha frente. Apenas recordo-me de ter levantado, dado ordens para que nossas babá e governanta tomassem conta da crianças, pegara minha bolsa com as chaves nela e em seguida já me pusera a caminho do hospital. Honestamente, não sei como cheguei sem sofrer ou causar um acidente tamanho era o estado de torpor no qual me encontrava.

Talvez por isto, quando alcancei meu destino, minha mente e corpo exigiram desabafar antes de adentrar o lugar. Sabia que ao fazê-lo precisaria ser forte para enfrentar o que tivesse a minha espera.

A lembrança me faz gritar novamente, ainda mais alto, rompendo a armação protetora de ferro o suficiente para chamar atenção a quem passava.

—Caitlin, abra a porta!!! – escuto a ordem vinda de longe – CAITLIN, ABRA!!! – repete-se, desta vez mais próximo e seguido de pancadas no vidro, um pedido de “pare” sendo emitido em segundo plano.

Volto meu rosto para a janela a minha esquerda, as lagrimas turvando minha visão, dificultando-me reconhecer de imediato a figura imponente inclinada sobre o carro, os olhos incrivelmente azuis me trazendo outro par a mente. Destravo a porta, que é aberta no mesmo instante, braços fortes me puxando para junto do tronco largo tão parecido ao que amo.

—Tudo bem minha querida, pode desabafar – a liberação dada pela voz grave de meu sogro é a senha para uma nova crise de choro – Pode chorar a vontade. Desabafe. Vai lhe fazer bem – sussurra carinhosamente enquanto afaga meu cabelo, como se confortasse uma criança.

Não sei quanto tempo permaneci assim, aninhada em seus braços, chorando sem dizer uma única palavra, escutando-o me confortar como fizera com Tommy quando da morte inesperada de minha sogra. Como o próprio Tommy fizera comigo dias depois, quando minha mãe também se fora não tão inesperadamente, mas de forma abrupta visto que estava reagindo bem ao tratamento contra o câncer que lhe acometia. Da mesma forma que fizera quando, três anos atrás, Ronnie Palmer, o mesmo Ronnie que hoje pode ter salvo a vida de meu marido, fora me comunicar sobre o acidente aéreo no qual Tommy quase morreu. E agora...

—Por que Malcom? – pergunto, afastando-me a fim de ver seu rosto — Por que não podemos ter um pouco de paz? Por que não podemos estar felizes sem que algo aconteça para quebrar essa felicidade? – reclamo, entre fungados e soluços, uma outra voz familiar respondendo-me.

—Porque a vida não é um conto de fadas onde o felizes para sempre encerra a história, meu anjo – meu pai recita, afagando meu cabelo e volto-me para fita-lo sem me afastar do abraço de meu sogro – A vida é complicada e nem sempre boa ou bonita todos os dias. Haverá sempre aqueles dias mais nebulosos aonde o sol vai se esconder mas nem por isso deixar de brilhar. E nestes dias, Deus nos envia anjos para dividir o peso conosco. Ele próprio nos carrega no colo até estes anjos chegarem – completa, sorrindo de seu jeito doce e meigo que tanto amo.

—Sei que temos passado por muita coisa nestes últimos anos minha querida. Nenhuma delas fácil – meu sogro começa dizer – Mas em todas estávamos e estaremos juntos como família que somos. Mesmo brigando, discordando, com ideias e pontos de vistas diferentes, como não poderia deixar de ser, mas estamos juntos – ratifica, deixando um beijo em minha fronte – Não imagina o tamanho do susto que senti quando escutamos seus gritos. Pensei que estava passando mal – declara e sinto-me culpada.

—Desculpem-me – peço, notando a presença da namorada de meu sogro a seu lado, recostada em meu carro – Eu...não sei o que me deu! – assumo, deixando o abraço de meu sogro, sentando-me ereta no assento, aceitando o lenço que papai me estendia – Quando parei aqui... não conseguia descer e daí...- conto, gesticulando, o nó em minha garganta impedindo-me falar.

—Aconteceu que você, meu bem, agiu como qualquer mãe e esposa normal, faria: desabou – Ângela declara, o queixo apoiado ao ombro de Malcom – Fiquei foi admirada quando ligamos para falar com você e sua governanta nos informou que havia saído mal terminara de falar com o senhor Menslin. Cait, é humanamente impossível receber uma noticia como a que recebeu e não ficar abalada, por mais que tenham-lhe dito que está tudo bem. Uma hora iria desabar meu anjo e por sorte sua família estava por perto – declara, sorrindo gentil.

