Perfect!
57 Coma bolo!! :)
Notas iniciais
“There is no combination o words;
I could put on the back of a postcard;
No song that I could sing;
But I can try for your heart;
Our dreams and they are made out of real things;
Like a shoebox of photographs;
With sepia-toned loving;
Love is the answer at least;
Fot the most of questions in my heart;
Why are we here? And where do we go?
And how come it’s so hard;
It’s not always easy and sometimes life can be deceiving;
I’ll tell you one thing;
It’s always better when we’re together...”
Better Together
Jack Johnson
Residência Cait e Tommy (sábado, 28/11 – 7:00 a.m)
Caitlin
Coma bolo!
Em qualquer ocasião, sobre qualquer pretexto, com qualquer desculpa. Coma bolo.
Coma bolo quando estiver triste para se alegrar. Coma bolo quando estiver feliz para celebrar. Coma se estiver deprimida para levantar o astral para aliviar a tensão, até para dar tesão...Coma bolo!
Este era o conselho de minha avó materna para tudo, literalmente tudo. Era ainda muito pequena quando meu avô faleceu. De seu velório, o que mais lembro é minha avó servindo um de seus famosos bolos aos presentes.
Confesso que a interpretei mal e a julguei maluca algumas vezes, mas o que uma criança sabe das coisas? Somente depois que me tornei mãe (de cinco filhos, diga-se de passagem) entendi o que dizia. Um bom bolo acalmava minhas “ferinhas”, meus aborrecentes, meu pai e até mesmo meu sogro. Mas principalmente meu marido.
Nunca fui uma cozinheira eximia ou de grande talento como minha avó era. Aprendi e me aperfeiçoei em alguns pratos, por assim dizer, pela necessidade, especialmente na época da faculdade (para escapar do fast food e dos congelado!) e depois por causa de Maddie e Ethan a princípio e pelos trigêmeos mais adiante. Para Tommy, especificamente falando, não cheguei a preparar nenhum jantar ou mesmo café da manhã durante nosso período de namoro/noivado e menos ainda depois de casados. Meu trabalho, o dele, nossos horários loucos, entre outras coisas, acabaram me afastando da cozinha. Apenas duas vezes fizera bolo para ele e as crianças. Por isto, e para comemorar a recuperação de meu marido, decidi preparar, hoje, o café da manhã para minha família.
Tommy havia recebido alta do hospital ontem, após duas longas semanas Ethan, Maddie e eu fôramos buscá-lo enquanto Laura e Connor ficaram com os trigêmeos na casa de Malcom, onde jantamos em companhia dele, de Ângela e meu pai, meu sogro e Ângela. Meia hora depois de o jantar terminar, os Rhodes haviam ido juntar-se a nós e tivéramos uma longa conversa sobre tudo que acontecera. Graças a Deus o problema com o tal homem havia sido resolvido e agora nenhuma ameaça pairava sobre eles ou nós. E Connor e Maddie puderam reatar o noivado com tranquilidade. Ele aproveitou para comunicar que optara por estudar em Starling mesmo, o que evidente deixou nossa filha extremamente feliz.
Já Ethan e Laura estavam mais grudados que nunca, o que nos deixava preocupados. Ao contrário da irmã, meu filho não tinha lá muito juizo quando se tratava de namoro (sexo mais precisamente) e o pai dela não era tão compreensivo, por assim dizer, como era o caso do senhor Rhodes. Para nosso alívio, Ronnie ao menos estava mantendo a palavra de não implicar e até passara apoiar o namoro, com ressalvas, óbvio. A conversa entre ele e meu marido não havia saído por completo ainda. Apenas conversaram rapidamente quando Ronnie fora visitá-lo quatro dias depois de meu marido estar interno e só. Mas nossas relações estavam bem melhores do que antes, sem dúvida nenhuma.
—Senhora Caitlin, as frutas que pediu – a voz de nossa babá me tira do devaneio – O que faço? – quer saber, olhando admirada minha produção matinal.
—Descasque e corte, por favor – peço, rindo discretamente ante seu espanto com a quantidade de bolos que fizera: quatro até agora!
—A senhora teve insônia – nossa governanta, que também notara seu espanto, comenta em tom de brincadeira enquanto me ajudava com os demais itens (café, sucos) para o café da manhã.
—Pior que tive mesmo senhora Logan – admito, rindo minimamente, me concentrando em despejar o conteúdo da tigela dentro da forma e levar essa ao forno pré-aquecido – Não consegui relaxar em parte por conta do horário da medicação de Tommy, em parte por medo de machucá-lo. Ainda está sensível – conto, limpando as mãos no pano de prato preso a minha cintura, admirando, satisfeita, o que fizera.
Havia descido pouco antes das cinco da manhã para beber água. Acabei comendo a última fatia de um bolo de padaria (muito ruim por sinal) e decidira fazer um para repor. Acabei fazendo mais de um!!
Até agora produzi um bolo de cenoura, que aguardava a cobertura de chocolate, o qual minhas meninas amavam. Um de limão, o predileto de Ethan, um de chocolate, favorito de Caio e meu também e um de laranja, unânime na família. O que pus no forno agora era o predileto de meu marido: formigueiro. Iria fazer mais um, tradicional, por conta de meu futuro genro cujo gosto ainda não conhecia, e de Laura, que também não conhecia o gosto, muito embora soubesse que Ethan e Maddie os fariam provar seus prediletos com toda certeza. Na verdade, tinha intenção fazer mais um além do tradicional, de banana, para aproveitar algumas que começavam ficar com a casca escura e as crianças não comiam.
—Depois que descascar pode fatiar a melancia e cortar o melão, o mamão e a maçã em cubos e pôr em tigelas os trigêmeos. O que sobrar coloque em uma maior. Porei menores na mesa caso mais alguém queira. As bananas aproveitarei num bolo – aviso, já começando a preparar massa em dobro – Senhora Logan, importa-se em peneirar chocolate em pó? Quero fazer cobertura para três destes bolos – peço, despejando farinha de trigo no copo medida.
