Perdidos no inferno
6 Episódio 1: Gritos - Capítulo 2B
Notas iniciais
Ricardo Silveira
Eu vi aquele policial caindo no chão, nesse momento eu já estava me aproximando do meu carro. Dois policiais vão ao seu socorro, um segurando seus ombros e o outro seus pés.
– Ele desmaiou! — Eu ouço um policial gritar.
– Ricardo! Precisamos de sua ajuda! — Um outro grita.
Eu corro de volta em seu socorro, percebo que os mortos que sobraram agora estão avançando rapidamente e eu não chegaria lá a tempo.
– Tirem ele dai! — Eu grito.
Eles carregaram o policial inconsciente, mas ao invés de colocar ele no carro, eles carregaram na minha direção.
– Ricardo! Faça alguma coisa! — O pardo grita.
A manada de mortos está quase se aproximando do policial pardo, eles tinham que sair, mas eles teriam que deixar o policial inconsciente para trás.
– Eu vou fazer, distraia os mortos. — Eu aviso ele.
Começo a fazer massagem em seu peito, apertando em uma tentativa inesperada de evitar a sua morte. Ele tem o pescoço mordido e já perdeu muito sangue, e aquela mordida não é normal, é a mordida da morte, reanimação (sei lá o que é isso). Eu continuo batendo, mas ele não acordava, eu tinha que contar sobre a mordida.
– A mordida, essa mordida é letal e não tem cura. — Eu aviso.
– O que? — O policial do meu lado grita surpreso.
Eu comecei a pensar como eu podia explicar para ele, mas meus pensamentos foram interrompidos por um grito próximo. Olhei para ver o que estava acontecendo, o policial pardo foi derrubado no chão e está segurando um morto que está em cima dele pelos ombros, outro morto pula em cima dele e o policial acaba perdendo para o morto.
– Allison! — Uma policial grita.
Percebo que uma das viaturas foi embora, deixando apenas eu e mais 4 policiais. Allison começa a ser devorado por quase todos os mortos, apenas 2 resolveram atacar um outro policial.
– Cuidado! — A mulher avisa.
Primeiramente eu não sabia o que estava acontecendo, dai eu percebi que um dos mortos estava atrás do segundo policial, antes que eu pudesse reagir, o morto morde o pescoço do policial, derrubando ele no chão, logo veio os outros e derrubaram ele também. Eu não fiquei assistindo a cena, eu corri até a policial e evitei que ela tentasse atacar os mortos que estavam comendo os dois policiais.
– Me solta! — Ela grita comigo.
Eu pensei em soltar ela e deixar ela matar aqueles mortos, mas ela acabaria morta de qualquer jeito se eu soltasse ela, então continuei segurando até ela se acalmar.
– Temos que sair daqui! Eles já estão mortos, uma mordida e sua vida já era. — Eu aviso ela.
– Não! Eu tenho que salvar eles! — Ela continua gritando.
– Não dá mais! Essa mordida é letal e não tem cura! Vai te matar em menos de duas horas! Vamos! Entre no carro! — Eu começo a gritar.
– Mas não podemos deixar eles aqui! Eles podem matar mais pessoas! — A mulher avisa.
– Então só podemos fazer uma coisa. — Eu aviso, finalmente esfriando a situação.
Andei até o carro da viatura, a policial me olhou com cara de quem vai perguntar se vamos apenas abandonar eles, mas mesmo assim ela me acompanhou. Eu entrei no carro e sentei no banco do passageiro, a mulher senta logo depois no banco do motorista.
– O que eu faço? — A policial pergunta mais calma.
– Atropela eles. — Eu aviso.