—Obrigada. A todos – agradeço, olhando-os um a um.

—Agora que está bem, que tal entrarmos? Pelo tempo do ocorrido já devem estar no hospital. Quer mais um tempinho para se recompor? – Malcom sugere, sorrindo discretamente.

—Sim – anuo, enxugando o rosto com o lenço, ajeitando meu cabelo, alisando a roupa, respirando profundamente – Estou pronta – afirmo, aceitando a mão que meu sogro estendia após erguer-se – Obrigada – agradeço novamente, aguardando meu pai juntar-se a nós, seu braço indo protetoramente para meu ombro tão logo começamos a caminhar rumo a entrada do hospital.

No curto trajeto, agradeço mentalmente pela família abençoada que recebi mesmo sendo tão diferentes. Confesso que no início de meu casamento jamais imaginei o quão amigos meu pai e Malcom Merlyn se tornariam sendo de mundos tão diferentes, quase opostos. Muito menos nossas mães. Sorrio ao lembra-las enquanto adentramos o setor de emergência do hospital geral de Starling.

—Boa noite...enfermeira Harriet. Fomos informados de que meu filho, neto e o noivo de minha neta teriam sido trazidos para cá após terem sofrido um acidente automobilístico. Poderia confirmar e nos levar até eles por favor? – Malcom solicita mal encostamos na recepção do que acredito ser a área de triagem.

—Um segundo – pede a enfermeira, entrando no hospital, retornando em companhia de uma outra, mais alta e mais velha, cerca de cinco minutos depois – São eles – indica-nos, a mulher anuindo com um gesto de caneca.

—Obrigada Harriet – agradece, sorrindo complacente em nossa direção – Boa noite. Me chamo Veronica. Sou a enfermeira chefe e vou levar vocês até os pacientes– avisa, indicando o interior do prédio com um gesto de mãos.

—Como eles estão? – quero saber, apertando as mãos nervosamente enquanto entramos, meu pai apertando-me o abraço, transmitindo-me força.

—Os dois rapazes estão aqui, sendo atendidos pelos plantonistas da emergência – comunica, parando defronte uma sala, sinalizando para que olhássemos.

Sinto meu coração apertar ao ver Ethan, seu rosto inchado, os olhos fechados me deixando apreensiva.

—Como ele está? É muito grave? – pergunto, dirigindo meu olhar para a sala ligada anexa aquela, visualizando Connor em estado pouco melhor que Ethan – E Connor? – acrescento, indicando-o.

—Um segundo – pede a mulher dando uma leve batida no dormente da porta, o médico que examinava meu filho voltando-se, erguendo uma mão com a palma aberta em nossa direção num pedido mudo de espera.

Durante alguns minutos (que mais parecem horas) observamos o homem examinar Ethan, apertando aqui e ali, provocando caretas em meu filho. Depois de ordena a enfermeira os exames que queria, vem a nosso encontro.

—Doutro Clarke, estes são os familiares dos dois rapazes – a enfermeira Veronica nos apresenta.

—Malcom Merlyn – meu sogro adianta-se, estendendo-lhe a mão, que prontamente aceita – Esta é minha nora, Caitlin, seu pai Anthony e minha namorada Ângela – apresenta-nos – Como meu neto está? Corre algum risco? – preocupa-se.

—Não, risco nenhum – assegura – Ethan fraturou o pulso e o pé direitos, tem um corte profundo na perna esquerda, um no supercilio e outros menores nos braços e rosto. Nenhuma costela fraturada ou quebrada, e apesar do hematoma no abdômen, não há sangramento interno. Mesmo assim pedi um raio X completo e uma tomografia – enumera, olhando-nos alternadamente – Assim que terminarem os exames será levado a um quarto – avisa.

—E quanto ao outro rapaz, Connor? – meu pai pergunta fazendo-nos olhar em direção a outra sala.

—Basicamente tem os mesmos ferimentos de seu neto, a exceção do corte na perna – diz, acenando ao colega que atendia Connor – Estava acompanhando meu colega e acredito deva pedir os mesmos exames que eu – avisa, dando espaço ao outro, que chegara – Doutor Valdez, os parentes do rapaz que está atendendo – apresenta-nos rapidamente.