—Claro senhora – prontifica-se, fechando a cafeteira após colocar o pó lá dentro – Quanto devo peneirar? – pergunta, abrindo o armário – Qual pego, tradicional ou cinquenta por cento cacau? – acresce.
—Cinquenta por cento e acredito que trezentas gramas sejam suficientes – quantifico, quebrando os ovos a parte para não correr o risco de misturar caso haja algum estragado – Quero fazer vulcão nos prediletos das crianças — explico.
—Humm, neste caso talvez seja melhor dobrar, não acha? Assim fica mais bonito – sugere.
—Tem razão. E se sobrar ponho nos demais – digo, medindo o açúcar pondo-o direto na tigela limpa.
A seguir, coloco os ovos, a manteiga e misturo até ficarem homogêneos. Logo que atingem o ponto desejado, acrescento a farinha já com fermento e o leite, gradativamente, até atingirem o ponto uma segunda vez. Desligo a batedeira e separo uma parte da massa para o bolo de banana. Unto duas formas, despejo a massa para o bolo inglês em uma e reservo, cobrindo-a. Pego as bananas, descasco, fatio e ponho para caramelizar a metade. Neste meio tempo, o bolo formigueiro fica pronto. Tiro-o, colocando o bolo inglês no forno, dedicando minha atenção a caramelizar as bananas.
—Chocolate peneirado, senhora. Vou lavando o que estiver sujo para não acumular – a senhora Logan avisa, pondo o refratário com o pó na bancada perto do fogão.
—Obrigada – agradeço sem desviar atenção da panela com as bananas.
—Se a senhora sofresse de insônia mais vezes no mês, poderia abrir uma loja de bolos!! – Karina brinca e rimos, as três.
—Olha, até que não é má idéia...o problema é que, graças a Deus, não é todo dia que meu marido está se recuperando!!— penso, rindo discretamente, desligando o fogo quando a banana chega ao ponto que desejo.
Despejo na forma escolhida, ponho a massa por cima e finalizo com as bananas restantes, pondo-a no forno elétrico. Me volto, pegando o refratário com o chocolate, o pondo na mesa. Abro as latas de leite condensado que deixara separadas, despejo numa caçarola misturando duas colheres médias de manteiga e o chocolate. Misturo tudo antes de levar ao fogo.
—Em que mais posso ajudar senhora? – Karina pergunta fazendo-me olhá-la, sorrindo ao ver as frutas cortadas em cubinhos e distribuídas em três tigelas iguais, o restante em uma única, maior, devidamente protegidas por tampas adequadas.
—Mexa aqui para mim que vou prepara algumas torradas – peço, entregando-lhe a colher de madeira – Mexa até começar a engrossar, ai desligue e misture o creme de leite que já separei – instruo, me afastando até o outro armário a fim de pegar o pão para torradas – Ah, espere um segundo antes de pôr o creme para não embolora tudo – recomendo, me postando junto a mesa aonde a senhora Logan desenformava os bolos já prontos.
Me dedico espalhar manteiga nas fatias, acomodando-as num refratário no qual pretendia pô-las novamente após prontas para guardá-las no forno, mantendo-as quentinhas até acordarem. Aproveito para verificar a hora quando me volto para a torradeira: sete e cinquenta. Ainda dispunha de algum tempo já que a única medicação que Tommy ainda precisava tomar por mais dez dias deveria lhe ser dada as oito e vinte.
Coloco as fatias, duas por vez, na torradeira, me dedicando ao preparo do suco de graviola, que amo, enquanto nossa governanta preparava o de laranja após haver desenformado os bolos, excerto o formigueiro, que ainda não esfriara. Ligo a cafeteira, pondo mais duas fatias para torrar. Passo o suco, peneiro direto na jarra, adoço levemente levando-o a geladeira.
—A cobertura está pronta senhora – Karina avisa e trocamos de lugar, ela assume as torradas e eu cubro os bolos, fazendo do de cenoura e o de chocolate vulcões, apenas cobrindo o de laranja e o de limão, guardando um pouco para o formigueiro, o inglês e o de banana deixaria sem.
—Como está o tempo? – pergunto, me esticando a fim de ver fora de casa através da janela – Estou pensando em preparar a mesa no terraço lateral. Não quero as crianças correndo aqui dentro e acho desnecessária a mesa de jantar – pondero, escolhendo um prato para desenformar o bolo de Tommy.
—Vou dar uma olhada – Karina se prontifica, saindo e voltando rápido – Não parece que vá chover senhora, apesar de o tempo estar nublado – conta, aguardando minha posição.
—Então será no terraço. Pode arrumar a mesa pra mim por favor? – peço, despejando a cobertura sobre o bolo, sorrindo satisfeita com o resultado.
—Ficou bonito – elogia a senhora Logan, providenciando proteção para cada bolo – Vou ajudar Karina e em seguida já começo leva-los para a mesa – avisa, retirando a louça do armário.
—E eu vou cuidar nestas torradas porque ainda quero preparar ovos mexidos antes de subir para dar o remédio a Tommy e acordar meu pequeno batalhão! – brinco, pondo mais duas fatias de pão para torrar.
Nos minutos seguintes me dedico a finalizar o desjejum, retirando os dois últimos bolos, batendo os ovos, termino as torradas as acondicionando dentro do forno para mantê-las frescas, ponho iogurte numa jarra adequada, separo as geléias de morango e frutas vermelhas bem como os queijos e o presunto, acondicionando tudo em vasilhas apropriadas enquanto Karina e a senhora Logan ajudam arrumando e lavando o que ainda estava sujo, carregando comigo o que ainda faltava para a mesa. Acabo por levar umas frutas sem partir caso alguém desejasse. Finalizo trazendo as torradas e os ovos mexidos (que ponho num recheaud para não esfriarem), um jarro com flores ao centro dando o toque final na mesa.