Eu esperava ela me chamar de doido, mas ela avançou o carro contra a manada de mortos, lançando eles longe dos policiais já mortos. Eu olho para trás e vejo que só dois continuaram no chão, um deles estava com a cabeça esmagada. A mulher dá ré e acerta eles de novo, percebi que agora eles estão avançando para o nosso carro. Cinco mortos ainda resistiram e estão avançando para o carro, eu vi que eles já devoraram quase todo o policial pardo e mais que a metade do segundo policial, o policial que desmaiou só teve os membros e o estômago comido. A policial deu uma ultima atropelada na manda, dessa vez matando três, deixando apenas dois deles vivos, eles tentam nos seguir, mas desistem e voltam a devorar suas vitimas. A policial segue caminho enquanto eu apenas olho, eu pensei em avisar os pedestres e motoristas que passavam em volta o que estava acontecendo, mas mudei de idéia, eu acho que eles já vão perceber o que vai acontecer.
– Agora devemos procurar um lugar seguro até que tudo isso acabe. — Eu aviso.
– Você não iria pedir para que a população se trancasse em casa? — Ela pergunta.
– Infelizmente não dá quando você está longe de casa. — Eu aviso.
– Nós devíamos avisar mesmo assim. — Ela responde.
– Senhorita...hmm… — Eu começo, mas acabo esquecendo do nome dela.
– Vanessa, prazer em conhece você, Ricardo. — Ela me lembra.
– Ah sim, eu iria falar que devíamos deixar isso com o governo, dessa vez vamos só nos focar na nossa sobrevivência. — Eu continuo.
– Não vai salvar sua família? — Ela pergunta.
– Minha esposa morreu de câncer e meus filhos já estão em outra cidade, eu acho que eles vão sobreviver. — Eu respondo.
– Que triste, espero que seus filhos sobrevivam. — Ela conforta inutilmente.
– Espero que sim. E a sua família? — Eu pergunto.
– Ainda sou solteira. — Ela responde sorrindo.
Eu olho para o seu corpo, ela tem cabelo loiro amarrado em um rabo de cavalo, sua pele é bem clara e tem olhos azuis brilhantes, ela parece ter 25 anos, enquanto eu tenho 45 anos. Eu dou um sorriso, ela devolve, e continuamos a procura de um abrigo, eu não acredito que eu sorri depois de uma situação traumatizante.
Carolina Vieira
Eu ainda corria na luta desesperada por minha vida, o medo me afetava por completo, eu poderia morrer qualquer segundo naquela corrida, era só eu me deparar com um morto na esquina ou parar por um segundo e tudo já era. Minhas pernas doíam e imploravam para eu parar, mas forcei elas a continuar correndo. Um morto chega perto de mim, mas Matheus derruba ele dando apenas uma empurrada em seu peito, cada vez aparecia mais mortos e menos pessoas, por isso parecia que ele fazia isso toda hora, eu também tive que fazer isso. Mas depois é que a esperança acabou, tivemos que parar quando vimos vários deles fechando um lado da rua. Pensei em voltar, mas quando olhei para trás, percebi que eu estava cercada, não tinha chance de fugir.
– O que fazemos? — Eu pergunto para Matheus, falhando em não parecer medrosa.
– A única coisa que podemos fazer é ir pulando muros. — Ele responde.
Eu achava que era uma péssima idéia, mas eu faria tudo por minha vida, até coisas que eu não queria. Segui Matheus que estava indo até uma pequena casa branca que parece ser de um idoso, a cerca não era tão alta, então foi fácil pular, mas a adrenalina dificultou tudo.
– Matheus… — Eu começo a falar, mas não consigo terminar.
– Sim? — Ele pergunta.
Eu paro de correr quando chego ao fundo da casa, onde parecia seguro, com vários potes de planta e parecia ser tranquilo se meu corpo não estivesse cheio de adrenalina.
– Eu...não...aguento… — Eu começo falando.
Eu estava com dificuldade de respirar, eu fazia exercício duas horas cada sábado e domingo, mas nunca daquela dificuldade sem parar para descansar.
– ...mais...correr. — Eu consigo terminar.
Eu me deito na grama, cansada de tanto correr, olhei para uma cadeira branca feita de madeira (como fui burra, eu poderia ter sentado lá para descansar), mas eu estava muito cansada para levantar.