—Boa noite – cumprimenta-nos.

—Como ele está? – pergunto.

—Fora de perigo – garante – Os ferimento não são graves mas merecem atenção, evidente. Pedi exames suplementares para me certificar de que está tudo bem. Quando terminar será levado a um quarto.

—Seria possível os dois ocuparem o mesmo quarto? Há quartos duplos aqui não há? – questiono, voltando-me para a enfermeira chefe.

—Verei isto agora mesmo – dispõe-se, solicita, afastando-se um pouco para falar com alguém no telefone interno.

—E quanto a meu marido? Saberiam dizer-me como ele está? – questiono, olhando-os aflita, ambos os médicos negando com um gesto

—Ele foi direto para a sala de cirurgia. Buscarei informações atualizadas para a senhora – a enfermeira chefe avisa, voltando para junto de nós – Agora sigam-me. Vou leva-los ao encontro das jovens que vieram na ambulância com os dois rapazes – convida.

—E quanto aos pais do Connor? Será que já foram avisados? – Ângela lembra.

—Acredito que sim minha querida, mas ligarei para confirmar – Malcom prontifica-se, retirando seu celular do bolso enquanto acompanhamos a enfermeira, a chegada de Sheila e seus pais fazendo-nos estancar.

—Caitlin, onde eles estão, como estão? E Laura e Maddie, cadê? – Sheila dispara, aflita, seus pais cumprimentando-nos com acenos breves.

—Estão terminando de atender Ethan e Connor para os levarem a um quarto e estamos indo ver as meninas agora – papai se adianta, tocando o ombro de meu sogro, indicando-lhe o casal que se aproximava junto com a filha mais velha –Não precisa ligar Malcom – avisa, Malcom desligando de imediato — Boa noite Cornelius, Elizabeth, Claire – cumprimenta-os, a mãe de Connor vindo abraçar-me.

—Eu sinto muito querida. Sinto muito mesmo – diz, apertando-me forte, deixando-me sem ação.

—Tudo bem senhora Rhodes. Foi apenas uma fatalidade – Malcom declara, apertando a mão que Cornelius estendia-lhe.

—Infelizmente temos motivos para pensar diferente Malcom e se não importa-se em deixar sua nora subir com minha esposa e filha, gostaria de ter uma conversa com você e também com o senhor, padre – pergunta, meu pai e sogro concordando após lhes acenar afirmativamente – Vamos até o jardim interno do hospital. Lá poderemos conversar com calma e privacidade – convida, tomando a dianteira e somente quando seguem em direção ao local noto a presença de dois homens de terno preto parados algum metros da entrada, atentos a tudo.

—Caitlin, vamos subir? – ouço Sheila dizer e anuo sem prestar muita atenção, as palavras do senhor Rhodes bem como as fisionomias de Claire e Elizabeth pondo-me em alerta.

Seguimos, Ângela, Sheila, seus pais, Elizabeth e Claire Rhodes, e eu, acompanhando a enfermeira chefe até onde Maddie e Laura se encontravam, a surpresa tomando-nos quando entramos e nos deparamos com Ronnie sentado entre as duas, cada uma apoiando a cabeça em um ombro seu enquanto Sarah e Camile sentavam-se sobre o tapete de frente para os três.

—Mãe! – Maddie exclama, levantando-se de um salto e vindo até mim, Laura seguindo-a quase de imediato – Foi assustador mãezinha! Num segundo eu estava falando com Ethan e Connor e no outro não – resume, chorando em meus braços – Tive tanto medo. Medo de perde-lo e ao Connor, medo de perder papai – diz.

—Mas não perdeu meu amor! Nenhuma de nós perdeu – digo, olhando Ronnie por sobre a cabeça de minha filha.

—Foi muito assustador tia Cait. Ainda mais depois que o cara armado apareceu – Camile declara e lembro que não ligara para seus pais ou os de Sarah.

—Meu anjo, você ligou para seus pais? Confesso que esqueci-me – admito.

—O senhor Palmer ligou assim que chegamos aqui. Avisaram que iam demorar porque o carro da mamãe quebrou e papai estava indo busca-la no trabalho, mas tô de boa tia. Eu e Sarah também. E já avisamos a mãe dela – avisa.