Olho-a, sorrindo satisfeita mais uma vez.
—Está linda! Até parece aquelas mesas de hotel cinco estrelas – Karina elogia, me fazendo rir com seu exagero, o som de uma porta batendo com força seguido de passos rápidos, latidos e miados vindos do andar de cima (posto que este terraço fica imediatamente abaixo dos quartos) nos alcançando – Misericórdia, os trigêmeos acordaram!! – exclama nossa babá, correndo para o interior de casa.
—E vão para nosso quarto!! – completo, seguindo-a segundos depois ao lembrar que costumavam fazer isto sempre que o pai ficava algum tempo ausente, tentando lembrar se Tommy vestira o pijama, ou pelo menos o short antes de adormecer (não fizéramos amor, mas matamos parte da saudade e nem sempre dormia vestido quando o fazemos, ainda mais estando cansado) –Que ele esteja acordado, Senhor!! – imploro baixinho, subindo os degraus de dois em dois.
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Narrador
—PAPAI!!! – três vozes gritam em uníssono, adentrando o quarto do casal correndo, subindo no recamier, usando-o para se atirarem sobre o colchão ao mesmo tempo em que o recém adquirido filhote de golden retriever e um dos yorks pulavam sobre a poltrona no canto, sequestrando uma almofada que começam arrastar pelo cômodo, o outro york e o gato saltando sobre o recamier, observando o trio a pular no colchão, animado.
—Papai? – Beatriz é a primeira a notar algo errado, sentando-se, quieta – Papai?? – chama novamente, conseguindo atenção dos irmãos, que param, de pé, olhando em volta.
—Cadê papai?? – Hannah pergunta, abrindo os braços, caminhando pela cama enquanto Caio ergue lençóis e travesseiros, buscando-o.
—Tá qui não!! – exclama o menino, sentando-se, desapontado – Tá não, papai – repete, fazendo bico.
—PAPAI TÁ SIM!! – Tommy grita, surgindo na lateral da cama, atirando-se sobre os filhos, fazendo-os soltar gritinhos de euforia e surpresa, deitando-se sobre eles, prendendo-os em seus braços – Pensaram que iriam me pegar de surpresa, mas fui mais rápido!! – vangloria-se, soprando na barriga de cada filho alternadamente, provocando risos – Peguei vocês. São meus prisioneiros agora!! – exclama, terminando de subir na cama, prendendo-os mais – Rendam-se e serei misericordioso – ordena, erguendo o tronco parcialmente, cessando as cócegas.
Não!! – respondem juntos os trigêmeos, tentando libertarem-se.
—Neste caso não terei pena!! – avisa Tommy, retomando a “tortura”, soprando em suas barrigas, fazendo-os rirem até ficarem sem ar, o gato e os cães agitando-se com a algazarra, latindo e pulando, correndo por todo aposento.
—Jesus amado, que bagunça!!! – Karina exclama parada a porta, levando ambas mãos ao rosto, Caitlin estancando a seu lado um segundo depois olhando da cama para os pets alternadamente, suspirando e rolando os olhando os olhos.
—Pegue os bagunceiros de quatro patas que cuido dos de duas – determina, agradecendo baixinho o marido estar usando pijama, caminhando resoluta em direção a cama enquanto a jovem corria ao encontro dos pets, segurando o gato e um dos yorks tangendo o outro, que corre para fora, senha para o filhote o seguir – Crianças, o que falei sobre ter cuidado para não machucar o papai?? – interroga ela, puxando Hannah para seus braços.
—Não machuca não mama – defende-se a menina, segurando o rosto da mãe com as duas mãos, exigindo sua atenção – Machuca não viu? – repete, os olhos azuis como o do pai brilhando de felicidade.
—Isso mamãe, não estão machucando o papai não – Tommy garante, sorridente, segurando Caio em seus braços enquanto Beatriz agarra-se a seu pescoço, enroscando as pernas em sua cintura, rindo sem parar.
—Mas podem machucar – Caitlin insiste, preocupada – Amor, falo sério. Pode machucar os pulsos ou a coluna ou mesmo a perna. Ouviu as recomendações do médico. Precisa se cuidar – ralha, pondo a filha de pé a sua frente, não a soltando – Beatriz e Caio, parem agora mesmo ou nada de bolo pra vocês!! – ameaça – ambas crianças parando e a olhando, atentas – Pois é, fiz bolos, no plural. Um para cada...
—Chocolate mamãe?? – Caio a interrompe, sacudindo-se nos braços do pai ante a confirmação dela – Ebaaaa!! Mama fez bolo – comemora – Solta papai, solta – pede, batendo palmas ao ser liberado, pondo-se de pé ao lado da irmã – Bolo, bolo, bolo!! – bate palmas enquanto pula, rindo ao escapar da tentativa que a mãe faz de segurá-lo, Beatriz e Hannah unindo-se a ele de forma mais moderada.
—Isso, bolo. Agora parem de pular e vamos tomar um banho e trocar de roupa – convida, tentando fazê-los descer – Uma ajudinha aqui papai!! – pede, olhando-o com censura.
—Não posso, estou em recuperação – Tommy responde, sorrindo marotamente, deitando-se e cruzando os braços atrás da cabeça – Além do mais, feriram meus sentimentos ao me trocarem por reles bolos – implica, fazendo bico.
—Reles é? Humm... suponho então que não queira o formigueiro que fiz especialmente para você, não é mesmo? – sugere ela, rindo alto ao ver o marido pôr-se de pé num salto – Mudou de idéia meu amor!?! – não resiste provocá-lo.
—Totalmente amore mio!! – responde ele, surpreendendo-a ao cingir-lhe a cintura, trazendo de encontro a seu corpo – Afinal, um bolo feito por suas mãos é sempre maravilhoso, sendo o meu predileto então, fica ainda mais saboroso – elogia, beijando-a com ardor, arrancando aplausos e gritinhos de euforia dos filhos, estes aproveitando o momento de distração dos pais, descendo da cama, saindo correndo pelo corredor, indo direto para o quarto da irmã mais velha, adentrando o cômodo de supetão, pulando na cama da garota, ela e o namorado despertando, assustados.
