Perdidos no inferno
8 Episódio 1: Gritos - Capítulo 3A
Notas iniciais
Ricardo Silveira
Eu estava sem nada para fazer, eu coloquei vários cartazes dizendo para ficar em casa, mas não adiantou, ainda vejo muitas pessoas na rua não sabendo de nada, eu estou torcendo que aquilo foi colocado em controle. Eu agora parei em um posto para almoçar com Vanessa, eu não tinha nada para almoçar em casa nem ela, então resolvemos almoçar juntos enquanto estamos resolvendo o que no hospital.
– Então, doutor, o que você acha que pode ter causado aquilo? – Vanessa pergunta.
– Parece ser um novo tipo de vírus recente, ele produz um veneno que te mata e depois controla o seu cérebro. Ainda não sabemos a origem dos mortos. – Eu respondo.
– O que você pode fazer com isso? – Vanessa continua me interrogando.
– Eu não posso fazer nada, o governo tem que mandar os melhores cientistas para descobrir a cura, se eles demoraram anos para descobrir a cura da AIDS, imagina a cura desse vírus. – Eu respondo como um profissional.
– Que nome você daria para essa doença? – Vanessa pergunta.
– Eu acho que daria de... Bem, eu não sei. – Eu respondo.
– O que você faria para controlar essa doença? – Vanessa faz outra pergunta.
– Eu já tentei, na verdade, nós já tentamos. – Eu respondo da maneira mais exótica.
– Você era o que no hospital? – Vanessa me interroga (Mais uma vez de novo).
– Eu era um pesquisador de doenças, eu procurava algumas informações sobre o que aconteceu, tipo local de infecção, causador, etc. – Eu respondo.
– Alguma coisa a mais sobre essa doença? – Vanessa finaliza seu interrogatório.
– Eu sei que os mortos carregam o vírus, se você tiver contato de sangue com eles, você já estará infectada e não terá volta. – Eu respondo.
– Acho que já chega, já fiz perguntas demais. – Ela avisa sorrindo.
– Sim, pensa em uma curiosa aqui. – Eu afirmo.
– Eu posso fazer outra pergunta? – Ela repete.
– Você acabou de fazer uma. – Eu respondo.
– Na verdade duas. Como você sobreviveu tudo isso? – Ela pergunta.
Aquela pergunta me atinge, eu me lembro muito bem da tragédia que aconteceu, os diversos gritos de dor e pânico, e sacrifícios absurdos.
– Eu estava na minha sala cuidando dos pacientes infectados com essa espécie de vírus, eles não estavam nada bem, parecia que eles ficariam em coma por meses. Eu ouvi um grito vindo da sala do lado, eu fui lá e vi vários pacientes com sangue espalhado pelo seu corpo, eles estavam devorando Jonathan, um doutor que estava me ajudando, eu tive que matar eles. Depois que matei todos, eu tentei socorrer ele, mas ele perdeu muito sangue e ele implorava para eu deixar ele e fugir junto com Mariana, uma enfermeira, você não iria acreditar em quanto ela chorou ao ver Jonathan morrendo. Eu fugi com ela para o estacionamento, quando estávamos quase chegando ao meu carro, Mariana tropeçou e foi pega pelos mortos, eu não consegui salvar ela e tudo que me restou fazer foi a deixá-la ser devorada por uma dúzia desses mortos. Eu consegui entrar no meu carro, médicos pediam socorro, mas eu tive que ignorar, e assim cheguei junto com vocês, enfrentando esses mortos. – Eu respondo, percebi que eu estava quase chorando.
Vanessa me encara triste, ela também perdeu parceiros, e ela deixou eles para trás que nem eu deixei Mariana para trás. Eu apenas fico em silêncio encarando Vanessa, pelo menos consegui segurar minhas lagrimas. O silêncio foi quebrado com um grito, não dava para ouvir direito, mas dava para perceber o que estava acontecendo. Eu levanto da mesa e vou investigar o barulho, Vanessa atrás de mim. Fiquei boquiaberto, era um cenário de terremoto, varias pessoas corria para todo o lado, a maioria era pego por vultos estranhos, mas familiares, os mortos.
– Oh meu deus! – Vanessa consegue falar.
Lembrei-me dos mortos que tranquei dentro do hospital, se eles conseguiram escapar, isso significa uma coisa, essas coisas conseguem quebrar a porta de casa mesmo trancada.
– Eu acho que eles conseguiram derrubar o portão. – Eu comento.
– Não pode ser, eles são mais fortes do que nós imaginávamos. – Ela avisa.
– Mesmo trancadas em casa as pessoas estariam correndo perigo. – Eu comento.
Eu parecia um idiota ali, apenas comentando e confirmando fatos enquanto varias pessoas eram devoradas por esses mortos.
– Ricardo, nós deveríamos fazer alguma coisa. – Vanessa pede.
– Poderíamos salvar o maior número possível de pessoas e montar um grupo de sobrevivência. – Eu sugiro.
– Mas não podemos salvar muitas pessoas, temos apenas três lugares livres no nosso carro. – Ela avisa.
– Deveríamos primeiro encontrar o nosso abrigo, depois resgatamos pessoas ilesas. – Eu sugiro.