—Vocês viram Ethan e Connor? E papai? Você o viu mãe? – Maddie pergunta, ansiosa.

—Seu irmão e Connor serão levados a um quarto dentro em pouco. A enfermeira virá avisar. Quanto a seu pai, está sendo operado e igualmente seremos avisados quando for levado ao quarto– tranquilizo-a, beijando seu rosto.

—Bom, agora que chegaram, vou para casa – Ronnie declara de repente, levantando-se.

—Não pode esperar um pouco pai? Pelo menos até saber como tio...se o senhor Thomas está bem – Laura pede, atrapalhando-se, o rosto ficando incrivelmente vermelho.

—Estou certo de que Thomas está bem, dentro do possível, caso contrário alguém já teria vindo comunicar. A bem do que, combinei que ficaria apenas até suas mães chegarem e todas estão aqui – lembra, indicando a porta e me volto vendo Adrielle, Sean e Martha, mãe da Sarah, chegando apressados – Estão entregues e em boas mãos – acrescenta, pegando o paletó de seu terno – Fique bem meu anjo. Depois nos falamos – avisa, beijando o topo da cabeça da filha – Terminamos nosso jogo outro dia senhoritas e estejam certas de que ganharei – declara, piscando para Camile e Sarah, que sorriem timidamente – Fique bem você também mocinha – deseja, me surpreendendo ao beijar o rosto de Maddie, acenando levemente a Sheila antes de retirar-se.

Demoro alguns segundos para reagir e por conta disto não o perco por muito pouco. Saio da sala num ímpeto, quase correndo atrás do homem que, um dia, odiei.

—Ronnie, espere, por favor – peço, fazendo-o estancar entre as portas do elevador, retendo-o.

Paro alguns passos dele, fingindo recuperar o folego a fim de ganhar tempo e pensar no que diria, o que não lhe passa despercebido.

—Se veio agradecer-me, não precisa. Faria o mesmo por...- interrompo seu discurso surpreendendo-o ( e a mim mesma, admito) com um gesto que julguei jamais repetiria por vontade própria: um abraço.

Sinto todo seu corpo tencionar ante tal atitude, permanecendo estático por um tempo antes de levar uma mão as minhas costas, deslizando-a para cima e para baixo delicadamente.

—Obrigada – murmuro sem o largar, fechando meus olhos apertado – Muito obrigada em nome de toda minha família – reforço, o sabor salgado da lágrima teimosa tornando-me consciente de que chorava.

Ao contrário do que pensei faria, Ronnie não me repeliu ao notar meu choro. Deixou-se abraçar em silencio, aguardando, paciente, que me afastasse. Também não havia ironia, ou sarcasmo em suas expressão e voz quando falou.

—Como dizia, faria o mesmo por qualquer um – reitera, um riso divertido formando-se lentamente em seu rosto – Até porque haviam muitas testemunhas caso resolvesse abandonar o Merlyn filho por lá! – brinca e rio minimamente – Sério Caitlin, não precisa agradecer-me. Mesmo tratando-se de um...desafeto, jamais seria capaz de negar socorro a alguém, estando ou não com testemunhas – garante, brincando mais uma vez – Sei que, em se tratando de nós três, meu passado me condena e fez até mesmo Thomas duvidar se traria sua filha em segurança para casa – comenta e franzo o cenho – Deixa quieto – diz, sacudindo as mãos de forma um pouco afetada – O fato é que eu...mudei...ou estou mudando, sei lá – dar de ombros – Continuo não morrendo de amores por seu marido ou mesmo por você, mas estou...evoluindo, diria, em parte por este bendito namoro que nossos filhos arranjaram, em parte por estar me dedicando mais a minha filha, em parte pela idade – assume, com surpreendente bom humor.

—Nós também estamos evoluindo – parafraseio-o e ambos rindo – Ronnie....- paro, mordendo meu lábio, indecisa por um segundo – Tommy não foi responsável por nada que aconteceu anos atrás. Ele e Oliver fizeram o possível para impedir o tal repórter, até mesmo comprar o material que tinha em mãos — conto.

—Ah...ele contou pra você. Finalmente – comenta, suspirando – Escute Caitlin, eu não sei se quero...- o interrompo uma vez mais.

