Perdoe os Vícios pelo Amor

9 Cartas da mesa - PARTE 1


Notas iniciais
O capitulo ficou imenso, e resolvi dividir em dois para facilitar a minha vida e a de vocês leitores. Espero que gostem, esse foi feito com um carinho especial. Abraço de urso!

Era demais pra mim. Edric vir na minha casa me falar que Nathan estava me traindo com a minha melhor amiga, só podia ser brincadeira. Fechei os olhos com força tentando não expulsa-lo da minha casa a pontapés.

― Ele não faria isso comigo. ― Afirmei sem acreditar.

― Nathan é tão bom, não é Nancy? ― Edric sorriu irônico. ― Por quê eu inventaria uma coisa dessas? O que eu ganharia com isso? Esqueceu que eu gosto da Lilian?

Sentei-me no sofá ao seu lado colocando as mãos no rosto. Edric realmente não ganharia nada com uma mentira tão séria como aquela. Eles não fariam isso comigo. Ou fariam?

Explicaria o distanciamento do meu namorado e a sensação que Lilian estaria escondendo algo de mim.

― Como você descobriu?

― Começei a desconfiar todas as vezes que saíamos juntos. Ela sempre dava um jeito de sair da mesa, e linda coincidência era que seu namorado também.

Levantei o olhar percebendo que tudo se encaixava.

― Só para confirmar peguei o celular dela e li as mensagens.

― Com mais de dez senhas?

― É para isso que existe hacker.

― E quem seria? ― Indaguei em deboche. ― Você?

Edric sorriu orgulhoso e piscou os olhos para mim.

― Exatamente. Até que você é bem esperta Nany.

― Não me chame assim. ― Resmunguei. ― Parece nome de cachorro.

― Tanto faz. ― Rebateu dando de ombros. ― Você não parece abalada.

Concordei com a cabeça. Eu sentia vazio, e isso estava começando a me deixar assustada. Talvez seja o choque.

― Talvez você não goste dele como acredita gostar. ― Sugeriu.

― Lê mentes também?

― Leio pessoas. ― Ele colocou-se de pé e me estendeu a mão para que eu pudesse levantar. ― De qualquer forma os pombinhos vão se encontrar hoje a tarde, se quiser ver com seus próprios olhos e me ajudar na surpresa que preparei estarei aqui as cinco.

― Eu quero ir com você. ― Murmurei o guiando até a porta.

Ele me olhou atentamente e sorriu sincero.

― Ele não te merecia Nany.

Fechei a porta e revirei os olhos, percebendo que ele não era tão idiota quanto eu imaginei.


***

― Não vai me convidar para entrar? ― Provoquei divertida.

― Nancy, não esperava você aqui.

Dei de ombros.

― Vim ver como você estava. ― Falei assim que ela me deu espaço para entrar.

Anya bem parecia ter sentido mal estar, com um sorriso enorme no rosto. Leila não estava diferente porém percebi um interesse a mais.

― Fala logo o que você quer Leila.

― Eu? ― Fez-se de desentendida.

Cruzei os braços esperando sua resposta e escutei uma risada de Anya.

― Nancy amor, sabe o que você podia fazer pra mim? ― Leila sugeriu.

― Hum.

― Aquela mousse de Nutella que você falou. Por favor. ― Pediu fazendo cara de cachorro que caiu da mudança.

― Tá. ― Resmunguei. Ela não ia me deixar em paz enquanto não fizesse.

― Já disse que te amo?

― Sempre que quer algo de mim.

― Vamos para a cozinha, assim você me conta o resto do seu dia. ― Anya disse me puxando enquanto Leila fazia uma estranha dança da vitória.

― Depois de me falar como passou mal. ― Eu estava curiosa para saber também como tal Scott tinha a ver com aquilo.

Leila abriu a geladeira e tirou os ingredientes que lhe pedi. Eu deixaria o doce para elas, já que Leila mais ficava na casa de Anya que em sua própria.

― Você faz e ela fala. ― Ela murmurou sentando-se na bancada. ― Estão olhando pra mim porque? É pra hoje!

Folgada.

― Conte Anya.

― Bem, eu não consigo comer do café da manhã, e quando eu como a comida volta. ― Ela explicou e franziu as sobrancelhas. ― Mas eu nunca cheguei a desmaiar, e foi tão rápido. Talvez minha anemia tenha voltado, marquei uma consulta médica pra confirmar.

Ela omitiu boa parte da história, e eu a entendia, teríamos mais tempo quando chegassemos na minha casa.

― Quem te deu carona Nancy? ― Ela questionou apoiando o rosto entre as mãos.

― Táxi. ― Menti, me sentindo mal em seguida.

Apertei o botão do liquidificar preenchendo o ambiente com seu som.

― Que sortuda. ― Leila exclamou. ― Nesse horário é muito difícil conseguir um.

Concordei em silêncio e coloquei a mousse no congelador.