—Maddie, mamãe fez bolo, mamãe fez bolo!! – exclamam animados.
—Ai que susto!! – Maddie exclama, levando uma mão ao peito enquanto o namorado segura Hannah – Bom dia primeiro, né anjinhos!! – ralha, tentando parecer zangada, beijando o rosto de Caio e depois de Beatriz.
—Bom dia!! – dizem os três, Hannah rindo ao sentir Connor cutucando suas costelas, causando cócegas.
—Bom dia bonequinhas e cavaleiro! – cumprimenta o rapaz, tocando a mão do menino no ar – Já acordaram com a pilha toda, pelo visto – comenta, rindo quando o trio escapa, pulando da cama, saindo correndo mais uma vez – Algo me diz que ouviremos um grito muito em breve – brinca, erguendo o polegar quando isto acontece – Não falei! – exclama, dando um selinho na noiva – Bom dia amor.
—Humm, bom dia...e tchau!! – responde ela, deitando-se agarrada ao travesseiro, ele a abraçando, ambos rindo ante novo grito vindo do quarto de Ethan.
—Melhor irmos ajudar antes que ele esgane os pequenos – Connor argumenta, puxando a namorada para fora da cama.
—Não amor, deixa ficar só mais um pouquinho!! – tenta negociar a garota, fazendo um muxoxo ao sentir os pés tocarem o chão frio.
—Fiz bolo de cenoura com cobertura – a jovem ouve, empertigando-se, vendo a mãe passar, o pai surgindo logo a seguir.
—Bom dia – Tommy cumprimenta, parando um segundo a olhá-los, rolando os olhos ao escutar o filho mais velho protestar novamente.
—MÃE, TIRA ESSAS PESTES DAQUI!! – protesta o rapaz, cobrindo a cabeça com o travesseiro, a namorada rindo abraçada a Beatriz.
—Mamãe fez bolo Ethan. Acorda – Caio justifica-se, pulando entre o irmão e a namorada ao passo que Hannah já descia da cama, correndo em direção a porta, sendo prontamente capturada pela mãe.
—E eu com isso?? – resmunga o rapaz, a voz abafada – Some daqui peste!! – xinga.
—Ethan, não fale assim com seu irmão. Ele só está animado – Laura ralha, corando ao notar a presença de Caitlin e Tommy a porta.
—E a culpa é toda sua que deixou eles comerem doce antes de deitar – Caitlin acusa, pondo Hannah nos braços – E pare de chamar seus irmãos desta maneira ou vai ficar de castigo por tempo indeterminado!! – ameaça, chamando Caio e Beatriz com um gesto de mão, a menina beijando o rosto amassado de Laura antes de ir até a mãe, Caio o fazendo apenas quando visualiza o pai – Bom dia minha querida. O café está servido no terraço lateral, este aqui embaixo – comunica – E como já foi anunciado, temos bolo...de limão – diz, saindo com um sorriso nos lábios.
— Ela disse limão? – Ethan questiona com a cabeça ainda sob o travesseiro.
—Disse, mas veremos se vai merecer um pedaço – Tommy avisa, olhando de um para outro – Pensei ter dito que Laura dormiria na cama extra com sua irmã – comenta, dirigindo um olhar reprovador a Maddie e Connor, que se aproximavam.
—Não aconteceu nada pai – garante o rapaz, sentando-se ligeiro – E se a Maddie pode dormir com o Connor, por que nós não podemos? Não confia em mim? – inquire, sério.
—Posso confiar? – devolve Tommy, não esperando resposta – Vamos tomar o café que sua mãe preparou para nós e depois conversarmos. Os quatro – avisa, saindo com Caio.
—Sabia que não deveríamos ter trocado depois que eles foram dormir. Agora seu pai não vai permitir que fique aqui até minha mãe voltar – lamenta Laura, vestindo a calça do pijama antes de se levantar da cama.
—Não vai não, Laura. Só a gente saber conversar com ele. O pai não é tão intransigente quanto quer aparentar – Ethan tenta tranquilizá-la, vestindo a camisa de seu pijama – E não fizemos nada de errado. Só dormimos juntos, nada mais – argumenta, calçando a sandália.
—Resta saber se ele vai acreditar nisso – Laura retruca, prendendo o cabelo, suspirando – Talvez seja melhor eu ir para um hotel enquanto....
—Por quinze dias!?! Não precisa Laura – Maddie se pronuncia, abraçada ao noivo – Detesto admitir, mas Ethan está certo. Papai não é tão duro quanto quer parecer. Mas também concordo que devíamos ter aberto o jogo com ele logo de cara – diz, pensativa.
—Agora é tarde. Temos de convencê-lo que nada aconteceu entre vocês para poder ficar tudo bem – Connor pondera, aguardando os dois saírem.
—Não aconteceu nada — Ethan reafirma, segurando a mão da namorada – E ele vai acreditar porque estou dizendo a verdade, simples assim – garante o rapaz, estalando os dedos.
—É. Simples assim!! – Maddie o parafraseia em tom irônico, irritando o irmão.
—Agradeço sua confiança maninha, mas se puder ficar de boca fechada agradecemos – resmunga enquanto descem as escadas.
—E como ficarão de boca fechada se os envolvemos nisso Ethan?? – Laura questiona, chateada – A verdade é que estou chateada por ter traído a confiança de seus pais – confessa, apertando mais forte a mão do rapaz quando se aproximam, surpreendendo-se, como ele, ao ver a mesa posta para o café da manhã.
—Uau! Mãe, você caprichou!! – Maddie exclama, sentando-se lado a lado com o namorado.
—Tô me sentindo num hotel cinco estrelas – Ethan elogia, fazendo o mesmo que a irmã, olhando a mãe – Alguma razão especial para isso tudo? – pergunta.