—Ronnie, desculpa mas acho que é importante que saiba disso sim – reitero – Ficaram sempre muitas pontas soltas entre você e Tommy e mesmo com Oliver. Muita coisa não dita que acabou por criar essa situação toda e acho que isto não faz bem a ninguém – digo, erguendo a mão – Me deixe falar por favor – peço, cortando o protesto que ensaiava – Como acaba de declarar, você evoluiu, assim como Oliver, Tommy e eu mesma. Somos pessoas diferentes, temos nossas famílias, filhos....muita coisa mudou desde que éramos adolescentes irresponsáveis e inconsequentes. Não digo para pormos uma pedra em tudo que aconteceu, não. Mesmo tendo sido doloroso em diversos momentos, tudo que passamos serviu para amadurecermos. Peço que evolua um pouco mais e pense em se entender, de fato, com meu marido. Não apenas por nossos filhos, mas por vocês. Por nós. Posso estar me adiantando, mas tal como aconteceu com Maddie, sinto que Laura não é apenas mais uma namoradinha para meu filho. Ethan está apaixonado por ela e vice versa e sou capaz de apostar que seremos parentes num futuro não tão distante – argumento escutando-o suspirar.

—Penso o mesmo – admite – Laura nunca havia me desafiado por nenhum outro garoto. Sempre que dizia não a algum pretenso namorado do qual não gostava, aceitava sem discutir. Desta vez foi diferente – lembra, massageando o pescoço.

—Mais um motivo para pensar em se entender com Tommy de uma vez por todas. Já chega de meias palavras. Precisam sentar e zero suas contas....mesmo que isto resulte, num primeiro momento, em uma briga feia – digo, ponderando um segundo – E já que estamos aqui, quero aproveitar e te pedir perdão pelo que fiz em nosso casamento....

—No que seria nosso casamento – corrige-me.

—Sim – anuo, meio sem graça – Deveria ter sido mais forte e decidida. Deveria ter dito não a seu pedido e evitado toda aquela situação desagradável não apenas para você, mas para minha família também – admito pela primeira vez em anos – Se eu não tivesse me deixado dominar...

—Minha vez de te interromper – diz, erguendo a mão – Sem falsa modéstia, sei ser convincente e encantador quando desejo. Se nosso namoro desandou do meio para o fim foi porque te irritei e desafiei, coisa que não se deve fazer em hipótese alguma a uma mulher de personalidade forte como a sua – comenta e ambos rimos discretamente – Prova de meu charme infalível é que conquistei duas belas mulheres. Thomas pode até ser o galã do pedaço, mas tenho meus encantos quando quero – afirma, convencido – Também errei ao querer força algo que tinha acabado e não apenas por orgulho mas para me firma, melhor, afirmar como homem, admito. Mesmo motivo que me levou a cama de Sheila – confessa, massageando o pescoço outra vez – Está certa Caitlin. É hora de enterrar o passado. Quando Thomas estiver recuperado falaremos. Assim também terei tempo de me resolver com outras pessoas....e comigo mesmo – concorda, sério.

—Combinado então – concordo, fazendo menção abraça-lo mas não permite.

—Um passo por vez Caitlin. Ainda há feridas a serem cicatrizadas aqui – avisa, tocando o próprio peito – Manterei contato. Boa noite – despede-se, entrando no elevador, deixando-me sozinha com meus pensamentos.

Será preciso sempre uma tragédia ou quase tragédia para que reavaliemos nossas vidas e decisões?? , penso, suspirando profundamente, sobressaltando-me ao escutar meu pai falar.

—Às vezes, infelizmente, esta é a única maneira que a vida encontra para fazer turrões cederem – afirma, fazendo-me corar.

—Eu e essa minha mania de pensar alto! – recrimino-me, deixando-me abraçar.

—Qualidade maravilhosa que herdou de sua mãe – diz, saudoso – Um de meus orientadores no seminários dizia que muitas vezes só escutamos a voz de nossa consciência quando somos forçados, obrigados a parar e fazer isto, contra nossa vontade, geralmente. E a dor ainda é o instrumento mais eficaz para tal – beija o topo de minha cabeça, apertando-me mais forte – Um dia, quem sabe, isso mude. Mas não veja isto como um castigo de Deus porque não é.