― Vamos arrumar nossas coisas, a minha avó está chegando para nos levar. ― Anya avisou, dando fim aquele assunto.

***
Emilly Campbell era muito simpática e só libertou Anya do seu interrogatório quando minha avó abriu a porta.

― Vamos assistir Game of Thrones ou Supernatural? ― Leila indagou ao entrar no meu quarto.

― Supernatural. ― Sugeri.

― Game of Thrones. ― Anya opinou.

Ela ponderou nossas sugestões e sorriu decidida.

― Vai ser Stranger Things.

Oi?

Gargalhei com a sua lógica.

Leila era uma peça mesmo.

― Mas antes precisamos ter uma conversa. ― Falei voltando para uma postura séria. ― Eu não fui verdadeira com vocês hoje.

― Como assim? ― Anya indagou.

Ouvi vozes diferentes conversando no nadar de baixo e me calei tentando identificar quem era. Passos ficaram mais próximos do meu quarto e por fim uma batida.

― Quem é? ― Gritei.

― Sou eu Nany.

Ah Meu Deus.

Esfreguei meu rosto e levantei da cama incrédula. Ele tinha que aparecer justo agora?

― O que ele está fazendo aqui? ― Leila perguntou exaltada.

Anya permaneceu calada mas eu podia perceber as engrenagens do seu cérebro formulando hipóteses.

― Nany você está bem?

Eu me senti como um animal encurralado. Uma idéia se iluminou na minha mente. Eu não precisava fugir.

Abri a porta e céus, eu nunca ia me acostumar com o lado nerd do Edric. Ele estava usando seus óculos de grau que deixava seus olhos ainda mais expressivos. Fofo.

― Dá pra parar de me secar? ― Sorriu convencido mas quando eu escancarar a porta ele empalideceu.
― Ela não me disse que atrapalhava.

― Não atrapalha.

Okay Nancy, essa é a hora que você se explica.

As minhas duas recém amigas estavam claramente aborrecidas. Edric sentou-se na ponta oposta da cama onde elas estavam.

― Ignorem a presença dele e me escutem. ― Respirei fundo. ― Vocês sabem que eu não sou uma Vougan legítima certo?

― Sim. ― Leila concordou dando de ombros e Anya assentiu.

Olhei para Edric, que maneou a cabeça me apoiando, entendendo onde eu pretendia chegar. No fundo eu sabia que estava magoado por não ter falado antes.

― Minha mãe antes de se internar revelou o nome do meu pai biológico, Lorenzo era o nome dele. Consegui descobrir também que ele na época morava em San Diego.

Estou falando rápido demais.

Tomei um ar e recomecei.

― Era uma agulha num palheiro, mas consegui localizá-lo após uma pesquisa profunda. Alguns dias depois fui encontrar o tal Lorenzo, um rico estilista.

Edric não escondeu uma careta.

― Ele me recebeu muito bem, fizemos o teste que confirmou a sua paternidade. Lorenzo me falou que tinha outro filho, mas eu nunca tinha visto ele pela casa.

― E o que a cenoura ambulante tem a ver com isso? ― Leila cortou.

Tudo.

― Edric é o meu irmão, o filho do Lorenzo. ― O alívio me inundou, confirmando que eu tinha tomado a atitude certa.

Anya tampou a boca surpresa e Leila olhou para mim e Edric perdida.

― Você está melhor. ― Ele me perguntou.

― Com certeza.

Elas ficaram caladas durante um bom tempo e eu começei a rir.

― Caramba, vocês congelaram assim? ― Consegui dizer entre risos.

― Suas amigas estão supressão e se perguntando como você tão sem sal, seria irmã de alguém tão bonito e inteligente quanto eu.

Idiota.

Joguei o travesseiro na sua cara, desejando matar o imbecil sufocado.

― Por essa eu não esperava. ― Murmurou Leila sorrindo da minhas tentativas de matar meu irmão.

― Isso explica muita coisa. ― Anya falou.

― Para com isso sua louca. ― Ele berrou quando me joguei em suas costas. ― Eu não vou fazer seu jantar favorito.

Soltei ele de imediato. Eu sabia cozinhar razoavelmente bem, mas Edric era muito melhor. Ele me chantageava com sua comida sempre que podia. E pior: funcionava.

― Eu te odeio.

― Mas ama meus canolis e meu tortellini. ― Rebateu. ― Sua avó mão avisar que vai jantar fora e pediu pra meninas dormirem aqui. E eu vou adiantar o jantar.

― Opa. ― Anya e Leila fizeram um High five.

― Vamos ficar assistindo. ― Leila sentenciou.

Ele olhou para ela concordou e saiu.

― Ainda não consigo acreditar que ele é seu irmão. ― Sussurrou.

― Eu demorei pra acreditar também, mas eu aprendi a ama-lo.

Que ele não me escute.

― Imagino. ― Anya murmurou. ― Podemos ajudar ele na cozinha.