—Além de seu pai estar em casa? Além de estarmos vivos e com saúde? Além de as coisas estarem começando a se encaixarem e correrem bem? Desconheço!! – responde Caitlin, sorridente, servindo uma fatia de bolo ao filho mais novo.
—Isso sim que são motivos mais do que justos! – exclama o rapaz, esfregando as mãos – O que temos, além do meu preferido bolo de limão? – quer saber.
—Chocolate, cenoura, laranja, banana, inglês e formigueiro, torradas, geléia, frutas, iogurte, ovos mexido e pão, leite, café e suco de laranja e graviola – enumera, servindo Hannah e Beatriz – Laura, fique a vontade para se servir e Connor, já é de casa – libera, pondo suco nos copos das crianças com ajuda de Tommy para somente então servir ao marido e a si mesma uma fatia de bolo.
—Hummm...amor, que delícia!! – Tommy elogia, beijando a mão da esposa – Maravilhoso, melhor dizendo – corrige-se.
—Obrigada meu amor – agradece ela, retribuindo o gesto.
—Não que esteja reclamando, mas por que fez tantos bolos? – Maddie pergunta, oferecendo um pedaço da fatia que se servira ao namorado, provando um pedaço do de banana que ele escolhera – Ai, papai tem razão. Tá maravilhoso mãe! Até esse de banana, que não gosto muito está delicioso – acresce, fechando os olhos enquanto mastiga.
—Insônia – Tommy adianta-se responder entre uma garfada e outra.
—Ué, não lembro de ter visto a senhora perder o sono a não ser na época que o avião do pai caiu – Ethan relembra, espalhando geléia em uma torrada, estancando – Não foi por minha causa, foi? – quer saber, tenso.
—Evidente que não meu bem – tranquiliza-o – Muito embora tenha visto que Laura estava em seu quarto quando olhei se estavam dormindo sossegados – admite, tomando um gole de café – Senhora Logan, sirva bolo para si e Karina – pede quando a governanta traz o queijo ricota.
—Já peguei senhora. Do inglês – diz a mulher, recolhendo uma bandeja vazia – Trago mais presunto? – quer saber.
—Sim e um pouco mais de leite, por favor – Tommy pede, servindo-se de mais bolo e torrada.
—O comprimido!! – Cait exclama de repente, encarando o marido – Esqueci sua medicação – toca a fronte com a mão.
—Mas eu não. Tomei assim que acordei, antes de ser atacado pelo exército mirim!! – garante ele, enchendo seu copo com suco novamente, provocando risos – Falando nisso, Ethan, não quero mais te ouvir xingar seus irmãos novamente – admoesta, encarando-o sério – Mesmo que invadam seu quarto, não quero ouvi-lo os xingar de novo, fui claro?
—Sim senhor – anui o rapaz, tomando um pouco de suco, servindo-se de ovos com torrada – Mas reconheça que é chato acordar com três anjinhos pulando nas suas costas!! – argumenta, dando uma mordida generosa na torrada.
—Muito chato as vezes, mas nem por isso me escuta xingando-os, escuta?? – Maddie comenta, pondo frutas e iogurte em uma tigela para ela e o namorado.
—Oi?? Como assim produção?? Xinga sim senhora. Ou xingava até pouco tempo atrás, vai negar? – inquere Ethan, encarando-a.
—Não. Mas parei porque sei que papai e mamãe não gostam – assume ela, sorrindo ao enxergar os avôs se aproximando juntamente com Ângela – Bom dia vovô Merlyn, vô Snow, Ângela. Já tomaram café da manhã? – pergunta a garota, fazendo os irmãos mais novos agitarem-se e os pais voltarem-se para os recém-chegados.
—Bom dia meu anjo e sim, já tomamos o dejejum. Ângela e eu ao menos – Malcom responde, segurando e beijando as mãos de Hannah, repetindo o gesto com os outros dois antes de cumprimentar Cait e Tommy – Bom dia, dormiu bem filho? – quer saber, apoiando uma mão a cadeira na qual a nora estava sentada.
—Muito bem – garante o empresário, afagando a mão que Ângela pousa em seu ombro – Sentem-se. Cait abriu uma fábrica de bolos e precisamos de ajuda para dar conta de tudo – brinca, recebendo um beliscão da esposa.
—Estamos vendo!! – Anthony Snow exclama, puxando uma cadeira sentando-se entre os netos menores após haver cumprimentado os mais velhos e seus respectivos namorados – Inspirada filha?? – pergunta, sorrindo amável.
—Estava sim – confessa Cait, sinalizando a governanta trazer mais xícaras para a mesa – Acordei cedo, desci para beber água e senti vontade de fazer porque comi o que restava do que compramos na padaria ontem – conta, abrindo espaço na mesa quando a babá traz o que pedira.
—E como acabou fazendo cinco?? – Ângela questiona, servindo-se um pouco de café.
—Seis na verdade – Cait a corrige, sorridente, indicando o bolo no final da mesa– Acho que me empolguei – confessa, fazendo uma careta charmosa – Quer experimentar? – pergunta.
—Lógico que vou querer, mesmo porque parecem apetitosos – aceita Ângela, olhando um a um – Acho que vou querer este daqui – aponta o de banana, estendendo o prato a Cait, provando um pedaço tão logo ela a serve – Gente, isso tá bom demais!! – elogia.
—Isso porque não provou o de cenoura com cobertura de Chocolate – Maddie afirma – Está maravilhoso tia Ângela – assegura.
—Diz isso só porque é seu favorito – Ethan acusa, erguendo as mãos quando ela atira um pedaço de maçã contra ele.
—E o seu, qual é? – pergunta a designer, comendo mais um pouco.
—Limão – revela o rapaz.
—Mas todos estão maravilhosos dona Ângela. Já provei um pouco de cada – Laura declara, corando.
—Vou provar também, e não precisa me chamar de dona meu bem. Só Ângela está bom – libera, sorrindo-lhe gentil.