—Não vejo – garanto, erguendo o olhar para ele – Meu padre ensinou que Deus é amor e não castiga – digo, piscando para ele, que sorri divertido enquanto caminhamos de volta a sala de espera, estancando a porta ante a chegada da enfermeira chefe acompanhada de um homem alto vestindo um pijama cirúrgico verde escuro.

—Senhora Merlyn, seu filho e o rapaz que estava com ele se encontram no quarto. Seu marido descera do bloco cirúrgico dentro de alguns minutos – informa, voltando-se para o homem que a acompanhava – Este é o doutor Noah Carter, cirurgião ortopédico que cuidou do seu marido – apresenta.

—Boa noite senhora. Seu marido sofreu fraturas de tíbia e perônio na perna esquerda e algumas rupturas de tendões em ambas as mãos por conta, acredito eu, de haver tentado segurar o carro. Como foram rupturas e fraturas parciais, imobilização e medicação deverão resolver contanto que mantenha o devido repouso – informa – Nada de exercícios de espécie alguma, muito menos pegar peso, por mais leve que seja, especialmente na primeira semana. Após este tempo, poderá ir retomando algumas partes de sua rotina normal gradativamente – orienta, a voz de Oliver chamando nossa atenção.

—Neste caso é mais seguro que diga-lhe o contrário. Do jeito que é teimoso é bem capaz de fazer o oposto só pra contrariar – brinca, chegando com Felicity, que vem direto a meu encontro – Desculpem não ter vindo antes, mas é que tivemos um pequeno imprevisto! – justifica-se, fazendo um careta leve.

—Pequeno mesmo. Mede cerca de quarenta e cinco centímetros e pesa um kilo e meio! – Lissy exclama, sorridente.

—Oi??? – interrogo, olhando-a confusa.

—Thea estava conosco quando soubemos do acidente e ficou tão nervosa que entrou em trabalho de parto. O resultado acabou de vir ao mundo dez minutos atrás – revela minha amiga e levo as mãos a boca – A propósito, parabéns Malcom. Ganhou sua...sexta netinha – brinca, parabenizando meu sogro, que aproximava-se com a namorada do lado, fingindo contar nos dedos e a estapeio.

—Neta? Outra? Mas pensei que era um menino!! – espanta-se.

—Você e torcida do Patriots! – Oliver brinca, rindo divertido – Já tinha até comprado uniforme completo e me vem uma linda menininha loira de olhos verdes! Não que uma garota não possa jogar mas tenho certeza que os avós neuróticos e o pai coruja não vão nem querer ouvir falar dela correndo atrás de uma bola – apressa-se dizer, voltando-se para o médico – Desculpe-me a interrupção. Estávamos preocupados com meu amigo e os meninos por isso assim que Willa nasceu viemos para cá – conta .

—Willa? Que raio de nome é este? – Malcom protesta fazendo Ollie erguer as mãos.

—Não me culpe. Ideia dos pais – justifica-se, sorridente.

—Nossa, a tia é mãe. Misericórdia! – Maddie dramatiza, repentinamente bem humorada.

—Respeite sua sobrinha menina! – Felicity brinca, fingindo estapeá-la.

—Desculpem interromper mas podemos ver Ethan agora? – Laura questiona, ansiosa, abraçada a mãe.

—Logico meu bem. Desculpem-nos mais uma vez – Oliver pede, sem graça.

—Doutor, então tudo bem com meu marido? – aproveito o ensejo para questiona-lo.

—Como dizia, o quadro geral é muito bom. Mantendo alimentação e medicação em dia tudo ficara bem – tranquiliza-me – Dentro de alguns minutos estará em um quarto, neste mesmo andar, próximo ao de seu filho e do jovem que estava com eles no carro – avisa.

—Muito obrigada doutor – agradeço.

—Era o mínimo que podia fazer pelo homem que salvou a vida de minha esposa – revela e o olho confusa – Ela estava naquele voo que caiu nas montanhas. Éramos noivos na época e havíamos discutido dois dias antes de ela partir. Quase terminamos – prossegue, exibindo a mão esquerda – Casamos no dia seguinte a chegada deles ao país, ainda no hospital. Helena e eu seremos eternamente gratos a seu marido inclusive nosso primeiro filho, que nascera dentro de três meses, terá o nome dele – conta, me deixando emocionada – Vou deixa-la para que possa ver seu filho – despede-se, saindo rapidamente.