Edric metódico com três malucas mexendo nas suas receitas... que maravilha.

― Foi a melhor ideia que eu já escutei. ― Sorri maliciosa.

Ele vai pirar.

― Sou um desastre na cozinha. ― Leila avisou.

― Melhor ainda.

Descemos as escadas e rumamos até a cozinha encontrando um Edric extremamente concentrado, manuseando com habilidade os equipamentos da cozinha.

― Viemos ajudar. ― Falei e ele arrumou os óculos sobre o rosto.

― Não acho uma boa ideia. ― Resmungou.

― Por favor bambino.

Edric estreitou os olhos com o apelido e nos analisou, como se pudesse ver nossa alma.

― Lavem as mãos. Anya mexa o molho na panela. ― Comandou autoritário. ― Nancy ainda lembra o ponto da massa do pão caseiro?

― Não.

― Eu faço então. Coloque os canolis para fritar, já preparei a massa e o recheio, está na geladeira.

Caramba você é rápido mesmo.

― E eu? ― Leila protestou.

― Você vai me passar os ingredientes. Não tem erro.

Peguei a massa e começei o meu trabalho enrolando-a em uns tolinhos de metal. Coloquei o óleo em uma panela e fiquei ao lado de Anya.

― Está se saindo bem. ― Elogiei colocando os rolinhos para fritar.

― Eu nunca precisei fazer nada disso. ― Confessou com um sorriso zombeteiro.

― Fazia o básico até meu irmão insistir.

" Você tem que se virar sozinha", Edric me infernizava todas as vezes que estavamos juntos.

― Leila tem certeza que você me passou o sal? ― Edric questionou enquanto eu colocava os canolis pra rechear em um prato.

― Absoluta.

― Me mostre onde você pegou.

Anya apagou o fogo quando eu falei que já estava bom e ficou observando a discussão acalorada dos dois assim como eu.

― Eu peguei um potinho branco aqui.

― Tinham vários potinho brancos assim.

― Estava do lado da batedeira.

Edric assentiu em reconhecimento e seu rosto mudou de cor três vezes. Primeiro ficou branco sem acreditar no que Leila tinha feito, depois vermelho de raiva e por fim roxo.

Merda.

― Acho que errei né? ― Leila corou envergonhado sob o olhar demoníaco do meu irmão.

― Você acha? ― Bradou. ― Quem troca açúcar por sal? ― Ele bateu na massa furioso.

― Em minha defesa eu avisei pra Nancy que não sabia nada de cozinha.

Arregalei os olhos.

Merda dupla.

― Disse foi? ― Edric se voltou para mim irado e pegou a massa. ― Eu vou te fazer engolir essa porcaria e a culpa é toda sua.

― Não foi essa a minha intenção. ― Menti saindo de perto dele, que vinha se aproximando em passos lentos.

Começei a correr pela cozinha fugindo do megalomaníaco do meu irmão, que parecia um touro enfurecido. Enquanto eu corria pela minha vida Leila e Anya gargalhava em distância.

Traidoras.

Abaixei-me no exato momento em que Edric ia jogar a massa massa na minha cara. E sorri vitoriosa me sentindo a Viúva Negra pela minha performance.

― Eu não acredito. ― Olhei para trás e vi que na verdade a massa tinha atingido Anya, que naquela altura era um fantasma saído de um filme de terror.

Como a vingança é doce.

Olhei para Edric e não aguentamos, rimos sonoramente ade Anya. Coloquei as mãos na barriga que já doía de tanto rir.

Anya devolveu o sorriso cinicamente e mais rápido que eu pudesse registrar, jogou um ovo na cara de Edric, fazendo sua risada morrer e a minha e de Leila aumentar.

O que veio a seguir foi uma confusão de comida, peguei um saco de trigo e sai jogando aos quatro da cozinha, sem reconhecer ninguém. Eu ria descontroladamente até cansar. Parei e olhei a cozinha.

Hoje eu morro. Se não foi pelo Edric vai ser pela dinossaura.

― Parem agora! ― Gritei desesperada.

Eles pararam de imediato. Leila esfregava sei lá o que na cara do ruivo por cima dos seus óculos, que bagunçava o cabelo de Anya com a massa dos canolis.

Que desperdício.

Eles se soltaram e perceberam na imensa gigante que tínhamos nos metido.

― Ainda dá tempo de fugir. ― Edric sugeriu.

― Que merda. ― Leila resmungou.

― Eu sei, a dinossaura vai torturar a gente.

― Eu tava falando do meu cabelo.

O que?

Fuzilei-a com o olhar.

― Mas é verdade. ― Explicou-se rapidamente. ― A sua avó vai nos matar.

As paredes, o chão, o teto. Tudo estava sujo.

― O que nós vamos fazer? ― Anya questionou paralisada.

Notas finais
Agradeço a leitura e a paciência com a minha demora. Espero que eu esteja merecendo comentários.