—E vocês, por que acordaram cedo? – Tommy pergunta – Pode me passar a manteiga Connor? – pede, o rapaz atendendo.
—Vamos visitar Thea e resolvemos passar por aqui antes para vê-lo filho– Malcom revela, servindo-se de uma fatia de bolo de chocolate – Daí encontramos Anthony no caminho e viemos todos juntos – explica.
—Dormiu bem pai? – Cait quer saber, lembrando que nem sempre o pai conseguia dormir direito sem ser em sua cama.
—Maravilhosamente bem meu anjo. Sua casa de hospedes é excelente – elogia, tranquilo.
—Podia mudar pra cá em definitivo vô, assim fica mais perto da gente – Maddie sugere, dividindo a salada de frutas com o noivo.
—Isso. Assim pode ficar de olho nos noivinhos!! – Ethan provoca.
—E em você também cunhado – Connor devolve, ganhando um estirão de língua em resposta.
—Tão maduros!! – Maddie ironiza, rolando os olhos, Laura rindo discretamente.
—Preciso fazer isto? – questiona o padre, olhando os quatro alternadamente – Acredito que não, afinal, são maduros o suficiente para não se apressarem, para respeitarem o tempo certo de cada coisa acontecer e evitar erros e dores de cabeça para seus pais e familiares, não é mesmo? – indaga, Tommy e Cait espremendo os lábios para conter o riso.
—Certamente padre Snow – Connor apressa-se em dizer – Temos muito ainda pela frente, todos nós, para complicarmos nossas vidas e a de quem amamos nos apressando – garante o rapaz, fazendo a noiva sorrir, orgulhosa.
—Podia dormir sem essa, meu neto – Malcom diz, observando Ethan atentamente, entrelaçando os dedos – Muito embora pareça ter amadurecido bastante desde o acidente – comenta o empresário.
—Assim espero – Tommy diz, limpando as mãos, olhando do filho para Laura, o casal, abaixando a vista, envergonhados – Mande um beijo a baixinha por mim e diga que irei visitar minha sobrinha na segunda ou terça – pede.
—Direi. Agora, caso não se importe, quero mais um pedaço desse bolo de laranja – Malcom pede, esfregando as mãos – Obrigado minha nora – agradece ao receber a fatia cortada por Caitt – Hummm... maravilha!!
—Não é!! – Ângela anui – Já quero a receita Cait – avisa, comendo o restante de sua fatia.
—Assim vão me deixar sem graça – declara a empresária, corando.
—Merece cada elogio meu amor – Tommy assegura, piscando e beijando sua mão outra vez.
—Quando pretende voltar a trabalhar filho? – Malcom quer saber, mudando de assunto.
—Doutor Carter recomendou que voltasse gradativamente, um pouco por dia – conta ele, juntando a louça que sujara em um canto, servindo-se um pouco mais de café – Vou ficar em casa a semana que vem, resolvendo o que der daqui mesmo, e recomeço na seguinte, devagar – revela o que decidira.
—Farei o mesmo já que Laurel está dando conta de tudo no escritório com a ajuda de Sara. Assim aproveito para cuidar um pouco das crianças e começar a organizar o natal – Cait revela, limpando a boca de Beatriz.
—Só as crianças?? – Tommy pergunta, fazendo bico.
—Você também pode ter um pouquinho de atenção caso se comporte bem – condiciona ela, rindo, dando um selinho no marido.
—Mais bolo mamãe, mais bolo!! – Caio pede, batendo palmas, as irmãs fazendo coro.
—Melhor não. Já estão elétricos demais – reflete ela.
—Só mais uma fatia não fara mal meu amor – Tommy pondera, cortando ele mesmo, servindo os filhos.
—Senhor, tomara que não chova ou não vamos conseguir dar conta desses três o dia inteiro dentro de casa!! – Maddie preocupa-se, olhando o tempo.
—Boa sorte com isso – Anthony Snow deseja, pondo-se de pé – Vou indo. Tenho uma reunião do conselho paroquial em quarenta minutos – avisa, beijando o topo da cabeça dos netos menores, repetindo o gesto com Maddie e Ethan, segurando e beijando uma mão de Laura e de Connor – Tenham um bom dia e comportem-se meus anjinhos! – recomenda, indo até Cait — Bom dia minha filha – deseja, envolvendo-a pelo ombro – Ah, poderia ir conversar comigo na segunda? Estou com uma idéia e gostaria de sua opinião e se possível, ajuda – pede.
—Posso sim. Me adianta do que se trata? – quer saber, curiosa.
—Quero implantar algumas coisas aqui na paróquia – diz, repetindo o gesto que fizera nela em Tommy – Encontro de casais é um deles – revela.
—Ahhh!! – exclama a empresária, mordendo a unha do dedão.
—Está de carro Anthony? – Malcom pergunta, ele negando.
—Não. O carro da paroquia está na revisão e ontem vim com Cait e Thomas – lembra.
—Te levamos então – avisa o empresário, levantando-se – Melhor irmos antes que comece a chover. Bom dia a todos – deseja, cumprimentando os netos e depois o filho e a nora, pegando outra fatia de bolo.
—Não vai chover, mas concordo em irmos – anui a designer – Bom dia meus amores – deseja, soprando beijos a todos antes de seguir o namorado e o padre.
—Karina – Caitlin chama, a jovem babá surgindo de imediato – Me ajude a levar esta turminha para um banho e trocar de roupa– pede, tirando Beatriz da cadeirinha de alimentação, pondo-a no chão enquanto a garota faz o mesmo com Caio e Hannah – Vai subir quando terminar amor? – quer saber.
—Uhum – responde ele, ganhando um selinho e a recomendação para que pegasse leve sussurrada em seu ouvido antes de Cait afastar-se com a babá e as crianças.
Durante um tempo impreciso, ninguém diz nada, os jovens temendo complicarem-se mais, Tommy refletindo qual palavras usar, não querendo ser duro nem mole demais.