—Mãe, vamos? – Maddie convida tocando meu braço, tirando-me do transe que a revelação do médico provocara – Tudo bem? – pergunta ao me ver enxugar uma lagrima com o polegar.

—Uhum – murmuro, abraçando-a – Ollie, Lissy, vão conosco? – quero saber.

—Vamos sim, se não tiver problema. Tô louco pra ver meu filho postiço – diz e rio minimamente.

—Filha, depois que virmos meu neto, Malcom e eu precisamos conversar com você – papai cochicha e anuo com um gesto de cabeça.

Seguimos para o quarto aonde meu filho e Connor haviam sido colocados encontrando-os dormindo.

Durante meia hora todos ficamos lá dentro velando o sono deles. Aos poucos vamos dispersando. Primeiro são Sean e Adrielle a irem embora levando Camile, Martha e Sarah acompanhando-as. Logo depois Oliver e Felicity se foram juntamente com Ângela, que queria conhecer a pequena Willa, arrastando um indeciso e inseguro Malcom com eles. Pouco depois Sheila vai embora com seus pais e uma reticente Laura (não me enganei quando afirmei a Ronnie que nosso parentesco iria se estreitar em um futuro não tão distante), os Rhodes sendo os próximos a se retiram com a promessa de voltarem mais tarde.

Por fim ficamos apenas meu pai, Maddie e eu, ela fazendo algo que costumava quando casei com Tommy: sentar em meu colo.

Quando a enfermeira chefe veio avisar que Tommy havia sido trazido para o quarto (finalmente), deixei-a adormecida com meu pai e fui vê-lo.

Para minha grata surpresa, estava em melhores condições do que esperava. Apesar de algumas escoriações e cortes pelo rosto e braços, ambos pulsos enfaixados, a perna esquerda engessada, sua aparência estava bem melhor do que quando foi resgatado das montanhas de gélidas.

Acaricio o rosto que tanto amo depositando um beijo casto em seus lábios, surpreendendo-me ao encontrar seus lindos olhos azuis me fitando.

—Olá estranho. Bom te ver – brinco, sorrindo-lhe pequeno.

—Digo o mesmo – responde com voz rouca – Ethan e Connor, onde estão? Como estão? – pergunta ligeiramente aflito.

—Estão bem amor. Todos estamos – tranquilizo-o – Parte graças a sua habilidade em evitar que nosso carro se despedaçasse ou chocasse defronte alguma arvore....e parte graças a atitude de Ronnie Palmer – conto, afagando seu cabelo carinhosamente.

—Sei....ele estava lá quando o sujeito apareceu...me avisou...do perigo e que...os garotos estavam...seguros – comenta pausadamente – Amor, acho.... vou tirar um cochilo rápido. Tudo bem pra você? – diz, suspirando, adormecendo antes que possa responder.

Permaneço a seu lado por algum tempo, indo até o quarto de Ethan e Connor, convencendo Maddie a irmos para casa tomar um banho, jantar e dormir (ela em casa) enquanto Elizabeth Rhodes, que retornara, permanecia com nossos filhos (e um brutamontes de preto prostrado a porta).

No caminho, aproveitando que Maddie adormecera no banco traseiro, meu pai conta-me o teor de sua conversa que o pai de Connor tivera com ele e meu sogro, causando-me novo espanto.

Peço-lhe que aguarde Tommy despertar e estar em condições de conversarmos com calma e contar-lhe o ocorrido. Por hora bastava-me saber que todos estávamos em segurança mesmo que para isto estejamos sob vigilância vinte e quatro horas por dia.

—Imagino o quanto Ronnie irá irritar-se ao saber disto – papai comenta e tenho de concordar. Ronnie detestava sentir-se controlado ou vigiado.

Depois de tomar um banho demorado, verificar se os trigêmeos dormiam, convencer Maddie a ficar em casa com o avô e dar as ordens em casa, pego uma muda de roupa para meu filho, já que provavelmente seria liberado no dia seguinte juntamente com Connor (fora informada de que Tommy permaneceria uns dois), ponho numa mochila e me preparo para sair.

Certifico-me de tudo estar em ordem, pego a mochila com as roupas de Ethan, passo pelo quarto de meus filhos mais uma vez, beijando-os um a um antes de sair, agradecendo por Maddie haver adormecido, despeço-me de papai e rumo de volta ao hospital novamente.