– Carolina, não dá para você descansar agora, temos que ir. — Ele avisa.
Eu não queria levantar, eu queria apenas ignorar e dormir ali mesmo, mas quando olhei para o lado, vi mortos pulando a cerca e mancando na minha direção. Meu medo de ser comida viva voltou e me fez levantar, mas com dificuldade.
– Eu não posso correr por muito tempo. — Eu aviso ele.
– Podemos ir de carro. — Ele sugere.
Eu começo a rir (Matheus dirigindo um carro? Ele foi reprovado no curso de automobilismo), mas olhei de novo para o lado e eu aceitei.
– Venha! Eu acho que essa casa do lado deve ter um carro. — Ele opina.
Ele me ajudou a pular a cerca, que era mais alta que a primeira, depois ele pulou com facilidade. Corremos até a garagem, que estava toda bagunçada, eu não sabia se tinha alguém ali ou não, e eu nem queria roubar um carro, mas tínhamos que pegar o carro para sobreviver. Matheus tentou abrir a porta, mas não abriu (ele já deveria saber que todo carro fica trancado).
– Droga! Bem que eles deveriam ter deixado o carro aberto. — Matheus avisa.
– Quem deixaria? Temos que procurar a chave lá dentro. — Eu sugiro.
– Claro, vamos lá dentro. — Ele responde.
Matheus tenta abrir a porta da garagem, mas está trancada (Eu já sabia, depois daquela reportagem, quem não trancaria a porta?).
– Que tal você chamar o dono da casa? — Eu sugiro.
– Está de brincadeira? Ele provavelmente já morreu, eu fiquei em casa e os malditos mortos conseguiram quebrar minha porta. — Ele avisa.
Além de eu estar ansiosa e desesperada para ficar segura, eu fiquei ainda mais nervosa e surpresa com o que Matheus disse, eu já estaria negando, mas isso deve ser possível. Eu não fiquei tentando convencer Matheus a chamar o dono da casa, eu estava em uma situação de apuro e eu não podia ficar ali esperando por ele, bati com força na porta.
– Eu preciso de ajuda! — Eu grito.
– Você é realmente uma doida. — Ele afirma.
Eu me lembrei que os mortos podiam subir a cerca facilmente e nos atacar, Matheus já estava sugerindo a gente dar o fora.
– Por favor! — Eu grito ainda mais alto.
Eu estava a ponto de desistir, mas a porta foi aberta. Ele tinha cabelo cinza e barriga enorme e gorda, parecia ser alguém nos 60 anos, ele segurava uma barra de ferro na mão direita e podia facilmente nos atacar.
– Nós estamos sendo atacados por mortos! Eu sei que parece besteira, mas é serio! Você precisa nos ajudar! Depois você pode olhar como está a rua, mas por favor! Nos ajude! — Matheus implora por ajuda.
– Eu já sei o que está acontecendo, eu deixarei vocês entrarem, mas por uma condição: se vocês não estiverem mordidos. — O homem avisa.
– Obrigado, obrigado, obrigado.- Matheus agradece.
– E pare de gritar. — Ele avisa.
O homem começa examinando os membros de Matheus, eu acharia ele doido se eu não tivesse assistido ou lembrado daquela reportagem que passou na TV, depois levanta a camisa dele, eu senti uma pequena atração olhando seu peito malhado, mas eu consegui resistir.
– Você pode entrar, agora você. — Ele aponta para mim.
Ele examina os meus membros e depois levanta minha blusa um pouco, eu daria um tapa na cara de quem fizesse isso comigo, mas isso era sério, e pelo menos ele não levantou até os seios.
– Tudo bem, você também pode entrar. — Ele avisa.
– Obrigado, senhor. — Eu agradeço.
Eu queria agradecer muito mais, eu esperava ele apenas nos ignorar, mas ele nos salvou da morte. O homem trancou a porta da garagem, olhei em volta e vi mais pessoas.
Fale com o autor