—Por suas palavras, Connor, presumo tenham entendido a indireta de meu sogro – Tommy quebra o silêncio, fazendo-os erguerem o olhar para ele – Não vou negar ter ficado bastante surpreso ao vê-la no quarto de meu filho Laura. E desapontado com ambas – afirma, apontando as garotas – Que seu meu irmão me desobedecesse era até esperado, mas ele contar com sua ajuda filha, é novidade pra mim – comenta — Assumi o risco ao permitir a Laura ficar hospedada conosco estes dias, enquanto sua mãe e avós estão fora. Mas depois da conversa que tivemos esperava ao menos que esperassem passar uns dois ou três dias antes de me desobedecer, filho –afirma, esperando-os falar.
—Maddie e Laura não tiveram culpa pai. Eu que insisti – Ethan começa, Connor o interrompendo.
—Eu também tive culpa já que não o convenci a desistir – diz, a noiva segurando sua mão.
—Desculpa senhor Thomas. Entenderei se não quiser que permaneça em sua casa e...
—Sem essa! Não fizemos nada de errado pai, lhe juro – Ethan interrompe a namorada, encarando o pai – Sei que deveria ter sido sincero, mas quero que saiba que não planejei nada disso. Apenas estávamos assistindo filmes juntos, eu disse a Connor que queria dormir com a Laura, ele achou melhor não, mas acabei convencendo ele e Maddie..e Laura também – assegura, respirando fundo antes de prosseguir – Prometi que íamos apenas dormir e cumpri minha palavra, pode perguntar a ela – diz, suspirando – Eu sei que já aprontei bastante e lhe dei razão pra não confiar em mim, mas desta vez estou sendo sincero pai – garante.
—Eu sei e não preciso perguntar a sua namorada – Tommy garante, os pegando de surpresa – Me desapontei por terem esperado sua mãe e eu dormirmos e não ter ido falar conosco a respeito do assunto, por terem agido as escondidas – declara, encarando o filho – Já tive sua idade Ethan. Sei bem como é quando se está apaixonado e com os hormônios em ebulição. Por que acha que recomendo tanto sua irmã e Connor irem com calma, que tenham cuidado e não se precipitem como eu mesmo fiz diversas vezes? – inquire, não aguardando resposta – Sei que não transaram. Nenhum dos dois – aponta os filhos – Ainda – frisa, fazendo os quatro corarem – A grande pergunta é até quando irão se segurar. É questão de tempo para vocês, por mais que me incomode – aponta Maddie e Connor – E de oportunidade para vocês – aponta Ethan e Laura – E é justamente isso que me preocupa porque seu pai não será nada condescendente em relação a este assunto – pontua, passando a mão pelo cabelo – Não quero que saia daqui Laura. Prometi a sua mãe que cuidaríamos de você, seu pai não se opôs e é isto o que faremos – afirma, encarando a garota – Tampouco irei impedir dormirem juntos, se é o que desejam. Mas estejam, ambos, preparados para arcar com as consequências, sejam elas quais forem – alerta-os – E não quero mais saber de visitas escondidas no meio da noite ou que nos esperem dormir para trocarem de quarto caso contrário ficarei bravo com os quatro de verdade – ameaça – Concordo com seus avôs em tudo que disseram a pouco e por isso darei um voto de confiança a você da mesma forma que dei a Connor quando pediu permissão para dormir no mesmo quarto com sua irmã a primeira vez, mesmo me doendo o coração – confessa – Espero, honestamente filho, que seja tão reto com sua namorada quanto ele tem sido com sua irmã. E que ambos sejam honestos conosco como eles têm sido, inclusive sabendo reconhecer seus limites – recomenda, silenciando alguns minutos – Bom, era isto que tinha a lhes dizer – declara, levantando-se – Vou me deitar um pouco. Essa droga de remédio me dá sono – resmunga, fazendo-os rirem minimamente.
—Pai – Ethan chama antes que se afastasse, indo até ele, o abraçando – Não vai se arrepender – promete.
—Ok filho – responde Tommy, dando dois tapinhas no rosto do garoto – Apenas seja honesto comigo – reforça, lhe dando um beijo no rosto antes de retirar-se.
—Seu pai é um sujeito e tanto amor – Connor elogia.
—É, eu sei – anui a garota, orgulhosa – E não vamos mais desapontá-lo neste quesito Ethan. Se vocês quiserem dormir juntos falem pra eles...e não façam besteira pelo amor de Deus – pede, juntando as mãos.
—Não faremos Maddie – Laura garante, olhando diretamente para o namorado.
—Não mesmo. E se vir que quero fazer, chuto meu traseiro para fora do quarto!! – Ethan brinca, segurando a gola do pijama, fazendo que ia atirar-se ao chão, arrancando risos dos três – Pessoal, eu sei que vacilei, de novo, mas está foi a última vez. Prometo – diz, erguendo o dedo indicador e o médio.
—Vai mesmo porque não vou te deixar fazer mais nenhuma besteira, maninho – Maddie assegura, suspirando – Mudando de assunto, o que faremos? – questiona-os – Pelo visto vai chover sim e não tem muito a se fazer dentro de casa além de assistir filmes, séries...
—Jogar! – Ethan e Connor dizem ao mesmo tempo.
—Isso se o trio calafrio permitir né non? – Maddie diz, piscando, dirigindo seu olhar a Laura, esta mostrando-se desanimada – Laura, relaxe porque o pior já passou. Agora basta não pisarmos na bola com o pai e pronto – garante, envolvendo os ombros da amiga – Eu sei que foi chato levar um sabão destes logo cedo e duplo, porque o vô Snow que começou, se forem notar – observa, fazendo a garota caminha de volta ao interior da casa – E o malfeito já foi feito, portanto vamos aproveitar enquanto meus docinhos mais doces irmãozinhos não descem para alegrar ainda mais nosso dia – convida.
—Eu queria ser despachada e tranquila como você é – pondera a garota, fazendo a outra rir.