Lá chegando, passo primeiro no quarto dos meninos, encontrando-os acordados e dando um trabalho danado a pobre enfermeira plantonista. Ambos. Por sorte Elizabeth Rhodes chega segundos depois de mim (havia ido a lanchonete) e juntas aquietamos os dois trazendo um pouco de sossego ao quarto.

Logo que adormecem, deixo Elizabeth com nossos filhos e vou até Tommy, que despertara havia alguns minutos.

Tomo para mim a responsabilidade de ajuda-lo a comer o que a enfermeira trouxera, sentando a seu lado quando termina.

Depois que a enfermeira se retira, conversamos até a madrugada. Mesmo contra minha vontade, o assunto acidente acaba vindo a baila e acabo por contar-lhe o que de fato acontecera na estrada e o porquê.

—Então quer dizer que os Rhodes estão no programa de proteção a testemunha? – inquire, apoiando-se aos travesseiros que arrumo as suas costas.

—Sim. Desde que Claire testemunhou contra um gangster de Chicago – confirmo, me acomodando a seu lado – Ela presenciou, por acidente, uma transação seguida de assassinato. Acabou sendo arrolada como testemunha e não se omitiu. Mas com isto a família ficou na mira do tal cartel e tiveram que deixar a cidade. Segundo Cornelius contou a nossos pais, este período em Starling foi o mais longo sem nenhum tipo de ameaça até agora e nem imagina o porque de terem voltado a serem ameaçados já que não houve nenhuma mudança na situação do sujeito que foi condenado. Por isto o FBI está na cidade protegendo-os e agora a todos envolvidos com eles – conto, escutando-o suspirar – Tommy, não pensa em mudar de ideia não é? No que diz respeito ao noivado de Maddie e Connor, quero dizer. Porque ele não tem culpa de nada – argumento, arrumando seu cabelo com a mão.

—Não, de jeito nenhum – assegura, tranquilo – Mesmo porque faria o mesmo que ela e ficaria feliz se meu filhos também o fizessem – garante e o beijo, orgulhosa – Na bochecha? Faço um discurso caprichado e ganho um beijo na bochecha? Assim não vale! – resmunga e rio.

—Comporte-se Tommy ou vou embora e te deixo sozinho! – ameaço, verificando minhas mensagens no celular – Ah, ia esquecendo...prepare-se – peço, fazendo suspense – Sua sobrinha nasceu prematura por conta do susto que sua irmã tomou ao saber do acidente. Está tudo bem com ela e com o bebê .. que chama-se...Willa...até agora pelo menos – solto de uma vez, rindo de sua cara de espanto.

—Willa!? Bem a cara de Thea e Eddie! – exclama, sacudindo a cabeça negativamente – Ollie e Felicity estiveram aqui mas estava grogue pela medicação e mal nos falamos. Fico feliz que tudo tenha corrido bem com ela e com o bebê – diz, bocejando – Droga, já tá dando sono de novo – resmunga, recostando a cabeça em meu ombro – Não vá se aproveitar de mim enquanto durmo viu senhora Snow-Merlyn – brinca e rio, sentindo meu coração aquecer como sempre acontece quando cita o sobrenome que usávamos quando sua mãe estava viva a fim de evitar confusões.

—Tentarei senhor Merlyn-Snow – devolvo, escutando-o rir, o silencio subsequente avisando-me que a medicação surtira efeito e dormira.

Durante algum tempo permaneço desperta, velando seu sono, pensando no quanto, apesar de todos os momentos e situações difíceis e complicadas que ambos enfrentamos antes e depois de nos conhecermos, tivemos sorte em nos encontrarmos e nos apaixonarmos.

“....Acorda, e nunca mais se vá;

Se for de qualquer jeito, antes me dá um beijo;

Eu tô aqui por ti, por mim, por nós;

Cê não sabe o quanto é importante;

Acordar ouvindo a sua voz;

Deixa eu tentar cuidar de você;

Que eu deixo;

Pra amanhã o que eu tenho pra fazer...”

Notas finais
Apesar do susto, o acidente de carro não foi tão grave, por isto a recuperação de Tommy e dos meninos não será muito difícil ou longa. Até breve. Bjinhos flores P.S: O titulo do capitulo é uma homenagem a um livro que li e gostei muito.