Vanessa me encara e depois balança a cabeça em sinal de sim.
– Vamos agora, estamos perdendo tempo. – Ela avisa.
Eu entro no banco de passageiro de novo e ela no banco de motorista, eu apenas espero ela acelerar o carro. Ela acelera o carro e entra no tumulto, era surpreendente quantos mortos tinham na rua, a maioria dos pedestres não conseguiam fugir e perdiam a vida para eles, os motoristas eram mais sortudos.
– Oh meu deus! Eu sabia que estávamos fazendo a coisa errada. – Vanessa comenta surpresa.
– Nós fizemos o certo, nós não conseguiríamos vencer eles. – Eu minto na primeira parte.
Varias pessoas e mortos eram atropeladas por motoristas, infelizmente não tinham chance nenhuma. Vanessa estava muito assustada, gritava toda vez que alguém era atropelado.
– Vanessa, você tem que se acalmar. – Eu tento influenciar ela.
– Eu não consigo! – Ela grita de volta, como se eu não conseguisse ouvir ela.
Ela continua gritando cada vez que alguém é atropelado, às vezes uma dúzia de mortos era atropelada. Percebi que os mortos estavam dominando, se nós não pudéssemos atropelar nós já estaríamos cercados.
– São muitos! – Ela continua gritando.
Eu não me importava quantos deles tinham, era só nós mantermos acelerados, mas ela estava certa, eram muitos, parecia que já atropelamos vários. Senti um estrondo, parecia que nosso carro acertou alguma coisa.
– O que aconteceu? – Eu pergunto.
– Não, não, não! – Vanessa soca a buzina.
O som da buzina chamou alguns mortos, só agora eu percebi que nosso carro bateu com outro, parecia que o carro foi abandonado. Olhei mais e vi que não era só um, era vários carros abandonados.
– Por que eles abandonariam um carro? Esse é o melhor meio de transporte de fuga que tem. – Eu pergunto para mim mesmo.
– Eu não sei, mas vamos ter que correr. – Vanessa responde.
Eu fiquei muito nervoso, os mortos estavam lentamente cercando nosso carro, seria quase impossível nós fugirmos dali, e mesmo que nós fugíssemos, eu duvido que eu agüente muito tempo. Apenas concordei com a cabeça, tentando engolir o medo.
– Você ainda tem bala? – Eu pergunto.
– Sim. – Ela responde.
– Então você gasta toda sua bala atirando na cabeça deles e depois sai rapidamente do carro, eu vou ficar aqui e distraí-los enquanto você foge. – Eu planejo.
– Não, você não, por favor. – Ela implora.
– Essa é a única maneira para que um de nós sobreviva, vai logo, antes que vários deles cheguem. – Eu mando.
Eu temia que nós começássemos a discutir, porque se começasse, nós seriamos cercados facilmente (isso seria: game over). Vanessa saca sua arma e atira nos primeiros que estão na janela, depois ela abre o carro e atira em mais um, conseguindo fugir facilmente. Eu apenas suspirei e olhei para o lado, tinha dois mortos batendo na janela do meu lado. Eu procurei por alguma coisa para acertar eles, encontrei algo familiar, o extintor de incêndio parecia uma ferramenta inútil, mas era o suficiente para agradecer que todo carro tinha extintor de incêndio. Peguei o extintor de incêndio e acertei o vidro com força, um dos mortos caiu no chão, mas logo se levantou, voltando a me atacar. Eu acertei no outro, ele caiu, mas se levantou que nem o outro fez. Dei outra acertada nesse e ele caiu no chão, mas dessa vez ele caiu em cima de uma barra e furou a cabeça, me deixando apenas um. Antes que eu pudesse acertar nele, ele puxou meu braço direito e deixei cair o extintor de incêndio, que atingiu meu pé e me fez uivar de dor. O morto, que estava quase tocando seu dente no meu braço foi lançado para longe, me deixando confuso.
– Está tudo bem? – Eu ouço uma voz familiar.
– Sim. – Eu respondo.
Percebo que a voz é de Vanessa, eu acho que me esqueci dela esperando minha morte. Abri o carro e abracei-a, ela apenas aceitou o abraço, eu não sabia o que eu estava fazendo, mas ela não me abandonou (e foi apenas um abraço rápido).
– Vamos! – Eu apenas comando.
Eu começo mancando pela dor no meu pé, que foi atingido pelo extintor. Depois eu começo a correr na calçada, Vanessa parecia ter mais facilidade, por enquanto não éramos pego por nenhum, apenas seguíamos em frente.
...
3 minutos de corrida, pareciam horas, eu já estava cansado de tanto pânico, desespero, nervosismo, tensão, adrenalina, quase tudo de pensamento negativo. Vanessa também estava cansada, mas fazia de tudo para continuar correndo.
– Eu não vou conseguir correr por muito tempo! – Eu sinto minhas palavras voarem da minha boca.
– Temos que continuar correndo! – Ela avisa.
Parecia que minhas preces foram atendidas, lá estava uma boate, segurança máxima e um ótimo abrigo.
– Vamos ir lá. – Eu aponto para a boate.
Nós conseguimos correr sem nenhum incidente sem lá, mas com muitos incidentes acontecendo na nossa mente (Que raio de dia foi esse?).
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