—Você chega lá. São anos de experiência sendo praticamente a única mulher na vida de um homem e meio, também conhecidos como meu pai e irmão!! – brinca, conseguindo fazê-la rir.
—Até porque sempre que surgia uma pretendente da qual não gostávamos, púnhamos para correr com nossos planos, ahuahuahuahua!! – Ethan relembra, esfregando as mãos.
—Sério que botavam as namoradas de seu pai pra correr? – Connor questiona, arqueando a sobrancelha – Não lembro de terem comentado sobre isso alguma vez.
—Não comentamos! – respondem juntos, os gêmeos.
—Não que seja segredo, mas é que o pai não sabe de algumas coisas e apenas suspeita de outras, logo...- Maddie deixa a insinuação no ar, subindo as escadas lado a lado com a amiga, Ethan e Connor dois passos a frente delas.
—E o silêncio é a alma do negócio! – Ethan completa, voltando-se para as garotas com um sorriso maroto – Mas, para vocês, podemos revelar algumas coisas, como aquela vez em que convencemos uma namorada do pai que ele sofria de insônia crônica e quando tinha crises não deixava ninguém dormir por semanas. Detalhe: ela era enfermeira! – conta, continuando a subir de costas, relembrando outras armadilhas com a ajuda de Maddie, parando quando chega a seu quarto, Connor e ele entrando ali enquanto as garotas seguiam para o quarto de Maddie, onde a mala de Laura estava, combinando encontrarem-se na sala tão logo se arrumassem.
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Tommy
Me estiro na cama, respirando profunda e lentamente, a cabeça latejando levemente (fato que ocultara de Cait e as crianças).
Depois de ter conversado com os quatro, subi tendo o cuidado de evitar os trigêmeos me verem por que aí seria adeus descanso e admito: estava precisando.
Não conto o tempo em que estive internado como descanso porque estava tão tenso e agitado com tudo que sabia estar acontecendo fora de lá. Apenas a medicação me fazia relaxar e somente durante seu efeito. Por vezes acordava sentindo o suor frio escorrer por meu corpo após um pesadelo, demorando a conciliar o sono a fim de evitar Cait me encontrar mal.
Agora, em casa e ciente de que tudo estava resolvido (ao menos em relação a ameaça contra os Rhodes e quem os cercava), poderia, de fato, relaxar e descansar em companhia de minha família. Sempre que as crianças permitam, óbvio.
—Os males de ser ter uma prole numerosa Tommy!! – murmuro, rindo baixinho, fechando os olhos.
Durante minutos permaneço na mesma posição: deitado de barriga para cima, olhos fechados, ouvidos aguçados, escutando os sons de meu lar. Pude distinguir claramente as vozes de Ethan e Maddie relembrando alguma peripécia da infância que fez Connor e Laura rirem, minha filha recomendando pararem e se reunirem na sala para não me incomodar, o som de portas batendo me avisando que entravam nos quartos (e ai tentei não pensar em quem estaria entrando no quarto de quem). Pouco depois escuto Cait ralhando com as crianças para não fazerem barulho, sua voz sumindo aos poucos juntamente com os risos e a voz de Karina. Mais um tempo e ouço Ethan chamar pela irmã e namorada, respirando mais aliviado, os quatro descendo (não sem antes meus filhos virem discretamente a meu quarto, parando junto a cama um segundo, me observando com ar preocupado a princípio, sorrindo quando suspiro, propositadamente, mudando de lado, saindo pé ante pé). Sorrio, mergulhando numa espécie de torpor e logo depois num sono leve, despertando ao sentir o colchão ceder.
—Desculpa amor, não queria te acordar – Cait pede, me dando um selinho, deitando-se a meu lado.
—Sem problema – tranquilizo-a, me aconchegando a seu corpo – Está chovendo? -pergunto, escutando o som contínuo da água batendo na calha.
—Uhum. Não muito forte – confirma, afagando meu cabelo, iniciando um cafuné que me faz suspirar.
—Onde estão nossos anjinhos? Os cinco? Ou melhor, os sete!! – pergunto, fazendo-a rir.
—Todos na sala de cinema assistindo filme – conta e enrugo o cenho, surpreso.
—E chegaram a um consenso ou você impôs? – quero saber.
—Evidente...que impus – assume, e rimos – Mas procurei algo que todos gostassem e Karina vai levar os menores para a sala de brinquedos assim que se entediarem, como sempre acontece quando ficam muito tempo parados – lembra, me dando dois beijos rápidos – Está melhor? Da dor de cabeça – me surpreende e rio baixinho.
—Eu não consigo esconder nada de você não é mesmo? – indago, puxando-a para um beijo mais demorado – Estou sim – tranquilizo-a – Quantas horas? – quero saber.
—Não se preocupe, quando o almoço estiver pronto a senhor Logan virá avisar – diz, me dando dois tapinhas para que a deixasse se acomodar melhor – Estava pensando em almoçarmos aqui, só nós dois, que acha? – sugere, me abraçando novamente.
—Concordo – respondo, passando minha perna por sobre seu quadril, prendendo-a, afastando seu cabelo e distribuindo beijos por seu pescoço.
—Tommy, pensei que quisesse descansar – ralha quando minhas mãos começam explorar seu corpo.
—Já descansei – digo, girando-a, fazendo com deitasse e a cobrindo com meu corpo – Além do mais, se tem algo mais relaxante do que fazer amor com minha esposa, desconheço!! – repito sua fala, saboreando o riso doce e melódico.
—Nisso reconheço estar certo – anui, envolvendo meu pescoço com os braços – Totalmente certo – acresce, um sorriso sedutor dançando em seus lábios antes que os tome num beijo ardente.
“... I believe in memories;
They look so pretty when I sleep;
And when I wake up;
You look so pretty sleeping next to me;
But there is not enough time;
And there is no song I could sing;
And there is no combination of words I could say;
But I will still tell you one thing;
We’re better together”

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